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Começa agora o Linha da Beira Alta, na Rádio Observador Viseu, neste que é o espaço, o programa em que damos voz a figuras e personalidades de destaque do distrito de Viseu. Eu sou o João Costa e Silva e ao longo da próxima hora os nossos ouvintes são também chamados a participar. Podem enviar a sua opinião, aquilo que pensam sobre os temas que vamos falar nos próximos minutos, através do nosso número do WhatsApp 910024185 e também através do e-mail viseu@observador.pt. No programa de hoje, no Linha da Beira Alta de hoje, recebemos Francisco Lopes, presidente da Câmara Municipal de Lamego, a quem agradeço mais uma vez o facto de se juntar aqui a nós ao Linha da Beira Alta. Já não é a primeira vez, já está habituado.
Viva João, boa tarde a todos os ouvintes. É um gosto estar com a Rádio Observador e ter em Viseu este novo meio de comunicação social tão disponível para os problemas locais.
Francisco Lopes, vamos começar aqui pela questão do turismo. Temos tido ótimas notícias, podemos dizer, penso que partilha também desta opinião. Nos primeiros oito meses deste ano de 2024, as dormidas na região de Viseu, Dão Lafões, aumentaram 14,2%. Segundo o INE, houve mais 53 mil dormidas em comparação com 2023. E Lamego é o segundo concelho do distrito de Viseu com mais alojamentos locais registados, ou seja, algo que também potencia este crescimento. Como é que olha para estes números e sente que Lamego pode ainda chegar mais longe e pode ajudar ainda mais a contribuir para o aumento deste turismo, de todo o tipo de turismo que há aqui na região de Viseu?
Com muita satisfação, naturalmente, sendo que Lamego integra, em termos turísticos, a região do Douro e é turismo do Porto e Norte, e não o turismo do Centro e a região Dão Lafões. Mas a verdade é que tudo aquilo que se passa de bom na nossa região é bom para todos os concelhos e para toda a região. E por isso, saber que partilhamos um percurso comum de afirmação das nossas potencialidades turísticas tem muito que ver com as nossas potencialidades locais, com a nossa paisagem, com a nossa gastronomia, com os nossos vinhos. Também muito com a nossa hospitalidade, com a capacidade de receber, que é tão típica das gentes da nossa região. É efetivamente uma satisfação podermos dar este enorme contributo para uma das indústrias que é, neste momento, uma grande indústria exportadora, uma grande indústria que dá emprego a muita gente, que dinamiza a nossa economia local.
E dinamiza-
Vamos continuar a apoiar o turismo em todas as suas componentes, porque efetivamente é hoje uma das atividades econômicas em que a nossa região se suporta.
Ia lhe perguntar isso mesmo, se o turismo acaba por ser a atividade, não quero dizer a mais importante, mas aquela que traz valor mais atrativo para Lamego, ou seja, é aquela que acaba por impulsionar mais a economia ou existem também outras atividades aqui que acabam por se complementar?
Ainda não. O turismo é ainda uma atividade emergente, ou seja, é uma atividade ainda em crescimento. As nossas atividades mais importantes continuam a estar, de facto, na agricultura, nos vinhos, na fruta, também noutras atividades industriais e muito no comércio e serviços, e aí sim, o turismo começa a ter um papel preponderante. Mas a verdade é que temos ainda uma economia muito diversificada, muito baseada em pequenas atividades, em pequenas e microempresas. E o turismo é uma atividade em crescimento, mas tem ainda um papel, eu não direi reduzido, mas um papel limitado na nossa economia. Claro que vai crescer e queremos que cresça, mas não queremos também prescindir dos setores tradicionais e continuar em investimentos.
Claro. É um crescimento sustentado, podemos dizer assim. Francisco Lopes-
É essa mesma ideia, um crescimento sustentado, um crescimento que também potencialize outras atividades, nomeadamente naquilo em que nós somos bons, no vinho, com o enoturismo, nos produtos regionais, no fumeiro, nos enchidos, na fruta, que nós possamos integrar um conjunto de atividades que, em termos turísticos, sejam também mais-valia.
