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Uma edição do Ideias Feitas com Alberto Gonçalves na Rádio Observadores. Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves.

Muito boa tarde.

Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer desfazer ideias feitas sobre um tema que tem a ver com o antigo assessor do Bloco de Esquerda, Mamadou Ba, e também um atual vereador do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Lisboa. Neste caso, o tema escolhido por Alberto Gonçalves é: Mamadou Ba, que faz parte da SOS Racismo, que quer matar filosoficamente o homem branco.

Pois, parece que sim, mas gostava de começar pelo senhor vereador da Câmara de Lisboa, do Bloco de Esquerda, que não tem objetivos tão vastos. Não quer matar o homem branco em geral, mas quer fazer alguma coisa a um homem em particular, que talvez seja branco ou de outra cor qualquer, não faço ideia qual é a cor do senhor. É um vogal da Junta de Freguesia do Arieiro, a quem o vereador do Bloco de Esquerda prometeu ou ameaçou, pelo menos, dar dois murros ou alguns murros nas fuças. Para um representante de um partido que tem sido dos mais empenhados em combater e até criminalizar o discurso de ódio, é uma forma interessante de o fazer, de combater esse discurso de ódio. Que eu saiba, até este momento, isso parece que se passou ontem, pelo menos foi ontem que foi divulgado, a direção do Bloco de Esquerda não desautorizou o senhor vereador e, portanto, o senhor está absolutamente livre, pelo menos da parte do partido a que pertence, para poder dar os tais murros nas fuças ao tal vogal da junta. Em relação ao senhor Mamadou Ba, não podemos conotá-lo formalmente com o Bloco de Esquerda, mas foi até há pouco tempo assessor do Bloco, parece que era esse o cargo, e disse numa reunião on-line qualquer, num debate on-line que teve com umas senhoras, que é preciso matar o homem branco. E disse isso várias vezes, repetiu, citando um autor das Antilhas ou um prefácio do Jean-Paul Sartre a um livro desse autor das Antilhas, cujo nome não me ocorre e francamente não conheço. O senhor Mamadou Ba quer matar o homem branco. Entretanto, depois de umas críticas que recebeu, já esclareceu que essa sua pretensão não é literal e ficamos mais descansados. A pretensão do senhor Mamadou Ba é apenas matar figurativamente ou filosoficamente o homem branco, no sentido do homem branco colonizador, explorador, opressor do homem preto, presume-se. Ora bem, acredito que o senhor Mamadou Ba, apesar de contarmos outras coisas que ele tem dito antes, estava a falar filosoficamente e que é apenas num sentido heideggeriano da morte. Vamos admitir que sim. Também nesse sentido seria bastante interessante, se calhar, matar filosoficamente, coitado do senhor, os Mamadou Bas deste mundo, porque aquilo que o senhor Mamadou Ba faz e que tanta gente que finge combater o racismo faz, no fundo, é perpetuar essa ideia do homem branco enquanto colono, porque o que eles estão a fazer é apenas caracterizar o homem negro, ou reduzir, será o verbo mais adequado, o homem negro à vítima. O homem negro, no discurso do senhor Mamadou Ba e dos senhores Mamadou Bas deste mundo, nunca passa de uma vítima, de um oprimido. Parece um ser que não tem vontade própria, não parece ascender a uma humanidade plena. É uma figura, um estereótipo que anda ao sabor da vontade sempre do homem branco. Nada concorre tanto para criar uma imagem do homem branco como opressor ou como colonizador ou explorador, etc. Se o senhor Mamadou Ba faz isto por acidente ou por ignorância, eu presumo que não, eu presumo que ele faz isto porque é isto que lhe dá uma carreira. A carreira do senhor Mamadou Ba e dos senhores Mamadou Bas deste mundo. Alguns são realmente negros, outros nem sequer são negros. Mas este discurso todo do suposto antirracismo é um discurso de quem, no fundo, deseja perpetuar o racismo. E há casos de racismo no mundo, é evidente, de brancos sobre negros, de negros sobre brancos e as outras cores. Não é isso que está em causa. O que está em causa é que eles querem perpetuar um certo estado das coisas, reduzindo, no caso, as pessoas negras a meras vítimas, sem autonomia, sem responsabilidade, sem