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O podcast Grelha de Partida tem o apoio da Renault. 10 anos de experiência no domínio elétrico levam a uma nova oferta híbrida. A tecnologia E-Tech, que conjuga o know-how elétrico e a experiência da Fórmula 1 Renault na gestão de energia. O melhor das motorizações térmica e elétrica num só automóvel, com o híbrido plug-in da Renault. Saiba mais em renault.pt.

And it's lights out and away we go!

Oh, this is bad.

Stop talking about racing.

Valtteri, this is James.

No!

Get in there, Lewis.

Is that a podium, boys?

Are you crazy?

Grelha de Partida na Rádio Observador. Aqui falamos de Fórmula 1 e do Grande Prêmio de Portugal. Hoje decorreu a qualificação para a corrida de amanhã e é isso que vamos já analisar. Eu sou o Miguel Cordeiro e estou nesta viagem com o Pedro Boucher de Mendes, com o Alfredo Lavrador e com o Pedro Matos Chaves. Boa tarde a todos.

Olá.

Olá, Miguel. Olá a todos.

Boa tarde. Vamos ter muito pra falar hoje e por isso, sem demoras, vamos ao que interessa, vamos para a nossa pole position.

Pole position. That was a lion lap.

Pam, pam, pam, pam. Grazie, ragazzi. Oh, grande máquina.

Dia de qualificação no Autódromo Internacional do Algarve, com muita frieza de Hamilton. O britânico conseguiu pole position no Q3. São já 97 em toda a carreira, 97 pole positions. Fez 1:16.6, logo depois ficou Bottas, o finlandês que tinha dominado todas as sessões de testes e também o Q1 e o Q2. Fez no final 1:16.7 e em terceiro, Max Verstappen, com 1:16.9. A partir daqui, tudo com mais de 1:17, Charles Leclerc e também Sergio Pérez a completar até o quinto lugar. Pedro Matos Chaves, tivemos hoje uma luta aguerrida entre Bottas e Hamilton nesta discussão pelo pole position e Hamilton, no fim, conseguiu essa pole position.

Acho que sim. Acho que este ano tem sido muito assim. O Bottas desde o princípio do ano que subiu o nível do jogo dele e está sempre em todos os circuitos a dar mais que fazer ao Hamilton. E aqui, acho que foi mais um fim de semana em que ele, tanto na sexta como no sábado de manhã, foi-se mostrando, mas depois na hora da verdade, o Hamilton apareceu com o talento que toda a gente reconhece, 97 pole positions. Está tudo dito. E no Q1, na hora da verdade, ele foi buscar aquela décima que faz a diferença verdadeira, se calhar, entre os dois pilotos, entre a performance dos dois.

Uhum.

Posso só fazer uma pergunta? Não vos fez confusão a reduzida vantagem, e mais uma vez num grande prêmio, que o Lewis Hamilton conseguiu face ao Bottas? Isto numa altura em que ele, desejavelmente, irá bater o recorde das vitórias, até para o Grande Prêmio do Algarve ficar na história.

Na história.

Não vos faz confusão a magra vantagem que ele consegue e a rasca sobre o seu colega de equipa?

A rasca por quê?

A rasca porque foi um décimo disso.

O próprio Hamilton diz que o Bottas está a fazer ele o melhor piloto. Portanto, acho que o Bottas é um excelente piloto.

Com certeza.

Acho que com outro colega, se fosse o Bottas e o Russell, por exemplo, na Mercedes, o Bottas seria campeão, não tenho nenhuma dúvida. Acho que o Bottas é mesmo muito bom piloto. Tem é o azar de ser escandinavo, não ser muito latino, expressivo ou o que for, e de ser um bocado aborrecido como pessoa, pelo menos parecer, e ter do outro lado, claro, o Hamilton. Mas é um excelente piloto.

Mas nestas equipas de ponta, eu não me recordo, ajudem-me, por favor, se tiverem memória disso, de um primeiro piloto que seja tão frequentemente batido, ou igualado, ou pressionado por um segundo piloto, sendo que o Bottas é um bom piloto, ninguém lhe retira valor, mas as equipas não estão a fazer fila para o contratar caso ele queira sair da Mercedes.

Mas se calhar deviam, Alfredo. É que está.

Pedro Boucher de Mendes, olhando aqui para os lugares intermédios, a Racing Point consegue assegurar a quinta posição na grelha com Sérgio Perez e Charles Leclerc consegue manter a Ferrari nesta corrida, nessa quarta posição na grelha de partida.

A grande novidade ou a grande atração da quali hoje foi de facto o lugar da Ferrari, porque o próprio Vettel ficou em 15º.

Sim.

