Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Segunda edição da semana do Ideias Feitas com o Alberto Gonçalves. Boa tarde, Alberto. Hoje queres falar das declarações de Mamadou Ba, o dirigente da SOS Racismo, sobre os deputados.

De vez em quando o senhor Mamadou Ba emerge daquelas associações antirracistas financiadas com dinheiro público, ao que suponho, para ser notado. Ele gosta de ser notado de vez em quando e agora aconteceu outra vez. Ele chamou os deputados do Chega de suínos e chamou a um deles em particular, eu imagino qual é, mas não quero identificar, tal como ele não identificou, de assassino terrorista. E acrescentou que a luta a essas pessoas não se fará, já não me lembro do termo exato, com palavras, mas que se fará na rua. Portanto, pressupõe-se violência. Ou ele vai sozinho esperar os deputados à entrada de São Bento para os enzancar, ou está a apelar à violência geral contra os tais suínos, assassinos e terroristas. Ora bem, isto tudo por causa, presume-se, de o Chega ser, a entender o senhor Mamadou Ba, um partido racista. Para partido racista aquilo não está a funcionar muito bem, porque ao que eu sei o Chega elegeu um dos dois únicos deputados negros da Assembleia da República, que é o Gabriel Mithá Ribeiro, suponho que é assim o nome.

Mas o André Ventura já foi condenado por insultos racistas à família do bairro da Jamaica.

Sim, insultos racistas. Acho que não foi exatamente isso. Não sei se foi exatamente por insultos racistas. Houve umas afirmações do doutor Ventura a uma determinada família, ou a um conjunto de famílias, realmente dignas de condenação, com certeza. Não sei se a motivação foi exatamente racial. Não faz muito sentido que um partido que se mova por discriminação racial, ou que a discriminação racial esteja na sua natureza, inclua deputados negros, por exemplo, de ascendência africana. Se o Chega é de facto um partido racista, e eu não estou a dizer que não é, de facto, não tenho nada a ver com o Chega, nem conheço aquela gente de lado nenhum, mas se é um partido racista, não está a fazer muito bem o trabalho. A verdade é que o Chega é acusado repetidamente daquela coisa agora muito em voga, o discurso de ódio. E que em alguns casos o tem, de facto, sem dúvida nenhuma. Só que o discurso de ódio hoje em dia tem as costas muito largas e permite que todos nós, ou que muita gente, seja extremamente sensível à ofensa e toda a gente se sente alvo de discursos de ódio e sofre muito com isso, mesmo que esse discurso de ódio muitas vezes seja, não estou a falar agora no caso da política portuguesa ou política nenhuma, mas às vezes um miúdo que no liceu, um estudante no liceu é insultado por um colega que diz um disparate qualquer, a criança já está em grande sofrimento e é vítima de discurso de ódio e bullying.

E consideras que existe discurso de ódio também à esquerda?

Pois o problema é esse, é que numa altura em que o discurso de ódio do Chega, o dito discurso de ódio do Chega, que muitas vezes me parece que existe, é condenado unanimemente, ou quase unanimemente, exceto pelos eleitores do Chega, ao que suponho. E numa época em que tudo o que se escreve, até nas redes sociais, ou sobretudo nas redes sociais, é absolutamente vigiado e censurado. Se esse discurso de ódio for oriundo de alguém absolutamente identificado com a esquerda, já não há problema nenhum. E esta frase do senhor Mamadou Ba, se isto não é discurso de ódio, não sei o que é que é discurso de ódio. Acho que ninguém do Chega até agora, se calhar, mas o doutor Ventura, que eu saiba até agora, não apelou a lutar na rua, ou apelou à violência pública contra isto ou aquilo. E se apelou, fez muito mal e deve ser condenado por isso. Ou pelo menos ser escrutinado por isso. Eu não gosto muito de apelar a condenações por dar cá calapálha, mas escrutinado por isso. Ora, se for de esquerda, como é o senhor Mamadou Ba, que é obviamente uma pessoa de esquerda, foi dirigente do Bloco, escreveu múltiplos textos no site do Bloco, esquerda.net, agora acho que já não pertence oficialmente ao Bloco, mas é uma pessoa daquelas bandas políticas. Se vier daquelas bandas políticas esse discurso de ódio, aparentemente não há problema nenhum, pode-se insultar os outros sem problema nenhum. E eu até defendo que isso possa ser feito sem problema nenhum. Apesar de dever haver algum escrutínio e alguma censura pública, uma censura tácita. Agora, o senhor Mamadou Ba não se limita a insultar, o senhor Mamadou Ba parte para a ameaça. Há ali nas palavras dele uma inequívoca ameaça mais ou menos de cariz físico. Não vamos ser ingénuos. Tal como ele já tinha em tempos dito que se devia matar o homem branco e toda a gente que se mete nestas coisas do lado da esquerda tentou legitimar a frase dizendo que era uma expressão, era uma coisa figurativa, a coisa de matar o homem branco não era realmente matar o homem branco. A verdade é que isso foi dito.

Referes-te a esta promessa de luta na rua. Isso também pode ter outro tipo de conotações, não tem que ser necessariamente uma batalha campal.

