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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: canções que descobrimos em outubro. Seja bem-vindo ao Isto Não Passa na Rádio. Esta semana, as canções que descobrimos em outubro, as mais recentes edições que nos ficaram no ouvido, mas não só. Às vezes até descobrimos coisas completamente fora do mês onde estamos e do ano.

O que ficaram no coração.

Exato. Por algum motivo. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Tiago Pereira. Olá, Tiago, bem-vindo.

Como é que estás, Nelson?

Espetacular.

É que estou a ser exagerado.

É verdade. Dizer que esta banda chama-se Boobooz. B-O-O-B-O-O-Z. Boobooz. Quem são os Boobooz? Nada mais, nada menos do que o vocalista dos Hills. Gostas dos Hills?

Gosto, sim.

É mais a tua praia do que a minha, cheira-me.

É, porque tem uma chonice.

Exato. Está dito, ainda bem que foste a dizer.

Mas também tem indie rock.

Tem. O vocalista dos Hills juntou-se à vocalista dos 79.5, uma banda que eu não conhecia, mas que é uma dupla feminina muito engraçada, muito atmosférica, muito Kate Bush, se quiseres.

Aliás, o Mark Everett é dos tipos mais autodesgraçados do rock.

É verdade.

É impressionante.

Mas dá-lhe uma certa pinta.

Dá.

Bem, eles juntos são Boobooz e têm um disco que chegou em setembro chamado "Young Love". Foi lá que fui buscar este belo dueto. As canções são todas muito bem harmonizadas.

Mas eles são casados?

Não faço ideia, mas desconfio. Mas não pesquisei essa parte. Não fui à imprensa cor-de-rosa, só fui à especializada.

A cor-de-rosa também é especializada.

Claro, em cor-de-rosice.

Claro.

Esta canção chama-se "Come On Baby", tem um belo vídeo, os dois a cantar ali de frente um para o outro. Achei uma canção muito enternecedora. Fico bem disposto com esta "Come On Baby" dos Boobooz. Foi uma das minhas descobertas de outubro. Pode-se dizer que é um supergrupo, não é? Junta dois elementos de outras duas bandas. É um supergrupo.

Desde que voem ou que tenham uma capa.

Ou que tenham um superpoder qualquer. E tu trazes quatro escolhas nacionais, roubaste-me duas e muito bem.

Está espetáculo. A cantiga tuga está insuperável.

Está ótima. Vamos começar com Macacos do Chinês, "96".

Macacos do Chinês, rapaziada que há uma série de anos andava a fazer outras coisas com outras pessoas, por aqui, por ali, etc. Vão tocar esta semana no Lux. Tocaram o ano passado no Alive.

Esta semana, tipo primeira semana de novembro?

Dia seis.

Dia seis, ok.

Dia seis.

É quinta.

Diz quem esteve lá que foi um belo concerto. A rapaziada vai regressando e há uma cantiga para tornar oficial este regresso. Chama-se "96", é uma cantiga que é uma espécie de RTP Memória dos Macacos do Chinês. A falar de outros tempos, projetando para a atualidade, com aquela

A destreza na palavra que esta rapaziada tem e o Pitty a dar corda aos sapatos como só ele consegue dar.

Yo, Trupes. Como é? Há quanto tempo andamos a manter a fé?

Ah boy, desde 1996 em 2700, diz só quanto tempo sem perder a fé.

Te lembra, cima era ontem, agora estás de bola na zero monte. Street sem o povo, hoje está vazio. Seiscentos e noventa e oito tem que ficar sombrio.

Com brilho, desde o tempo de Pameinonde, chillar com os rapazes ou rondas, dependia das ondas. No ano em que caíram os Mamonas, muitos mamavam das vacas gordas.

Sempre na TV estava sempre Vidrado, tudo animado e de noite a ir ao Gado, bem cataflado. Mas aquele programa hoje era censurado.

Era censurado? Isso é verdade, mas há muito que está bem melhor assim.

Isso é verdade.

Há mais soluções para o mesmo fim.

Verdade.

Há mais abertura para falar do amor. Sem dúvida, eu hoje gosto muito mais de mim.

Mora que é tempo, n'ta floma que é tempo, nha má é bam pamba olho Space Jam. Puto traquino, Mascalvin e Nobis, onde nha zeroi cada esquece os nomes, cada esquece os nomes. O tempo, o bom, o mau, a dor, o amor. Passa tudo fica. O tempo, o bom, o mau, a dor, o amor. Passa tudo fica.

Mas não fomos só nós a ver a cidade evoluir. Contras e prós, dois extremos a dividir. Às vezes estou on the watch só para ser subir.

