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É tempo de desfazer ideias feitas com o comentador do Observador, Alberto Gonçalves. Alberto, muito boa tarde.

Olá, boa tarde.

Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer desfazer ideias feitas sobre os motins nos Estados Unidos.

Sim, não é um pretexto muito feliz, mas é mais uma série de motins nos Estados Unidos. Já houve muitos ao longo da história e alguns deles por motivos raciais ou a partir de um pretexto racial, como é o caso. Tivemos o caso do senhor Floyd, que foi assassinado, é a única forma de eu dizer, por um polícia e de uma forma totalmente gratuita, escusa e evitável. Isso desencadeou uma série de protestos que não são todos iguais e que têm significados diferentes. Quer dizer, há gente que ficou profundamente indignada pelo que sucedeu, e com razão, e insultou, protestou, fez o que tinha a fazer a propósito da morte do cidadão em causa. Há outras pessoas que desataram a pilhar lojas, a incendiar o que calhava e a atacar propriedade privada e pública, e que são apenas delinquentes, são criminosos e que devem ser tratados da mesma forma ou proporcionalmente ao polícia que matou o senhor Floyd e aos polícias que estavam com ele e que foram, ao fim e ao cabo, testemunhas passivas daquele homicídio. Estes saqueadores são criminosos, são delinquentes. Acredito que muitos vão roubar a loja da Louis Vuitton e sapatilhas da Nike. Presumo que não seja um protesto propriamente social, é apenas arranjar um motivo para poder assaltar em bando com uma expectativa de não serem presos, porque são multidões e não são fáceis de dominar. Depois há o caso do movimento Antifa, que é um movimento que o senhor Trump quer passar a declarar terrorista. Não é a primeira vez que no quadro legislativo americano há senadores e congressistas que já tiveram essa vontade de declarar este movimento terrorista, provavelmente com razão. É um movimento que defende o uso da violência, da arruaça pública e da intimidação apenas para servir supostamente a causa do antifascismo. Porque Antifa, não sei se é irônico, mas deveria ser se não é, quer dizer antifascista, uma espécie de abreviatura. Agora, é curioso notar que a forma de agir deste movimento é absolutamente inspirada no fascismo. Estas ações de rua, estas ações em que a violência intimida o próximo e se procura constranger a ação dos demais ou dos que discordam através da força, é uma ação não apenas fascista, era exatamente o método das forças do Partido Nacional Socialista, que também se dizia socialista. Se era ou não, é outra questão. Mas portanto, o partido nazi e a ascensão do Adolf Hitler foi feita com base nestes métodos e a sua consolidação no poder após as eleições de 33, estes métodos foram ainda mais reforçados. Portanto, estas ações de rua puramente violentas, e não estou a falar aqui dos saqueadores que querem uma mala Louis Vuitton ou um par de sapatilhas, estou a falar das pessoas que estão aqui nos Estados Unidos apenas pela violência, pela destruição e a causar o maior número de danos possíveis. Essas pessoas usam os procedimentos do partido nazi e, um bocadinho em escala inferior, o partido fascista italiano, por exemplo, nessa época. É curioso que isto seja encarado, por exemplo, até aqui em Portugal e noutros países. O movimento Antifa nos Estados Unidos já foi criticado até por pessoas de extrema esquerda de lá, como Noam Chomsky, por exemplo. Considerou que eles são o maior aliado da direita, porque permitem à direita poder atacar a esquerda usando com base o argumento de que a esquerda só quer a violência. Mas aqui em Portugal, por exemplo, não é caso único, com certeza vemos pessoas a declararem-se, ou mesmo não se declarando, a mostrarem simpatia com este movimento Antifa, para com este processo de destruição, de intimidação, de arruaça pública, de violência e de força bruta. É curioso que se isto lhes tocasse de perto, talvez a reação não fosse a mesma. Houve um caso muito curioso de um jornalista ligado à NBA, do basquete americano, que estava a incentivar que se queimassem edifícios, estava maravilhado com uma fotografia em que se via um edifício enorme a arder, estava todo contente. E três dias depois publicou na mesma rede, no Twitter, uma mensagem praticamente em desespero, em pânico absoluto, a dizer que os manifestantes estavam próximos de casa dele e que alguém fizesse alguma coisa para os tirar dali, porque era uma comunidade até vigiada, portanto, um condomínio fechado, uma coisa do gênero. E ele estava preocupadíssimo, estava mais que preocupado, estava com medo. Ou seja, quando a destruição afeta os outros e afeta, sobretudo, o sistema capitalista e aquelas coisas que muita gente abomina, isso é tudo muito simpático. Quando ela nos toca de perto e começa a bater literalmente à nossa porta, a destruição já não é tão agradável. Era bom que alguns por aí, sentados no sofá, enquanto estão no computador, estão em transe, fascinados com este processo de destruição. Primeiro lembrar que a América vai ultrapassar isto. Isto até tem acontecido sobretudo em cidades e em estados democratas, mas independentemente disso, eles vão acabar por controlar a situação. Com certeza a América não vai acabar já. Mas para além disso, há que ter em conta que isto são situações absolutamente perigosas e de movimentos e organizações de índole totalitária. E também há os delinquentes, que aproveitam para roubar umas malas e umas coisas.

E esse aviso também foi deixado esta tarde pelo antigo presidente norte-americano Barack Obama em relação aos motins nalgumas cidades norte-americanas, na sequência da morte de um cidadão afro-americano no início da semana passada. Alberto Gonçalves, neste início de semana a desfazer ideias feitas sobre esses motins, também sobre esta organização Antifa, esta organização antifascista que Donald Trump quer classificar como organização terrorista. Alguns especialistas já avisaram, no entanto, que uma eventual ilegalização pode não ser constitucional.

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