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O Ideias Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Obrigado.

E também não foges ao tema que marca esta terça-feira, o ministro Luís Neves, que segundo Alberto Gonçalves é o maior inimigo do governo.

Está a começar a ser, está a começar a notar-se que é capaz de ter consequências a atitude do senhor ministro. Deixa-me recuar só uns dias para lembrar que na semana passada, o Expresso, naquela sua coluna em alta, colocava em alta justamente o ministro Luís Neves e pedia aos seus leitores para esquecerem por 30 segundos as informalidades, foi este o termo usado pelo Expresso, que envolvem o ministro da Administração Interna. Esquecíamos as informalidades e assim podíamos concluir, dizia o Expresso, que o ministro Luís Neves é o mais popular dos antipopulistas. Hoje, horas depois de uma sondagem colocar a AD em terceiro lugar, não é o PSD, é a AD mesmo, em terceiro lugar abaixo do PS e do Chega, e de sugerir que 65% dos portugueses acham que o ministro em questão não tem condições para continuar a ser ministro. O ministro Neves esteve a ser questionado na Assembleia da República. Eu não sou um leitor do Expresso, mas ainda assim hoje fiz um esforço para esquecer por 30 segundos, ou talvez mais um bocadinho do que 30 segundos, as informalidades em que o ministro Neves está metido e devo confessar que não cheguei às mesmas conclusões do Expresso. O ministro Neves nem é popular, nem é antipopulista. O que o ministro Neves é, é arrogante. E essa arrogância é uma arrogância bastante carregada, bastante nítida, tem um custo político ou poderá vir a ter, ou quase certeza, terá um custo político. Mais uma vez, ele nunca consegue evitar. O ministro Neves hoje fez questão de enfeitar as suas intervenções com elogios da sua excelsa pessoa, que aliás, parece ser a única pessoa que ele elogia. Aos outros, e no caso esta manhã eram os deputados que o interrogavam, esses outros, o ministro Neves respondeu com a já habitual soberba ou exaltação, e mais frequentemente falta de educação. O ministro Neves, que uma vez disse estar totalmente disponível para ser escrutinado, tem uma aversão ao escrutínio que só visto, e trata com modos impensáveis qualquer criatura que ouse pôr em causa os seus inumeráveis talentos. Basta ver cinco minutos do homem em estado de permanente fúria para desconfiar que a declaração de amor ao escrutínio foi um lapso e hoje ele cometeu outro lapso quando afirmou que só sai do governo quando o governo cessar funções ou o primeiro-ministro quiser. É um lapso na medida em que o ministro Neves, conforme já o tinha dito antes e voltou a afirmar hoje, que é ele o ministro e não o primeiro-ministro, que decide se fica ou não no governo. As palavras exatas do doutor Luís Neves foram: "Mantenho confiança em mim próprio para continuar no cargo", o que é das coisas mais extraordinárias que já ouvi a um governante em Portugal, e já ouvi algumas. A anedota que corre por aí, nas redes sociais, nessas coisas todas, é que o ministro Neves deve ter fotografias do doutor Montenegro em pelota ou coisa pior. É lícito uma pessoa considerar que deve haver ali um ascendente considerável do ministro sobre o primeiro-ministro para que este mantenha no governo, vou usar uma expressão que não gosto, mas está em voga, semelhante a ativo tóxico. A subserviência do doutor Montenegro é tal que agora há poucas horas, este chegou ao ponto de proclamar total confiança no ministro Neves. Ora, se há coisa que o doutor Montenegro já terá percebido é que não pode confiar de todo num ministro que está em roda livre e que a cada dia afunda a popularidade de um governo que anda a imitar a tática do doutor Costa, e no fundo a tentar passar despercebido por entre um país aos pedaços. Ainda hoje o doutor Montenegro aproveitou a moção de censura para fingir que distribuiu umas mi nécias pelos pensionistas, que reduziu o IRS, redução essa que de certeza será acertada no reembolso do ano seguinte. Mas enfim, este tipo de medidas, medidas antirreformistas por natureza, medidas costistas também por natureza, são medidas de um governo que não quer outra coisa a não ser aguentar-se discretamente e sem levantar ondas. Mas não há governo discreto ou que queira ser discreto, que aguente um ministro da Administração Interna permanentemente aos berros e enfiado em trapalhadas crescentes, trapalhadas ou informalidades, como diz o Expresso. Em qualquer dos casos, eu já vou terminar, Ricardo, o ministro Neves está a arrastar o doutor Montenegro para o fundo. Falta saber por que é que o doutor Montenegro se deixa arrastar para esse fundo ou se deixa ir tão docemente para a noite escura, isto para parafrasear o poeta Dylan Thomas, e lembrar que o Ideias Feitas também é um espaço de cultura. Não estamos aqui só para falar do ministro Neves, tem que haver uma referência ou outra mais elevada.

Acha bem.

É o mínimo.

E regressas amanhã. Até amanhã, Alberto. Um abraço.

Até amanhã, Ricardo. Um abraço.

Eu sou o Ricardo Conceição, estou de saída. Amanhã há mais Tarde Política. Hoje foi um dia longo dedicado à política, mas as emissões especiais não se ficam por aqui, porque já a seguir vamos ter o Futebol Clube do Porto, Manchester City. Está a começar a Liga dos Campeões e vamos ter emissão especial aqui na Rádio Observador.

Mexe com a sua carteira? Então estamos cá para explicar. Em boa moeda ou má moeda. Às 07h10, nas manhãs 360, apresentamos um facto bom e um facto mau sobre algo com impacto nas suas finanças. Porque todas as moedas têm duas faces.

Este programa tem o apoio do Crédito Agrícola.

Olá, sou o Pedro.

Prazer, Rita.

Amo-te.

Amo-te mais.

Queres comprar casa comigo?

Era o meu sonho.

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