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Lembra-se do momento em que percebeu que tinha um problema e precisava de ajuda? Houve um momento específico?
Houve. Lembro-me do dia, até, porque houve uma situação. Não foi em que percebi que precisava de ajuda. Houve vários sinais à minha volta que me foram dizendo que eu não estava bem, porque neste processo todo há uma coisa que se chama negação. Nós achamos sempre que estamos bem e os outros dizem que não estamos. Realmente havia já ali um padrão. E houve um dia que acordei e que disse: "Não posso continuar nisto". Lembro-me perfeitamente, foi no dia da morte do Rodrigo Menezes. Já não sei há quantos anos foi. Há quase 10 anos, ainda não faz 10 anos. Foi nesse dia e eu lembro-me perfeitamente, foi nesse dia que eu tinha acordado e disse: "Não, não posso continuar assim". E liguei a dizer: "Olha, eu preciso realmente me tratar, porque isto não pode continuar".
Ligou a quem? A um amigo, à família?
Não, liguei à minha mãe, que normalmente são as pessoas mais próximas, que têm a perceção de que algo está errado e que nos vão dando indicações de que: "Olha, tu não estás bem". E nós continuamos: "Não, isto está tudo controlado, está tudo bem". A verdade é que eu tinha um padrão semanal, só que esse padrão semanal era compulsivo. Porque as pessoas normalmente identificam esta coisa da adição como, digamos, toxicodependente de rua ou aquele que consome diariamente. Não era o meu caso, só que o meu padrão era de sexta a domingo sem dormir, sem parar. Três dias sem ir à cama, se quisermos. E obviamente, isto tem repercussões depois na semana de trabalho.
Claro. Mesmo que durante a semana o padrão não se repetia, mas tinha as consequências.
Durante a semana o padrão não se repetia, podia sair esporadicamente uma vez, porque tinha o trabalho, obviamente, e isto tinha repercussões obviamente a nível do trabalho, por atrasos, por diversas situações, mas começa a afetar todos os campos da nossa vida. Primeiro é só sexta e sábado, depois começa sexta, sábado e domingo, depois um dia durante a semana, depois já começamos a facilitar cada vez mais. E isto acaba por ter consequências e implicações graves na nossa vida pessoal, na nossa vida profissional, na nossa vida social e em nós mesmos e na nossa saúde, que isso é principalmente o mais importante. E é disto que se trata, é de saúde, não só física, mas também mental.
Nós estamos a falar de quê? Estamos a falar de consumo de álcool ou estamos a falar de consumo de drogas?
Estamos a falar de tudo. Obviamente, começa com o álcool, como uma coisa social. E eu ainda há pouco tempo referi isto. Tive de olhar um bocadinho para trás e perceber como é que tudo isto começou. E numa conversa, percebi que houve uma altura, foi parte cultural naquela altura, quando comecei a fazer novelas, eu tinha 21 anos, em que éramos pagos para sair à noite. Pagavam-me para sair à noite, para beber álcool.
Para fazer presença.
Para fazer presenças, que era, no fundo, o barulho das luzes, como nós chamávamos. Tudo aquilo era tudo e muito. E nós deixamo-nos ir um bocadinho, porque somos novos, queremos divertir-nos.
Que idade é que tinha nessa altura?
Tinha 20, 21. Ia fazer 21 na altura. Começa como uma brincadeira. Experimentamos uma vez, achamos piada. Depois de um mês experimentamos outra, aquilo começa a se tornar parte da normalidade, que não é. Não é assim que deve ser, obviamente. E muito tarde nos apercebemos que realmente há aqui qualquer coisa que já não está a funcionar, porque já não sabemos sair sem utilizar determinadas substâncias. Aqui falamos de álcool e algumas drogas, não todas, mas sim, mas algumas.
Quando diz que havia sinais de outras pessoas, a sua mãe, por exemplo, imagino que os amigos mais próximos, o que é que lhe diziam? Identificavam imediatamente a dependência ou havia só uma-
Não, identificavam a falta. Imagine, almoço de família, não aparecia, porque ficava a dormir, porque não me deitava às 10:00 a.m., porque não me deitava e não aparecia. Sei lá, compromissos laborais. Imagine que trabalhava segunda-feira, mas tinha me deitado domingo às 20:00 p.m., obviamente não acordava de manhã, ligava a dizer que estava atrasado. Quer dizer, tudo isto acaba por afetar todas as áreas da nossa vida e não falamos de uma coisa específica. Há vários sinais que conseguimos identificar. E obviamente, depois o comportamento, acabamos por ter muito menos disponibilidade emocional. Estamos muito mais irritados, porque há aqui um "come down", não é? Não vamos chamar ressaca, não é uma ressaca física, mas há uma ressaca, entre aspas, psicológica. Sabemos fisiologicamente os neurotransmissores, temos uma libertação enorme de neurotransmissores, depois temos um "come down", que é o período de readaptação do corpo. E este período demora cerca de quatro dias até voltarmos ao nosso estado emocional mais ou menos normal, que demora muito tempo até recuperar a normalidade mesmo. Isto está estudado, isto está cientificamente comprovado que é assim que funciona.
