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Tanta novidade é até assustador.
Vê-se mesmo quando alguém vem de férias.
Isto é a minha casa.
A Maria João entrou numa casa que conhece muito bem há vários anos, só que toda a gente trocou os móveis de sítio. Então passas a vida a bater nos móveis com os mindinhos. É horrível.
É uma dor. Não se fala de outra coisa, vejam o nome desta nova rubrica. Ontem, ao fim da tarde, estavam em tudo que era rede social os humoristas Gilmário Vemba, Hugo Sousa, Murilo Couto, que este domingo foram impedidos de entrar em Maputo. Não sei se viram o vídeo também.
Não vi o vídeo. Só vi o título mesmo.
Eles vinham de Luanda, onde estiveram a atuar. Tinham um espetáculo agendado para às 17h, no Centro Cultural Moçambique-China, mas ficaram retidos no aeroporto da capital. O Observador, entretanto, sabe que os humoristas iam passar a noite a dormir nos bancos do aeroporto e que só devem apanhar um voo para sair do país esta manhã, às 9h. O argumento usado para não entrarem no país estará relacionado com os vistos. Eles teriam vistos de turismo, quando deveriam ter pedido um visto especial para serviços culturais.
Uau! Só países desenvolvidos têm essas coisas.
No vídeo que partilharam no Instagram por volta das 17h, em Portugal, os três contaram o que lhes aconteceu, anunciaram o cancelamento do espetáculo. O vídeo começou logo a circular, mas ainda houve quem pensasse que era piada, que eram eles a fazer mais um esquete.
Humoristas a ser humoristas.
Exatamente. Entretanto, nos comentários do vídeo, alguns fãs do humorista angolano, Gilmário Vemba, relacionam o caso ao recente apoio público a Venâncio Mondlane. Em janeiro, o Vemba partilhou uma fotografia do principal opositor do regime moçambicano e escreveu: "Espalhar a todos que conheço que este é o atual presidente de Moçambique, chama-se Venâncio Mondlane". E portanto, pode estar aqui relacionado. Começa a falar-se nisso. O humorista também surgiu em fotografias, em vídeos, ao lado do rosto da oposição, em julho, a divulgar a marca de roupa de Mondlane, portanto, muito recentemente. Entretanto, Mondlane, depois de saber que estavam retidos no aeroporto, já reagiu e no Facebook escreveu: "Gilmário, meu irmão, já estás batizado". Portanto, a política também aqui.
Alguma complexidade também, claro.
Entretanto, nas redes sociais dos humoristas, não houve mais nenhum vídeo, para além deste que está a circular em todo lado. Portanto, não sabemos se há algo.
Não há mais novidades.
Não houve mais novidades. Portanto, também não sabemos se houve aqui alguma espécie de contenção, porque eles não fazem mais vídeos. É estranho. Possivelmente passaram a noite. Estão só a descansar nos bancos do aeroporto.
E bem precisam. Aqui há um ponto ainda, que provavelmente ainda vamos falar disso esta manhã, que é: e a diplomacia portuguesa, o que está a fazer? Há o ministro dos Negócios Estrangeiros, há o presidente da República, que tem ótimas relações com Moçambique.
Pelo menos com este presidente. Aliás, tivemos uma entrevista com Venâncio Mondlane na última sexta-feira, em que ele se queixou.
Criticou a falta, dizemos assim, de equidade da presidência da República.
Mas este silêncio também é estranho. Fazem aquele vídeo e depois não publicarem mais nada, não sei. Provavelmente foram alertados para não o fazer. Só ver aqui outras questões relacionadas.
O que ainda faz escalar mais a questão. Mas o assunto promete.
O assunto promete. Isto parece que anda tudo ligado um bocadinho, porque o cancelamento do programa de Stephen Colbert também traz aqui muitas teorias da conspiração. Esta notícia não é de ontem, é da quinta-feira à noite, quando o Stephen Colbert anuncia o fim daquilo que é um talk show líder de audiências.
Anos e anos.