E Francisco Lopes, fazendo aqui esta ponte do turismo para a questão do alojamento local, disse muito recentemente numa entrevista que rejeita avançar com a regulamentação para controlar a instalação de alojamentos locais, porque, lá está, como falamos aqui, o turismo é uma área estratégica de desenvolvimento do concelho e desta região, e que a tónica deve ser colocada na reabilitação do parque habitacional devoluto. Podemos concluir que a solução aqui não é proibir, mas sim reabilitar mais sítios e locais que têm esta particularidade para também potenciar e criar aqui não só turismo, pode ser também outro tipo de infraestruturas que possam dar apoio ao concelho?
Obviamente, o concelho de Lamego é um dos concelhos que tem, em termos de turismo, maior oferta e maior densidade turística. Temos algumas quintas que foram pioneiras de turismo de habitação, de turismo no espaço rural, e mais recentemente, temos o alojamento local, a par da hotelaria convencional. Entendemos que não é esta concorrência, digamos assim, do turismo, que prejudica a disponibilidade de habitação para as pessoas, que hoje efetivamente se verifica. O que eu tenho chamado a atenção é de que somos um país de casas vazias, somos um país onde sensivelmente um terço Das habitações disponíveis não estão no mercado e não estão porque ou são segunda habitação ou não estão em condições de utilização. E, portanto, se não temos condições de utilização em grande parte do nosso edificado, temos que criar incentivos para que ele possa ser reabilitado e colocado no mercado, ou pelos proprietários, ou vendido e ser disponibilizado para o mercado de habitação, de comércio, serviços, inclusive para a hotelaria e o alojamento local. Esse é o sentido do nosso trabalho, não limitando, mas antes estimulando todas as atividades a fazer o seu trabalho, o seu papel, porque se isso acontecer, iremos ter habitação para todo o tipo de procura, habitação mais econômica para as famílias mais carenciadas, habitação de luxo para as famílias que são mais abastadas e também disponibilidade de espaços para o turismo, que é uma atividade, como disse, que ainda está em franco crescimento no concelho e na região. Não vejo, por isso, nenhuma razão para limitar. Obviamente que seguiremos a lei e regulamentaremos no sentido de pôr as restrições que vierem a ser legalmente impostas, mas garantindo a esta atividade a continuação do nosso apoio para que se possa manter a par com a reabilitação e a disponibilização de habitação digna para todos, que é esse o objetivo que nos deve nortear.
Muito bem. Francisco Lopes, deixamos aqui este tema do turismo de lado e passamos para outro tema que tem marcado a atualidade nacional, mas queria perceber aqui também como é que isto se tem comportado ou desenrolado, assim por dizer, mais em Lamego e também para perceber se tem havido casos neste sentido. Falamos da linha 112 e também da crise que podemos dizer que está instalada no INEM, com vários atrasos no atendimento, constrangimentos no atendimento de chamadas, com greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar. O que eu lhe pergunto, e tem sido também esta a tónica e a conversa que tem tido com vários autarcas da região de Viseu, é se tem conhecimento de alguma situação que tenha acontecido no concelho, algum atraso ou alguma situação que tenha chamado mais a sua atenção.
Não, não tenho. Obviamente que essas situações podem acontecer em qualquer ponto do território nacional, uma vez que se trata de uma linha nacional, mas a verdade é que não tenho conhecimento que em Lamego tenha havido qualquer situação de atraso no atendimento que tenha provocado qualquer problema grave a algum cidadão. De resto, num meio pequeno como é o nosso, há sempre um recurso direto aos bombeiros, que depois acionarão as demarches legais para que possam ter o suporte de emergência.
Só para complementar aqui, tivemos várias corporações que fizeram esse mesmo alerta, ou seja, caso houvesse algum atraso, para contactar diretamente os bombeiros. Pelo que sei, por aquilo que vi, na altura, já foi há algum tempo, também houve este alerta para o Conselho de Lamego ou é já algo habitual que pode acontecer neste sentido?
Exatamente. As pessoas sabem, mesmo sabendo que depois, em algumas situações, os bombeiros não podem atuar diretamente, eles poderão desencadear os mecanismos para, através de outros canais de comunicação, obter a autorização para fazer o socorro de emergência. E de resto, temos a sorte de ter um hospital com serviço de urgência a funcionar em permanência e que, portanto, pode depois dar seguimento a todas essas questões que surjam. Mas sabendo que é um problema que se está a colocar a nível nacional e que esperamos possa ter uma solução urgente e definitiva, a verdade é que não demos conhecimento de qualquer dificuldade que se tenha colocado a qualquer cidadão do município de Lamego.
Francisco Lopes, lembrar só aqui aos nossos ouvintes que podem participar e deixar a sua opinião através do 910024185. É o número do WhatsApp da Rádio Observador Viseu e podem também fazê-lo através do e-mail viseu@observador.pt. Noutro tema, aqui mais direcionado para um projeto de futuro, mas que já entrou em funcionamento, a Escola de Lamego, que tem um novo centro tecnológico especializado em energias renováveis, que já entrou em funcionamento e mereceu um investimento na ordem de 1,1 milhões de euros. O que é que este novo centro tecnológico, ainda por cima especializado em energias renováveis, pode oferecer a Lamego e que novidades é que traz? Porque acredito que seja um projeto bem pensado para a região.
Sim, é um projeto que decorreu de uma candidatura feita a nível nacional e a que concorreram diversas escolas. Lamego ganhou um centro tecnológico nesta área das energias renováveis, que é uma componente em que nós estamos muito à vontade, porque tivemos o segundo parque eólico a nível nacional, tivemos uma das primeiras barragens já no século XIX. Portanto, é uma área onde trabalhamos com especial empenho e onde estamos a formar profissionais que poderão suprir uma falta que há a nível nacional nesta área. Todas as áreas tecnológicas são importantes, as energias renováveis são uma delas, mas a eletricidade em geral também é. Mas estamos noutras áreas, como as telecomunicações, como a cibersegurança, nomeadamente com a nossa Escola Superior de Tecnologia e Gestão. E, portanto, este é um processo de instalação de capacidade a nível tecnológico que é fundamental para o nosso desenvolvimento Nós temos escolas de grande qualidade, temos muita dificuldade em reter talento, em que os nossos melhores alunos fiquem no nosso território e para isso precisamos de lhes oferecer, primeiro, condições de formação de grande qualidade, que sejam uma perspetiva de grande futuro para eles e depois ter também empresas que os acolham. E as parcerias que estamos a fazer, nomeadamente ao nível desse centro tecnológico da Escola Latino Coelho, na área das energias renováveis com a E-Redes e ao nível da cibersegurança com a Deloitte e a Escola Superior de Tecnologia e Gestão, são efetivamente projetos inovadores que conciliam formação com atividade profissional posterior.
E no fundo, também criar uma rede de parcerias pelas empresas que me está a referir.
Obviamente que as parcerias ajudam a potenciar a capacidade que nós já temos instalada, a vontade do município e a capacidade de investimento em infraestrutura, a capacidade de formação das nossas escolas, mas depois também o enquadramento na vida profissional que os parceiros empresariais podem trazer a estes projetos. Portanto, estamos a fazer um percurso de grande qualidade e que nos orgulha muito e que já leva umas dezenas largas de formandos que já têm a sua solução profissional para o futuro ou então a possibilidade de continuarem a sua formação de nível superior, mas já com uma experiência de trabalho efetiva. É um projeto de grande valia que nós valorizamos muito.
E que com certeza vai dar frutos no futuro por aquilo que me está a dizer e pelo projeto que está aqui a apresentar. Com certeza que vamos ouvir falar dele muitas mais vezes. Francisco Lopes, ficamos por aqui neste Linha da Beira Alta. Agradecer-lhe mais uma vez o facto de se ter juntado a nós e até uma próxima. Muito obrigado.
Muito obrigado, eu que agradeço. Adeus.