Nessa manhã em que acorda e toma essa decisão de: "Eu preciso de ajuda", quando se confronta com, presumo que nessa altura já a noção clara de que há uma adição.
Já havia várias vezes em que acordava e disse: "Isto já não me está a trazer nada de bom, só me está a trazer algumas coisas más".
Portanto, já lidava com estas sensações.
Já havia perdas. Nós começamos a perder. Há uma altura em que a fase cor-de-rosa, do elefante cor-de-rosa, como eu costumava chamar. E há uma altura em que a parte ascendente começa a desaparecer. Há uma parte de estabilização, depois só vem a curva descendente. E aí começam as perdas a acontecer, as consequências do processo da adição normal.
Então essa manhã para si, e confrontar-se com essa evidência, não foi propriamente uma surpresa?
Não foi surpresa e já era uma coisa negociada comigo, não só com os outros, mas comigo próprio. Eu já estava em negociação. Já estava a começar a pesar as coisas. Se bem que nós tentamos sempre protelar esta decisão. Obviamente, não é uma decisão fácil de perceber que temos um problema e que se calhar vou precisar de uma ajuda, se calhar uma ajuda mais séria, se calhar vou ter que me retirar do meu meio, um movimento para poder isolar-me um pouco, para ver se consigo fazer alguma coisa, porque este processo, eu dizia sempre assim: "Não, não vou fazer mais", mas na semana seguinte lá estava eu outra vez a fazer a mesma coisa, ou seja, a repetir o padrão. Portanto, quando percebemos que não conseguimos parar por nós próprios e estamos sempre a prometer que vamos parar e não conseguimos, aí alguma coisa está errada. Mas há muita gente durante este processo que não identifica e, aliás, há muita gente que neste momento está nesse processo. Por exemplo, mesmo aquelas pessoas que saem todas as semanas e que bebem álcool, já não se apercebem que já não conseguem sair sem beber álcool. E isso já é um processo da adição.
É uma adição a esse nível Sobretudo quando começa assim, quando a bebida socialmente é silenciosa.
É. Não só silenciosa, e socialmente aceita.
E incentivado.
Incentivado comercialmente, como nós vemos. Por muito que digam "beba com moderação", muitas das pessoas, e nós vemos os jovens hoje em dia, infelizmente, não só por mim, mas por tudo aquilo que vejo, infelizmente está muito disseminada a ideia de que beber é cool. Obviamente que não vou dizer para as pessoas não beberem, não é disso que se trata. Agora, essa moderação, quando se trata de uma substância, é muito complicado de manter. Porque o que é beber com moderação? É beber um copo de vinho à refeição, mas não é isso que se passa quando saímos à noite. Temos essa perfeita noção. Portanto, há aqui uma displicência no que diz respeito à normalização do consumo de substâncias, neste caso, o álcool. E assisto hoje muito mais, há uma muito maior facilidade de acesso a tudo o que é substâncias também nos meandros da noite. E não só nos meandros da noite, nos meandros profissionais em que me movo também, muitos. Não só na parte médica, mas também na parte da representação, mas também na parte médica, com os acessos. E não falamos só drogas ilegais. Estamos a falar das benzodiazepinas, estamos a falar das ritalinas, estamos a falar de uma série de estimulantes que são comercializados hoje em dia e que é preciso ter um certo controle.
Vi isso acontecer também à sua volta. Às vezes é fácil dizer: "Os artistas são os loucos", mas noutras profissões, como por exemplo a que conhece.
Eu não tenho mais profissões, só tenho duas profissões. Sou ator e sou médico. Mas já vejo noutros colegas que também me contam. Eu acho que isto é uma coisa transversal. Não vamos particularizar em nenhum ramo profissional. Acho que é uma coisa transversal, não só socialmente, como profissionalmente. Existem vários campos. É um problema que está identificado. Agora as medidas que terão que ser tomadas nesse sentido são muito complicadas de estabelecer, porque acaba por privar um bocadinho a liberdade de cada um. Tem que ser o próprio a reconhecer que tem realmente uma patologia, que se está a comprometer, que está a danificar e a prejudicar a sua vida e a daqueles que estão à sua volta. Isto acaba por ser uma doença, eu chamava-lhe uma doença em autocolismo, porque é um rombo que vai acabando por destruir tudo à sua volta.
Essa conversa com a sua mãe foi muito dura para si?
Eu acho que para ela foi quase um alívio. Para mim foi dura, mas para ela foi um alívio de assumir que estava realmente num processo que já não tinha controle sobre aquilo que estava a acontecer, porque a verdade é que estavam a acontecer perdas a nível profissional, a nível pessoal, relações terminadas, falhas com os pais, acabamos por viver um mundo um bocadinho à parte. Eu por umas razões, outros por outras, porque acabamos por viver um bocadinho, e acabamos por nos rodear das pessoas que estão a fazer a mesma coisa que nós. Portanto, nós queremos estar com os amigos que também estão naquele processo. E é um erro. É um erro porque acabamos por alimentar aquele tipo de vida, que não é o correto. Agora, à distância do problema, consigo identificar. Na altura, não. Na altura não me fazia sentido estar com outras pessoas que não aquelas.
Foi dura para si por alguma vergonha?
Sem dúvida.
Por ter permitido que aquilo tivesse acontecido?
Vamos lá ver uma coisa, ainda mais na minha situação. Estamos a falar aqui de uma exposição nacional, porque foi aquilo que aconteceu. Foi uma altura muito dura para mim, muito, porque foi o assumir publicamente, ainda mais numa fase precoce. Eu acho que fui talvez a primeira-
Figura pública que falou disso
...figura pública a assumir assim mais veementemente, ou dar uma entrevista a dizer que tinha que me tratar. Abri o caminho para algumas pessoas, mas já vieram outros depois e ainda bem que assim foi, porque é bom que seja desmistificado e que as pessoas saibam que não estão sozinhas e que há tratamento, e que há a possibilidade de pedir ajuda. E é principalmente esse o primeiro passo, que é o mais importante, é pedir ajuda. Porque há muita gente que vive em negação e diz que não precisa de ajuda até o fim, e há alturas em que já é tarde demais. E há outros que não querem ajuda. Há outras que optam. Eu conheci pessoas, e conheço algumas pessoas, que pedem ajuda. Uma coisa que lhe vou dizer, por exemplo, o álcool é de tal maneira, agora vamos falar do álcool, não das outras, porque as outras são mais agudas. Digamos que são mais destrutivas. O álcool é de tal maneira insidioso, a ajuda só vem muitas vezes aos 50 ou 60 anos. E o alcoolismo prolonga-se-
Décadas de consumo.
Décadas de consumo. E é altamente destrutivo o álcool.
O que é que, além da sensação física, que imagino que tivesse, sobretudo com as outras substâncias, mas o que é que o álcool ou as drogas que consumia lhe davam, para além da sensação física? Porque às vezes nós vemos a adição associada a, por exemplo, alguém que está a passar por um período difícil, por qualquer razão na sua vida e que se esconde ali.
No meu caso era exatamente o contrário. Quando eu estava na parte triste e deprimida. Para mim era sempre esteve ligado à parte da festa, ou seja, sair à noite, estar com os amigos. Era uma busca de euforia, e mais euforia, e mais euforia. Era por aí. Nunca foi ao contrário, nunca foi um refúgio, foi sim uma, posso lhe dizer muitas vezes, uma abstração da realidade que vivia. Eu vivia uma realidade de trabalho de 12 horas diárias e a maneira mais fácil de conseguirmos desligar o botão é imediatamente consumir, como sabemos. Porque entramos numa outra realidade, não há problemas. É tudo bom, é tudo bonito. Em determinada altura. É tudo uma ilusão. Sabemos que isto tudo é tudo químico no nosso cérebro, é uma substância que nos está a fazer acreditar numa coisa que não está a acontecer, basicamente. Mas basicamente é isso, era desligar o botão o mais rápido possível e aproveitar o mais rápido possível os dois dias que tinha de festa, porque de segunda-feira estaria a trabalhar novamente. Era um bocadinho desligar Da realidade e não estar preocupado com aquilo que somos e com aquilo que temos que fazer e com aquilo que temos que cumprir. Basicamente era isto.
O que é exatamente a adição para quem a vive? É uma urgência de? É uma vontade incontrolável de?
Temos diferentes tipos, cada caso é um caso.
Para si.
O que era para mim? Como eu identificava e como eu identifico? Não conseguir divertir-me. Sentir que não estava a ter prazer num determinado momento, sem estar sob o efeito de determinadas substâncias, seja álcool, seja drogas.
E teve algum momento de: "Epá, hoje vou a este jantar, mas eu vou cedo para casa, não vou beber álcool, não vou nada."
Isso é o maior engano que nós podemos fazer a nós próprios. Há uma altura em que sabemos perfeitamente. Não há super-heróis. Pode haver um ou outro caso, mas ninguém sozinho consegue dizer: "Vou para o mesmo sítio, com as mesmas pessoas e não vou fazer". Isso não existe. Temos que mudar comportamentos, mudar hábitos.
Passou por esses enganos, por essas tentativas de engano?
Eu passei por todas as fases do engano e da negação. "Eu hoje vou, não vou beber", "eu hoje vou, não venho para casa cedo". Isso não existe. E depois há uma coisa: a adição tem uma componente que é a compulsão e a partir do momento em que começamos, não paramos. Eu conheço pessoas que conseguem beber e parar. Eu já experimentei várias vezes. Só bebo um copo e depois não bebo. A partir do segundo copo para mim já não existia limite. A partir do segundo copo o meu cérebro dizia-me: "Bebe mais e bebe mais e bebe mais e agora vais fazer tudo o resto". A partir daí era assim que acontecia.
E o que é mais difícil de controlar, é o corpo ou é a mente?
A mente. Aliás, há substâncias.
Há substâncias que não são aditivas em termos físicos.
Exatamente. E aquelas que eu consumia, eu posso nominar, que era álcool e cocaína. Basicamente eram as duas mais presentes. Andavam sempre que é um upper e um downer. Uma controla a outra, vamos andando para cima e para baixo. Não têm uma grande ressaca física. Quer dizer, o álcool em extremos, no alcoolismo, tem, mas não era o meu caso, porque como era um consumo agudo e compulsivo, de dois, três dias, não tem a outra parte. Mas a verdade é que é muito mais a componente psicológica de não saber estar ou não me saber divertir numa determinada situação, que começa a mexer conosco interiormente. Vemos toda a gente a divertir-se e nós também queremos. Se não queremos sentir aquilo, temos que nos afastar. Não há outra maneira. Como eu costumo dizer e digo isto muitas vezes: não há super-heróis. Aqui não há super-heróis. Quando se fala deste tipo de situações, primeiro, ninguém sozinho consegue, por isso é que existem os pedidos de ajuda e por isso é que existe ajuda específica para este tipo de casos. E há um processo todo que se tem que fazer, afastar-nos de determinados ambientes, mudar estilos de vida, mudar de hábitos. E por isso é que há um tempo em que é necessário fazer determinadas coisas e só esse tempo é que nos vai ajudar a conseguir mudar aquilo que era o nosso padrão anterior.
Se o que é mais difícil de controlar é a mente, isso significa que é uma luta permanente consigo próprio.
E para sempre.
Que nunca acaba.
Vamos falar uma coisa. Eu ouvi isto muitas vezes nos sítios em que estive. Eu fiz um programa de 12 passos, do qual tirei muita coisa boa e aprendi muito. É um programa espiritual, que está normalmente descrito e escrito para pessoas com problemas de adição e de alcoolismo. Mas é um programa espiritual e que devia ser muitas vezes aplicado a muita gente e no nosso dia a dia eu ainda consigo aplicar muita coisa. Mas a pergunta era, desculpe, perdi.
É uma luta permanente consigo, contra si próprio?
É uma luta contra nós próprios e para sempre. Obviamente que o tempo nos ajuda a minimizar os efeitos e as vontades de uso. Reaprendemos a viver de outra maneira. Eu neste momento faço desporto todos os dias. A mudança de hábitos é extremamente importante para esta recuperação. Mas sim, é uma luta constante. Vamos falar uma coisa, imagine estar num ambiente de festa e ver toda a gente, o que é normal e não vamos dizer às outras pessoas para não beberem, porque é óbvio. Vou a jantares, as pessoas bebem, mas é um reaprender, é dizer que é uma opção minha, não é "não posso", é "eu não quero, eu não vou beber. Eu hoje não vou beber" e pronto, eu não bebo. E se me estiver a incomodar, vou-me embora. Tenho a liberdade de o fazer. Agora, não vou estar ali a lutar contra mim próprio, não faço. Isso não se faz, porque isso é estarmos a alimentar a doença, estarmos a forçar aquilo, é estarmos a dizer ao macaquinho para nos falar ao ouvido e dizer: "Vá lá, tu já estás bem, bebe lá mais um copo". Isso não se faz.
Vamos então olhar para o tratamento. Tem essa conversa com a sua mãe, diz: "Eu preciso de ajuda". O que acontece em termos de apoio médico e tratamento a seguir?
No meu caso, fui para tratamento. Disse que tinha que parar as gravações. Estava a gravar na altura uma novela e decidi ir para tratamento e fui para tratamento durante quatro meses, se não me engano.
numa clínica?
Exatamente, numa clínica específica para tratamentos de adição e de comportamentos.
Foi difícil para si entrar ali?
Foi extremamente. Foi muito difícil, mesmo. Foi muito bom, por um lado, de reconhecimento na parte espiritual, na parte da resiliência.
Autoconhecimento.
Autoconhecimento. O isolamento é muito complicado. A privação da liberdade é uma coisa que para mim, às vezes nem gosto de me relembrar, porque gosto de uma parte, não gosto da outra, porque realmente custou-me muito.
Há muitas vezes uma visão um bocadinho cinematográfica desses momentos, em que alguém entra numa clínica de reabilitação.
Nos Estados Unidos não tanto, cá sim. Ainda temos um bocadinho o estigma. "Foi para reabilitação, meu Deus!"
Como é que foi para si? Quando entra lá, tinha regras, não podia ter contacto nenhum com o exterior?
