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Como sempre, com o chef Leopoldo Calhau. Hoje vamos falar de um ingrediente que só de o dizer já me sinto a pecar: toucinho. É isso. Mas não é toucinho do céu. Jinx.
Não, este leva ao céu. Este toucinho leva-nos ao céu.
É aquele fino, gorduroso, estaladiço e encaracolado toucinho. É esse, Leopoldo?
É isso. Só faz bem a quem come.
É. Por que raio trazes o toucinho nas vésperas de Natal, Leopoldo?
Porque não tem nada a ver, primeiro. E porque eu passo o Natal em Vilalva e aqui na região vieram uns amigos e eu estou mesmo aqui na adega da Isabel, a conviver um bocado, para abrir o apetite. Estamos a provar o toucinho que eles têm aqui como um dos petiscos e porque não falar de toucinho?
Muito bem. Só para contextualizar: Vilalva, ali na fronteira do distrito de Évora com Beja, a poucos quilómetros da Vidigueira. Isso?
Vilalva fica a 10 km da Vidigueira, oito de Vila de Frades, 10 da Cuba, 10 de Alvito, por aí.
Caramba, sabes tudo.
Eu já vim cá algumas vezes.
E que tipo de toucinho é que estão a comer?
Posso tirar uma fotografia. Este toucinho é o toucinho normal da matança, que depois é curado, salgado, durante 15 dias, um mês, e depois fatiado muito fino. Este, por acaso, estamos a comê-lo sozinho, mas dá para acompanhar alguns pratos.
Então conta-nos lá um bocadinho sobre esses pratos, quais são os melhores ou aqueles que costumas fazer.
Vamos abrir aqui o apetite.
Vamos lá.
Podemos fazer, por exemplo, uns cogumelos e depois pôr estas fatias finas de toucinho por cima. Estufar cogumelos, abriga-los. Podemos fazer uma feijoada e também pôr o toucinho lá no meio. Podemos o cozido de grão também. Já estou a falar muito. Nem vou dizer quem foi. Mas sim, é um espaço novo, que trabalha vinho.
Já estás a falar do restaurante, é isso?
Estou a falar do próprio espaço.
Do próprio espaço.
Organizam eventos, às vezes com fadistas e cantores conceituados, porque um dos sócios o é. Sei que dia 5 de janeiro vem cá o Pedro Abrunhosa. Não sei se posso dizer.
Mas já disseste.
Está dito.
Qual é o prato rei ou o prato rainha da adega da Isabel?
Eles ainda nesta fase têm só petiscos, têm conservas, depois têm também os enchidos, os paio, o toucinho e fazem aqui uns petiscos e depois organizam aqui eventos, mas a porta está aberta a quem quiser cá passar.
Muito bem.
Em Vila de Frades.
Vila de Frades.
A adega da Isabel.
A adega da Isabel, é isso?
Da Isabel, exatamente.
Muito bem. E o prato, Leopoldo?
O prato era um desses que eu já disse. Até podia falar, não é bem com este toucinho, mas é parecido, mas falava de um prato do José Júlio Vintém, que são umas pétalas de toucinho que ele põe no forno, temperadas, e elas ficam assim meio estaladiças e ficam espetaculares. Só com a própria gordura, leva-se ao forno e depois tempera-se. Pode levar um toque, não sei se é o caso, mas pode levar um toque de vinagre, azeite, o alho laminado. E só isso já faz um prato prático e saboroso para beber um copo de vinho.
Por falar em vinho.
Não, não se pode dizer.
O toucinho pede um tinto mais forte, mais adstringente ou um tinto mais adamado?
Eu acho que depende daquele que tenhamos ao pé. Não, mas sim, aqui no Alentejo.
Engrupado, não é?
Um grado alcoólico e um corpo aceitável.
Aceitável.
Mas sim, aqui eles também têm vinho, a própria casa, os sócios têm vinho e eu diria que vai um vinho tinto da região, aqui da Vidigueira, claramente.
Muito bem. Olha, Leopoldo, feliz Natal. Não abuses do toucinho.
É verdade. Ainda faltam outras coisas.
Não destruas já.
Exato. Guarda.
São duas vindas do Natal, espírito natalício.
Muito bem.
Em Vilalva e na Vidigueira, em Vila de Frades, também mete o vinho, obviamente.
Feliz Natal, Leopoldo.
Um abraço.
Um feliz Natal. Adeus.
Feliz Natal.
Igualmente.