Anos e anos, 10 anos que ele apresentava este talk show. Foi o próprio que na última quinta-feira disse que o programa ia acabar em maio. E é o programa que acaba, não é como às vezes temos visto nestes programas que são marcas e que são mais importantes que o próprio apresentador, em que ele é substituído, não é isso que vai acontecer. Por que isto está a dar brado e por que cada dia que passa há alguém a acrescentar alguma coisa e tentar explicar por que o programa acaba? Porque o anúncio do fim do programa surge depois da Paramount, que é a dona da CBS, ter feito um acordo judicial com Donald Trump, que Colbert tinha criticado duramente três dias antes. Em causa, um processo aberto por Trump contra a CBS, por causa de uma entrevista à Kamala Harris, na altura da campanha para as eleições presidenciais. A Paramount aceitou pagar 16 milhões de dólares para sanar o conflito, mas mais do que isto, este acordo acontece quando a Paramount está à espera de saber de uma decisão da Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos, portanto, a ERC lá do sítio, para saber se aprova ou não uma fusão da Paramount com a Skydance Media, num negócio que pode criar um gigante ainda maior do entretenimento. Há mais um detalhe: o presidente deste organismo, que vai decidir sobre a fusão, foi nomeado por Donald Trump em janeiro deste ano. A CBS nega qualquer ligação ao caso, diz que só razões financeiras explicam o fim do programa, que não tem nada a ver com o conteúdo. E sabemos como Stephen Colbert tem sido muito crítico de Donald Trump. Claro, senadores democratas, muitas figuras do entretenimento estão nestes últimos dias a alimentar a tese de que o fim do programa é uma consequência direta da forma mordaz com que Colbert tem falado não só do presidente, mas dos próprios interesses da empresa que lhe paga o ordenado, na verdade. Último detalhe sobre este caso, um tweet de Donald Trump a dizer: "Simplesmente adorei que Colbert tenha sido despedido. O talento dele era ainda menor do que as suas audiências". Na verdade, as audiências do programa não são más, mas é normal que Trump não goste, é normal que Colbert critique.
Mas é isto. As audiências, é importante dizer, não são más. Toda a televisão está a perder audiências.
O que ainda torna mais estranha a decisão.
E agora temes que o mesmo aconteça a outros late night shows. Vamos ver.
Se a moda pega, não vai escapar Pedro Sobral Pedra, porque não há muitos humoristas que não sejam fortemente críticos. Enfim, isto não está fácil.
Daí, se cancelam. O que é que vais falar?
De reis e rainhas. Exato. Vamos falar de reis e rainhas, que é sempre uma coisa mais cor-de-rosa. Isto a propósito do plano de estudos da Infanta Sofia, filha do Rei Felipe VI e de Letizia Ortiz. Foi anunciado na quinta-feira, a Casa Real Espanhola confirmou, que ela vai começar em setembro a estudar Ciências Políticas e Relações Internacionais na Forward College. E que faculdade é esta? Que universidade é esta?
Que faculdade é essa?
Que faculdade é esta? Aqui seguimos, está muito em todo lado, mas seguimos a peça do Observador, da Sâmia Fiates, sobre o assunto. É um programa de estudos de três anos. O primeiro vai ser feito nas instalações da faculdade em Lisboa, daí também o interesse dos mídia portugueses por isto. O segundo ano vai ser em Paris e o terceiro em Berlim. Temos logo uma diferenciação em relação àquilo que é tradicional num plano de ensino superior. A irmã da Princesa Leonor vai assim tornar-se o primeiro elemento da família real espanhola que vai seguir um percurso universitário no estrangeiro e ainda por cima numa instituição pouco ortodoxa. Não é uma universidade clássica. Por exemplo, o pai, o Rei Felipe VI, estudou Direito na Universidade Autônoma de Madrid e só depois é que foi fazer o mestrado em Georgetown, nos Estados Unidos. E que instituição afinal é esta? Foi criada esta Forward College em 2021, novinha, quase. Entra-se lá quase ainda cheira a tinta. Foi criada por um conjunto de empresários e gestores, sobretudo de origem francesa. Apresenta-se como uma instituição que tem uma visão holística para a educação, privilegia não só o conhecimento e as habilidades de raciocínio, mas também entra em áreas sociais, emocionais, digitais, desporto e por aí fora. Nos materiais de divulgação, esta Forward College destaca como diferenciais as turmas pequenas, com até 15 alunos, as aulas que podem ser personalizadas e individuais, os programas que proporcionam experiências imersivas e multiculturais, em cada um dos três anos da faculdade são cursados em países diferentes. Tem licenciaturas de Economia, de Ciência Política, Relações Internacionais, Ciência de Dados, Psicologia e Administração. Estas áreas mais técnicas são desenvolvidas pela London School of Economics e pelo King's College de Londres, são credenciadas pela Universidade de Londres, portanto, há aqui um selo de garantia de qualidade naquilo que é a parte mais dura do curso. Quando entramos depois nas chamadas soft skills, entra a parte da Forward College.
Estás muito bem a falar em inglês. Estás de acordo.
Soft skills vocês conseguem entender o que é entendido.
É, mas acho que é difícil.
Não sei.
Depois não sei como é que se traduz.
Também não tenho um termo que não seja uma frase inteira em português para definir estas coisas todas. Os programas também podem incluir componentes de liderança, de empreendedorismo. É possível completar também em três anos o equivalente a duas licenciaturas. