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E um Ideias Feitas.
O Alberto Gonçalves propõe-se sempre a desfazer ideias feitas e hoje viaja até aos Estados Unidos. Queres olhar, Alberto, para as reações à escolha de Robert Kennedy Jr. para Secretário da Saúde norte-americano? É este o teu tema do Ideias Feitas. Olá.
Olá, Vanessa. Sim, senhor. O Robert Kennedy Jr. parece que vai ser o responsável pela saúde dos americanos, salvo seja, mas pelo menos pela saúde institucional dos americanos. E ele é conhecido por uma série de coisas, ou declarações, ou de posturas relativas à saúde, que eu não vou comentar aqui. Ele é conhecido por ser relativamente antivacinas. Ele diz que não vai tirar as vacinas a ninguém, que apenas quer melhorar a informação respeitante a cada vacina. Ele é conhecido por espalhar algumas teorias da conspiração, que eu não sei se são exatamente teorias da conspiração. Algumas podem estar mais próximas da verdade, outras serão com certeza mentira ou provavelmente mentira. Não vou discutir isso. Aquilo que eu queria falar ou dizer aqui, vem a propósito de um artigo do Wall Street Journal, que talvez seja o último dos grandes jornais americanos que ainda pratica jornalismo. E o Wall Street Journal quis perceber o que levou à nomeação de um cético, e isto é mais correto, chamar o Robert Kennedy Jr. um cético. Dizia eu que o Wall Street Journal quis saber o que levou à nomeação de um cético para mandar na saúde dos americanos. E em simultâneo, e de certeza por razões que não hão de estar muito longe disto, hão de ser mais ou menos similares, o jornal também quis perceber por que o ceticismo dos americanos face à ciência, e particularmente à medicina, mas à ciência em geral, duplicou nos últimos cinco anos. Ora, o que aconteceu nos últimos cinco anos? Nós sabemos o que é que aconteceu. Aconteceu a Covid. E o Wall Street Journal foi ouvir uma série de cientistas, responsáveis institucionais e divulgadores, que estiveram de alguma maneira envolvidos na questão da Covid. E todos eles, ou quase todos eles, que foram ouvidos, hoje arrependem-se, criticam, condenam, lamentam a forma como eles próprios ajudaram ao modo como a Covid foi divulgada ao público e também a impor as políticas que se impuseram a pretexto da Covid. Eles reconhecem que as coisas não foram bem geridas, as coisas não correram bem, a fim de manter o povo alarmado. Quer dizer, torceu-se a realidade até ao limite, espalharam-se mentiras, meias-verdades, apostou-se na propaganda em detrimento da ciência. Ou seja, cometeram-se uma série de erros que esses responsáveis, esses divulgadores, ou ex-responsáveis, nalguns casos, esses cientistas, dizem que esses erros não devem ser repetidos numa hipotética nova pandemia. Esperemos que não aconteça ou que não aconteça tão cedo, que nada deve ser feito da maneira que foi feito a pretexto da Covid. Isto é o que acontece nos Estados Unidos e foi isto que o Wall Street Journal relatou. Agora, em Portugal, temos também, como nos Estados Unidos, muita gente a limitar-se a insultar. Não é só o Robert Kennedy Jr., quer dizer, cada pessoa que o Trump nomeou para cada cargo, portanto, são todos o pior dos piores. E no caso do Robert Kennedy Jr., para além dos anônimos que o insultam, temos algumas pessoas mais notórias, pelo menos, a insultá-lo também e a repetir clichês. E entre essas pessoas temos o doutor Marques Mendes, que eu francamente não sei exatamente o que disse, e temos o doutor Paulo Portas, que eu já tenho uma ideia mais aproximada daquilo que ele disse. Eles limitam-se a repetir as banalidades. Portanto, que o Robert Kennedy é inadmissível, que é perigosíssimo nomear um negacionista. Vem outra vez com aquela história de negacionismo para chefiar a saúde nos Estados Unidos da América. Repetem os clichês de lá sem fazer o ato de contrição que algumas pessoas do lado de lá, apesar de tudo, resolveram fazer, o que só lhes fica bem. Só fica mal ao doutor Marques Mendes e ao doutor Paulo Portas, realmente, não o fazerem. Logo eles e, sobretudo, o doutor Paulo Portas. O doutor Marques Mendes, sinceramente, nunca prestei grande atenção ao que ele disse. Não sei o que andou a dizer durante a Covid, especificamente. Presumo que tenha repetido as banalidades, as trivialidades que andavam por aí. Agora, o doutor Paulo Portas, tenho a certeza que repetiu as banalidades e as trivialidades que andavam por aí. Ou seja, tenho a certeza que, no meio de algumas verdades, com certeza, de alguns factos que ele relatou naquele espaço de comentário que ele tem na televisão, tenho a certeza absoluta que ele repetiu, veiculou propaganda, veiculou falsidades, veiculou meias-verdades e hoje em dia não tem qualquer espécie, ou não mostra, pelo menos, se ele tem, não sei. Não mostra qualquer espécie de arrependimento, não acha que tenha feito nada de mal. Nem ele, enquanto divulgador, comentador, opinador, nem os poderes políticos que causaram o que causaram em termos económicos e em termos de saúde mental, em termos de saúde não mental. As consequências todas que nós sabemos que as políticas a pretexto da Covid provocaram. Ou seja, o doutor Paulo Portas e o doutor Marques Mendes, a uma ou outra escala, se calhar, não sei. O doutor Paulo Portas, sobretudo, não mostra qualquer espécie de arrependimento, repito. Não acha que nada tenha corrido mal. Não é capaz de apontar alguma coisa que tenha corrido mal. O Robert Kennedy Jr. apenas é um tonto e vai causar estragos terríveis, para além de todos os outros senhores que o Trump tem nomeado, que em cada setor vão causar os maiores estragos que se consiga imaginar. E no caso da saúde, provavelmente os americanos vão morrer todos, porque nunca mais vão ser vacinados, nunca mais vão ter tratamentos, vão ser curados através de mezinhas e de outras coisas que talvez o Robert Kennedy Jr. defenda, confesso que não sei. Sei que o Paulo Portas, que há muitos anos foi um jornalista importante para Portugal, foi uma pessoa que merecia alguma admiração, merecia até bastante admiração nalguns casos, que fundou o Independente, que teve um percurso que até certo ponto foi admirável, e que hoje tornou-se nisto. Ou seja, uma espécie de caixa de ressonância dos lugares comuns, dos clichês todos que andam por aí. E isto presume-se que não saia de borla. Não estou a dizer que ele é pago exatamente pelo governo chinês para repetir as banalidades que diz sobre a Covid, mas é pago pelo menos pelo canal televisivo que o emprega e se calhar só é pago porque diz sobretudo estas coisas. É pena ver alguém que tinha opinião própria, que era um indivíduo, que era independente, que era autónomo, hoje ser mais um desses bonequinhos que andam nas televisões, que são às dezenas. É pena, mas também não é grave.
Mendes e Portas contra o negacionista, entre aspas, para o Alberto, Robert Kennedy Jr. O título do "Ideias Feitas" de hoje. Amanhã nova crônica, Alberto. Até amanhã.
Até amanhã, Vanessa. O "Ideias Feitas" conta com o apoio do Azeite da Lisman.