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Esta semana no Isto Não Passa na Rádio, o tema é: os músicos que também fizeram uma perninha no cinema.
"That's Life" de Frank Sinatra e o regresso em mais uma semana do Isto Não Passa na Rádio. É a vida, é o que temos. Esta semana a escolha de Gonçalo Correia para abrir, até porque esteve tanto tempo fora do nosso seio que eu estava com saudades.
Mas nunca fora do vosso coração.
É verdade.
Eu sei, porque eu ouvi e emocionei-me e comovi-me ao ouvir as vossas mensagens de amor e de saudade.
Eram sinceras, Gonçalo.
Imagino.
Esta conversa é que não me cheira nada a sinceridade.
Vamos acreditar. Tiago Pereira também conosco, bem-disposto esta semana?
Super bem, vocês nem imaginam.
Ótimo. Ora bem, esta semana no Isto Não Passa na Rádio, um pouco a reboque dos Oscars, conhecemos os nomeados há poucos dias para a próxima cerimônia dos Oscars, resolvemos olhar para músicos que fizeram uma perninha no cinema, quer de forma regular, quer de forma mais pontual. Há os famosos cameos, que são aquelas aparições muito repentinas, tipo um cara adobrar uma esquina de uma rua. "Ah, aquele era o músico famoso".
Aqui no caso do Sinatra, é diferente.
É diferente.
O Sinatra é quase uma estrela da música como é do cinema, é um bocado exagerado dizer isto, mas durante alguns anos, no início da carreira, eu acho que ele era uma figura do audiovisual.
Ele teve várias fases no cinema. Pelo menos não é uma perninha como outros que vamos aqui falar.
É uma perninha maior.
Mas eu acho que ele vai ser sempre, sobretudo, o Sinatra é cantor, a maior voz de sempre, etcetera. Todas aquelas coisas que dele dizem. Mas ele ganhou um Oscar de melhor ator secundário em 1954, parece.
Sim, ele ganhou algumas coisas.
Esta canção é de quando? De onde?
Esta canção é 1966.
Cá está, ajuda de Tiago Pereira, mas é de um disco com o mesmo nome.
"That's Life"?
"That's Life".
Mas é banda sonora de um filme ou não? É um disco de Sinatra?
Não, é um disco de crooning, mais um disco de crooning, com orquestra. É um clássico Sinatra.
Tens alguma atuação favorita do Sinatra no cinema?
Nem por isso. Eu escolhi esta música e escolhi o Sinatra por começar por dois ou três motivos. Um, acho que pareceu-me interessante começar com um tipo que de fato teve uma carreira muito grande no cinema, sobretudo a partir dos anos 50. Tinha começado muito antes, tinha começado ali por meados dos anos 30, mais ou menos a meio dos anos 30, quando tinha 20 e poucos anos. Mas a partir dos anos 50, é a altura em que ele, de fato, no cinema Dá um grande salto, sobretudo com o "From Here to Eternity", que lhe dá esse Oscar de melhor ator secundário e também um Globo de Ouro de melhor ator secundário.
Título de uma canção de Nick Cave, não é?
Não, from her.
From her. Pois é.
From here.
Mas não deve ser coincidência.
Não, claro que é o trocadilho.
É o trocadilho.
A partir dela e até à eternidade, meus amigos.
É mais Cave, de facto, isso.
É mais Cave, exatamente. Mas, por um lado, o Sinatra teve esse lado de uma estrela do entretenimento americano. É quase como se ele tivesse destinado a ser, de alguma forma, a cara da América no entretenimento. Não bastava a música, o Sinatra tinha que ser também nos filmes, sobretudo musicais. Era muito importante ter ali o Sinatra, e eu acho que o cinema ajudou a tornar o Sinatra. Claro que a canção, a voz e a forma como fazia desmaiar pessoas nas primeiras filas foi a parte mais importante nos concertos, e depois a classe que emanava pra rádio também foi muito importante, mas a parte do cinema ajudou o Sinatra a tornar-se mesmo essa figura americana.
E a Ava Gardner também.
A Ava Gardner, exatamente.
Até porque, ao que parece, diz-se, que não fosse a Ava Gardner, Frank Sinatra não tinha tido o papel que teve no filme " Até a Eternidade". Eles tinham casado poucos anos antes. Aliás, Frank Sinatra nunca mais foi o mesmo depois da Ava Gardner. E é bem feito.
Nunca mais. É bem feito.
E é totalmente compreensível e legítimo, devo dizer aqui.
Pois é.
Entretanto, entrou numa relação com o Jack Daniels até o fim da vida.
Sim. Na altura, a Ava Gardner acabou por ser um bocadinho destratada. Acho que hoje em dia a reação a isso seria bastante diferente.
Claro, estamos a falar de outra América e estamos a falar da maior estrela pop na América. Isto é pré-Elvis, pré-Beatles. Eles começam no início dos anos 50.
E depois, uma última coisa, eu não percebo por que o Sinatra não passa mais na rádio e, sobretudo, esta canção não passa mais na rádio, porque isto é uma grande cantiga.
Mas é essa angústia que move este programa.
É verdade.
E deste programa, se calhar já muitas canções saíram pra entrar na rádio.
Pra entrar na rádio, mas na nossa. A questão é essa.
Na vossa também.
Por exemplo, eu acho que o início de uma canção é importantíssimo pra pessoas. E esta é: "That's life, that's what all the people say".
É como o início de qualquer relação.
Sim.
É sempre fixe.
E depois tens ali à frente o: "Some people get their kicks stomping on a dream". Depois aquela parte do: "I've been a puppet, a pauper, a pirate, a poet".
Essa parte é boa.
Essas aliterações, é espetacular. E depois é a voz do Sinatra que é...
É o que é, mas é o Sinatra, the voice.
É ouvir e degustar, e conformar-nos com a nossa pequenez.
Propunha aqui um salto de um dinossauro para um outro dinossauro, este mais do rock, Mick Jagger. Olhei para a carreira de Mick Jagger porque há dias apanhei na televisão um filme que nunca tinha visto e que tem um nome difícil, "The Burnt Orange Heresy" ou a heresia da laranja queimada. Mas ainda assim gostei do filme. É um thriller erótico, dark, realizado por um italiano chamado Giuseppe Capotondi. Não sei dizer isto de melhor forma. Sei que tem um ator que eu ando a gostar muito, que é o Claes Bang, não sei como é que se pronuncia. Eu acho que ele é dinamarquês, não é?
É dinamarquês, sim. Sabe-se lá como é que se fala dinamarquês.
Exato, mas gosto muito dele. Tem o Donald Sutherland e o Mick Jagger faz um papel engraçado. Tem a Elizabeth Debicki, que é uma atriz australiana que eu também gosto muito. E o Mick Jagger aparece ali. Ele tem uma carreira grande no cinema. O Mick Jagger aparece em montes de filmes, na maior parte das vezes como ele próprio, como Mick Jagger. Mas neste filme, que é de 2019, ele aparece como Joseph Kessner.
Coitado, mas é tramado, porque como é que tu atinges um tal nível de estrelato que nem na ficção consegues sair de ti próprio?
Tu consegues sair de ti, sim, obviamente. O que é facto é que ele faz um papel não é mau, mas também não é brilhante, de um negociante de arte que dá a volta ao dinamarquês, que é um crítico de arte, para encontrar ou falsificar um quadro de um tipo desaparecido e que é muito raro e que só deixou aquele quadro. E aquilo é um thriller neo-noir erótico. É assim que é classificado.
Estamos à espera desses rótulos.
Estou a ler. Bem, ele é um negociante de arte e foi engraçado porque eu lembrei-me do Lenny Kravitz, que também entra em alguns filmes. Ele teve uma prestação mesmo muito boa no "Precious", é o primeiro papel no cinema dele.
Ora aí está uma frase que também não devia passar, neste caso, não na rádio, mas na cabeça das pessoas há muito tempo. Eu lembro-me do Lenny Kravitz.
Como assim?
Já nem se devia lembrar do Lenny Kravitz.
Eu lembro do Lenny Kravitz.
Caramba, também não precisas de ser tão lá fora. Não estou a dizer que é mau. Não estou sequer a dizer que é mau, eu acho que ninguém vem à cabeça: "O que será que feito do Lenny Kravitz?"
Pois, isso não sei, de facto. O que é facto é que o Lenny Kravitz entra no "Precious" como um enfermeiro, que é amigo da protagonista.
Enfermeiro bonitão.
Enfermeiro bonitão, mas ele também, nesse caso, não consegue sair de quem é.