Nada, não há telefone.
Não podia sair?
Não posso sair, não se pode sair. Nós temos sempre a liberdade de poder sair, mas temos que lutar contra essa nossa vontade de querer sair. Não é vontade para vir cá fora fazer qualquer coisa, é a privação da liberdade, não poder estar com as pessoas. Há uma altura, passado três semanas, em que já achamos que estamos bem Já passou, estou aqui há três semanas, já percebi tudo, já me quero ir embora, já sei como isto funciona, quero-me ir embora. E não é assim que funciona. E depois é lutarmos contra a nossa vontade própria, que é uma das coisas que nos ensinam, porque nós temos muita vontade própria, todos nós. E é começar a ouvir aquilo que os outros nos estão a dizer. E é muito complicado. É um processo mental, eu não lhe consigo explicar exatamente, mas temos que vencer várias barreiras contra nós próprios, que são muito complicadas. É uma prova de humildade brutal, é uma prova de resiliência enorme, é uma reaprendizagem de muita coisa e uma viagem de autoconhecimento muito maior.
E esse tratamento?
É confrontarmo-nos com tudo aquilo que andamos a fazer, escrever.
Isso é o mais difícil?
Minuciosamente. É começarmos a ler, porque ao pormos no papel aquilo que fizemos, começamos a ter uma perceção diferente daquela que temos mentalmente. Porque enquanto andamos em roda livre.
Em euforia.
Em euforia, porque aquilo parece-nos tudo completamente normal e minimizamos os danos que causamos. "Deixa lá, já passou, não fui àquele jantar ou ao aniversário da minha mãe, também não interessa". Escrevendo, começamos a ter a verdadeira consciência daquilo que se passa. Não vou especificar os processos que se passam, porque são coisas de cada um, mas é um processo, é uma viagem ao nosso passado, que vamos ter que aceitar, não esquecer, mas aceitar. E depois esse confronto com os danos que causamos acaba por mexer muito conosco, mas esse mexer é importante, que é para termos a real consciência daquilo que andamos a fazer. E a real noção do quão nocivo aquilo estava a ser na nossa vida e destrutivo. Na nossa e na dos outros que gostam de nós.
É uma forma de ter uma imagem clara desse passado para garantir que não se quer voltar lá.
Há uma frase feita que se diz no tratamento: " irei aceitar o meu passado, mas não irei esquecer". E basicamente é isso. Aceitamos, temos que nos perdoar um bocadinho, depois de todo este processo. Temos que perdoar-nos, porque vamos olhar para muita porcaria que fizemos. Temos que nos perdoar, mas não vamos esquecer aquilo que fizemos. Há um adito que diz: uma pessoa que não esteja grata por estar bem hoje em dia, rapidamente acaba por lá voltar outra vez. E a verdade é que temos que pensar no bom que temos. Eu hoje tenho o meu trabalho, tenho os meus filhos, tenho a minha vida, sou médico, que era uma coisa que eu sempre quis alcançar. E obviamente, enquanto andamos naquele, vamos chamar aquilo um limbo, se quiser. Enquanto andamos naquele limbo, nada é possível, porque não andamos em lado nenhum, andamos em todo lado e não estamos em lado nenhum. Basicamente, não temos a noção bem do que é que se passa. E aquilo tira-nos um bocadinho a noção da realidade, mesmo sem estarmos sob o efeito, porque se não estamos sob o efeito, estamos num processo de recuperação semanal e não estamos ainda bem. E há este padrão semanal, portanto, nunca estamos na perfeita-
Nunca acaba.
Exatamente.
Quatro meses depois, devem ter lhe dito: tem uma espécie de alta, não é?
Sim, alta terapêutica.
Sente-se medo nesse momento?
Sente-se medo, porque a nossa realidade passa a ser outra lá dentro. Eu chamo aquilo um Big Brother, mas acabamos por ter uma nova realidade, estamos num ambiente protegido e as primeiras saídas cá para fora são complicadas porque não sabemos bem o que é que vai acontecer.
Há uma fase de sai algum tempo e volta?
Depende dos casos.
Para si isso aconteceu ou saiu logo de imediato?
Não, eu saí imediatamente. Há casos que têm uma segunda fase, que são casos com muitos anos. E há diferentes tipos de tratamento para cada pessoa. Há uns que vão para uma segunda fase, em que ainda estão controlados, têm uma reeducação social, aqueles que já perderam trabalhos, porque muitas vezes acabam na rua, etc., sem casa. E têm uma segunda fase de reinserção social, se quisermos assim chamar. No meu caso, não, tive alta terapêutica, continuei acompanhado com consultas quinzenais ou semanais e sempre em contacto, obviamente, com as pessoas que nos acompanharam, se houver algum problema, ligar, etc. Mas foi um processo e não é um processo que acaba por ali. Não é um processo que acaba por ali porque a verdade é que a vida volta a acontecer e há muitas situações que voltam a acontecer. Há muitas pessoas que passado um ano ou dois anos voltam a experimentar bebida e que conseguem depois beber normalmente. Há outras que recaem e voltam a outra, há outras que nunca mais bebem.
Como é que foi para si? Teve recaídas?
Não, experimentei voltar a beber, mas fiquei com medo. Fiquei com medo porque achava que já podia beber uma cerveja, mas sempre andei com amigos do tratamento, portanto sempre me chamavam a atenção. Sempre fui muito balizado e continuo a ser balizado. Continuo a manter contacto com as pessoas e são elas que me chamam à terra. Há reuniões cá fora, reuniões de NA e de AA, que frequentava regularmente. Portanto, já estamos a falar de há sete anos. Nos primeiros dois anos frequentava com assiduidade. Entretanto, veio o COVID, que piorou isto tudo. Deixaram de haver as reuniões. Mas eu até ao COVID frequentava semanalmente. Uma vez por semana, pelo menos, fazia uma reunião. E isso volta-nos sempre a chamar. E depois temos aquele compromisso com as pessoas da Irmandade, como nós chamamos, que nos permite manter a humildade de perceber de onde é que vimos e quem é que somos. Não nos deixamos ir em liberdade total, se quiser assim dizer.
Quer durante aqueles meses na clínica, quer, por exemplo, nessas reuniões, a sua imagem pública pesava-lhe?
Muito. Ainda hoje, se quer que lhe diga a verdade. Acho que no meu caso foi das coisas mais difíceis de ultrapassar, não lhe vou mentir. Foi ter ficado rotulado, porque a verdade foi essa. Acabamos por ter um rótulo e depois os primeiros dias cá fora, não deixamos de ter a profissão que tínhamos, a imagem pública, mas ter que levantar a cabeça e viver e assumir aquilo que tinha acontecido e que tinha sido Mas há uma palavra que se diz que é o "fake it to make it". E muitas vezes temos que fazer isso. E foi isso que fiz. Se queremos chegar a algum lado, temos que ser persistentes e resilientes no caminho, e foi isso que eu fiz. Voltei a trabalhar, voltei a tentar fazer tudo outra vez e recuperar aquilo que inevitavelmente tinha perdido. Não só a imagem, porque todas as coisas levam o seu tempo. Para perdermos uma coisa, pode ser num dia ou numa noite, mas para recuperá-la levamos imenso tempo. A chamada fênix, renascer das cinzas. E foi um bocadinho assim a imagem que eu tive. Sabia que tinha que batalhar muito, trabalhar, fazer por mim, trabalhar não só no meu campo profissional, trabalhar na minha vida pessoal, trabalhar na minha vida de abstinência, fazer as reuniões semanalmente e pôr a nossa abstinência em primeiro lugar e pôr-nos a nós sempre em primeiro lugar, que isso é o mais importante.
Sente que enfrentou muita desconfiança por parte das pessoas quando regressa?
Inevitavelmente, sim. Eu não vou dizer que foi direta. Tive muita gente que me recebeu bem, não descredito. Mas a desconfiança é inevitável, porque nós vimos de um processo em que as pessoas já não confiavam de qualquer das maneiras, já tínhamos tido falhas. E temos que fazer com que voltem a acreditar em nós. E não é por palavras, não vale a pena estar a dizer: "Olha, eu já estou bem, ajuda-me". Não, não é assim que funciona. É por provas, é por trabalho. Nós provámos por A mais B que não estávamos bem. Agora temos que provar por A mais B que estamos bem. Não é dizer: "Olha, estou aqui, estou bem". Não é assim que funciona.
Mas é justo dizer que na fase em que estava nesse limbo, e isso o foi destruindo até nas suas relações profissionais, pessoais.
Em tudo.
E que por isso falhou, às vezes, com trabalho, com família.
Sim.
Que não foi suficientemente compreendido ou que foi muito incompreendido nessa fase.
Vamos lá ver uma coisa. Nós não podemos pedir às pessoas que percebam, nem todos são família. Nós trabalhamos com outras pessoas que têm a vida delas e a verdade é que acabamos por, entre aspas, afetar a vida delas. Vamos falar no compromisso profissional. Eu tenho colegas à espera para gravar. E se eu não apareço numa gravação, tenho as pessoas à espera. São meus colegas, eles não estão na minha vida pessoal. Não são meu pai, não são minha mãe, não são meu irmão, não são minha namorada ou minha mulher. Portanto, obviamente, é a essas pessoas que pedi desculpa, inevitavelmente. Eu não sou uma pessoa que não pede desculpa. Eu quando erro, peço desculpa e sempre tive isso, mas inevitavelmente acabamos por prejudicar, seja quem for, da maneira que for. Eu assumi, tenho que assumir os meus erros e quando erramos, temos que pedir desculpa. Agora cabe-nos a nós não voltar a errar. E esse é que é o meu processo, que não cabe aos outros, cabe aos outros sim perdoarem-me ou não. O resto-
Então não põe esse peso nas outras pessoas.
Nunca.
De achar que possam ter sido injustos consigo.
Não ponho, não posso pôr, porque eu errei. Eu tenho que reconhecer que errei. O julgamento cabe a cada um fazê-lo. Eu tenho que fazer o meu caminho, tenho que cumprir as minhas obrigações, tenho que ser um bom profissional, tenho que ser um bom pai, tenho que ser um bom filho, tenho que ser uma boa pessoa.
Isso é uma carga enorme, não é?
Não é uma carga, é uma carga que todos temos. Ao fim e ao cabo, cada um tem a sua opção. Eu opto por ser isto. E tento fazer o melhor que consigo. Às vezes não consigo ir a todo lado, a verdade é esta. Mas a verdade é que cabe a cada um de nós tentar ser o melhor possível neste campo. Agora, quando estamos naquele processo, esqueça. Nós não somos nada. Nós somos, entre aspas, escravos do tipo de vida que andamos a levar, porque no fundo é isso que acontece. Nem espiritualmente estamos alinhados para conseguirmos ser seja o que for, porque não estamos. Não posso ser o melhor pai, nem o melhor filho, nem o melhor profissional, se estiver subjugado a um determinado padrão e a uma determinada substância, é impossível.
Qual foi a forma que escolheu para lidar agora com isto? Não bebe de todo?
Neste momento?
Sim.
Não bebo de todo.
Admite que pode chegar a um momento do seu processo em que-
Não vou admitir nada. Não sei qual vai ser o meu processo, vivo um dia de cada vez.
Mas isso não é uma coisa que o preocupe? Pergunto-lhe antes assim. Não está já a pensar no que vai fazer a seguir ou como é que vai ser a seguir?
Não, vivo um dia de cada vez. Hoje escolho não beber.
Faz sentido assim.
Hoje escolho não beber. E até agora tem sido assim. Como lhe disse, houve um dia que escolhi beber e achei logo que estava a pecar.
E as pessoas à sua volta?
Não sei. Já passaram alguns anos. Há muita gente que faz estes tratamentos e consegue reeducar-se. Portanto, há um período agudo em que a pessoa não tem mais consciência, é alertada para tal e há pessoas que conseguem voltar a beber. Não quero que me interpretem mal, atenção, porque há muitas escolas neste tipo de patologia. O programa diz que não se deve nunca voltar a beber, porque rapidamente se volta. Eu conheço pessoas que voltaram a beber e que bebem agora socialmente. Conheço outras pessoas que nunca mais beberam e conheço outras pessoas que voltaram a beber e aquilo correu pessimamente. Portanto, não há aqui uma regra. Sabe-se que se não se beber, não se volta ao antigamente. Agora, cada caso é um caso. Eu, neste momento, nesta fase da minha vida, tenho que me alinhar de uma determinada maneira. Opto por fazer desporto, opto por não beber e opto por manter a minha vida o mais saudável possível e mais profissional e dedicado a outras coisas que não isso. Obviamente, eu só espero que o dia de amanhã não venha a ser como antigamente, e acho que nunca mais vai ser, mas eu não sei o dia de amanhã. Por isso foco-me só no dia de hoje. É isso que me interessa. Eu hoje não bebo e amanhã não sei.
Isso implicou deixar toda uma vida para trás e não voltar a ela. Alguns amigos, alguns sítios.
Durante muito tempo, durante três anos, implicou muita coisa. Neste momento, vou jantar fora, ainda ontem fui. Não me privo. Tenho uma perfeita noção daquilo que aconteceu. E se há um sítio onde eu não quero voltar, é lá. O medo de voltar ao passado é a minha melhor arma de defesa contra o meu futuro. Isso eu não tenho dúvida nenhuma. Portanto, enquanto me lembrar daquilo que passei e por aquilo que passei, eu não vou lá voltar. Isso é garantido.
E ao mesmo tempo que deixou de se rodear de determinadas pessoas, passou a querer rodear-se de outras, não é?
"Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és". Eu sei que é um chavão.
Mas existe por alguma razão.
Exatamente, porque sabemos que se nos rodearmos-- eu neste momento tenho um grupo de pessoas com quem corro todos os dias às 05:00 e obviamente que esse hábito que eu tenho todos os dias de correr às 05:00 me permite ter um estilo de vida saudável. É uma coisa que eu gosto de fazer, que me preenche e que está alinhado com a minha filosofia de vida neste momento. É isso que eu quero fazer, é assim que me sinto bem. Não quer dizer que não saia à noite. Não é o meu costume sair muito à noite, mas não quer dizer que não me divirta, que não vá a um jantar. Tem que haver barreiras, como existe para toda a gente. Se calhar, na altura eu é que não tive barreiras e não me soube defender de determinadas coisas. Hoje em dia, considero-me uma pessoa que consigo fazer tudo. Não tenho privações. Não estou a pensar: "Epá, não posso ir ali". Não, eu vou jantar fora, estou com amigos, quando eu acho que está na altura de ir para casa, eu vou. Aliás, hoje em dia até vou mais cedo para casa, chego ali às 14:00. Acordo às 05:00, portanto às 14:00 já estou de rastos, já nem conseguia aguentar mais. Aliás, eu às 20:00 já estou de rastos. Mas basicamente não me privo neste momento de nada.
