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"Ideias Feitas". "Ideias Feitas" na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo, obrigado.

E hoje queres ir ao comunicado do PCP sobre a morte de Carlos Brito, ou melhor, ao conteúdo do comunicado?

Quero, sim, senhor. Vou tentar não repetir tudo que o Miguel Pinheiro disse hoje de manhã no "No Bom, no Mau e no Vilão", mas não vai ser fácil. Desde logo, tenho que lembrar, como já referiste, o Carlos Brito, as pessoas sabem, antigo dirigente do PCP, morreu. O PCP referiu a sua morte. Como o próprio partido escreveu, referiu-a com a seguinte frase, a pedido de alguns meios de comunicação social, e depois acrescentou umas palavras muito breves, muito secas, em que lembrou o período em que Carlos Brito combateu o salazarismo. Ou seja, o texto do PCP, que é uma coisinha minúscula, é quase cínico, se é que não é mesmo de um cinismo declarado. Isso fez com que muita gente, pelos vistos, descobrisse de repente e horrorizada a verdadeira natureza do partido. Isso, pelos vistos, ou infelizmente, costuma acontecer. Pelos vistos, não, é garantido. Costuma acontecer porque há longas décadas que a pretexto deste todo aquele acontecimento ou desta toda aquela atitude, muita gente costuma descobrir de repente e sempre horrorizada a verdadeira natureza do PCP. Eu ia dar exemplos até das posturas do PCP a propósito da invasão da Ucrânia. Quer dizer, há tantos, são dezenas ou centenas de exemplos. E as pessoas descobrem: "O PCP afinal é assim?" E depois logo a seguir esquecem tudo. E este caso relativo ao Carlos Brito é só mais um caso. Eu não sei se as pessoas precisam de tomar suplementos de ômega-3 ou de anotar as coisas num post-it e colar no frigorífico, mas convinha que fixassem de uma vez por todas aquilo que o PCP de fato é, para que depois não venham a ter outra vez e mata de vezes estes desgostos, de descobrir que o PCP afinal não é bem aquilo que pensavam. Eu não vou descrever aqui as inúmeras maravilhas que caracterizam uma organização fundamentalista como o PCP, mas vale a pena recordar que aquilo que o partido sempre abominou foram os dissidentes, ou por usar a terminologia religiosa, que no caso acho que é inteiramente adequada, os apóstatas. Os apóstatas são as pessoas que após uma crise de fé se afastam da religião que antes professavam. E Carlos Brito foi só um entre os muitos apóstatas que o PCP teve e que depois condenou, ou pelo menos tentou condenar a um esquecimento, mas não apenas a um esquecimento, tentou tramá-los na medida do possível, por assim dizer, tentou desfazer-lhes a vida tanto quanto pôde. A tradição de castigar das formas possíveis que o PCP sempre arranjou ou conseguiu. Aqueles que abandonavam o barco, começou muito antes, começou ainda bem durante o Estado Novo e continuou ao longo do regime democrático. O PCP sempre teve uma visão, ao contrário dos mitos que correm por aí, o PCP sempre teve uma visão muito clara e inequívoca sobre a liberdade: é contra. Ou seja, a liberdade, a democracia, a liberdade de expressão propriamente dita, portanto, não tolera estes abusos, estas dissidências e estas traições, entre aspas, claro. E a minha amiga Zita Seabra, que por acaso foi em tempos casada com Carlos Brito e com quem, por acaso, mas acontece, eu falar com a Zita ao telefone bastantes vezes, felizmente. Eu tinha falado horas antes do falecimento do senhor Carlos Brito, e dizia eu que a Zita Seabra sabe e conta como poucos as histórias de perseguição aos apóstatas do PCP, a começar naturalmente por ela própria. Ela publicou mais do que um livro sobre o assunto e um deles, o "Foi Assim", é talvez capaz de ser, com quase certeza, é o mais conseguido e conhecido testemunho de um processo destes. Fui confirmar, o livro é de 2007, tem quase 20 anos, e é extraordinário que tanta gente continue surpreendida com as coisas que o PCP é capaz. E claro que a Zita Seabra não é a única pessoa a divulgar. Talvez tenha sido aquela que o tenha feito melhor ou de forma mais nítida e desenvolvida, mas não é a única pessoa a divulgar aquilo que o PCP é capaz de fazer àqueles que, como já disse, traiçãoam o partido. A essência do PCP é tão velha quanto o próprio PCP, e o PCP já fez 100 anos em 2021, como as pessoas talvez se lembrem. A única atuante é que o PCP não tinha a logística para fazer aos apóstatas e aos suspeitos de apostasia aquilo que o regime soviético lhes fazia e que numa ligeira variante de fanatismo, mas não varia muito alguns regimes islâmicos e ainda hoje fazem. Agora, o PCP fazia o que podia para arruinares a vida dessas pessoas e algumas arruinou, de fato. E sobretudo durante o Estado Novo, conseguiu com alguma frequência fazê-lo. E é notável que em Portugal tantas pessoas, estou a terminar, Ricardo, tantas pessoas continuem a esquecer-se disso. E como se o mundo nunca tivesse passado por elas, essas pessoas continuem nos intervalos, quando não descobrem a natureza do PCP, continuem a enaltecer regularmente as virtudes históricas do PCP, como eles dizem. Quer dizer, o PCP não tem e nunca teve virtude absolutamente nenhuma. É uma seita totalitária que lutou para substituir uma ditadura, uma ditadura real, uma ditadura pesada, por uma ditadura bastante pior, que felizmente não chegou a impor-se, mas que ali na sequência de 74, sobretudo em 75, andou lá perto. E é um partido que depois disso tentou impedir a instauração da democracia e depois tentou opor-se à democracia sempre que pôde e continua a fazê-lo. Hoje, felizmente, não tem peso nenhum, o PCP tem um leve resíduo da influência que já teve, embora não devesse ter nenhuma, e vive do ressentimento, porque ao contrário destes ingénuos que se esquecem muitas vezes, com muita frequência da natureza do PCP, o PCP nunca esquece.

Obrigado, Alberto, e até amanhã.

Até amanhã, Ricardo.

Tratar da saúde: menos mitos, mais factos. Com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Para ouvir de segunda a sexta, às 18h50, na Rádio Observador, em podcast e em observador.pt.

Este podcast tem o apoio CUF. Nos Centros de Saúde CUF, encontra cuidados de proximidade com a qualidade e segurança de sempre, mesmo à sua porta. Quem tem CUF à porta, tem tudo. Centros de Saúde CUF, SA. NPC 509925332.

Se fosse para apanhar batatas, ninguém vinha. Agora, com tudo já colhidinho e entrega em loja sete dias de semana, obrigadinho. Assim também eu.

A vida passa a comer. E assim, com frutas e legumes do Clube de Produtores Continente, toda a gente come melhor. Continente é de toda a gente.

Imagine a experiência global do quarto maior grupo bancário da zona euro e o nosso profundo conhecimento das famílias e empresas portuguesas. Imagine a escala, solidez e ambição global e a proximidade local. Agora, imagine tudo num só. Trinta e seis milhões de clientes, mais de 100 mil colaboradores e uma presença em mais de 50 países. O Novo Banco agora faz parte do grupo BPCE, um dos maiores grupos bancários europeus. Imagine mais. Novo Banco. Novo Banco, SA, registado no Banco de Portugal sob o número sete.

Como é que foi o teu primeiro encontro com ela?

Foi num domingo. Eu olhei, ela olhou de volta. Era alta e olhou-me de alto a baixo. Foi intenso, puro. Depois inclinou ligeiramente o pescoço e mastigou uma folha. Nunca mais me esqueci daquela girafa.

No Jardim Zoológico, é amor à primeira visita. Traga a sua família, venha apaixonar-se pelos animais e veja tudo o que estamos a fazer pela sua conservação e pelo futuro de todas as espécies.

Rádio Observador, são 06h58 em Portugal continental e na Madeira, menos uma hora nos Açores