Um grupo de manifestantes invadiu esta sexta-feira em Amesterdão, nos Países Baixos, o estaleiro de construção de um futuro centro de dados da Microsoft, no âmbito de uma vaga de protestos que se tem expandido por outros países europeus.

A polícia neerlandesa teve de intervir para retirar os manifestantes que invadiram o estaleiro, num protesto contra o impacto ambiental destas futuras instalações e pelo alegado papel da empresa tecnológica na ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza.

Nas imediações, a organização ambientalista Fossielvrij Nederland (Países Baixos Livres de Combustíveis Fósseis, em português) realizou a sua própria manifestação, uma ação inserida numa campanha de protestos convocada para esta sexta-feira e sábado em vários países europeus, com o objetivo de exigir que se ponha fim à expansão dos centros de dados.

Centenas de ativistas ultrapassaram as cercas do recinto, situado no bairro de Sloterdijk, utilizando escadas e abrindo buracos na vedação, e alguns chegaram mesmo a subir a um guindaste e aos andaimes da obra.

Os manifestantes colocaram uma faixa em que se podia ler: “Abaixo os centros de dados, que se lixe a Inteligência Artificial (IA)”, segundo o canal regional neerlandês AT5.

Esta mobilização foi organizada pelo coletivo Geef Tegengas (Fazer Frente, em português), que pretende paralisar a construção de três grandes torres destinadas a albergar servidores informáticos.

A polícia mobilizou para a zona unidades de intervenção e utilizou bastões e gás pimenta durante os confrontos com os manifestantes, após a presidente da Câmara de Amesterdão, Femke Halsema, ter proibido a manifestação. Ainda é desconhecido o número exato de pessoas detidas.

O protesto reuniu ativistas ambientais e pró-palestinianos, entre os quais membros do Extinction Rebellion, que denunciam o elevado consumo energético dos centros de dados, onde são armazenadas e processadas grandes quantidades de informação e que também permitem o funcionamento de serviços de Inteligência Artificial.

Os organizadores do protesto estimam que as instalações consumirão tanta eletricidade quanto todas as residências de Amesterdão juntas e denunciam que o projeto reflete o aumento do poder das grandes empresas tecnológicas.

Os manifestantes pró-palestinianos, por seu lado, acusaram a Microsoft de contribuir para a vigilância e a repressão da população palestiniana devido às suas ligações comerciais com o exército israelita.

A Microsoft afirmou estar ciente da manifestação em Amesterdão, segundo a agência de notícias Associated Press (AP).

“Compreendemos que as pessoas tenham opiniões fortes sobre o projeto e respeitamos o seu direito de expressar essas opiniões de forma pacífica”, afirmou um porta-voz da empresa.

“No entanto, não toleramos quaisquer ações ilegais ou que coloquem em risco a segurança das pessoas”, continuou.

Dezenas de grupos da sociedade civil e ativistas afirmaram que se irão juntar aos eventos “Stop Dirty Data Centres” (Acabem com os Centros de Dados Poluentes), a decorrer até sábado em 15 países europeus, incluindo Irlanda, Polónia, Dinamarca, Finlândia, Espanha, Itália, Países Baixos, França e Reino Unido, segundo os organizadores.

Os dinamizadores dos protestos exigem uma moratória sobre projetos de grande escala para dar resposta às preocupações sociais e ambientais em torno destes gigantes que consomem muita energia.

“Existe um fosso entre a forma como os líderes eleitos se deixam levar pelo entusiasmo em torno da IA e a perceção das pessoas”, afirmou Owen Espley, coordenador da StopDirtyDataCentres.eu.

Na Alemanha, uma dúzia de manifestantes reuniu-se esta sexta-feira em frente a um centro de dados nos arredores de Berlim.

“Queremos pôr fim a esta construção cega de centros de dados por toda a Alemanha, sem ter em conta quaisquer preocupações ambientais”, afirmou a porta-voz do protesto, Caro Weber.

Em Itália, o setor dos centros de dados, em rápido crescimento, enfrenta um aumento igualmente rápido da oposição popular, particularmente na região setentrional da Lombardia, o principal polo de infraestruturas digitais do país.

Os ativistas argumentam que o crescimento das instalações dedicadas à computação em nuvem e à IA está a avançar mais rapidamente do que as consultas públicas e a supervisão ambiental.

O movimento atingiu um marco a 10 de outubro, quando mais de 1.000 pessoas e representantes de cerca de 40 comités locais se reuniram na Piazza della Scala, em Milão, para aquilo que os organizadores descreveram como a primeira manifestação nacional da Itália contra os centros de dados.

A manifestação surgiu na sequência de uma série de mobilizações cada vez maiores em cidades nos arredores de Milão.

A Europa deverá atrair 5,6 mil milhões de dólares (cerca de cinco mil milhões de euros) em despesas de capital acumuladas em centros de dados entre 2026 e 2050, representando cerca de 18% do investimento global, segundo o relatório “Global Data Centre Outlook 2026-50” da consultora PwC.

Nos Estados Unidos, o tema dos centros de dados foi central na campanha eleitoral para as eleições intercalares realizadas na terça-feira, onde muitos dos candidatos do Partido Democrata, o grande vencedor do escrutínio, se opõem à construção dos mesmos.

Prevê-se que os Estados Unidos atraiam 15,1 mil milhões de dólares (cerca de 13,5 mil milhões de euros) em despesas de capital em centros de dados durante esse período, segundo o mesmo relatório da PwC.

[Duarte Lima chega ao Brasil 45 horas antes de Rosalina Ribeiro ser assassinada. Tinha encontro marcado com a milionária no Rio de Janeiro mas aterra em Belo Horizonte. Na reconstituição dos movimentos dele, a polícia percebe que o advogado nunca usou o telemóvel pessoal no Brasil. Mas foram detetados contactos a partir de dois telefones portugueses e um suiço. Um deles liga várias vezes para a casa da milionária. Já pode ouvir o terceiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]