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Agora o Ideias Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Obrigado, Ricardo. Boa tarde.

E hoje queres falar de uma pata de coelho?

Anda lá perto, de fato. Para as pessoas que não estão a ver, e é um bocado difícil as pessoas chegarem lá, só por essa indicação. Mas o doutor Luís Montenegro foi a Dallas ver o jogo da seleção de futebol. Pelo caminho, faltou às jornadas parlamentares da AD. A explicação dada pelo primeiro-ministro foi a de que a representação do governo no jogo Portugal-Espanha em Dallas deve ser assegurada pelo primeiro-ministro, que por acaso é ele próprio. Eu não pretendo discutir se deve ser ou não ser o primeiro-ministro a representar o governo num jogo da bola, mas acho que talvez seja, no mínimo, um pouco excessivo presumir que o governo deve forçosamente estar representado neste tipo de eventos. Pelos vistos, parte-se do princípio de que sem a presença de um governante a dita equipa de todos nós não conseguiria jogar bem. Mas é um princípio errado e é fácil provar que é errado, porque mesmo com a presença do governante, a equipa não joga bem. E do que vi neste mundial, com exceção do guarda-redes, que me pareceu competente, pelo menos, a seleção passou pelo mundial sem jogar absolutamente nada. E a crença em superstições, como é habitual acontecer com a crença em superstições, não funcionou. A tua indicação no início vem nesse sentido. O doutor Hugo Soares chegou mesmo a dizer que o doutor Montenegro, isto antes do jogo com a Espanha, que é um amuleto da seleção. E acho que não vale a pena lembrar os efeitos que esse amuleto teve na partida contra a Espanha ontem. Em abono da verdade, também há que admitir que estas crendices e o paranormal não foram os únicos argumentos utilizados pelo doutor Hugo Soares, que foi o mais esforçado defensor da presença do doutor Montenegro em Dallas, e não só em Dallas, mas não foi o único argumento. Ele recorreu também à luta de classes para legitimar os passeios do primeiro-ministro. Disse ele que os membros do executivo e da direção do PSD, em geral, são gente do povo e o povo gosta de futebol, ao contrário, estou a continuar a citá-lo, dos comentadores queques que aparentemente não gostam de futebol. Portanto, o primeiro-ministro vai à bola porque é um homem do povo, é um homem simples, um homem humilde, uma pessoa igual a todos nós e que à semelhança de todos nós, em poucos dias viaja dezenas de milhares de quilómetros e faz três viagens aos Estados Unidos apenas para ajudar, com vibrações positivas ou pelo menos com o esforço delas, a seleção nacional. O facto é que nenhum destes portentosos argumentos convenceu a oposição, que achou gravíssimas e injustificáveis as viagens do doutor Montenegro, na convicção de que a respetiva presença dele no país era fundamental para controlar os incêndios que estavam em curso nos dias em questão. É extraordinária, desde logo, a importância que a oposição concede ao primeiro-ministro, apesar de ele garantir que continuaria a acompanhar a situação dos fogos florestais a partir de Dallas, talvez através do WhatsApp, não sei. Mas no fundo, como o doutor Hugo Soares, a oposição também atribui, pelos vistos, poderes mágicos ao primeiro-ministro, já que com ele em território nacional, os incêndios apagar-se-iam num lápis. Pelo menos é isso que fica subentendido. Outra coisa que é extraordinária na oposição, particularmente na oposição ocupada pelo Partido Socialista, nessa parcela da oposição, é a amnésia, porque assim de repente não me lembro de críticas tão firmes dos socialistas ao doutor Costa, quando o doutor Costa era primeiro-ministro e viajava também, supõe-se, para dar sorte à seleção de futebol. Ou quando o doutor Costa viajava para assistir a um jogo qualquer entre clubes ao lado daquele senhor Orbán da Hungria, ou quando o doutor Costa viajava em férias, quer Portugal ardesse, quer não ardesse, ou quando, muito mais recentemente, o doutor Seguro foi há uns dias ver um jogo do mundial aos Estados Unidos, a que o doutor Montenegro, por algum motivo, não pôde comparecer. Tudo somado, e se virmos bem, o problema não é que o primeiro-ministro e o governo em peso e a oposição e o próprio Parlamento e o presidente da República vão aos Estados Unidos ou onde lhes apetecer ver jogos da bola ou o que quiserem ver. O problema é que teimam em regressar a Portugal. O problema é que, com raríssimas exceções, estamos há demasiado tempo nas mãos de populistas que passam a vida a criticar o populismo dos outros.

Até amanhã, Alberto.

Até amanhã, Ricardo. Um abraço.

E agora vamos ao mundial de futebol. Minuto 90 para acompanhar o final do jogo dos oitavos de final entre Argentina e o Egito João Dias, o jogo está empatado a dois.

Está empatado a dois depois de uma espécie de remontada da equipe da Argentina, ou como muitos analistas gostam de chamar, MM, milagre Messi. Eis que surge o capitão da seleção argentina, primeiro com uma assistência para a cabeçada de Cuti Romero. Aí a Argentina conseguia reduzir para 2 x 1 e isto foi já ao minuto 78, já perto do minuto 83 a esse gol de Messi, a jogada de assistência. Agora, uma grande jogada para a seleção do Egito, mas corta ali Cuti Romero, passando ao perigo, numa altura em que o árbitro deve dar o tempo adicional desta partida, que ao que tudo indica, Ricardo, pode mesmo ir a prolongamento.

Já passam 30 segundos do tempo regulamentar. Sete minutos de descontos. Conseguimos ficar aqui, João, um minutinho para contar a história deste Argentina x Egito.

Pelo menos destes 90 minutos, uma história não só muito rica em gols, são quatro nesta partida, mas acima de tudo, também num gol anulado à equipe do Egito ao minuto 58, fazia na altura o 2 x 0, Mostafa Mohamed. No entanto, o avançado egípcio conseguiu mesmo carimbar esse 2 x 0 na altura para esta equipe africana. Neste momento, já está cumprido o primeiro minuto deste tempo adicional dado por François Letexier, na altura em que há um grande cruzamento para a área da Argentina, mas corta a formação campeã do mundo. Vamos ter que aguardar para saber se a Argentina consegue ou não essa tentativa de revalidar o título. No entanto, Ricardo, minuto 90 mais um, Argentina 2.

Cheira a prolongamento, João.

Cheira mesmo. E até porque a Argentina, que já tinha sido apertada por Cabo Verde nos 16 avos de final, a partida também foi decidida no prolongamento, mas houve essa infelicidade para a seleção dos Tubarões Azuis. Neste momento, a Argentina tem a nova vaga de ataque nos pés de Lautaro Martínez, caído sobre o lado direito. Há um cabeceamento e há o gol. Há gol da Argentina. Enzo Fernández consegue certamente sentenciar esta eliminatória, 3 x 2 para a formação de Messi, para a formação de Lionel Scaloni. Remontada em Atlanta. É um grande cruzamento do lado direito de Lautaro Martínez. Desilusão na cara da seleção do Egito, mas sorriso nos lábios. É novamente este sofrimento até aos minutos finais por parte da seleção da Argentina e é cabeçada de Enzo Fernández. Minuto 90 mais dois. A Argentina faz o 3 x 2 nesta partida.

Incrível. O Egito esteve a vencer praticamente 2 x 0 durante grande parte do jogo.

Até 10 minutos do fim.

E tudo virou. Nesta altura, a Argentina a vencer por 3 x 2. Faltam quatro minutos para esgotar os descontos. Já vamos voltar a este Argentina x Egito, que teve um final emocionante. "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador.

Até ao meio-dia é possível, não é? Depois à tarde é que seria tarde. Eu estava a comer bem. E Paulo, tu não és daquelas pessoas que quando uma pessoa chega e diz bom dia, diz: "Ah, por acaso já é boa tarde?"

A cutilância, ironia e quando é preciso, alguma acidez.

Há coisas que surgem e nós não sabemos o que havemos de dizer. Não temos uma opinião, não pensamos sobre o assunto, não temos nada para dizer. Acontece, eu empatizo. Quando falo como acontece aqui, é porque tenho coisas incríveis para dizer.

Ninguém é poupado ao rigor da opinião. "O Bom, o Mau e o Vilão", de segunda a sexta, às 20h20, nas manhãs 360 da Rádio Observador e sempre em podcast.

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Rádio Observador, são 16h59 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora