Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções dos Rolling Stones. "Tumbling Dice", a voz de Linda Ronstadt na abertura do Isto Não Passa na Rádio. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Tiago Pereira. Olá, Tiago, bem-vindos.

Nelson, como é que estás?

Estamos espetaculares. Estamos com os Rolling Stones esta semana, cantados noutras vozes, versões dos Rolling Stones. São mais de 7 mil as que existem e que poderíamos ter escolhido.

25 álbuns.

25 álbuns.

Fora os ao vivo.

Isto porque esta semana também chega o "Foreign Tongues". É assim?

É isso mesmo.

Chama-se assim o novo disco e o 25º na carreira da banda.

À hora que este programa for ao ar, o álbum foi editado ontem.

É verdade.

Sexta-feira, dia 10 de julho.

Gosto muito da "Tumbling Dice", faz parte do disco "Exile on Main Street", 1972, e depois foi recriada pela Linda Ronstadt, em 77, no álbum "Simple Dreams". Dizem as más línguas que houve envolvimento romântico ou amoroso entre Mick Jagger e Linda Ronstadt entre 77 e 78, e que terá sido o próprio Mick Jagger a dizer-lhe que ela devia deixar mais o country e assumir mais o rock na sua música. Foi um conselho que Mick Jagger deixou-lhe pra vida.

Mick Jagger também.

É bom a dar conselhos.

É um pouco mansplaining. Olha, Linda, o que tu havias mesmo de fazer é isso que eu te vou dizer.

Deixa o country e dedica-te ao rock. Muito bem, vamos ter várias versões de canções dos Rolling Stones ao longo da emissão desta semana e o Tiago trouxe os Clã.

Trouxe, porque eles têm uma canção dos Rolling Stones, a canção "I'm Free", que faz parte do álbum "Out of Our Heads", de 1965, e que é uma canção que os Clã gravaram, faz parte do álbum "Casu".

Eles gravaram a versão dos Rolling Stones ou a dos Sub Dragon? É que essa música ficou depois muito conhecida com aquele hit de 1990, The Sub Dragons.

Há muitas versões desta canção, isso é verdade. Mas eu tenho pra mim que os Stones, aliás, é uma das razões pela qual eu escolhi esta versão. Os Clã tocavam muito esta versão ao vivo, fazia parte do alinhamento habitual, e notava-se o gozo rock'n'roll que eles tinham ao cantar a canção. É uma ótima forma de percebermos a influência que os Stones têm, seja de forma mais direta, seja de forma mais indireta, via outras bandas que se metem pelo caminho, etc. Mas os Stones fazem parte, nem é só do alicerce do rock'n'roll, porque nem será, eles próprios vêm depois dos pais fundadores. Mas da forma que o rock and roll tomou, dos caminhos por onde foi, das várias contaminações, e não só a nível musical, mas também a nível de postura, de atitude visual, tudo o que queira chamar, os Rolling Stones são fundadores do rock and roll, tal e qual o conhecemos hoje.

Manuela Azevedo, os Clã, com "I'm Free". O Isto Não Passa na Rádio esta semana dedicado a canções dos Rolling Stones. Noutras vozes, claro. Os portugueses Clã e provavelmente a maior frontwoman da música nacional. Falavas desse lado da performer que Mick Jagger tem também, e que se tornou também nessa figura maior dos palcos pela sua exuberância, pela sua atitude rock and roll. Manuela Azevedo encarna bem esse espírito no trabalho que tem feito com os Clã.

Manuela Azevedo maior que Mick Jagger.

Muito provavelmente.

Ouviram aqui.

Muito provavelmente. Olha, vou mudar um pouquinho de ritmo para trazer um dos clássicos dos Rolling Stones, a famosa "Angie", mas aqui na voz da Tori Amos. "Angie", na voz de Tori Amos, lançada em 1992 pelos Rolling Stones em 1973. Depois viria a fazer parte do disco "Goat Head Soup", desse mesmo ano. Agosto de 73 foi quando foi lançado o "Angie", que serviu de lead single para este disco. É uma grande balada, uma balada rock. Adoro que tenha tido muitos rumores ao longo da sua existência sobre o significado de Angie. Quem é Angie? De que é que estão a cantar os Rolling Stones nesta canção? E as explicações são espetaculares, até porque entretanto já há internet e elas proliferam por aí.

Tem uma grande canção megarock, esse álbum, "Starstar". Canção que fechou o disco.

Gostas da Tori Amos? Gosto muito deste registo mais piano e voz da Tori Amos para Angie.

Ela está a sofrer muito mais do que o Mick Jagger.

Alguma vez sofreu.

O Mick Jagger está claramente a fazer de conta que tem saudades de uma Angie. Coisa na qual eu não acredito.

Vamos ter Ramones também com a canção de Rolling Stones.

Muito fácil. Os Ramones em 93 editaram um álbum chamado "Acid Eaters", que era um álbum só feito de versões.

"Acid Eaters".

"Acid Eaters", comedores de ácido. Entre as várias cantigas que interpretam, eles gravam canções dos The Who, gravam canções dos Animals, do Bob Dylan, dos Creedence Clearwater Revival, dos Troggs, dos Love, e cantam o "Out of Time", dos Rolling Stones, que é uma das canções que faz parte do "Aftermath", o álbum de 1966, que é um ponto de viragem nos Stones, porque é o primeiro álbum da banda feito inteiramente de originais e inteiramente de canções assinadas por Jagger-Richards.