Jura.

Ya, mesmo quando desço eu vou para a altura.

Moras que isso está a passar para o olho, está a ouvir Papique dentro do comboio. Comigo o meu arco mas a ver esse cenário. Volume na máximo, privacidade.

Eu lembro de acabar em Santos, onde não havia Santos.

Aquele canto?

Não, aquele ao centro.

Não, eu não me lembro.

Tranquilo, passei lá um dia destes, já nem sei há quanto tempo.

Fechou?

Não.

Falsado?

Pouco. Agora vai ser um bistrô.

Claro.

Sinto que algo mudou. Agora chamo-lhe Lisboa.

Que bela forma de regressar.

Que te bitch, avó.

Incrível, eu gosto muito desta 96. Aliás, acho que é um regresso super bem feito. Primeiro, porque eles parecem estar em grande forma, mas pela própria temática da canção. É mesmo um regresso ao passado, um olhar sobre Lisboa.

Cheio na música, no flow, na palavra.

E adoro aquela parte em que ele diz: "E aquele sítio fechou, é sério, mano". Não acredito. Está tão bem feito.

Parece tu e eu.

Muito bem. 96, não diria tanto, mas Macacos do Chinês, escolha do Tiago Pereira. E agora vou mostrar-vos a nova canção de Joshua Idehen. Lembras-te daquele tipo que eu trouxe aqui há uns tempos que cantava "Mum Does the Washing" e explicava conceitos ideológicos como capitalismo, comunismo?

Lembro-me disso, sim.

Com a premissa de quem é que lava a roupa lá em casa.

Aquelas coisas que tu ouves.

É muito giro. E ele tem uma canção nova e vem a Portugal e eu já vos dou conta de datas dos concertos no nosso país de Joshua Idehen. Esta nova canção, deixa-me só confirmar, chama-se "It Always Was". Sempre cheio de ritmo, Joshua Idehen, britânico, ou melhor, nigeriano, diz ele, nigeriano nascido na Grã-Bretanha e que atualmente está baseado em Estocolmo, Suécia. Fiz uma boa opção, está num bom país.

Achas?

Acho que sim.

Mas imagina, horário de inverno, péssimo.

Sim, mas há coisas mais importantes.

Não há nada!

Escritor, poeta, artista de spoken word, Joshua Idehen, música nova, "It Always Was" e novidades sobre o poeta e músico britânico-nigeriano. 16 de maio do próximo ano na Sala Socorro, no Porto, e 17 de maio do próximo ano na Casa Capitão em Lisboa. Só que eu descobri outra coisa enquanto estava a preparar este concerto, este programa.

Este programa.

O Joshua Idehen toca em Lisboa a 10 de dezembro.

Então e agora?

É verdade. E sabes o que ele vem cá fazer? Está na primeira parte do Baxter Dury.

Olha o teu amigo.

É verdade.

Vais perder o norte.

Eu gostava de ver o Baxter Dury 10 de dezembro no Lisboa ao vivo.

Vais perder é a guita.

E agora Joshua Idehen na primeira parte. Fica difícil.

Quem estiver a ouvir, convido o Nelson.

Já agora.

Ele é um homem de família, ele precisa de ajuda.

Eu pago um fino. E agora vamos a Mordomia, outra escolha do Tiago Pereira.

Mordomia, uma rapaziada de Lisboa que editou agora neste mês de outubro, o segundo álbum, chama-se "Chumbo Côncavo" e há aqui também isto, porque aqui há jornalismo, aqui há informação. Esta rapaziada toca dia 7 de novembro, sexta-feira, na Sala Lisa, em Lisboa, às 10 da noite. Diz que esta banda, dois avisos, não vão encontrar as canções mais normais do mundo, por mais normais eu digo mais previsíveis, com estrutura previsível, narrativo, a voz. Esta gente é muito teatral, é muito dada ao dramatismo, como se tudo fosse um enorme teatro. Isso vai dar gente que gosta muito, vai dar gente que odeia. É tudo muito plástico e eu acho muito interessante esta coisa de em cada canção descobrir, em cada momento não fazer ideia para onde é que vamos. A canção que aqui vamos ouvir, não vamos ouvir toda, tem seis minutos, portanto não vai dar tempo. Acho que se chama "Noz3s".

"Noz3s", sim.

Sento que falta uma letra, tem ali um underscore.

Underscore S.

Entre o Z e o S, mas na minha cabeça são nozes. E tem uma ótima distorção na guitarra, das melhores que este país tem oferecido-

Ora, às vezes salva uma canção

...nos últimos tempos. E aqui é uma valente distorção.

Todas as noites, antes de me deitar, depois de lavar os dentes, sento-me na minha cama, penso no dia que teve. E a tratar, adeus. De seguida, perco cerca de 15. 15, 30 segundos. Para pôr um dente debaixo da minha almofada. No dia seguinte, ao acordar, com grande esperança, espreito debaixo da minha almofada. Mas nem vê-lo. Não, nem vê-lo. Nem vê-lo. Não, nem vê-lo. Nem vê-lo. Não, nem vê-lo. Não

Todas as noites, antes de me deitar, depois de low vibe, penso sobre a noite que tive e sobre a seguinte.

No Isto Não Passa na Rádio desta semana estamos às voltas com as canções que descobrimos ao longo do último mês, as canções que descobrimos em outubro.

Cantigas de outubro.

É verdade. O Tiago Pereira tem uma seleção toda ela 100% nacional. E boa.

Mas não é patriotismo.

Não, é outra coisa qualquer.

Eu não tenho tempo para isso.

Exato. Descobri uma coisa muito estranha.

Eu sou um velho agora.

Um bocadinho.

Resengão.

Onde é que eu tinha aqui as minhas notas? Eu descobri uma artista da qual nunca tinha ouvido falar e que é nova, uma miúda nova chamada Hemlock Springs.

Roosters.

Hemlock Springs.

De onde é que ela é?

Los Angeles.

Eu vi logo.

É uma miúda muito nova e eu não consigo classificá-la, mesmo olhando para ela a nível de estética, porque há aqueles teenagers ou miúdos agora de hoje em dia que têm aqueles cabelos-

Falar em velhos.

Falar em velhos. Têm aqueles cabelos com muitas cores. Cabelo azul, vermelho, verde, tudo.

Tenho lá disso em casa.

Tens lá disso em casa. Ela tem este aspeto. Logo, é uma jovem de 2025.

Podia ser de Lisboa.

Podia ser uma miúda de Lisboa. Sei lá, ali de Almirante Reis.

Por exemplo.

Naquela zona onde nós moramos.

Naquela zona.

E mesmo musicalmente, eu não consigo classificar isto. Sei que é uma espécie de pop frenética, um bocado banger, mas depois também tem um lado meio inocente, porque a miúda é nova.

Eu estou-te a sentir com alguma dúvida.

Isto deixa-me muito na dúvida, mas diverte-me muito. Hemlock Springs e a canção chama-se "Head, Shoulders, Knees and Handles". Vamos ouvir?

Vamos embora.

O que aconteceu aqui, Tiago?

Olha, aconteceram coisas que eu gosto muito.

Gostas? Eu volto já.

Adoro que me atirem ao chão, que me deem um estaladão.

E a música vai para um sítio completamente diferente.

"Ei, onde é que eu estou?" Eu gosto muito.

Há aqui uma-

Esta mania rapsódica.

Há uma coisa frenética na música da Hemlock Springs, que está entre a energia de uma criança e o LSD. Algo psicadélico.

Eu diria que isto é, imagina se a Chappell Roan tomasse metanfetaminas.

Ok.

Ou um cruzamento entre a Chappell Roan e uma coisa de manga, de desenhos animados japoneses, daqueles muito nervosos. Eu gostei, gostei muito.

Adorei descobrir esta aqui.

Mas gostei sobretudo da rasteira, da chicane.

O álbum de estreia da Hemlock Springs, do que eu acho que fará parte esta canção que ouvimos, só sai em fevereiro, pela Wall, uma bela editora. Chama-se "The Apple Tree Under the Sea". Tem piada esta Hemlock Springs. E agora temos Rita Curtesão, escolha do Tiago Pereira, que foi buscar ao disco da Rita Curtesão, "Dia após outro".

"Dia após outro". A Rita Curtesão editou um disco no passado dia 24 de outubro, chama-se "tudo um pouco". Já tínhamos ouvido uma coisa ou outra. Queres mais cruzamentos? Queres mais um comparativo? Vai.

Bora.

É aquela cantiga da sobrinha mais nova da Márcia com o Samuel Úria.

Ok.

Mais ou menos.

Garante alguma qualidade.

O disco não é sempre igual, o que é ótimo. Nota-se que são canções que a Rita Curtesão teria já há algum tempo, é uma coisa muito pessoal, amadurecida, e depois teve tempo para escolher a melhor forma plástica para as apresentar. Tem várias soluções, não vão todas pelo mesmo caminho, mas nota-se, sobretudo, o culto da canção e o apreço.

E há aqui uma coprodução do Benjamim também, não é? Com ela.

Isto é dos discos submarinos.

Eu tinha a ideia que coproduz com a Rita Curtesão este disco.

Bom gosto. Canções e bom gosto e uma voz que se sabe bem até onde deve ir.

Ontem foi pouco, hoje ainda menos e não tem nada de mal. Dia após outro eu tento lembrar que o mundo não me cobra nada. Se for para ser mais que ser de mim, que seja para os outros também. Por que não deixar morrer a ideia do que é certo, bom e incerto e mercedor do que está sempre cá? Visto o casaco, guardo no bolso o sítio onde já não vou. Se me deparo com a solidão, dou-lhe a mão e sigo caminho. De volta a casa, de volta à mesma certeza de sempre voltar. Por que não deixar morrer a ideia do que é certo, bom e incerto e mercedor do que está sempre cá? Faça sol, faça chão, passo rente à multidão, sinto sorte de sentir o que cá sei

Não tiver pés para levantar. Os olhos são nossos demais. A vida é coisa para fora. A gente dá conta do resto, mas esqueço agora. Por que não deixar morrer a ideia do que é ser bom e certo e merecedor do que está sempre cá? Faça sol, faça chão, faça renda à multidão. Sinto sorte de sentir o que cá sempre está.

Rita Curdesão com "Dia após Outro", a canção do novo disco da Rita Curdesão, que vai ser apresentada ao vivo dia 21 de novembro, Galeria Zé dos Bois, em Lisboa.

É música de outono.

É verdade. Realmente.

Não é?

Está a mexer com castanhas e tudo.

Eu sou um talento desperdiçado.

Tu estás em sintonia com o meio que te envolve. É giro ver isso. Obrigado por estares aqui.

Ainda não comi castanhas.

Eu já, para aí duas ou três vezes. Queria falar-te agora de Hannah Cohen.

Sim, senhor.

Hannah Cohen, primeiro, é lindíssima.

Parece outono também, com esse nome.

Parece. Hannah com H. Hannah Cohen. É um bocadinho nipple baby, é filha de um baterista de jazz. De resto, é uma senhora já. Já tem idade para ser uma senhora.

Sabe-se lá o que isso quer dizer.

Sim, exato. Porque às vezes ela não parece muito nas fotos, mas lá que tem pinta. A Hannah Cohen foi durante muito tempo modelo. Ela era, inclusive, dizia-se, a musa de Terry Richardson, esse famoso fotógrafo também envolvido nos calendários da Pirelli. Ficou muito famoso.

Envolvido em muita coisa, meu amigo.

E a Hannah Cohen tem alguns discos já editados e este não é novo. Saiu em março, mas eu só descobri agora, peço desculpa.

Claro, e bem.

Chama-se "Earth Star Mountain".

Não é fácil isto.

Não é fácil. É o quarto álbum da Hannah Cohen e tem uma canção que eu adoro chamada "Dragging". Não sei.

Estás a ver? Arrastar.

É arrastar.

O outono arrasta-se.

Parece que está ali.

Arrasta-se em direção ao inverno.

Tem aqui um flow nesta "Dragging" que eu gosto da Hannah Cohen e eu queria partilhar isto contigo e com os nossos ouvintes.

Obrigado.

Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you, but they're dragging you down. Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you, but they're dragging you down. As soon as you got here, as soon as you came in. You got a whole lot of business, a whole lot of pain. From your mom, from your dad, from the sister you wished you had. It's all a lesson thrown in your face. For somebody you don't think deserves. Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you, but they're dragging you down. Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you, but they're dragging you down. I see you, baby, don't even start. You say you're working, well, you're working hard. You're the common cause of your own pain. But you hate that part, how you rearrange. It's all a lesson thrown in your face. For somebody you don't think deserves. Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you, but they're dragging you down. Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you, but they're dragging you down. Dragging you down, dragging you down. Such a drag. Dragging you down. Dragging you down, dragging you down. Such a drag. Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you, but they're dragging you down. Somebody say it, I'm not gonna be the only one. You know I love you

"Dragging You Down", "Dragon", canção de Anna Cohen para o disco de 2025, que saiu já em março, mas que eu só descobri agora mais recentemente.

Tens voz de rádio.

Não, é impressão tua.

É.

Completamente impressão tua. Também não te safas nada mal com isto. Anna Cohen. Gostaste?

Gostei muito.

Tem um ar um bocado meio americana, que tu gostas.

Tem aquela guitarra meio abafada.

E ela tem uma camisola de lã no vídeo.

Aprecias camisola de lã.

Sim, meia vermelha e branca.

Lá está, é outono.

Natal, outono. Está tudo muito bem sintonizado.

Malhinha.

Uma das minhas escolhas, que seria para esta semana, o Tiago Pereira fez o favor, e bem, fez ele otimamente. Chama-se "Eletrocardiograma" e é a canção para o novo disco.

Não, enganaste. "Eletrocardiodrama".

Pois é, tens razão. E está bem escrito, eu é que li mal.

Isso é que tem graça.

E ela tem supergraça. A Femme Falafel tem supergraça. Este disco é uma das coisas que vale a pena em 2025.

Pois é. Raquel Pimpão é o nome dela. Multitalentosa, toca com muita gente, já a vejo tocar há algum tempo.

Ganhou um festival tremendo.

Sim, e tem este alter ego, Femme Falafel. E em outubro lançou este álbum, "Dói, Dói, Proibido".

Não é algum.

Bom título.

É espetacular.

Bom título. Muito talentosa, muito bom gosto.

Adoro tudo. E há ali uma sensibilidade pop que fazia falta alguma na música portuguesa.

Eu admiro muita gente que sabe fazer canções, porque acho que é um talento muito difícil.

Mas ela parece que faz sem esforço nenhum.

É tudo mentira.

É, não é?

É, porque isso dá muito trabalho e é preciso muito investimento. E meus amigos, "Eletrocardiodrama", só para perceberem o nível de atenção ao detalhe e a quantidade de coisas que pode fazer diferença na hora de fazer uma canção. Este é um perfeito exemplo. Ela também vai tocar. E agora?

Enquanto dizes isso, deixa-me só dizer-te uma frase espetacular que está no press release de lançamento deste disco, que diz assim: "Apaixonada por acordes malandros, trocadilhos de mãe jovem e petit gâteaux, escreve canções para esconder as mazelas que a Betadine não vê e para vencer os triátlos da pasmaceira".

Pois é.

Não é? Isto é Femme Falafel.

Eu não vou dizer.

Não tenho aqui a indicação das datas.

19 de novembro no Beleza, em Lisboa.

Boa.

Meus amigos.

Gostava de ir ver. "Dói, Dói, Proibido", novo disco de Femme Falafel e esta "Eletrocardiodrama", escolha do Tiago Pereira para fechar o "Isto Não Passa na Rádio" desta semana, com as canções que descobrimos em outubro. Um abraço, Tiago.

Até para a semana.

O meu sistema cardiovascular ficou comprometido quando vi um acessório no exterior do teu ouvido. Não importa se é ouro ou prata, se é argola ou é cascata de pérolas ou perce engozado, é preciso ter muito cuidado. A pulsação está só o ERT, não aurícula nem ventrículo, quietinha. Ligação de 24 de uma cabine, expliquei à enfermeira, mas ela não atinge. Diz-lhe que não é problema sério, qual é o critério para dar descrédito? Uma doença tão grave, vir até ao coração já tem palavra chave. De cada vez que beijo um homem com brinco, o meu coração vira seis contra cinco. O doutor nunca viu polirritmia assim, ele sabe o seu poder e usa-o tudo contra mim. Sou preconceituosa quando mando telegrama, ou respondo-te com enigma ou anagrama. Não há interseção de conjuntos no diagrama e eu não quero mais eletrocardiodrama. Tão instável pareço um oscilador, preciso de compressa ou de compressor. Quero minimizar os picos de amor, a tensão está alta, vou desligar o disjuntor. Ele faz simples virar composto, tarda em se ver, mas foi fogo posto. Eu vou à consulta para o homem que gosto, seja às 17:00 ou às 18:00, Natal ou Dia de Reis. Não há bombeiro que me tire desta casa. Sou pira ou masoquista, o que querem que eu faça? De cada vez que beijo um homem com brinco, o meu coração vira seis contra cinco. O doutor nunca viu polirritmia assim, ele sabe o seu poder e usa-o tudo contra mim. De cada vez que beijo um homem com brinco, o meu coração vira seis contra cinco. O doutor nunca viu polirritmia assim. Mas ele é cudos e abacaxi, faz-se de difícil, ai desculpa, não devia. Puga conquistadora, eu aderi, só não colonizei porque não pude. Ele é spicy e conforma os meus padrões, mas descobri que não eram nobres as minhas pretensões. Não posso partilhar desta riqueza contra a sua vontade, abandono o território na minha caravela de moralidade. O meu coração vira seis contra cinco. O doutor nunca viu polirritmia assim, ele sabe o seu poder e usa-o tudo. O meu coração, seis contra cinco.