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"Guia para o Eclipse" até dia 12, um programa diário dedicado a este raro fenômeno a que vamos poder assistir na quarta-feira que vem, dois a uma semana. Nos episódios anteriores, já falamos sobre o fenômeno em si e também sobre os óculos, que estão a ter grande procura, mais do que a oferta nessa altura, e os cuidados a ter para observar o eclipse em segurança. Neste episódio, já que já vimos isto, afinal, para onde devemos ir para observar o eclipse, onde ele estará mais próximo dos 100%? E para nos ajudar, contamos com a ajuda do jornalista, do observador Martim Andrade, a quem por aqui carinhosamente chamamos o nosso enviado especial ao eclipse. Bem-vindo, Martim. Afinal, qual é o melhor local em Portugal para ver o eclipse?

O eclipse só vai ser total numa pequena faixa do distrito de Bragança, mesmo ali na ponta nordeste do país, entre as aldeias de Rio de Onor e Guadramil. Todo o resto do país vai estar relativamente perto da totalidade. Aliás, este vai ser o eclipse mais profundo em mais de 100 anos, mas só nessas duas localidades é que durante 26 segundos o sol vai ficar totalmente tapado pela lua. O problema é que foi anunciado na semana passada que as ações que estavam previstas nestas duas aldeias foram canceladas devido ao elevado risco de incêndios.

Exatamente, porque estamos em agosto, estamos com muito calor e obviamente é perigoso assim. A ação, eu chamo-lhe a ação, mas pelo menos as principais iniciativas vão ser mais próximas da cidade, da capital de distrito de Bragança.

Sim, aliás, as ações que estavam previstas para aquelas duas localidades foram transferidas para o Aeródromo Municipal de Bragança. Estavam a prever contar com 2 mil pessoas em Rio de Onor e agora passam a ter, se calhar, o dobro da população naquele espaço. Mas ainda assim, apesar de não estar já nos 100% como estaria naquela pequena faixa, acaba por estar ainda muito próximo e acho que para qualquer pessoa que nunca viu um eclipse vai ser magnífico mesmo.

Exato. Então só para termos aqui uma ideia, estamos a falar quase dos 100% em Bragança. Na faixa litoral há grande diferença, por exemplo, entre Porto, Lisboa e Faro, assim para correr toda a costa?

Sim, quanto mais a norte, melhor, neste caso. No Porto, a percentagem máxima de ocultação do sol será de 98%, também será muito perto da totalidade. E numa zona de costa, ali de impedido a oeste, vai dar para ver perfeitamente o eclipse.

Ok.

Em Lisboa, a percentagem cai um pouco para os 95%. No Algarve, apenas 93%, digo apenas, mas continuará a ser significativo. Aliás, para termos uma ideia, em Portugal, o último que passou assim tão perto da totalidade foi em 1912.

Exatamente.

Acho que vale a pena sempre sair à rua.

Tenho uma vaga ideia desse. E nunca é demais lembrar, Martim, a que horas é que vai ser o ponto-chave deste eclipse, os tais 26 segundos.

As horas variam um pouco consoante o ponto do país onde estamos. Por exemplo, em Bragança, no centro da ação, o início será às 18h34, que é quando a lua começar a tapar o sol. O pico da ocultação, quando atingir os tais quase 100%, será por volta das 19h31. Em Lisboa, só para ter o exemplo também, começa pelas 18h39, portanto uns minutos depois, o pico será às 19h36, mas no geral é manter a ideia de que começa por volta das 18h30, o máximo será às 19h30 e depois acaba menos de duas horas depois de ter começado.

É muito interessante essa diferença de cinco minutos de Bragança para Lisboa. Obrigado, Martim Andrade, jornalista do Observador, como já expliquei, a quem carinhosamente vamos chamando de enviado especial ao eclipse, enviado especial do Observador. Recebemos agora a presidente da Câmara Municipal de Bragança, Isabel Ferreira. Bem-vinda a este guia do eclipse. É uma mulher de ciência, deixe-me começar por lhe perguntar se está entusiasmada com o eclipse do ponto de vista científico.

Sim, muito boa tarde. Sim, muito entusiasmada do ponto de vista científico e agora nesta dupla condição de ter o privilégio de, no Conselho de Bragança, termos as condições de conseguir observar em maior extensão este eclipse solar. As atividades de Guadramil e de Rio de Onor foram transferidas para o Aeródromo Municipal, mas quem está em Rio de Onor, quem está em Guadramil, quem habita os moradores, quem está hospedado em alojamentos destas aldeias poderão, naturalmente, experienciar este 100% de observação do eclipse solar.

O que se fez foi condicionar o acesso para evitar muita gente.

Isso. Portanto, estamos em risco máximo de incêndio. E assim, no Aeródromo Municipal, temos condições de receber milhares de pessoas. Muito maior capacidade do que aquela que seria possível nessas duas aldeias.

Ainda bem que fala nisso, porque tenho aqui uma pergunta: ainda é possível encontrar um quarto em Bragança para o dia 12?

Essa parte é muito difícil já, mas ainda é possível virem, se tiverem algum amigo onde ficar hospedados em Bragança, podem vir, porque o Aeródromo Municipal tem capacidade para milhares e milhares de pessoas. Agora, os alojamentos locais e os hotéis já estão completos, felizmente, mas o apelo é de facto que nos visitem, não só para o dia 12, como para os dias que antecedem, dia 10 e dia 11, com o nosso Festival Geração de Ciência.

E o que vai acontecer nesse festival?

Sim, basicamente Bragança vai transformar-se num laboratório vivo de preparação do fenómeno do eclipse, com várias atividades científicas e recreativas, com espetáculos ligados à astronomia, caminhadas, sessões de fotografia, festas noturnas de preparação precisamente para este grande evento do dia 12 de agosto. O programa pode ser consultado na página do município ou nas redes sociais do município, para poderem perceber com mais pormenor todas as atividades previstas.

Isabel Ferreira, imagino que também seja muito bom para o seu município, do ponto de vista económico, ser o ponto do país em que se vai aproximar dos 100% o eclipse.

Sim, muito bom. Já falámos aqui da questão dos alojamentos estarem completos, mas toda a atividade económica, a restauração. Este também é um mês em que Bragança tem uma atividade cultural e recreativa forte, com um programa de atividades que as pessoas também podem participar, quer na cidade, quer nas suas aldeias, nas freguesias rurais. E isso claro que é bom, é bom para o desenvolvimento económico e isso também se tem sentido.

E tem ideia de algum cálculo feito sobre o número de pessoas que é esperado nestes dias?

Nós, em termos de número de camas disponíveis, em termos de alojamento, só no concelho, elas são aproximadamente 1900. Duas mil eram as inscrições que nós tínhamos e que ficaram logo completas, mas nós esperamos mesmo muito mais pessoas. Como eu dizia, até 7500 pessoas, o aeródromo tem perfeitas condições de receber toda a gente.

E será ótimo numa região que os portugueses acham que fica demasiado longe e que tem muito para dar e muito para ver, em Bragança.

Sim, é a prova da nossa centralidade sob diversos pontos de vista. Um dos pontos de vista é precisamente a questão ambiental. Nós somos um território que tem o privilégio de ter áreas protegidas, de Reserva Mundial da Biosfera, o Parque Natural de Montesinho. Também é esse património riquíssimo, natural e paisagístico, que agora nos permite ter melhores condições para observar este tipo de fenômeno.

E já garantiu os seus óculos ou não?

Já. Estão comigo, eu estou aqui no meu gabinete, na Câmara Municipal, e estou a olhar para eles.

E não os larga. Aí ainda há óculos gratuitos ou também já esgotaram?

Sim, nós disponibilizámos óculos gratuitos a quem se inscreveu. Quem não se inscreveu, pode adquiri-los nas óticas ou no Centro de Ciência Viva. Mas é muito importante que as pessoas o façam para poder fazer a observação do eclipse com segurança.

Isabel Ferreira, muito obrigado pela sua disponibilidade e por ter estado aqui conosco na Rádio Observador.

Obrigada, boa tarde. Obrigada.

Isabel Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Bragança. Um guia para o eclipse, todos os dias na Rádio Observador, por volta das 17h15 e sempre disponível em podcast. No próximo episódio, vamos falar com quem nós podemos designar como uma pessoa viciada em eclipses.