Já está cá fora o novo disco dos Rolling Stones, o que nos motivou no programa desta semana a uma viagem pelas versões da banda. E são de tantos géneros os artistas que recriaram a música dos Rolling Stones, que eu tive dificuldades em fazer as minhas escolhas para este programa. Ainda assim, Tiago, tinha que trazer Townes Van Zandt. Primeiro porque gosto muito dele e ele fez uma versão incrível da "Dead Flowers". Já vos conto mais coisas sobre esta canção, mas o Townes Van Zandt vai estar sempre no meu coração. "Dead Flowers", dos Rolling Stones, do álbum "Sticky Fingers", 1971, aqui numa versão de Townes Van Zandt. Fez para um disco só de versões e gravadas ao vivo, neste formato, em 1994, no disco "Road Songs". Só um disco de versões de Townes Van Zandt a interpretar muitos clássicos rock, folk e country.

Coisas do uísque.

Há dias ouvi Mick Jagger dizer que o "Sticky Fingers" é um bom momento discográfico, talvez o seu favorito na carreira dos Rolling Stones.

Eu aposto nisso.

A propósito deste novo disco dos Rolling Stones, como é que o álbum se chama? "Foreign..."

"Foreign Tongues".

"Foreign Tongues". Há um podcast chamado "Speaking in Tongues", acho que é assim, que é com a Norah Jones a falar com todos os Rolling Stones sobre a carreira, a produção e composição deste novo disco. Vale a pena ouvir. Apanhei pelo YouTube, mas imagino que esteja noutras plataformas. Também posso sugerir um podcast que apanhei há dias em dois episódios chamado "The Life and Crimes of Keith Richards". Vale a pena. Não sabia que ele tinha uma ligação tão grande à Suíça, porque clínicas ótimas na Suíça.

Ora bem. "Speaking in Tongues", aliás, que é um álbum de uma das tuas bandas favoritas.

Talking Heads, claro. E já não falta muito para David Byrne, que vem a Portugal.

Está quase!

O Tiago também vai ver, desta vez. E tens agora o Johnny Cash para continuarmos nesta toada country.

Sim. Em 78, ele edita um álbum chamado "Gone Girl" e tem uma ou outra canção original, mas depois a maior parte são canções de outros, e uma delas é o "No Expectations", que é um relativo sucesso. Enfim, nos Stones, o que é o sucesso? Não sei. Mas acho que faz parte daquele lote, não é das mais conhecidas, está ali intermédio, que originalmente já tem um lado muito country. E que faz parte de um álbum que tinha sido editado 10 anos antes, em 68, o "Beggars Banquet", que vem a seguir àquela perdição psicadélica do "Their Satanic Majesties Request".

É espetacular.

E a seguir, tu tens "Beggars Banquet", o "Let It Bleed" e a entrada dos anos 70 e, portanto, é a assunção dos Rolling Stones como deuses do rock'n'roll e grandes turnês, grandes discos. Eu acho que os melhores discos dos Rolling Stones começam aqui.

O "Their Satanic Majesties".

É, mas é outra.

Tem "She's a Rainbow", que é uma das minhas favoritas na carreira dos Rolling Stones.

É uma bela canção, mas para mim, é os Stones na perdição rock'n'roll absoluta. E outro perdido do rock, Johnny Cash. Isto faz imenso sentido.

Antes, com uns anos antes.

Pronto.

Está bonito.

Escolham.

Que bela canção, que bela voz. Johnny Cash, "No Expectations", dos Rolling Stones.

Por acaso agora fiquei naquele: gosto mais desta.

Eu não sei. Eu gosto muito dos Rolling Stones, já falámos algumas vezes sobre isto, e a minha próxima escolha é uma das razões por que eu me divirto mais com Rolling Stones do que com Beatles. Percebo essa luta e a importância dos Beatles, mas nada a fazer, os Rolling Stones têm uma carga visceral mais nervosa, mais de mau comportamento, que me convence sempre. E uma das músicas que mais representa isso é a "Gimme Shelter". E eu trouxe aqui uma versão, isto é um bocado complicado, do Tom Jones, com uma banda inglesa de rock um bocadinho escorregadio, chamada New Model Army. Eles fizeram esta canção para uma campanha solidária, já te explico um bocadinho melhor. Mas o vozeirão do Tom Jones também nunca deixa de me impressionar. E olha que nesta "Gimme Shelter" não vai nada mal. Estive muito indeciso entre trazer esta "Gimme Shelter" com a voz do Tom Jones ou a "Gimme Shelter" que foi gravada para um outro projeto solidário chamado Playing for Change, em que a "Gimme Shelter" foi gravada com vozes na Jamaica, sitares na Índia, mais qualquer coisa na Turquia. Um projeto audiovisual global que também deu uma bela vida à "Gimme Shelter". E o Soundgarden? O Soundgarden também gosta dos Rolling Stones.

Como não? Soundgarden, enormíssima banda saída das ondas de Seattle no final dos anos 80. Em 1991, o ano em que o grunge rebentou, não sei se te lembras, Nelson.

Estava lá.

Eles editam "Badmotorfinger", o ano e talvez o álbum de viragem também para o Soundgarden, que no ano a seguir é reeditado com um disco extra, um EP chamado, e isto é tudo junto, é só uma palavra: "Satan oscillates my metallic sonatas". Meu amigo, tinha quatro cantigas, cinco, aliás, sendo que a última é uma ode de 15 minutos gravada ao vivo. Mas lá dentro estava "Stray Cat Blues", mais uma vez uma canção de Beggars Banquet. Epá, e o Soundgarden manda uma jarda nesta versão com o Chris Cornell a explicar porque é que ficou na história dos maiores vocalistas rock'n'roll de sempre, digo eu.

E longa vida aos Rolling Stones, Tiago.

E à memória de Chris Cornell e aos Soundgarden.

E até para a semana.

Até para a semana.