E admitiu que não conseguiria nem por sombras, nem que tivesse tido um dia bom, estar à altura do seu companheiro de equipa, do Charles Leclerc. Acho que foi uma qualificação estranha, nenhum dos pilotos conseguiu bem perceber o comportamento dos pneus em relação ao piso e às características da pista e ao vento que estava. E o Hamilton conseguiu com pneus médios uma pole position, o que é uma coisa extraordinária. Eles começaram por tentar com pneus soft, os encarnados, com a banda encarnada, depois mudaram para os amarelos, com a banda amarela, os médios, e foi aí que o Hamilton conseguiu à segunda tentativa o melhor tempo. Ou seja, normalmente é à primeira tentativa que se consegue a pole position. Portanto, é um grande prêmio que amanhã pode ter algumas coisas interessantes pra ver na corrida propriamente dita, porque é completamente diferente da qualificação.

E quem é que foi o desilusão? Foi mesmo o Vettel?

Sim, eu acho que o Vettel está a fazer uma época estranhíssima, muito má. Não se estava à espera que ficasse em 15º, mas também acho que ninguém esperava que ele estivesse em quinto ou sexto. Portanto, sim, pode levar a medalha de desilusão.

Uhum.

Mas também não é precisamente inesperado.

Alfredo, vamos olhar para uma coisa que aconteceu também nos testes de hoje. Tivemos uma situação que foi-se atrasar o arranque depois da qualificação, uma tampa de escoamento ficou danificada depois de Vettel ter passado por lá. Aquilo demorou bastante tempo a reparação e atrasou a qualificação. O que se passou neste caso para acontecer um incidente destes?

Sei aquilo que tu sabes, que foi efetivamente uma tampa. Os pneus têm muita aderência, o Pedro pode explicar isso melhor que ninguém, e eventualmente não estava bem fixa ou com as passagens sucessivas por cima dela soltou-se, partiu-se qualquer coisa. E o problema não era repará-la, o problema era garantir que não voltava a acontecer. Porque todos nos lembramos de um grande prémio, não era há muito tempo, em que as tampas andaram a fazer partidas e uma tampa daquelas pisada e disparada por um Fórmula 1 é uma arma terrível.

Sim, é um perigo no circuito. Olhando para toda a organização, e isto tem sido também falado já nestes dois dias de grande prémio. Pedro Chirino, tu que estás no autódromo do lado da bancada, o Pedro Marques Chaves está junto ao paddock, qual é que tem sido o ambiente, como é que tem sido esta experiência do grande prémio no Algarve?

Bastante má. Claramente a organização não foi feita para isto, para receber público. Eventualmente, estarão a receber bem as equipas, os pilotos e a malta do paddock, mas o público normal não foram feitos, de certeza. Há pouquíssimas facilities, portanto, casas de banho, bares, essas coisas. Não deixam entrar as pessoas com água e comida e não se percebe porquê. Ontem estive na fila 50 minutos para comprar uma bebida, hoje nem. As filas davam, quer dizer, nem tentei. Completamente arbitrário. Lá os GNR são mais compreensivos que os tipos das seguranças, que estão lá da empresa de segurança. E vejam bem que a solução é deixarmos nós a nossa mochila no exterior, portanto qualquer pessoa pode levar, sairmos com o bilhete e passam com o sensor do código de barras do nosso bilhete, nós saímos do recinto, comemos ou bebemos água e depois voltamos a entrar com o bilhete picado outra vez. Nem sequer há água nas casas de banho para se beber, pelo menos ali não havia. Portanto, uma criança que vai com o pai e o pai terá que estar uma hora e meia na fila para o miúdo beber água. Acho isto uma coisa absolutamente extraordinária. Sendo que parece que há uma coisa chamada Covid, que convém que as pessoas não estejam juntas em filas ao pé umas das outras. Ouvi vagamente falar disso, não sei se ouviram falar também.

Também já ouvi falar disso.

Pronto. E é estranhíssimo que as pessoas não possam levar água e comida, quanto mais não seja para não estarem na fila dos bares, que depois também não existem. E é mais ou menos isto. A experiência não está a ser muito interessante do ponto de vista do conforto do espetador, mas pronto, vendo os carros já não é mau.

Sim. Pedro Marques Chaves, e do lado do paddock, como é que tem sido a experiência?

É sempre um bocado estranho. Com estas histórias do Covid, é tudo muito limitado e há muito distanciamento e muitas regras, mas de facto, aquilo é igual no mundo inteiro. O Pedro Chirino está num sítio em que pode medir o pulso a isso tudo, porque o espetador o espetáculo é feito para as pessoas da bancada. Portanto, essas pessoas é que têm que ser protegidas e aí é que a organização mais tem que trabalhar, porque quando se vai a um evento desportivo, portanto levar a família, as mulheres, miúdos e tem que haver as casas de banho. E eu estou de acordo, vou vendo a entrada no circuito e mexi-me no circuito de um sítio para outro e pareceu-me tudo um bocadinho desorganizado nas áreas do público, do peão e de algumas bancadas. Acho que eles não estariam ou não estão preparados, talvez falta de experiência, para multidões tão grandes como a que está no autódromo.