Exatamente, eu também. E pus a hipótese até ser o próprio senhor Mamadou Ba que vá para a porta de São Bento esperar os tais deputados suínos para andar à pancada com eles. Isso aí já é uma coisa entre homens, eles decidem. Eu acho que o esforço que nós fazemos para legitimar as frases do senhor Mamadou Ba é um esforço que não é aplicado, por exemplo, para legitimar as frases do doutor Ventura ou até se quisermos ir a extremos mais claros, aquele partido que era o PNR, agora o ERGT, que é claramente um partido racista ou racialista, como eles dizem, para mim é a mesma coisa. Não vejo grandes esforços para tentar legitimar as frases racistas, por exemplo, das pessoas ligadas ao ERGT. Não vejo. Mas o senhor Mamadou Ba merece todas as legitimações e todos os esforços. E por falar em candidatos terroristas, uma pessoa que está ligada ao Bloco de Esquerda, o Bloco de Esquerda tem tido assumidamente... Eu julgo que o Mamadou Ba estava a falar do Pacheco Amorim, o Pacheco T. Morim, que esteve envolvido no MDP, naquelas coisas bombistas do pós 25 de Abril, embora não estivesse associado diretamente a nenhum atentado, ao que eu sei e ao que eu li. O Bloco de Esquerda tem candidatos e teve candidatos autárquicos e nacionais ligados às FP 25. E acho que ainda continua a ter nestas listas, embora obviamente em lugares não elegíveis, também lugares não elegíveis foram quase todos do Bloco, mas em lugares cá para baixo teve pessoas não arrependidas, ligadas às FP 25, que estiveram envolvidas na morte de pessoas. Portanto, quanto a candidatos terroristas, isto não vem só de um lado. E depois, uma pessoa até podia desculpar tudo isto e considerar que o senhor Mamadou Ba tem direito, no limite, a dizer os disparates que quiser. E realmente tem. O problema é que o senhor Mamadou Ba, e é o único problema que eu vejo nisto e é só isso que me irrita um bocadinho, é que o senhor Mamadou Ba vive, ao que eu sei, ou em boa parte, vive dos meus impostos, dos impostos de todos nós, porque ele está ligado à própria SOS Racismo, está ligado a uma outra associação qualquer, um observatório, uma coisa qualquer que o governo criou recentemente. Ele é um dirigente disso, também para observar ou criado à volta da prevenção do racismo, e é um indivíduo que manifestamente não tem capacidade, nem que não fosse por mais nada, nem por ser de esquerda ou por ser de direita, não tem capacidade, não tem calma pelo menos suficiente para estar à frente ou ser dirigente de qualquer organismo público e a meu ver, até privado. O senhor é uma espécie de pirômano que gosta de incendiar tudo à volta dele e de provocar estas indignações e normalmente consegue. Ou seja, que ele o faça a expensas dele, acho muito bem. Que ele use dinheiros públicos para viver e a pretexto de causas para as quais ele não está minimamente qualificado para combater, como é, por exemplo, o racismo. Não me parece que esta pessoa, os grandes nomes que nós conhecemos da história que combateram o racismo, fizeram-no com elevação e por isso com eficácia. Martin Luther King e tal. Não estou a querer comparar o Martin Luther King com este Mamadou Ba, coitado deste senhor. Mas este senhor visivelmente não tem competência para estar em cargos do gênero. Se bem que essas associações não devem servir para grande coisa. E mais do que não ter competência, este senhor não tem um caráter, não tem um comportamento público que sequer torne particularmente civilizado e suscetível de ser respeitado. Ele não se dá ao respeito. Ele diz estas atoardas sem pé nem cabeça. Ele até podia ter razão no limite, num caso ou outro, mas ele não tem legitimidade nenhuma. É uma pessoa, por cima, ligada ao Bloco de Esquerda e repito tudo o que isso significa. Se há pessoa que não tem legitimidade nenhuma para estar a apontar o dedo a eventuais terroristas, é, por exemplo, este senhor. Eu sei, só mesmo para fechar, a Catarina Martins, para disfarçar a derrota clamorosa do partido dela, no discurso da noite eleitoral, assumiu a derrota e logo em seguida disse: "Mas atenção que há 11 ou 12 deputados racistas que nós vamos ter que combater." E as pessoas que estavam presentes ali na sede do Bloco ou lá onde é que eles se reuniram, aplaudiram muito. Portanto, neste momento, o que move o Bloco de Esquerda e estas pessoas que andam ali nas franjas do Bloco de Esquerda, o que os entusiasma, no fundo, é o facto de haver uns deputados supostamente racistas, se calhar são racistas. Parece muito pouco como programa partidário e parece muito pouco em termos da definição de caráter desta gente e em particular, no caso que falei, do senhor Mamadou Ba. Este senhor Mamadou Ba é realmente uma figura que não é recomendável e ponto, não vou mais longe.

E a Catarina Martins, de resto, nesse discurso na noite eleitoral, disse mais do que uma vez que vai fazer essa oposição a deputados que considera racistas. Alberto Gonçalves, encontramo-nos amanhã. Até amanhã.

Até amanhã.

Rádio Observador. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto