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Ideias Feitas. Ideias Feitas, na Rádio Observador, com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo. Boa tarde.
E hoje queres falar da mulher do mayor de Nova York?
Quero, sim senhor, porque Nova York já resistiu a muitas coisas. Algumas delas as pessoas lembram-se, o 11 de setembro, por exemplo, a máfia, quando tinha um peso que hoje felizmente não tem, a corrupção institucional na própria Câmara de Nova York, que durou muitas décadas, estava associada ao Partido Democrata e à compra do voto de imigrantes. Um senhor chamado Robert Moses, que nunca foi mayor, mas durante 40 anos mandava em Nova York, de fato, e quase conseguiu destruir Manhattan com autoestradas e viadutos e tudo aquilo com que ele sonhava para a cidade. E agora Nova York debate-se, por vontade própria, por eleição, com o senhor Mandani, que é um muçulmano, socialista, ou comunista, marxista, o que quiserem chamar, que sonha transformar a maior cidade do Ocidente numa espécie de imitação de Havana. Não vale a pena desenvolver por aqui, porque não é esse o ponto. Porque há o senhor Mandani e há a mulher dele, que é a senhora dona Rama Duvvuri. Esta senhora dá nas vistas não apenas por ser mulher do mayor de Nova York, mas quando se revelou, uns tempos depois do 7 de outubro de 2023, que nesse mesmo dia, durante o ataque do Hamas a Israel, ela colocara uns likes, uns gostos, em publicações que celebravam a matança daquele dia. E agora a senhora voltou a fazer-se notar porque está a ser coanfitriã de um retiro espiritual na Córsega. O retiro é vagamente associado ao feminismo e a coisas assim, mas nos materiais promocionais, esse retiro descreve Maria, mãe de Jesus, como uma mulher palestiniana a dar à luz sob ocupação. Historiadores e acadêmicos confirmam que esta descrição é um anacronismo, para dizer o mínimo, e uma mentira, para sermos francos. E uma mentira perigosa, porque tanto as fontes bíblicas quanto o consenso histórico e arqueológico comprovam que Maria era uma mulher judia, que vivia em Nazaré, que falava aramaico, como falavam os judeus dali, e que cumpria rigorosamente as leis da Torá e participava nas festividades judaicas, essas coisas todas. E do mesmo modo, o filho de Maria, Jesus, nasceu, viveu e morreu como judeu e operava totalmente dentro do judaísmo, é chamado o judaísmo do Segundo Templo. Não vamos entrar em pormenores, mas Jesus foi circuncidado ou circuncisado, há variações na palavra. Usava aquelas franjas rituais que as pessoas associam aos judeus hoje em dia, os chamados ortodoxos. Ensinava nas sinagogas e era tratado até como rabino, embora na altura o termo rabino não era uma ordenação formal como é hoje. Era mais um título de mestre. E Jesus fazia isso, fazia o papel de um rabino, reunia discípulos, debatia a aplicação da lei de Moisés e utilizava os tipos de argumentação, os métodos de argumentação dos sábios judeus do seu tempo. Portanto, nem Jesus nem Maria eram palestinianos e nem podiam ser, porque o termo Palestina era apenas uma designação que os romanos aplicaram, uma designação geográfica usada pelos romanos naquela época. Ou seja, a identidade política palestiniana contemporânea não existia no primeiro século. E mesmo hoje, os palestinianos, no fundo, são egípcios, são sírios, são jordanos ou são filhos e netos de egípcios, sírios e jordanos. E este não é um argumento de sionistas, como agora eles dizem, ou de analistas pró-Israel. Isto foi defendido não há muito tempo, há menos de 50 anos, por importantes líderes árabes, até ligados à OLP, ou dirigentes da OLP, e passo a citar, tenho aqui uma transcrição de um senhor chamado Zueir Moessen. Devo estar a dizer mal, com certeza, o nome, mas era um dirigente da OLP que nos anos 70 afirmou que o povo palestiniano não existe. A criação de um Estado palestiniano é apenas uma ferramenta tática na nossa luta contra Israel. Os palestinianos são jordanos, sírios e libaneses. Isto é uma citação até bastante famosa e bastante usada neste tipo de argumentação quando se fala do Meio Oriente. E é isto. Numa época em que há tantas aflições com a desinformação e as fake news, há tanta gente tão preocupada, mas vê-se escassa preocupação com a desinformação e as fake news que consciente e deliberadamente, não vamos ter ilusões, procuram abalar e corroer os próprios alicerces da nossa civilização. E se há alicerces da nossa civilização, passam por aqui, passam de certeza por Israel e por Meio Oriente e pela vida de Jesus e por tudo isso. E outra coisa que está totalmente ligada ao ponto anterior, numa época em que tanto se procura calar e punir o chamado discurso de ódio, em que praticamente tudo é discurso de ódio, é curioso notar que o ódio mais antigo e mais persistente e mais consequente, que é o antissemitismo, não só continua vivo, como está mais vivo do que estava aqui há uns tempos e está mais impune e está mais descarado do que estava há já quase um século. Para difamar os judeus, já vou terminar, Ricardo, vale tudo, incluindo inventar que Maria era palestiniana. Qualquer dia inventa-se que se Jesus fosse vivo, aliás, alguém falou vagamente nisso, seria um terrorista ou um guerrilheiro do Hamas. Também já tivemos há dois anos o Jesus menino palestiniano daquela senhora Ocasio-Cortez, que, de resto, é muito próxima politicamente do senhor Mandani e da sua esposa. E já nada espanta. Infelizmente, o grande problema nisso tudo é que não é só Nova York que tem que resistir a esta loucura dos nossos tempos, é o Ocidente em peso que convinha que resistisse. Se não resistir, o Ocidente deixa de existir, pelo menos tal como o conhecemos. E bom fim de semana, Ricardo.
Bom fim de semana, Alberto. Um abraço.
Um abraço.
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Boa tarde a todos. Falta só o senhor Costa do terceiro esquerdo. Alguém sabe se ele vem à reunião?
O senhor Costa? Eu acho que ele se mudou.
Bolas!
Para uma moradia.
Bolas!
Com vista mar.
Bolas!
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