E vamos ver o que acontece amanhã, no dia de corrida. Aqui na grelha de partida, vamos agora para o nosso "pit stop".

Box, box, box, box.

E neste nosso "pit stop" falamos do trabalho de oficina e toda a equipa que está por trás destes supercarros. E hoje vamos falar do trabalho dos diretores e da comunicação que é feita entre as equipas e os pilotos. E para começar, começamos com um problema numa sintonia de rádio.

What's happening? What's happening? Why am I hearing the radio of the others? I was hearing Hamilton on the radio.

Okay, are we coming back to you?

I mean, I was hearing an engineer or someone.

Copy, should be all good now.

Escutamos aqui Leclerc, que esteve com problema no rádio, nos testes de hoje. Parece que tudo ficou resolvido, parece que estava a ouvir Hamilton, a equipa de Lewis Hamilton. Aconteceu durante os testes desta manhã. Mas vamos a este trabalho de comunicação. Pedro Marques Chaves, tu que já estiveste dentro de um Fórmula 1 a competir, alguma vez te aconteceu alguma situação destas ou alguma falha de comunicação que prejudicasse depois o piloto?

Não. Quer dizer, na altura, sair um tampão no ouvido ou ter um problema desse é uma chatice, porque depois fica-se a ouvir mal durante a corrida toda e dá problemas, porque eles estão de fora a ler a corrida e estão a ver as voltas e quem está a andar mais depressa e em que fase da corrida estamos, e ajudam bastante o piloto. Mas interferências não costuma haver. Nos Estados Unidos, havia uma curiosidade, é que o público Quando se comprava o programa da prova, tinha a curiosidade que as equipes tinham uma frequência e podia-se, com um simples rádio, ouvir as comunicações das equipes. De maneira que era muito giro e nós, pilotos, éramos aconselhados a não ter má linguagem, porque havia miúdos que estavam a ouvir.

Era só sintonizar o rádio?

Exatamente.

Alfredo, o Pedro Matos Chaves falava aqui da questão da comunicação e das dificuldades que a comunicação pode colocar se falhar, basta ser um auricular ou um tampão, como dizia o Pedro Matos Chaves. Mas olhando aqui para quem está do outro lado do microfone, os diretores que lideram toda esta equipe. É um papel essencial, quase um treinador de toda esta equipe de mecânicos, de engenheiros e depois também do piloto.

Mais do que com o diretor da equipe, a comunicação mais frequente, para não dizer que é constante, é com o engenheiro-chefe de cada piloto.

E é ele que comunica com o piloto.

E são esses que determinam o comportamento do piloto em pista. É aquilo que o Pedro Matos Chaves estava a contar, que não só os aconselham sobre a melhor estratégia face à situação dos rivais mais próximos, como porque têm acesso à telemetria e conseguem saber se os pneus estão a acabar, se estão a aguentar bem a temperatura, o aumento da temperatura e por aí fora. Sem um bom engenheiro-chefe não há grandes pilotos hoje em dia. Aliás, é frequente ouvir-se o Hamilton salientar esse bom contacto que tem com o seu engenheiro.

Sim, esse é também um trabalho de equipe. Pedro Bues-Ulibarri, é também um ponto de atração toda esta interligação entre a equipe e os pilotos durante a corrida?

Sem dúvida, para mim, aliás, até é dos mais interessantes, porque como eu já disse aqui, Fórmula 1 é um desporto de equipe e obviamente o piloto quando usa a máquina é de longe quem tem o maior salário, o maior risco e o maior protagonismo. Mas atrás dele há uma equipe e é uma espécie de olhos do piloto, um olhar geral sobre o que está a acontecer e o que pode vir a acontecer e é fundamental. A comunicação rádio é fundamental. Desde há uns anos, há poucos anos, que há certas coisas que os engenheiros não podem dizer. Eles supostamente usam alguma linguagem cifrada, às vezes, não se percebe bem, mas eu acho que é uma parte indispensável da modalidade, sem dúvida nenhuma. Estas conversas são muito do sumo das corridas.

Alfredo, ainda olhando para tudo isto, há uma parte estratégica toda na comunicação que é feita com os pilotos para gerir de melhor forma toda a corrida?

