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Já é um clássico, às 10 para as 19h, final de tarde aqui na Rádio Observador. Alberto Gonçalves, não te estou a chamar clássico, estou a chamar clássico ao "Ideias Feitas". Bem-vindo, Alberto. E queres falar da Flotilha?

Quero e espero, não será a última vez, Ricardo, mas espero que seja das últimas vezes. Essa coisa do clássico fez-me lembrar uma vez que chamaram ao Alfredo Marceneiro "relíquia", mas não vou dizer aqui a resposta dele. Relíquia do fado. Eu sei que tenho brincado muito com esta história toda da Flotilha, a maior missão humanitária de sempre e cujos participantes, viu-se ontem num vídeo, enfiaram nuns recipientes de plástico meia dúzia de latas de Cenac ou coisa similar. Além da evidente poluição dos mares que aquilo acarreta, era, pelos vistos, aquela ajuda alimentar que iam fornecer a um território onde, por permissão de Israel, têm entrado toneladas de alimentos e medicamentos por dia. Houve um período entre março e maio em que aquilo esteve suspenso, mas desde maio até final de setembro, eu fui ver, entraram em Gaza mais de 17 mil caminhões com mais de 340 mil toneladas de produtos, na maioria alimentos. E centenas desses caminhões, infelizmente, continuam à espera de ser descarregados por dificuldades criadas pelo Hamas. Dificuldades é um eufemismo. Dizia eu que tinha brincado com o assunto, mas hoje apetece-me levar o assunto mais a sério e notar que as reações à detenção dos autodesignados ativistas pelas forças israelitas são, em geral, tão absurdas e ofensivas quanto a própria Flotilha. Eu já ouvi por aí acusações de que, ao interceptar os barcos, Israel praticou terrorismo. É um engano e é um engano deliberado, porque, ao que consta, com cada vez maior clareza, terroristas são os patrocinadores do cruzeiro pelo Mediterrâneo. Anteontem, o governo israelita, e eu tenho o defeito, devo reconhecer, de acreditar mais no governo israelita do que no Ministério da Saúde de Gaza, apresentou documentos que, a serem autênticos, demonstram a ligação entre o Hamas e a Flotilha. Na pior das hipóteses, então, a Flotilha está ao serviço formal dos terroristas do Hamas. Na hipótese menos má ou mais benigna, e que não difere muito da anterior, a Flotilha está ao serviço informal dos terroristas do Hamas, já que os membros da Flotilha têm repetido, sem hesitação nenhuma, toda a propaganda do bando, da organização ou do que quiserem chamar ao Hamas. E é também por causa disto que eu não estou nada preocupado com o bem-estar das pessoas detidas ou estou tão preocupado quanto eles se têm mostrado preocupados com os reféns dos terroristas que eles apoiam. E ao contrário do que alguns mais descarados também vêm agora proclamar nas televisões, os ativistas não foram sequestrados por Israel. Os reféns que o Hamas tenha é que foram sequestrados e foram torturados e muitos deles foram mortos e sem que isso aparentemente pesasse nada nas considerações dos ativistas da Flotilha. Os ativistas estão, portanto, ao cuidado das forças israelitas e eu já vi, pelo menos acho que muita gente já viu, as imagens de um militar a torturar a pobre Greta Thunberg, oferecendo-lhe um casaco que ele vestiu. Portanto, em princípio, daqui para a frente, Israel vai lhes oferecer umas refeições, umas passagens aéreas e enxota aquela gente dali em pouco tempo. Israel não costuma proceder como os patrocinadores ou os heróis dos ativistas. A preocupação que corre por aí e que inevitavelmente já contaminou o professor Marcelo, que é muito suscetível a todo tipo de patranhas, hoje recebeu em Belém uma delegação de simpatizantes do Hamas, mas a preocupação, dizia eu, corre por aí, é totalmente simulada, é uma coisa fingida, é um simulacro de preocupação. A preocupação só seria sincera e só seria justificada se noutras circunstâncias aquele grupo de mulheres emancipadas, algumas das pessoas ali são homossexuais, as pessoas ali embora não apreciem demasiado a liberdade alheia, acho que prezam a liberdade delas mesmas, se essas pessoas, se esse grupo caísse nas mãos do Hamas, aí sim é que a vida dos ativistas correria perigo. Assim como estamos, a história da Flotilha termina como sempre se soube que ia terminar e como, no fundo, também sempre pretendeu terminar, com as figuras tristes de criaturas que não têm nem um pingo de decência, nem um pingo de vergonha e que aceitam ser, de uma forma ou de outra, formal ou informalmente, porta-vozes de terroristas que as detestam. Esta gente só não são idiotas inúteis porque são úteis ao Hamas, mas que são idiotas, disso não tenho a mais pequena dúvida.

Obrigado, Alberto. Amanhã há mais "Ideias Feitas" a fechar aqui a hora das 18h na Rádio Observador. O "Ideias Feitas" conta com o apoio do azeite Talismã.