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Altura de desfazer ideias feitas. Alberto Gonçalves, bem-vindo.

Olá, boa tarde.

Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer desfazer ideias feitas sobre Donald Trump e os acordos de paz no Médio Oriente. Isto porque o presidente norte-americano esteve por detrás da assinatura destes acordos com os Emirados Árabes Unidos e também com o Bahrain e Israel.

É verdade, e o nome do programa aplica-se perfeitamente no caso do presidente Trump, porque se há figura à volta da qual há uma série de ideias feitas, é ele. Eu devo começar por dizer que na noite em que ele foi eleito, não fiquei propriamente satisfeito. Até fiquei um pouco assustado com o que viria aí, com o caráter imprevisível do senhor Trump, pelo pouco que eu conhecia dele. Enquanto um milionário conhecido e figura televisiva. Agora, o tipo de críticas que ele tem sofrido e que sofre, quer aja mal, quer aja bem, parecem-me muitas vezes, sobretudo quando ele age bem, como é lógico, parecem muitas vezes injustas. No caso destes acordos entre Israel e o Bahrain e entre Israel e os Emirados Árabes, parecem-me mais do que injustas, parecem-me absolutamente grotescas em alguns casos. Porque a reação dos media ou de alguns media, e não só, estou a falar dos portugueses, estou a falar dos media internacionais. Até, por exemplo, a Euronews, também não é uma surpresa, mas uma série de outros órgãos de comunicação mais ou menos conhecidos, em vez de celebrar estes acordos, e que são acordos importantes, embora do ponto de vista informal já houvesse relações entre Israel e ambos estes Estados, no caso do Bahrain e dos Emirados Árabes, a verdade é que formalmente são acordos bastante importantes. Eles afirmarem a paz e reconhecer a existência do Estado de Israel e firmarem acordos de cooperação, etc., é formalmente muito importante para a região do Médio Oriente. Mas os media, a tendência geral é desvalorizar os acordos ou até criticá-los. E vi críticas de vários teores. Por exemplo, os acordos são controversos porque desprezam o caso palestiniano. Ora, quer dizer, os acordos têm que começar por algum lado e neste caso começaram. E o senhor Trump, quando anunciou os acordos com os Emirados Árabes, anunciou que o Bahrain viria a seguir e agora também já deu a entender que mais países iriam entrar nesses acordos com Israel. Portanto, as coisas têm que começar por algum lado. E depois também acho estranho tanta preocupação com a questão palestiniana, quando as forças que estão em jogo são, sobretudo, a Hamas e a OLP, ou a Autoridade Palestiniana, que são organizações com uma componente terrorista acentuada, embora hoje relativamente, não no caso do Hamas, mas mais no caso da Autoridade Palestiniana, moderadas ou controladas, mas a verdade é que são organizações terroristas. Isto vale para outra crítica que se tem feito a estes acordos do senhor Trump, que ele fez acordos apenas com ditaduras árabes ou com oligarquias árabes. Quer dizer, Israel, ele promoveu os acordos, como é lógico. Israel vai fazer acordos com quem na região? Se vai fazer acordos no Médio Oriente, com certeza não vai fazer com democracias, já que Israel é a única da região. Portanto, o que se nota é apenas uma vontade de criticar o senhor Trump e é uma vontade que o tem perseguido desde o início do seu mandato. Este é apenas mais um exemplo de uma imensa necessidade, quase, de grande parte dos media de tratar o senhor Trump como um demente, como um débil mental e como um homem que ia começar a Terceira Guerra Mundial. E o que se tem visto é que, em vez de começar a Terceira Guerra Mundial, tem sido um presidente assaz pacífico, quase pacifista, e a promoção destes acordos entre Israel e alguns países vizinhos é um exemplo cabal. E isto vai a ponto de o senhor Trump já ter sido indicado, é verdade, por um deputado específico norueguês. Qualquer pessoa no Parlamento norueguês, por exemplo, mas não só qualquer pessoa, presumo eu, não sei exatamente quais são as regras, pode candidatar alguém ao Prêmio Nobel da Paz. Mas a verdade é que o senhor Trump está nomeado para o Prêmio Nobel da Paz e o curioso é que não parece nada assim de tão excêntrico quanto isso. É evidente que ele não vai ganhar o Prêmio Nobel da Paz, que será anunciado agora daqui a umas semanas, não por culpa dele exatamente, mas por culpa do Nobel da Paz, que normalmente é atribuído a pessoas cujas ações não tiveram consequências propriamente pacíficas, ou atribuído a alguém com quem o comitê simpatiza ideologicamente, ou atribuído, no caso que interessa mais comparar ao senhor Obama, que nem sequer tinha realizado ação nenhuma, foi atribuído antes de ele tomar posse, se bem me lembro. O senhor Obama foi Prêmio Nobel da Paz porque tinha dito algumas coisas simpáticas sobre a necessidade dos povos se entenderem e das pessoas desenvolverem relações de harmonia e serem muito felizes, o que fica muito bem. Depois disso, enquanto presidente dos Estados Unidos, foi dos presidentes mais belicistas que há memória. Portanto, o Prêmio Nobel da Paz não ficou assim muito bem, mas não é a primeira vez que o Prêmio Nobel não ficou assim muito bem. Só para terminar , é curioso que é isto que distingue sobretudo Barack Obama, que é um estadista que até certo ponto eu respeito. Não sou um detrator do senhor Obama e um admirador do senhor Trump, nada disso. Mas a verdade é que Barack Obama dizia coisas muito acertadas, tinha uma comunicação excelente e as suas ações eram muitas vezes contraditórias com aquilo que ele dizia. E foi isso que se comprovou ao longo dos dois mandatos em que esteve na Casa Branca. O senhor Trump até certo ponto é o contrário. O senhor Trump diz disparates imensos e disparates muitas vezes bastante condenáveis, tem uma comunicação às vezes calamitosa, mas aquilo que ele faz e o que faz eu julgo que é o mais importante, sobretudo no caso de um estadista, não só num estadista, mas sobretudo no caso do estadista, as suas ações são o mais importante. E as ações do senhor Trump, até ver, são ações que na maior parte delas são positivas e delas não vem mal nenhum ao mundo e pelo contrário, como no caso destes acordos entre Israel e países vizinhos, até vem o bem. Se ao senhor Trump, isto chega para ganhar as eleições nos Estados Unidos, é uma outra questão. Não acho que isto tenha que ter grande influência nas eleições americanas, e acho que o senhor Trump tem poucas possibilidades de as ganhar. Mas também tinha nenhumas possibilidades de as ganhar há quatro anos e a verdade é que as ganhou.

Vamos tentar perceber que lugares estão destinados para Donald Trump nos próximos tempos. Obrigado, Alberto Gonçalves. Alberto Gonçalves hoje a desfazer ideias feitas à boleia dessa assinatura de acordos de paz no Médio Oriente.

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