Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Ideias Feitas" na Rádio Observador, com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Obrigado.

E hoje, "por la mañana, café, por la tarde, rum." Queres falar de Bad Bunny também?

Não sabia que tu eras versado em versos do Bad Bunny.

Sabes que eu sigo todos os poetas.

E que poeta! Eu nunca tinha ouvido falar da criatura até há umas semanas, quando foi o Super Bowl. Falou-se, mas não se falou como se costuma falar de um artista popular ou muito popular, que são normalmente os artistas que vão ao intervalo do Super Bowl. Deu-se ao artista em causa uma importância sociológica, até política, que me espiquitou a curiosidade e então fui ver do que é que se tratava. E maldita a hora em que fui ver. Na altura até fiz uma crônica escrita pro Observador sobre o assunto. Resumindo essa parte toda, já devia ter adivinhado que se dava importância ao Bad Bunny porque ele diz mal de Donald Trump. Qualquer criatura que diga mal de Donald Trump é uma espécie de critério essencial, não exatamente para o sucesso. Há artistas de sucesso que não dizem mal de Donald Trump. Não serão muitos, mas há. Mas confere uma espécie de prestígio. E foi esse prestígio que de início me intrigou, mesmo que depois constatei que o produto apresentado está mais ou menos pra música como as obras daquele senhor Cabrita Reis estão pra escultura. Não é exatamente sobre isso que eu vou falar, mas a música do Bad Bunny, que pelos vistos chama-se trap ou reggaeton, é uma mistura de coisas, coisas elas que pra mim são absolutamente repelentes. Não consigo dizer isto de outra maneira, aquilo devia estar proibido. Aqueles tratados que regulamentam a tortura, tratados internacionais, que não se pode fazer certas maldades aos prisioneiros de guerra, devia incluir a proibição de submetê-los a músicas do Bad Bunny. E julgo que inclui. E depois, nas letras, aquilo podia ter um conteúdo qualquer, porque eu ouvi debater-se o conteúdo das letras que tu citaste, pelos vistos tão bem, eu deduzo que seja uma letra dele.

É um dos grandes sucessos.

Ah, é um dos grandes sucessos. Estou mesmo à margem. Mas dizem que as letras trazem uma mensagem de amor. Eu só ouvi misoginia e apelo ao consumo de drogas. Atenção, eu não quero passar por puritano, eu gosto muito do "Heroin" do Lou Reed, mas o contexto é outro, a perspectiva é outra. Não é exatamente disso que o Bad Bunny fala. Agora, ele é o artista mais popular do mundo atualmente, e o sucesso não tem que ser equivalente a grande mérito artístico, até raramente o é, mas também não era preciso descer tanto. O ídolo dos adolescentes dos anos 40 era o Sinatra, nos anos 50 o Elvis, depois os Beatles, depois os Led Zeppelin nos anos 70, depois o Michael Jackson e a Madonna. Há aqui uma certa slippery slope, uma certa descida constante. Não sei quem tem sido o ídolo na década anterior, o principal. Agora temos o Bad Bunny. Há aqui um pormenor que eu acho interessante. Para conferir importância social e política ao Bad Bunny, destaca-se o fato de um artista de tanto êxito cantar em espanhol. Pelos vistos, eu ouvi algumas pessoas falar no assunto, é um sinal de irreverência e de resistência ao imperialismo e ao colonialismo, e por aí fora. Agora, sobre isto tenho a dizer duas, três coisinhas. Por um lado, acho que quando o Júlio Iglesias fazia muito sucesso há uns 40 anos, enchia estádios também, e era sem dúvida um dos cançonetistas que mais vendia no mundo, ninguém apresentava isso como um ato irreverente, resistente, subversivo e tal. O segundo ponto é que nós estamos na altura em que se mistura Pearl Harbor e as bombas de Hiroshima, se troca a ordem cronológica e em que a Joana d'Arc combate o Átila, etc. E é preciso realmente mais uma dose de revisionismo histórico para se dizer que um porto-riquenho que canta em castelhano está a resistir ao que quer que seja. Pelo contrário, o sujeito canta na língua do colonizador e foi um colonizador particularmente brutal, que não só impôs a língua, impôs a religião, impôs outros costumes, através da força, e que cometeu um genocídio. Este sim, um genocídio. Foi um genocídio a sério, com uma eficácia raramente vista ao longo da história da humanidade. Não é que soubesse disso, mas fui ver e o povo taíno, que era o povo que habitava Porto Rico, foi praticamente dizimado em 50 ou 60 anos. Passaram de algumas centenas de milhares a 200 ou 300 pessoas. Agora, a falar sério, a história parece estar a ser relativizada neste aspecto, mas houve uma chacina e o Bad Bunny, o artista irreverente, canta na língua das pessoas que cometeram essa chacina. E para subversivo e para pessoa ligada às suas raízes, que também são outras virtudes que se lhe atribuem. Ele tem uma mansão, isto é um pormenor, de 40 milhões de dólares em Los Angeles. Apareceu isto não sei onde. Por fim, só mesmo pra terminar este fim de semana, Ricardo, um bocadinho antes da atuação do Bad Bunny, houve a atuação do engenheiro Carlos Moedas, que foi um espetáculo à parte. O engenheiro Carlos Moedas deu as boas-vindas a Bad Bunny, a Lisboa, através da publicação de um vídeo em que ele, o autarca, aparece sentado numa cadeira branca de plástico em vários pontos turísticos da capital. E na descrição lê-se: "Bem-vindo a Lisboa, Benito." Que pelos vistos é o nome de batismo doDo Bad Bunny. Ao que percebi, as cadeiras são uma referência a uma capa de um disco e o senhor Presidente da Câmara de Lisboa achou que seria engraçado e popular prestar-se àquelas figuras e, se calhar, as figuras tristes e o culto desta rancaria dão votos. Mas depois os senhores políticos que pretendem ser sérios, e julgo que o Engenheiro Carlos Moedas é um deles, que não venham queixar-se do populismo e os senhores eleitores também não venham queixar-se do país que temos e do país que somos.

Alberto, agora vou ficar na expectativa sobre a tua crônica relativa ao K-pop, porque também é um grande sucesso.

Aquela coisa da Coreia, não é?

O pop coreano.

Dá-me algum tempo para descansar do Bad Bunny. Também para a alma. E depois eu passo ao K-pop.

Um abraço.

Um abraço, Alberto.

Bom fim de semana.

Obrigado.

"Tratar da Saúde: Menos Mitos, Mais Factos", com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Para ouvir de segunda a sexta, das 10h às 7h, na Rádio Observador, em podcast e em observador.pt.

Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF, SA. NIPC 509925332.

Querida, ontem disseste que não combinávamos em nada.

E não combinamos. Eu gosto de comédias, tu de dramas.

Não, não sou de dramas. Aliás, até tenho uma boa notícia.

Diz-me que a Drisco combina.

Vês como sabemos combinar?

Quem mais combina, mais poupa. Se for cliente Galp ou NOS, poupa em compras no Continente e em combustível na Galp todo o ano. Simule a sua poupança em combina.pt.

Rádio Observador. São 6h59 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora