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Estes são os momentos de glória da Rádio Observador. Hoje começamos com um dilema muito sério.
Magani e Roca.
Daqueles que definem uma pessoa.
Tu estás a ver isto da Casa dos Segredos do Diogo, da Evie e da Ariana? O cara é um gênio. Estão metendo os cornos dentro da casa e ela ainda lhe pede desculpa. Genial, isso é absolutamente incrível. Há a Terceira Guerra Mundial? Não, mas eu agora estou a ver aqui o Secret Story. Podes rebentar à vontade, eu agora também estou aqui em minha casa. Deixa lá só acabar este episódio, eu já vou pra guerra. Olha, está a comer outra agora. Deixa-me só ver isso, bem rapidinho.
Estás bem, João? Esqueci-me das palavras. Isto é o Miguel Queiroz. O mundo pode estar prestes a acabar, mas há prioridades.
Claro. O que é que isso interessa?
Há coisas que fazem mover o mundo.
Claro.
E se a guerra que aí vem convém ver o que há pra jantar, não?
Estados europeus estão a recomendar aos seus cidadãos que constituam kits de emergência para fazerem face a guerras, tragédias, apagões. Mas o LIVRE, como é um partido que tem muitas ideias, quer mais. Quer que o Estado não só recomende a lista, como que leve os artigos a casa, que distribua às pessoas. Imaginem, da lista faz parte atum em conserva, pois Rui Tavares quer que o Estado leve atum à casa de todos os portugueses. Mesmo, por exemplo, à Cláudia Azevedo, dona dos Continentes, tem milhões de latas de atum nos hipermercados. Rui Tavares quer que o Estado lhe leve a casa latas de atum. "Mas professor Rui Tavares, eu não quero, eu já tenho lá nos hipermercados." Leva com as latas de atum. Os donos do Pingo Doce, a mesma coisa. O Isaltino Morais, que gasta 150.000 € em refeições à pala da Câmara de Oeiras, leva também com as latas de atum. Latas de atum pra todos, pra os que têm pouco, pra os que têm muito, pra os que não têm.
Faz sentido. Quando pensamos a guerra, pensamos no atum.
E o atum e o papel higiênico.
É preciso ter lata.
Mas isto levanta questões.
E depois, há alguns problemas. Os intolerantes ao atum devolvem o atum ao Estado, o Estado substitui por outra coisa? E as pessoas que estão a trabalhar, não estão em casa pra receber a lata de atum. O Estado vai lá quantas vezes até encontrar as pessoas? As pessoas vão ter que faltar para ter as latas de atum do Rui Tavares? E a questão do prazo de validade. Ao fim de três ou cinco anos, a lata de atum está fora de validade. As pessoas não comeram. Deita-se fora, o Estado vai lá, recolhe e traz novas latas de atum com novo prazo. E aquelas pessoas que esqueceram-se de ir às compras, olham pra as latas de atum do Rui Tavares e dizem: "Bom, eu vou comer as latas de atum e depois logo repõe". Depois não repõe. O Estado vai andar atrás das pessoas casa a casa a ver se já comeram, se têm lá o atum?
Isto até parecia simples, mas foi aqui, foi nesta fase que o plano começou a tremer. Mas o mais importante mesmo é perceber de quem é a culpa disto.
A questão é: de onde é que estas ideias nascem na cabeça do LIVRE, do Rui Tavares? E eu depois lembrei-me. Lembram-se daquele candidato que queria distribuir vinho canalizado a todos os portugueses, Manuel João Vieira, candidato presidencial, que ficou à frente do LIVRE? Pois, certeza, foi essa a inspiração. O LIVRE, como ficou atrás, agora quer distribuir atum ao domicílio pra ver se recupera nas sondagens. E nós é que temos que aturar isto. Estado.
Atum e vinho canalizado.
Tem que juntar as duas coisas.
Se é mais fácil fazer isso com o vídeo, não é?
Já que estamos numa de criatividade, não é vinho canalizado, não são latas de atum, mas tem muro, como a Casa dos Segredos, e neste caso também tem uma advogada.
Algo vai mesmo mal no reino da Porcalhota. Estamos na serra de Carnaxide, na urbanização Sky City, onde está o ozilys da questão da contenda entre Oeiras e Amadora. Não vale a pena tapar o sol com a panela. Não se diga que isto se trata de uma questão pueril, de uma rotunda, de um portão, de um muro ilegal. Não. É mais grave do que isso. Ali em cima, na urbanização Marconi, foi concedido alvará de loteamento em território de Oeiras. Aquilo que define um líder é a forma como ele, com coragem, na defesa dos seus, se apresenta para resolver os problemas e assume as suas responsabilidades. A forma como o senhor presidente da Câmara da Amadora tem tratado este assunto é francamente vergonhosa e sofrível e tem impacto profundo em dezenas e dezenas de famílias do nosso concelho. Mas mais grave do que isso, tem impacto profundo na imagem que todos os outros concelhos do nosso país acabam por ter da nossa cidade. Senhor presidente da Câmara da Amadora, exorto enquanto líder da oposição, quando é que vai repor a legalidade? Indique a hora, indique o dia e vamos deixar-nos de conversas de chacha.
O drama ou o horror. Alguém conseguiu perceber quem era?
A Susana Garcia.
Susana Garcia. Inconfundível.
Inconfundível. Contudo, isto parece que há decisões que têm que ser tomadas. E se não sabem por onde começar, podem sempre fazer como ironiza João Maria Jaunet, recorrer ao ChatGPT. Até rima.
Sem prejuízo de votar a favor, como o ChatGPT disse no fim pra eu fazer, a verdade é que não deixa de ser importante a questão de quanto é que é o retorno.
Portanto, temos guerra, casa dos segredos, atum, muros e inteligência artificial. Pensávamos nós que o problema era o trânsito. E achávamos nós que o problema era o trânsito.