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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções que descobrimos em julho. Música de Panda Bear e Sonic Boom na abertura do Isto Não Passa na Rádio, é a escolha do Tiago Pereira. Como é que se chama isto, Tiago? Bem-vindo.
Curiosamente, Panda Bear e Sonic Boom, duas assinaturas criativas de dois tipos. Eu não sei se entretanto ainda vivem os dois cá ou não, mas um vivia em Lisboa, o outro vivia em Sintra.
Com a crise da habitação, não se sabe.
Agora não sei como é que está essa situação.
Em Cacilhas. Vamos perguntar aos amigos.
Noah Lennox e Pete Kember. Estes dois já colaboraram anteriormente, têm um novo álbum que se chama "A Question of When", sendo que question aparece com um ponto de interrogação, porque são artistas.
Claro, podem.
Este disco não está no Spotify, meus amigos.
É lá.
Não está no Spotify.
Que disruptivo.
Tu realmente és um preconceituoso.
Não disse nada. Eu não disse nada.
Editoram este novo álbum agora em julho. Eu gosto muito disto.
Estava a perguntar-te como se chama a canção. "Never Giving In"?
Sim, é isso. É a primeira canção do álbum.
Eu gosto deste hipnótico.
Gostam de fazer canções.
Qualquer coisa.
A canção, se tu fores ver, no seu esqueleto, é muito básica, é sempre muito simples. É gente que gosta das canções ABC, mas depois têm este enorme bom gosto de brincar com as ferramentas. Dão mais cor aqui, dão mais calor ali, mais frio acolá e fazem disto um brinquedo e parecem garotos no recreio. Eu gosto muito.
Já que estamos numa onda meio tropical.
É meio verão. Mas muito enevoado isto.
Sim. Eu vou seguir um bocadinho esta toada e trazer aqui um disco que saiu agora em julho, creio que no dia 17, chamado "Helado Tropical".
Gosto muito desse moço aí.
Já tinha cá trazido o Helado Negro.
Mas é com um amigo, não é?
E agora ele tem uma amiga, acho eu, a Reina Tropical.
Ora, cá está.
Helado Negro e Reina Tropical, nasce então este projeto, Helado Tropical.
Nós estamos muito descapotável, pinha colada.
É o que pede o tempo, é o que pede a altura do ano.
E psicotrópicos também.
Gosto muito que o Helado Negro tenha como verdadeiro nome de batismo Roberto Carlos Lange.
E cá está. É um grande nome.
É um grande nome, Roberto Carlos Lange. E aqui está o Helado Negro de regresso. Tem muito do que já conhecíamos da música deste Roberto Carlo. Agora vou mostrar-vos só "Sensación". "Sensación". Acho que foi o segundo single pra este disco chamado "Helado Tropical" e eu acho que vai muito bem nesta época do ano, mas se não concordarem, podem sempre enviar um e-mail. Estamos muito tropicais esta semana.
Tá, mas eu vou já acabar com esta brincadeira.
Ainda bem. Canções que descobrimos em julho, esta chama-se "Sensación", é de um disco chamado "Helado Tropical". Agora falava sempre assim o resto do programa.
Que venha Deus.
Helado Negro com Reina Tropical juntos num novo álbum que saiu a 17 de julho e que eu acho muito apropriado para esta época do ano. Agora, o Tiago vai falar-nos um bocadinho de Sara Negra.
Isto não tem nada a ver com esta época do ano.
E esta música chama-se "Gira".
"Gira". Sara Negra é nome artístico de Sara Ribeiro. Ela apresentou muito recentemente ao vivo, em Lisboa, na Casa Capitão, o álbum "Amor e Magia", concerto no qual eu não estive, fica já aqui esclarecido. Esta canção deixou-me curioso para perceber o que se passa aqui, porque parece-me que é meio melancólico, mas com uma carga indie rock ali pelo meio, arrastada, tal como as emoções que a canção quer ilustrar também são arrastadas. Parece uma coisa completamente fora do zeitgeist. Não era suposto isto estar a acontecer em 2026, mas estas coisas da pop e do rock and roll têm esta estranha forma de vida, como diria a outra. E deixa-me curioso e interessado em perceber como é que isto funciona em palco, porque parece-me que há aqui muita atitude a descobrir. Hoje eu sei pra dançar. Soltar, só soltar. Deixa o corpo comandar. Gira, oh gira. Hoje eu sei pra dançar. Sem vergonha, nem compensar, só pele e pó no ar. Eu sacudi o juízo, eu já me livrei do mal. Hoje eu sou tambor, sou pecado e carnaval. Hoje eu sou libertação. Hoje eu sou fogo e o meu corpo é oração. Gira, oh gira. Hoje eu sei pra dançar. Soltar, só soltar. Deixa o corpo comandar. Gira, oh gira.
"Gira", de Sara Negra, escolha do Tiago Pereira. Nota-se bem ali a bateria do Ricardo Martins, não é? Aquele
Isso foi uma ótima ilustração.
Não foi? É assim que toca o Ricardo Martins. É um dos melhores.
Consegues fazer esse som com todos os bateristas?
Consigo. Alexandre Frazão é mais .
Senhor. Vamos inventar.
Estou a inventar. Pelo amor de Deus, não levem a sério o que eu estou a dizer. Gostei, há aqui atitude.
É, meu amigo. Diz que confiamos mais vezes em mim.
Sara Negra, com "Gira", o disco "Amor e Magia", é o primeiro de originais.
Nisto e noutras coisas da vida.
É verdade. Olha, agora fiquei aqui um bocadinho indeciso sobre para onde vou.
Não, vai.
Vou muito rapidamente a "Illusion". É uma das canções de um novo disco anunciado há pouco tempo por Leon Bridges. E sempre que o Leon Bridges lança alguma coisa, eu tenho que trazer aqui ao Isto Não Pode Narrar, porque gosto muito das coisas que ele faz. Chegará em setembro, um disco chamado "Happiness Anytime", que é o que toda a gente quer na vida. Happiness anytime.
É como a relação com as batatas fritas.
Sim.
Mais ou menos a mesma coisa.
Ok. Só para dizer que, entretanto, ele está a dividir isto assim de uma forma estranha, que é de vez em quando lança um EP com quatro canções, depois quando totalizarem 12, chega o longa duração. E então já estão disponíveis as primeiras quatro: "Light the Way", "Tears of Joy" e "Your Love is Electric", lançadas no dia 17, e esta "Illusion". É um disco muito inspirado pela música do Brasil, pela América do Sul, afrobeat e depois o soul, já característico da voz, alguma rouquidão, gosto daquela coisa que ele tem, uma certa rouquidão. E está um bocadinho mais reggae, se quiseres.
É lá.
É verdade. Principalmente nesta "Illusion" que eu trouxe para mostrar aqui o que será o próximo disco do Leon Bridges, que está a ser produzido por uma data de malta, inclusive por alguns dos elementos dos britânicos Jungle, que era uma coisa que eu não imaginava.
Eles também andam metidos em tudo.
Tudo. E vêm a Portugal em breve e estão a lançar canções novas também, uma "The Wave", que estive quase para meter esta semana, mas achei que já chegava. E aqui fica o Leon Bridges com "Illusion" e daqui a pouco regressamos com mais descobertas de julho. Como habitualmente, no final de cada mês, resumimos aqui a matéria editada ao longo das últimas semanas, as canções que descobrimos em julho. Eu sou o Nelson Ferreira, está por cá o Tiago Pereira, que já trouxe aqui belas sugestões e que vai continuar nessa senda.
Bem, sim.
Com Rizlaine e Richie Campbell.
Não estavas à espera?
Não estava mesmo à espera.
Rizlaine. Há aqui um bocadinho de história, rapidamente. Ela é filha de imigrantes cabo-verdianos em França e meteu-se nestas coisas da música.
É filha de diplomatas?
Não.
Maira Andrade também tem um trajeto europeu-Cabo Verde.
Não é bem essa onda. E ela meteu-se no hip-hop e no hip-hop em crioulo. E foi assim que foi descoberta. Vou usar esta palavra, que é para abreviar caminho. Mas, e tu vais perceber isso quando ouvires a voz, quem trabalhou com ela percebeu que havia ali mais alguma coisa do que só, entre aspas, hip-hop, e que esta história poderia ser maior. Parece-me que foi uma escolha acertada, a história pode ser bem maior. Esta canção, "Cocai", faz parte do álbum que foi editado agora em junho, chama-se "Poebt". Tem algumas colaborações. De junho para julho, eu acho que vai uma distância razoável, não faz mal nenhum.
Está ótimo, Tiago.
E esta cantiga tem o Richie Campbell pelo meio, que pode parecer estranho ou surpreendente para alguns, basta começares a ouvir e, sobretudo, quando entra o Richie Campbell, que também tem altas, com muitas novidades, faz muito sentido. Sabes como é que dizem os jovens? É um banger.
Bom balanço.
Já foi mais verão outra vez.
Bom balanço.
Pois é.
Obrigado. Rizzlan, Richie Campbell, Cocai, creio que seja assim que se pronuncia.
É isso tudo.
Esta canção trazida aqui pelo Tiago Pereira.
Vamos fazer trend setting. Bora!
Vou ter mais verão, prometo que vou ter mais verão para daqui a pouco e até verão português.
É lá!
Mas agora não queria deixar de passar a triste notícia da morte do Glenn Ansert desta semana. De resto, há artigo no Observador sobre esse assunto. Uma semana difícil, com a morte também do DJ francês Kavinsky, que de resto esteve em destaque aqui com a Night Call há poucas semanas, no Isto Não Passa na Rádio. O que me impressionou foi que toda a gente parece reconhecer em Glenn Ansert aquilo que eu sempre achei: um tipo sem manias, com uma ótima carreira, uma carreira enorme, quer com os Frames, quer como ator, quer com o Oscar de melhor canção numa banda sonora.
Sabes que vi o-
O Commitment?
O Commitment. Vi esse filme-
É um filme do Alan Parker, não é nada mau
...muitas vezes.
É fixe.
Só há muito pouco tempo é que percebi que ele tinha morrido.
Eu a primeira vez que vi o filme também não sabia, até porque ele tinha 20 anos.
Mas o filme é de 91.
Ou 19 anos. Era muito novo.
Mas desde então, eu acho que uma pessoa com o meu estatuto e a minha responsabilidade
Deveria saber isso. Não.
Só há muito pouco tempo é que percebi isso.
Sim, o Glenn Ansert tinha aqui alguma relação com Portugal, tocou em Portugal algumas vezes, era muito amigo do Valter Lobo e tinha acabado de editar um disco agora em junho.
Sabes o que é? Os irlandeses são muito portugueses e vice-versa.
Sim, e eu ando numa fase de Irlanda, porque comentei contigo há dias que vi o documentário do Shane MacGowan dos Pogues e acho aquilo uma história irlandesa, a história quase da Irlanda, em paralelo à história do vocalista dos Pogues. E agora acontece isto com o Glenn Ansert, um tipo também completamente irlandês na música que fazia, na atitude que tinha perante a vida e também uma morte trágica num acidente de moto, é uma coisa que ninguém merece. E eu queria aqui trazer a "Revelate", que até é uma música dos Frames e que ele reinterpretou agora num disco que saiu em junho e que é o resultado de duas noites de concertos em Berlim, na Funkhaus, e depois saiu então este "Don't Settle" volume um e volume dois, o volume um em abril e o volume dois agora no final de junho. E achei que era importante trazer aqui também à memória quantas coisas boas não fez este homem e com uma carreira tão grande, quão bom tipo parecia ser. E esse é o relato de toda a gente que o conheceu, um tipo superacessível e superboa onda. Desse volume dois de "Don't Settle", gravado em Berlim em abril do ano passado, Glenn Ansert com "Revelate". Ao vivo em Berlim, as canções de Glenn Ansard, quer a solo, quer com os Frames e outras coisas que fez para bandas sonoras, estão aqui revisitadas nestes dois volumes de Don't Settle, Transmissions East and West. Esta Revelate é precisamente uma das canções do tempo dos Frames. A morte de Glenn Ansard também marca esta semana no mundo da música e este disco é do final de junho, por isso encaixa aqui nas descobertas de julho que trouxemos. Falamos agora de Fifth Dimension, a escolha do Tiago Pereira. O que é isto? Não estou a ver o que seja.
Estás. Claro que estás.
Estou?
Se eu te falar em The Age of Aquarius, Let the Sunshine In, sabes logo o que é.
Let the Sunshine In.
Isto é aquela rapaziada que fez história entre finais de 60 e inícios de 70. Meio soul, R&B, funk, meio new age, místico, mundo melhor. E foi agora lançada uma espécie de caixa, uma edição especial que reúne os álbuns fundamentais deste grupo, os álbuns lançados entre 67 e 74. Pareceu-me que esta novidade antiga era suficiente para fazer aqui um momento de memória. E aqui está Up, Up and Away, que é precisamente a canção que abre o álbum de 67. Eu acho que vale muito a pena.
É para dançar? Mais ou menos. É um bocado espacial, não é?
É para refletir, pensando nas potencialidades que o menear de anca vai ter eventualmente.
Fifth Dimension, "Up, Up and Away", escolha do Tiago Pereira. Canções que descobrimos em julho e vamos fechar com música nacional de António Bastos. É um produtor que, pelo menos conhecia-o vivendo em Aveiro nos últimos anos, não sei se ainda está por essa região do país, mas é alguém muito talentoso e também muito difícil de definir, porque me parece que salta por entre vários gêneros. É um tipo muito dado à improvisação e a projetos de colaboração com grandes grupos, com grupos até ligados à tradição local ou de associações locais, Conservatório de Música de Aveiro. Ele tem uma série de projetos com quem vai colaborando. Já percebi que ele gosta de coisas que às vezes envolvem muitos elementos, tipo grupo coral e coisas assim. Mas há dias, ele lançou no passado dia 10, um single que me ficou no ouvido, chama-se "You Are Amazing". É uma faixa que cruza alguma eletrônica, que também é uma das marcas do António Bastos, synthpop, algum nu-disco. Gostei do tema, achei que era bastante verão e uma ótima forma de terminarmos o "Isto Não Passa na Rádio" desta semana com a música do António Bastos. Sigam-no nas redes sociais, porque ainda vamos ouvir falar mais dele. Ele já por cá anda há algum tempo, mas sempre muito ativo, com muitos concertos. Vai ter uma digressão pelos Estados Unidos em breve e vai ter um regresso a Portugal no outono com muitos concertos. António Bastos, "You Are Amazing", no fecho do "Isto Não Passa na Rádio" desta semana. Um abraço, Tiago.
Nelson, cuida-te, isso é o mais importante.
Vamos a isso.