Não dá pra fugir.
E depois acaba convidado pra entrar em dois dos filmes de "Hunger Games". Como é que se chama isto em português? Não sei. Nunca vi.
"Jogos da Fome".
"Jogos da Fome". Em que ele faz de Cinna. Ele é um designer de moda.
É "Jogos da Fome".
Pra personagem, pra os elementos do elenco, pra quando eles vão pra batalha, a própria roupa ser também uma hipótese de sobrevivência. Ele é o designer do "Hunger Games". E o que eu fui buscar? Uma música que junta Mick Jagger e que junta Lenny Kravitz e que foi feita para o álbum de 2001, a solo do Mick Jagger, o "Goddess in the Doorway", e tem precisamente esta que foi escrita pelo Mick Jagger e pelo Lenny Kravitz, e eles os dois entram aqui.
You can see it in a clear blue sky. You can see it in a woman's eye. You can hear it in your baby's cry. You can hear it in your lover's sighs. You can touch it in a grain of sand. Yeah, hold it right there in the palm of your hand. You feel it around you every day. Now hear what I've got to say. God gave me everything I want. I'll give it all to you. God gave me everything I want. I'll give it all to you. I saw it in the midnight sun. And I felt it in the rain someone. And I hear it in the winter storm. And I feel it in the icy dawn. And I smell it in the wine I taste. And I see it in my father's face. And I hear it in a symphony. And I feel it in the love that's shown for me. God gave me everything I want. I'll give it all to you. God gave me everything I want. I'll give it all to you. God gave me everything I want. I can't stop, can't stop, I'm still loving him. God gave me everything I want. I'll give it all to you. Crazy or sane. It's all in your head.
Mick Jagger com Lenny Kravitz, "God Gave Me Everything I Want". Há aqui um paralelismo qualquer com alguém que escreveu "You Can't Always Get What You Want". E depois tem esta "God Gave Me Everything I Want".
Bem pensado, Nelson.
O que é que aconteceu entretanto? Mudou de opinião, encontrou a luz.
Porque a verdade é que ele conseguiu tudo o que queria.
É verdade. E se calhar mais.
Sim, ele está a dizer às outras pessoas: "Vocês como uns mortais, é impossível terem tudo aquilo que querem, mas a mim Deus abençoou-me".
Lidem com isso.
Com este jogo de hanca.
Muito bom.
E é inteiramente justo que assim seja.
Queria só dizer então que escutamos Mick Jagger com Lenny Kravitz e se puderem vejam este filme "The Burn Orange Jersey", em que Mick Jagger faz de Joseph Cassidy. Tiago Pereira, a tua sugestão é qual?
A minha sugestão é Tunde Adebimpe.
Um dos elementos.
Um dos elementos dos TV on the Radio, é aquele senhor mais alto, normalmente em palco, e que canta e toca umas teclas e assim umas coisas. Tunde Adebimpe já fez algumas coisas em cinema e televisão.
Isso é que eu não sabia.
Entre produção e não necessariamente representação. Já deu voz, por exemplo, a desenhos animados. Mas eu diria que o papel não é um papel muito marcante, mas é um papel muito curioso, até porque acontece numa altura em que os TV on the Radio estão em alta. Ele entra no filme "Rachel Getting Married", do Jonathan Demme, filme de 2008. Não sei se vocês viram este filme.
Se é do Jonathan Demme, eu gostava de ver.
Bel filme, bel drama. Talvez o filme em que eu tenha mais gostado de ver a Anne Hathaway, até porque não é uma comédia romântica, não é nada disso.
Recorda-me só o nome?
"Rachel Getting Married". Eu não me lembro do título em português, não sei se é o casamento de Rachel.
Também não me lembro.
Mas bom.
Estou à procura de uma imagem do filme.
Anne Hathaway interpreta uma moça com problemas de toxicodependência e de reabilitação, etc. Regressa à casa da família para o casamento da irmã, e isso implica uma série de confrontos e conflitos familiares e com ela própria. E Tunde Adebimpe é o noivo da irmã. Tem um papel que é aquilo que associamos à imagem dele, que é de um homem sereno, de uma presença muito equilibrada e congregadora. Ele não tem muito tempo de desempenho, não é um ator profissional, portanto tem ali aquele papel. Mas tem uma coisa muito interessante, que é: ele no casamento canta à mulher uma canção à capela.