Basicamente, faz tudo o que quer porque deixou de querer aquilo que lhe fazia mal.
Basicamente é isso. Não quero mesmo voltar àquilo que me fazia mal. Isso não quero.
E o que é que ganhou com tudo que de mau aconteceu?
O que eu ganhei com tudo de mal?
Com tudo de mal que levou a tudo isto. A origem é naquilo que veio.
A origem é má. A origem é negativa, é uma coisa má. Ganhei muita coisa, ganhei um autoconhecimento muito maior. Ganhei humildade, acima de tudo. Ganhei gratidão, que às vezes eu não a pratico da melhor forma possível. Às vezes queixo-me muito daquilo que ainda não tenho e daquilo que quero fazer e não agradeço aquilo que tenho, e isso é muito importante. Ganhei muita coisa. Ganhei uma força interior muito grande. Ganhei uma drive. Como é que eu vou traduzir isto?
Essa força de seguir em frente.
A força de saber aquilo que quer e uma capacidade de trabalho muito grande, porque quis recuperar muito aquilo que eu achava que tinha perdido e que tinha. E batalhei muito. Estes últimos anos foram anos de muita luta. Não me estou a fazer aqui um mártir da causa, mas foram de muita luta para conseguir voltar a recuperar o meu trabalho, acabar o meu curso, que era uma coisa que obviamente que me estava aqui atravessada, mas que eu nem sequer queria pensar muito. Mas é um esforço para a parte boa da vida e não para a parte má, porque a outra parte também requer muito esforço, mas é um esforço mau. E neste caso, não, é um esforço para a parte boa da vida e foi isso que eu consegui recuperar. E quero continuar a construir ainda mais e a ser melhor pessoa, como lhe disse há bocado, todos os dias.
Acha que algum dia vai conseguir perder o rótulo?
Não sei. Eu vivo em paz neste momento comigo. O rótulo , eu também lhe disse quando aceitei fazer a entrevista, eu não tenho nada a esconder. O meu passado foi o meu passado, neste momento sou esta pessoa. O rótulo as pessoas podem pôr ou não, isso já não me incomoda muito. Obviamente que há pessoas que são sempre lembrar, como eu me lembro. E derivado à exposição mediática que tive na altura. Eu acho que a vida se vai fazendo dia a dia e nós vamos provando. Não é por palavras, como lhe disse, não é dizer: "Epá, agora estou bem". Não. As coisas requerem tempo, requerem solidez, requerem alguma consistência. E só essa consistência é que vai conseguir mudar alguma coisa. Do resto, os rótulos, as pessoas põem se quiserem, não põem se não quiserem. Se eu for estar a pensar nos rótulos que me põem, eu rapidamente vou desmotivar e eu não quero que isso aconteça. Portanto, eu tenho que pensar se estou alinhado com aquilo que quero, se estou feliz com aquilo que estou a fazer comigo e se não estiver, mudar o meu caminho. Isso é que é importante.
Há muitas vezes um conselho associado à adição que as pessoas gostam de dar, que é: "Se tiveres força de vontade, tu vais conseguir".
É mentira. Sozinho, mais um chavão de DNA. Como é que é? Há uma frase que diz: "Só juntos conseguimos aquilo que sozinhos nunca fomos capazes". E a verdade é que quem está em processo de adição sozinho, eu não vou dizer que não há quem tivesse conseguido, mas é extremamente difícil conseguir-se quando se está num processo, primeiro, não só pela negação, segundo, porque nós sozinhos não sabemos parar. Para onde é que vamos, o que é que fazemos. E depois há aquela ideia da geográfica: "Vou sair daqui e vou conseguir". Mesmo que a pessoa mude de sítio, o problema vai dentro dela, portanto, a patologia continua lá. Há um processo de ajuda que tem que ser direcionado e que tem que ser feito. E essa ajuda só é conseguida quando assumimos que temos um problema e pedimos ajuda.
Seria esse o melhor conselho que teria para dar?
Sem dúvida alguma. E principalmente outra coisa que eu costumo dizer muitas vezes em entrevistas, que é: quando começamos a pensar que temos um problema, já o temos. Não vale a pena estar a esperar muito mais.
Já está instalado.
Já está. Quando começamos a pensar se temos, já o temos, garantidamente, porque nós somos os últimos a identificá-lo.
Obrigada.
Obrigado eu.