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Já cá está a Rita Camarneiro e com ela o seu sumo de fruta de laranja.
Pois é, e coco, adoro.
É um smoothie.
É um smoothie.
Nós chamamos sumo.
Tudo bem com vocês?
Tudo bem.
Hoje não vamos muito longe, ficamos aqui por Lisboa.
E o resto é paisagem.
Vamos ter com a Adelaide Ferreira.
Vamos lá.
Candidata à Câmara de Lisboa pelo partido do ADN, um partido que parece colecionar pessoas carismáticas, e vamos ouvi-la em Arroada, ontem em Xabregas, Lisboa, cortesia do jornalista da Rádio Observador, João Costa Campos.
Porque eu sou muito agregadora de pessoas. Eu gosto das pessoas em geral, gosto de todos os humanos que estão vivos na Terra. E então sinto que posso passar-lhes isso e posso conseguir que eles tenham entendimento entre eles. Eu posso conseguir isso. Eu tenho é que chegar lá, e que me oiçam.
A famosa cantora começa por dizer que ama pessoas, todos os seres vivos.
Todos?
Sim, todos. Ela para amar só precisa de uma coisa: que se respire. E só tem espaço para tanta gente porque quem já morreu já não tem lugar no coração de Adelaide. Não cabe tanta gente. Depois, há sinais que poderá ver-se como Messias, salvador da pátria, agregadora de pessoas e nada mais agregador do que comparar pessoas a sujidade crónica.
A Adelaide diz que quer combater a sujidade crónica, particularmente nos eixos turísticos.
O acumular de pessoas com muito poder económico, que vieram comprar residências em Lisboa, os muito pobres que têm que emigrar pelo pão e também por outras razões. Tudo isso acrescentou uma diversidade de culturas que não têm os mesmos costumes que nós temos. Nós temos alguns costumes de higiene.
Emigrar pelo pão, eu imaginei a demandada de portugueses que foram pra França só por acordo de baguete.
Da baguete.
Adelaide está farta de maus hábitos de higiene por parte de estrangeiros. Mas de quê? De espanhóis a comer pipas e a cuspir as cascas? Alguma nacionalidade a arrotar sem pedir perdão? Ou se calhar, anda a confundir a flatulência com a pandemia do IQOS, que cheira igual a desarranjo intestinal e é muito presente aqui em Lisboa. Mas vamos voltar à Arroada e à inspiradora Adelaide.
Porque eu sou tão profunda e tão preocupada com isto, é tão verdade, é tão genuíno, que eu acho que está a fazer falta isto. Portanto, eu contesto o mundo na medida em que o mundo pode melhorar, na medida em que não podemos ficar à sombra da árvore.
Pois, "eu sou tão profunda e preocupada, tão genuína". Quer dizer, como é que vocês não veem? Estão à sombra da árvore. Como não veem, tenho de ser eu a dizer coisas altamente constrangedoras sobre a minha pessoa, que parece deixar toda a gente desconfortável, menos a mim, porque tomei dois chás com beterraba de manhã. Adelaide Ferreira também não sabe explicar bem as propostas do partido, para além de acabar com as ciclovias, mas também se queixa do Parque Eduardo VII, embora não se perceba concretamente do que é que se está a queixar.
Lá em cima, no Parque Eduardo VII, caminhei por lá recentemente. Meu Deus, aquilo é um perigo, caímos ali a qualquer altura. Uma senhora com um saltozinho, cai ali na hora. Eu não quero estar a ser muito popular a falar, mas na verdade, como é que estes cidadãos maravilhosos que estão aqui, adultos, com cursos superiores, pessoas formadas, educadas, não conseguem o entendimento em prol do povo e da nossa querida Lisboa?
Aqui foi mais um momento no debate da RTP, não sei se vocês assistiram. Ela começa a falar do que pree disse serem precipícios que existem no Parque Eduardo VII, em que as senhoras caem. E acaba com: "Vamos lá entender-nos todos".
É uma metáfora.
Sim. É a minha predição ao Parque Eduardo VII. Adelaide Ferreira sente-se num refrão de uma cantiga infantil, mentalmente está lá. Parece que está a trabalhar com o atestado médico. Mas vamos voltar à Arroada para saber se está tudo bem.
Sou simplesmente uma cantora que toda a vida tive uma política, fui sempre interveniente, as minhas canções, muitas delas são, de certa maneira, revolucionárias. É só ir a "Ferir" e perceber que é assim.
Eu fui a "Ferir".
A triste?
Eu fui a "Ferir". Eu só vi canções de coração partido e amor.
Não, atenção.
Encontrou uma?
Não, na altura foi um hit também.
Qual era?
A do trânsito. Lisboa tem muito trânsito.
Pois era.
O refrão era: "Lisboa tem muito trânsito, tem muito trânsito, tem muito trânsito."
É bom termos aqui autênticos dinossauros autárquicos.
Sem dúvida.
A Adelaide Ferreira, seguramente, de todo o leque de candidatos, é a pessoa que se prepara para esta candidatura há mais tempo.
Deixaram-na razão e eu adorava.
Problema de transportes em Lisboa há 40 anos.
Sim, pode dizer que não é de agora.
E eu a pensar que o mais interventivo.
Pode dizer: "Eu não nasci para esta candidatura agora."
Ora, acho que sim, já deste tempo.
"Estou em queda livre desde 1980."
Já andava com essa cantiga há muito tempo e eu pensar que o mais interventivo que ela tinha sido, participado, era a música do Pirilampo Mágico. Que fez em colaboração com muita gente. Tem o seu quê. Adelaide Ferreira tem uma voz espetacular, temos de admitir. Parece a Mariah Carey portuguesa. Às vezes perde-se um bocadinho e troca, faz lembrar os nossos pais, que só ouvem metade e depois reproduzem de forma medíocre o que lhes dissemos. Fiquem com este último som da Arroada de ontem, que é um pouco mais longe. Desculpem.
É o sumo.
É mesmo, por acaso, é os açúcares. Eu acho que isto não é assim tão saudável quanto isso. Fiquem com este som. Um bocadinho mais longo, mas vale a pena.
Consta também que um senhor, que morderam-lhe um dedo?
Não, não foi isso.
Não, eu estou a falar que o senhor disse que lhe consta.
Aqui uma situação, foi que nos partiram o vidro do estabelecimento. O indivíduo foi identificado, só que não puderam fazer nada porque a justificação que me deram foi que ele estava alcoolizado. Quer dizer, uma pessoa alcoolizada pode fazer tudo? Não pode.
E o senhor do dedo, o senhor ouviu falar?
Não, já há aqui muitos casos, assaltos no continente, todos os dias, quase.
No continente.
E acho que as pessoas devem ser todas ajudadas.
Nós queremos amar-nos todos uns aos outros, não é? Eu pelo menos preconizo isso, toda a gente bem. Ora, então é isso, nós queremos é amar-nos todos.
Amar-nos todos.
Eu acho que tens de vir a fazer canções, não sei.
Tragam o senhor do dedo.
Então e o dedo?
Não sabemos.
Deve ser o Mourinho.
É o senhor do dedo.
Por quê?
Ele é que disse que ia meter o dedo.
Já tinha dentes. Bom.