"Unknown Legend", estou aqui a encontrar esta canção.
Sim, canta a canção "Unknown Legend". E essa canção eu julgo que não está editada, é possível ouvi-la por uns quantos cantos da internet.
Mas é um original do Neil Young?
É uma canção do Neil Young, do álbum "Harvest Moon", que faz este ano 30 anos.
30? O "Harvest" é que faz 50.
O "Harvest" é 72, o "Harvest Moon" é 92 e é uma bela cantiga e o Adebimpe dá-lhe aqui uma volta à capela e eu acho que é ótimo para fecharmos aqui esta primeira parte.
O título em português é mesmo "O Casamento de Rachel"?
É "O Casamento de Rachel". É um belo filme.
Estava a ver que ele entra em filmes como "Spider-Man: Homecoming", "The Girlfriend Experience", que é uma série, acho eu.
E depois tem umas coisas de animação e dá voz a umas quantas coisas, etc. Mas é muito interessante, porque ainda assim deram-lhe o espaço para cantar.
Fizeram muito bem.
E eu acho que ele incorpora muito bem isso no filme.
E já voltamos com mais músicos que fizeram uma perninha no cinema.
Never saw a woman look finer. He used to order just to watch her float across the floor. She grew up in a small town. Never put her roots down. Daddy always kept moving, so she did too. Somewhere on a desert highway. She rides a Harley Davidson. Her long blonde hair flying in the wind. She's been running half her life. The chrome and steel she rides, colliding with the very air she breathes. The air she breathes. You know it ain't easy. You've got to hold on. She was an unknown legend in her time. Now she's dressing two kids. Looking for a magic kiss. She gets the far away look in her eyes. Somewhere on a desert highway. She rides a Harley Davidson. Her long blonde hair flying in the wind. She's been running half her life. The chrome and steel she rides, colliding with the very air she breathes. The air she breathes.
Esta semana, no "Isto Não Passa na Rádio", estamos às voltas com os músicos que fizeram uma perninha no cinema. Eu acho que já uma altura não fizemos ao contrário, Gonçalo, que era...
Atores que fizeram uma perninha na música.
Atores que fizeram música.
Eu acho que era, não sei se fizemos ou se foi mais genericamente famosos que também apareceram na música e muitos eram atores, se eu bem me lembro.
Esta semana também com as nomeações para os Oscars, pensamos em fazer canções nomeadas para os Oscars. Fizemos em abril do ano passado, se quiserem podem ir encontrar no nosso podcast esse episódio. E esta semana estamos aqui com os músicos que também apareceram em filmes. A primeira sugestão desta segunda parte é do Gonçalo e é o Puff Daddy. Ainda como Puff Daddy, nesta altura ainda não era P. Diddy.
Ainda como Puff Daddy, sim. Na altura desta canção, o meu critério de escolha para este programa foi ir procurar que músicos é que tinham de facto feito uma perninha no cinema, tinham aparecido por ali. E mais do que uma ligação ao filme, foi: "Olha, este tipo que tem uma canção que eu gostava de passar há uma série de tempo, foi ao cinema. Portanto, vou aproveitar que o posso pôr aqui, que tenho uma desculpa para o pôr aqui e trago uma canção que gostava de passar". E no caso do Puff Daddy, ele apareceu em alguns filmes, algumas séries de televisão, mas aquele em que ele teve talvez mais destaque foi o "Monsters Ball: Depois do Ódio", que é do Marc Forster, com a Halle Berry e com o Billy Bob Thornton. É um filme em que ele interpreta, obviamente, um negro condenado à morte numa prisão da Geórgia.
Alguma coisa do género.
Eu vi este filme há muito tempo e vi num modo de passagem e achei que era um filme, obviamente, relevante até por essa temática do racismo e porque há ali um guarda prisional que de repente se repensa como pessoa por conhecer, neste caso, a mulher do Puff Daddy no filme, que é a Halle Berry, a Letícia no filme. Ela tem uma ótima prestação, mas isso também não é propriamente surpreendente. No caso do Puff Daddy, eu trouxe-o aqui muito mais porque há uma canção que eu acho que ficou um bocadinho, não sei se ficou mal vista ou pelo menos passou a ser vista quase como um marco na mudança do hip-hop para um tipo de hip-hop mais pop, mais abertamente a falar sobre dinheiro e sobre ter-se muito dinheiro, ter-se muita riqueza. A canção chama-se "It's All About the Benjamins" e foi um dos singles do primeiro disco do Puff Daddy, que se chamava "No Way Out". Antes disso, o Puff Daddy era o chefe da Bad Boy Records.
