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Viva Alberto, muito boa tarde.
Olá, boa tarde.
Olá, boa tarde Alberto Gonçalves. Hoje vamos desfazer ideias feitas sobre a ministra Ana Mendes Godinho.
Sim, isto prende-se com a história do que tem acontecido nos lares de terceira idade ou lares de idosos ou lares seniores, como eufemismo entender. Dentro desses casos que tinham acontecido em lares, houve o caso principal, ou pelo menos mais noticiado, de Reguengos de Monsaraz, em que morreram 18 ou 19 pessoas, aparentemente nem sequer de Covid, mas por absoluto desleixo e desidratação e falta de assistência médica, etc., a propósito de outras doenças. E perante esta situação toda, cada dia aparece um novo caso. Houve o caso de Odivelas, mais um caso em que, por acaso, detetou a existência de uma data de infetados com Covid. Mas o problema nem parece ser a Covid, parece ser a situação em que estes lares se encontram e a situação que a reação à Covid provocou nestes lares. Perante isto, temos uma ministra que nem sequer conhecia especialmente de nome, mas chama-se Ana Mendes Godinho, que deu entrevista ao "Expresso" a dizer que o surto nos lares não merece grande atenção, que é uma coisa mais ou menos irrisória. E que sobre um relatório, aliás, já relativamente tardio ou que foi pedido tardiamente, a propósito do caso de Reguengos de Monsaraz, ela disse que por acaso pessoalmente não leu o relatório, mas mandou alguém ler e alguém lhe disse qualquer coisa sobre o assunto. Após esta entrevista ao "Expresso", estas declarações ao "Expresso", houve, como sabemos, alguns pedidos daquilo que em Portugal passa por oposição, pedir a demissão da ministra Mendes Godinho. Eu não consigo perceber porquê. Não consigo perceber não pela competência da senhora, que obviamente é nula, mas exatamente por causa disso, que a substituição desta ministra por outro ministro, outra ministra qualquer ou outra pessoa qualquer para o lugar dela, os resultados iriam ser exatamente os mesmos numa situação semelhante. Porque é preciso notar que este governo ou as pessoas que aceitam pertencer a este governo não possuem qualquer espécie, já demonstraram que não possuem qualquer espécie de competência especial para os cargos que ocupam. São pessoas do aparelho do PS que vão subindo na vida ou na carreira, ou o que eles acham que é subir na vida ou na carreira, vão fazendo o jeito ao partido, primeiro a nível se quer concelhio, depois distrital, depois sobem à escala nacional e quando um dia amanhece, eles dão por elas secretários de Estado ou ministros ou ministras, etc. Não são pessoas que tenham contribuído especialmente para a área que depois vão passar a tutelar. Não conheço nenhum caso deste governo que isso tenha sido assim e não parece que a troca de um ministro por outro socialista qualquer vá trazer quaisquer vantagens ao país. E depois, dito isto, a questão também é mais funda do que a troca, ou que seria sempre mais funda do que a troca de uma simples ministra que ninguém conhece de lado nenhum e que daqui a uns tempos é afastada, quando não for tão exigido o afastamento dela, quando as pessoas se esquecerem do caso, daqui a umas semanas ou uns meses é possivelmente mandada enxotada para um cargo qualquer mais discreto. Mas a questão obviamente não é a ministra ou este ministro em particular ou aquela ministra em particular. A questão é obviamente o governo e o que se tem passado nos lares e o absoluto desleixo que os lares têm merecido das autoridades e sobretudo do governo é obviamente, por definição, da responsabilidade do governo e em última instância do doutor Costa. O pedido da demissão da ministra não quer dizer que se deva pedir a demissão do doutor Costa, porque ele obviamente não se vai demitir, mas a culpa é dele. E é uma culpa que nem é sequer é tão estranha. Nós vimos o que aconteceu em Petrópolis. A reação do doutor Costa face às vítimas de Pedrógão, numa primeira abordagem, até os conselheiros lhe recomendarem um bocadinho de calor humano, até isso acontecer, o doutor Costa mostrou uma frieza e uma indiferença perante as vítimas daqueles incêndios de 2017, que é muito semelhante à indiferença que esta ministra, que é uma funcionária do governo e uma funcionária do PS e uma funcionária do doutor Costa, mostrou perante as vítimas nos lares, que é o tutela em última instância. Lembro que o doutor Costa, em relação aos idosos, tentou agredir um ou esteve muito perto de agredir um nos últimos dias da campanha para as eleições legislativas. Portanto, a preocupação com os idosos no PS não é exatamente uma tradição. Mas é esse o problema, é que focar a atenção numa ministra ou numa pessoa em particular, num caso como este, está a fazer exatamente aquilo que interessa ao PS e ao primeiro-ministro, que é desviar as atenções do verdadeiro responsável disto. E o verdadeiro responsável tem nome, chama-se doutor Costa e pelo que vi agora em fotografias nas redes sociais, que andam para aí a correr, está a fazer férias, com certeza merecidas, numa praia algures, presumo que no Algarve. Fazê-lo muito bem. E depois temos também o presidente da República que anda a salvar vítimas, mas não conseguiu salvar ainda ninguém que estivesse a morrer pela incúria que anda pelos lares da terceira idade. Mas isso são outros pormenores. Pelo menos as pessoas afogadas não morrem em Portugal.
Obrigado, Alberto Gonçalves. Hoje Alberto Gonçalves a desfazer ideias feitas em torno destas polémicas que têm surgido nos últimos dias. Também com este nome no olho do furacão, Ana Mendes Godinho é a ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social.
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