vontade própria, meras vítimas oprimidas. E ao fazer isso, eles constroem uma carreira à custa da suposta defesa destas vítimas oprimidas. A questão do colono branco e do explorador branco, mesmo em 2020 que estamos, é absolutamente supérflua, é apenas um acessório para que esse discurso, dentro desta perspectiva, faça sentido. Não há nada tão pernicioso para uma minoria, no caso a minoria negra, do que este discurso que a torna mais pequena, que não lhe dá a igualdade que de fato tem. Fora casos localizados de racismo, é evidente que um cidadão branco, preto, azul ou vermelho num país democrático tem os direitos de qualquer outro cidadão. É evidente que sim. E consegue construir uma vida perfeitamente normal. Estas pessoas, o senhor Mamadou Ba não quer que os pretos deixem de ser vítimas. Ele imagina um conjunto muito mais alargado de vítimas do que aquelas que realmente existem, mas aquelas que existem não o apoquentam. Pelo contrário, ele quer que essas pessoas que nasceram em bairros degradados e que têm condições familiares muito complicadas existam para servirem de exemplo e poder fazer as generalizações à vontade e fazer a carreira dele. A carreira dele é feita por reação. Ele não tem nada a acrescentar a nada. E depois divide o mundo nestes estereótipos, no branco isto, no branco aquilo. Já sei, não faço ideia se dentro da cabecinha dele ele quer realmente matar o homem branco ou não quer matar o homem branco, ou se é apenas uma ideia filosófica. A verdade é que ele filosoficamente nunca matará o branco colono porque não lhe interessa. À carreira dele interessa que exista a ideia do branco explorador e do preto explorado, do branco senhor e do preto escravo ou criado. Nada é tão insultuoso para uma minoria quanto esta visão das coisas. Nem sei até que ponto existe dentro das pessoas de origem africana que vivem em Portugal respeito pelo senhor Mamadou Ba. Talvez exista nalguns casos, noutros não, com certeza que não. Sei de casos que não, pessoas de origem africana que acham este discurso absolutamente palerma e até contraproducente. Mas o homem a verdade é que tem conseguido uma espécie de carreira, de ofício, de profissão, se é que isto se possa chamar de profissão. Ele lá vai vivendo. Entretanto, só numa nota final, se me é permitido, e uma coisa que não tem nada a ver, para aqueles que continuam a acreditar que o governo está a fazer tudo o que pode para ajudar as empresas e os particulares nesta hora de dificuldade, lembro que depois de obrigar os restaurantes a reduzirem-se em boa parte da semana ao takeaway, o governo a partir de agora vai pôr, não sei se vai entrar em vigor já, mas vai entrar em vigor uma taxa de €0,30 por cada embalagem de takeaway, que os restaurantes vão ter que passar a pagar. Portanto, neste período de absoluta crise, que já não é crise, é de desespero, especialmente nesse setor da economia, os restaurantes vão ter agora de despender mais €0,30 de imposto por cada embalagem em que servem as refeições. Portanto, quem quer continuar a acreditar na boa fé do governo, faça favor. Somos um país livre, por enquanto.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves com esta nota final sobre essas votações na Assembleia da República, mas também com o olhar atento àquilo que se foi passando numa rede social, neste caso no Facebook, onde houve uma publicação do atual vereador da Educação da Câmara de Lisboa, o bloquista Manuel Grilo. Uma publicação que deu o que falar, foi uma resposta dada por Manuel Grilo a um vogal da Junta de Freguesia do Areeiro, em Lisboa. Disse nessa publicação que estava disponível para dar a esse vogal da Junta de Freguesia um par de murros. Foi essa a ameaça feita pelo vereador bloquista. Também a propósito de declarações de Mamadou Ba, dirigente da SOS Racismo, numa conferência online sobre o racismo e o avanço do discurso de ódio em todo o mundo. O antigo assessor do Bloco de Esquerda e dirigente desta organização é acusado de apelar à morte do homem branco, depois de citar um filósofo francês, um pensador do século XX, sobre os temas da descolonização. E já a seguir este "Ideias Feitas" vai ficar disp-

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