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A atualidade assim o obrigou. Hoje desfazemos ideias feitas um pouquinho mais tarde, mas junta-se a nós, como é habitual, o Alberto Gonçalves. Alberto, boa tarde.

Olá, boa tarde.

Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. O tema de hoje deste Ideias Feitas é condenar Trump e venerar António Costa.

Sim, para simplificar, resolvi pôr assim. Nós temos visto entre os muitos anônimos das redes sociais e pessoas menos anônimas das televisões e do comentário, uma perseguição mais ou menos pessoal e direta à figura do senhor Trump. Contaram-me, que eu não sou um espectador assíduo, que a Sic Notícias passa regularmente uma espécie de spot com as inconsistências ou incongruências do senhor Trump nesta questão do coronavírus e das reações do poder federal americano ao coronavírus. Não sei se a postura do senhor Trump esteja a ser a mais adequada. É possível que não. Tenho dúvidas e acho que todos deveríamos ter, se o correto é mandar as pessoas de menos idade trabalhar. Não tenho a certeza se é realmente a melhor postura. Não tenho a certeza se é a pior. Sei que é uma postura discutível. Depois estes anônimos das redes sociais e estes menos anônimos das televisões e do comentário, etc., também perseguem ou dirigem as suas críticas, fundamentalmente, por exemplo, para o senhor Bolsonaro, que realmente é uma figura a roçar o patético e com posições que talvez sejam puramente irresponsáveis e quiçá até criminosas. Não digo que não. Mas a verdade é que o senhor Trump, o senhor Bolsonaro e o senhor Boris Johnson, da Inglaterra, primeiro, são pessoas diferentes e com comportamentos diferentes, não são um pacote. Depois, sendo pessoas diferentes, têm posições que não são exatamente as mesmas, não pensam da mesma maneira sobre a reação ao coronavírus e devem ser analisados por si, individualmente. E depois, também não me parece que seja neste momento o foco, ou o que deveria ser o foco do comentário de jornalismo português, ou de parte dele, centrar as suas críticas, as suas condenações e as suas indignações nestes três senhores e sobretudo no senhor Trump, e agora também no senhor Bolsonaro. Se o nosso jornalismo e as nossas redes sociais quiserem arranjar chefes de Estado, líderes de governo que têm atuações muito discutíveis nesta questão do coronavírus, têm exemplos bastante mais pertinentes. Têm, por exemplo, o caso logo inicial da China, que hoje sabe-se que ocultou dados. E estou a falar de uma hipótese benigna, não estou a partilhar as teorias da conspiração segundo as quais a China cometeu isto tudo deliberadamente. Mesmo que a China tenha sido também uma vítima disto, a verdade é que a China ocultou dados e ocultou pessoas que estavam a tentar divulgar dados pelo caminho. Se não quiserem também falar da China, podem falar, por exemplo, aqui ao lado do caso de Espanha e que nunca falam, que é o caso mais desgovernado atualmente no mundo. E o caso talvez mais mal gerido, até ver. Só que como o governo espanhol é uma mistura de socialistas com os comunistas, de estilo trotzkista, aparentemente está acima das críticas e a situação espanhola é apenas uma situação dramática. Nunca é culpa do senhor Sánchez ou daqueles senhores do Podemos que andam à volta do senhor Sánchez. E por fim, acho que seria ainda mais pertinente para a indignação, para a crítica e para os reparos de certo jornalismo, atentar no caso português, já que esse jornalismo é supostamente português e trata em primeiro lugar do que se passa aqui. E o que se passa aqui e o que temos visto é justamente o que temos visto. Ainda ontem tivemos os três bastonários das três ordens ligadas aos assuntos médicos ou dos médicos, das enfermeiras e das farmacêuticas a chamar diretamente o senhor primeiro-ministro de mentiroso. Não é apenas porque não é um caso leviano, mas é apenas um dos muitos indícios de tudo o que tem sido a gestão das autoridades em todo este processo. Ninguém me disse e eu não vi, e suspeito que nunca virei ver a Sic Notícias, por exemplo, fazer um spot recorrente a ridicularizar a figura do doutor Costa nesta matéria. E do professor Marcelo, melhor nem falarmos. Vamos continuar a ver o que se passa. Hoje parece que os dados de Itália, que são ligeiramente animadores dentro da tragédia que está a acontecer. Vamos continuando a ver o que se passa e esperar que aqui não chegue a esse ponto.

Obrigado, Alberto Gonçalves, aqui com Ideias Feitas.

Voltamos a desfazer ideias feitas amanhã, depois das notícias das 18h30. Está com a Rádio Observador, são 19h. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.