Era o Bad Boy.
Era o Bad Boy.
Era o magnata da indústria.
Sim, era o magnata da indústria e era um-
O kingpin
...um grande suporte para o Notorious B.I.G., de quem era muito amigo.
Dos rappers daquela malta mais Nova Iorque.
É, exatamente, mas tornou-se muito próximo do Notorious. Depois, quando o Notorious B.I.G. morre, ele acaba por lançar uma carreira que é uma carreira que começa na música, mas na verdade ele tornou-se um grande empresário.
Um magnata.
Um magnata, um bocado Kanye West, pré-Kanye West. É um bocado esses antecedentes. Mas a canção é ótima e nesta versão, que é a versão que aparece no primeiro disco dele, tem versos da Lil' Kim, que também era uma boa rapper e acho que vale a pena ouvir.
Uh-huh. Yeah. Uh. Uh-huh. Yeah.
It's all about the Benjamins, baby.
Uh. Uh-huh. Yeah.
It's all about the Benjamins, baby.
Uh. Now, what y'all wanna do? Wanna be ballers, shot callers, brawlers. Who be dippin' in the Benz with the spoilers. On the low from the Jake in the Taurus. Tryna get my hands on some grants like Horace. Yeah, livin' the raw deal, three course meals. Spaghetti, fettuccine and veal. But still, everything's real in the field. And what you can't have now, leave in your will. But don't knock me for trying to bury. Seven zeros over in Rio de Janeiro. Ain't nobody's hero but I wanna be heard. On your Hot 9-7 every day, that's my word. Swimmin' in women with they own condominiums. Five plus fives, who drive Millenniums. It's all about the Benjamins, what. I get a 50 pound bag of for the mutts. Five carats on my hands with the cuts. And something European crunked out with the clutch, what. I wanna be a biggie in the bro. Drinking more liquor, driving a bro bigger. I'm with mo' sippers, watched by gold diggers. Rocking Bijan denims with gold zippers. Lost your touch, we kept ours. Popping Cristals, freaking to Three Quarter Reptiles. Enormous cream, forest green. Benz Jeep for my team, so while you sleep I'ma scheme. You see-through, that's why nobody ever gon' believe you. You should do what we do, stack chips like. Don't let the melody intrigue you. 'Cause I leave you, I'm only here for that green paper with the eagles.
I'm strictly tryna cop those. Colossal-sized Picassos. And have papi pimp outside Del Taco's. Dienda with cash flowing like Sosa. And a Latin chick transporting in the. Stampeding over pop Mo's, never sober. Flexing Range Rovers, dealing weight by Minnesota. Avoiding narcs with camcorders and Chevy Novas. Stash in the building with this chick named Alona. From Daytona, when I was young I want the boner. But now I only hit chicks who win beauty pageants. Trickin' and taking me skiing at the Aspens. Gangsta mental, stay popping Cristal. Pack a black pistol in the Ac' coupe that's dark brown. Pinky-ringing, gondolas with the man singing. Italian music down the river with your chick clinging. To my bizzalls, player you mad false. Acting hard when you as as RuPaul's.
It's all about the Benjamins, baby.
Uh-huh.
"It's All About the Benjamins", Puff Daddy com Lil' Kim, Notorious B.I.G. e The Lox.
Eu senti isto.
Eu também.
Eu senti isto.
Eu também.
Eu gosto disto.
Lil' Kim, que era a namorada-
Não, não é isso. É que eu à partida nunca sei se vou sentir este groove, porque acho que me falta sempre imensa...
Ginga danca?
Sim, cool, coolnessee etc.
Não falta. Street cred.
Street cred, então, meu Deus. Mas senti bastante isto.
Sim, o Benjamins é calão para dinheiro.
Ah é? Ah, pois, o Benjamin. Ok. O Lil' Kim, que era namorada do Notorious B.I.G.-
Deve ser por causa de Benjamin Franklin.
Deve ser.
Deve estar numa nota, talvez na nota de 1 $. Eu vou investigar enquanto vocês falam.
Investiga.
Há dias vi o documentário também do Suge Knight, a ascensão e queda do homem da Death Row. Aparece lá o Puff Daddy também, por causa da rivalidade.
Esse moço bem comportado e muito recomendável.
Bom rapaz também.
Bom rapaz.
Um good fellow, um wise guy. Está na chóldra e é o lugar dele, por tudo o que fez.
Por que será?
Agora vamos avançar para-- sou eu. Tenho uma escolha que vai para a Grã-Bretanha.
Deixa-me só dizer, é por causa da nota de 100, não é?
100 dólares, meus amigos.
Não ia ser de um dólar.
A nota de um dólar é George Washington. 100 dólares.
100 dólares. Somos rappers, somos ricos. Ia falar de Ian Brown um bocadinho por causa do mesmo motivo aqui do Gonçalo. Apetecia-me ouvi-lo e fui descobrir que ele tinha uma participação no cinema. É uma participação muito pequena num Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, um filme de 2004. Descobri também que o Jarvis Cocker, dos Pulp, também entra no Harry Potter, no ano seguinte, no Harry Potter and the Goblet of Fire. Não sei a tradução, nunca vi.
O Cálice de Fogo?
É o Cálice de Fogo.
O Cálice de Fogo? Fixe para eles. O Jarvis Cocker-
Enfim.
Não vi.
Mas é a necessidade dele, não é? De pôr Harry Potter no seu lugar.
Não, sei lá, da minha geração. O Jarvis Cocker entra no Harry Potter como vocalista de uma banda, o que é engraçado, os The Weird Sisters. O Ian Brown já aparece como um feiticeiro que está sentado lá num canto numa determinada cena do filme.
Deve ser mau, aposto.
E está a ler aquele livro do Stephen Hawking, o A Brief History of Time, é o plano do Ian Brown no filme.
Eu acho que ele é amigo do Alfonso Cuarón, que é o realizador desse filme.
O Ian Brown?
O Ian Brown.
É capaz.
Acho que sim.
São os dois feios, têm isso em comum.
Está a correr muito também para o lado anedótico aqui hoje.
Aliás, o Jarvis Cocker, há aqui um padrão. Jarvis Cocker, Ian Brown. Eu gosto muito do Ian Brown.
Nota-se.
Esse feioso que nasceu ali entre Liverpool e Manchester, por isso está ali numa espécie de caldeirão.
Também não é assim feioso, é um homem com ar meio rude de Manchester.
Mas atenção, eu acho que ele até pode ser sexy, percebes o que eu quero dizer? Feioso não é depreciativo. O Jarvis Cocker não é propriamente bonito, mas tem aquela pinta.
E não te esqueças de uma coisa, Ian Brown é The King Monkey, o Rei Macaco.
Exatamente, por isso é que o primeiro álbum dele a solo, pós-Stone Roses, que é uma banda que eu gosto muito, se chama Unfinished Monkey Business.
Claro.
Gostei muito desse disco e depois gostei muito também do Music of the Spheres, que é de 2001. E eu trouxe aqui uma canção que eu acho que é desse álbum, chama-se Fear e é uma das minhas favoritas da carreira a solo do Ian Brown, que também fez uma perninha no cinema desta feita num Harry Potter.
"For each a road, for every man a religion. Find everybody and rude. Everything and all more. Forget everything and remember. For everything a reason. Forgive everybody and remember. For each a road, for every man a religion. Face everybody and rude. Everything and all more. Forget everything and remember. For everything a reason. F-E-A-R, F-E-A-R, F-E-A-R, F-E-A-R. Finding eternity of these reactions. Freeing excellence affects reality. Fallen empires are ruining. Find earth and real. Fantastic expectations. Amazing revelations. Final execution and resurrection. Free expression as revolution. Finding everything and realizing. You got to fear. You got to fear. You got to fear. You got to fear."
"Fear", de Ian Brown. Teve uma participação no cinema num filme de Harry Potter. Esta canção é engraçada porque "fear" aparece com iniciais, F-E-A-R, e toda a letra da canção, se repararem, segue uma frase com estas iniciais: final execution and resurrection, final expression as revolution, finding everything and realizing, for everything a reason, for every man a religion, for each a road. Toda a letra da canção são iniciais de fear. Eu acho isso engraçado. E chega de falar de Ian Brown. Agora vamos a uma sugestão do Tiago Pereira. Quem é que também entrou no cinema e tem essencialmente uma carreira reconhecida na música?
Não, este é o paradigma da perninha no cinema. São dois minutos, talvez.
É um cameo? Dois minutos é um cameo?
Não, porque ele de facto é uma personagem.
Ele fala.
O cameo é o Ian Brown.
Ele fala.
Não é só ler.
É um bocadinho. Não é que eu tenha visto, mas pela descrição.
O cameo é quando vira a esquina e bate em alguém e pede desculpa e continua. Isso é um cameo. Aqui não. Ia dizer Simon & Garfunkel. Paul Simon, em 1977, faz parte do elenco do filme "Annie Hall". Ele é inclusivamente creditado logo no trailer do filme, talvez porque desse jeito.
Não digas isso, Tiago.
É porque é o maior.
Simpatia artística e integridade.
E Nova York. Nova York, Woody Allen, Paul Simon, faz todo o sentido. Ele interpreta um produtor ou um empresário do mundo da música, das editoras e etc, do showbiz em Nova York. Nós vemo-lo num bar à conversa com Woody Allen e Diane Keaton, que são os protagonistas do filme. O filme conta a história de Woody Allen a recuperar a relação que tinha acabado com a sua antiga namorada. Se nunca viram o filme, por favor, vejam.
É ótimo.
É o tal filme que ganhou quatro ou cinco Oscars e o Woody Allen nem apareceu na cerimónia para receber nenhum.
Não foi nesse que ele disse que tinha ficado entretido a ver um jogo qualquer de beisebol no hotel?
Pois, é provável. Não foi essa ideia.
Eu ia dizer que era porque tinha concerto nessa noite, foi tocado.
Noutro dia falámos dessa história. Eu não sei qual é a razão, mas ele não apareceu. Ora bem, Paul Simon entra neste filme e ele faz aquilo muito bem. Atenção, não é que vejamos a prestação dele e digamos: "Sim, senhor, este tipo entrou no método e durante dois meses fingiu sempre que era um produtor". Nada disso, mas nota-se que ele sabe como é que funciona a indústria, sabe qual é o tom deste tipo de pessoas naquela altura, sabe qual é aquela pose meio blasé, meio eu é que sei, venham comigo, porque ele depois está a convidar as duas personagens a irem a uma festa. "Venham lá, que vai ser bom, aquilo é cool, tem umas bebidas". Aqui estamos bastante no auge da carreira a solo, pós Simon & Garfunkel, meio da década de 70, do Paul Simon. Depois há aqui uma coisa engraçada que é, em 1977 sai um greatest hits que inclui duas canções novas do Paul Simon E uma delas é Slip Slidin' Away, que é um dos grandes sucessos.
Foi a que tu escolheste?
Foi a que eu escolhi, do Paul Simon, em que ele canta sobre como nós às vezes não damos conta que ao passar a vida e ao passar o tempo, deixamos de ser um pouco quem somos em favor de outra pessoa ou de um ideal de vida que na verdade não nos faz feliz e as coisas meio que nos escorregam das mãos. Lá está, slip slidin' away. E que se calhar é bom de vez em quando pararmos para percebermos isso. Ainda assim, eu trouxe a versão que aparece no álbum Still Crazy After All These Years, que é uma versão demo, numa das edições desse disco de 1975, que é um gigantesco disco. Toda a gente devia ter a discografia toda do Paul Simon, pelo menos dos anos 70.
Estou a cantar lá mentalmente a canção que dá título ao disco.
É uma cantiga extraordinária. E eu acho que esta versão, que não é aquela que ficou mais conhecida, do Slip Slidin' Away, nota-se que é uma demo. Ele está mais livre, a coisa tem outro flow, tem mais areia, é um bocado mais humana e é uma canção fantástica.
Parece-me ótimo para fechar o Isto Não Passa na Rádio esta semana, dedicamo-nos a músicos que fizeram uma perninha no cinema. Paul Simon, escolha do Tiago Pereira, é a última desta semana. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo esteve finalmente também e connosco o Gonçalo Correia.
Nunca mais vais embora.
Para a semana regressamos com mais músicas relacionadas com um tema qualquer que vamos inventar. Boa semana.
Boa semana, rapaziada.
Um abraço.