Sim, sobretudo porque como cada equipe tem dois pilotos, inclusivamente dá para jogar. Hoje já não se pode fazer anti-corrida, se quiseres. Não se pode impedir um adversário de ultrapassar. Não se pode ser apanhado a fazer isso, mas na prática pode-se. Se um carro for anormalmente lento, tem que deixar o outro passar, tem as suas curvas. Mas há várias formas de empatar um carro com andamento similar, há várias formas do empatar e todas elas legais. E isso já foi feito no passado e não deu muito bom resultado.

Estamos quase a chegar ao fim. Vamos para o nosso bandeira de xadrez. Aqui olhamos para a história e para momentos marcantes do Grande Prémio em Portugal. E hoje falamos dos melhores pilotos que correram no nosso país. Alain Prost venceu três vezes, Nigel Mansell também três vezes e Stirling Moss, que já falámos no primeiro episódio, venceu por duas vezes. Pedro Matos Chaves, memórias destes pilotos, principalmente de Alain Prost e Nigel Mansell, que têm esse recorde de vitórias em Portugal, três para cada um.

Estás a dizer de duas pessoas muito diferentes. O Alain Prost era conhecido pelo professor. Tudo era papel químico e ele era o engenheiro do carro dele, afinava tudo direitinho, fazia tudo direitinho, andava muito depressa. O Nigel Mansell era um estilo completamente diferente, muito mais agressivo, uma motivação fora do normal, uma vontade de ganhar, desde a Fórmula 3 até à Fórmula 1 e na Fórmula 1, quando foi campeão do mundo, sempre um piloto mais agitado e fora do carro, muito polêmico com os mecânicos, com a equipe.

E em pista também, que em 89 faz aquela, tira o Senna para fora de pista no Grande Prêmio de Estoril.

Sim, mas faz falta. São estilos diferentes, mas os dois completam-se.

Essa parte do Senna ser atirado para fora de pista, ele dificilmente se poderá queixar. Foi uma técnica que ele desenvolveu muito bem. Mas ó Pedro, não concordas que o Mansell por vezes impressionava pelo coração que tinha?

Sim, claro. Eu lembro do Mansell fazer umas 500 milhas de Indianápolis em que tocou no muro a 370 com a roda da frente e faltavam 20 voltas pro fim e o Danny Sullivan na altura comentava pra televisão, era um antigo vencedor das 500 milhas e garantia que ele ia entrar, porque tinha que entrar. Tecnicamente, o carro estava afetado do toque que tinha dado, tinha sido um toque muito pequenino, mas a 370. E ele não entrou. Ninguém acreditava que um piloto, porque ali é tão simples quanto isso, sai uma roda tu vais morrer, porque vais a 390, faz em média 275 entre muros. Ninguém faz aquilo e o Mansell fez as últimas 20 voltas e acho que ficou em terceiro na corrida e só uma pessoa com o coração do tamanho dele é que faria aquilo.

Sim. Muita resiliência também. Pedro Boucher Mendes, memórias destes pilotos, principalmente de Mansell e de Prost, que ainda não tínhamos falado neste "Grelha de Partida".

Eu quando acompanhava o Prost e ele corria, eu detestava-lo.

Tu eras fã do Senna, já percebi.

Era Senna, sim. Coitado do Prost, não tem culpa nenhuma. Eu hoje arrependo-me um pouco, porque ao olhando para trás, aliás, essas coisas são ridículas, mas quando somos novos, às vezes temos estas emoções à flor da pele. De facto, a condução dele era muito burocrática mas muito eficiente. E o Prost foi um grandíssimo campeão, como o Senna também foi. O meu piloto favorito de sempre, que é o Jenson Button, tem um estilo muito parecido com o do Prost. Embora bastante inferior em termos de palmarés, mas um estilo muito certinho, muito elegante. Mas o Prost também sabia atirar para fora de pista, atirou o Senna no Japão para fora de pista.

Diz-me outro. Recorda-me outro piloto que o Prost tenha puxado, que tenha empurrado para fora.

Sim, o Schumacher não. Agora apanhaste-me, Alfredo. Mas como estávamos a falar de pilotos que atiram para fora de pista, o Prost também. Mas sem dúvida nenhuma, tenho boas recordações do Prost.

Deve ter atirado outros. De certeza que atirou outros, não te preocupes.

Sim.

Bem, ficamos sem tempo. Estamos de regresso amanhã, já com a corrida. Vamos ter muito para analisar depois dessa corrida, deste grande Prémio de Portugal, aqui na Rádio Observador, no "Grelha de Partida".

O podcast "Grelha de Partida" tem o apoio da Renault. 10 anos de experiência no domínio elétrico levam a uma nova oferta híbrida. A tecnologia E-TECH, que conjuga o know-how elétrico e a experiência da Fórmula 1 Renault na gestão de energia. O melhor das motorizações térmica e elétrica num só automóvel, com o híbrido plug-in da Renault. Saiba mais em renault.pt.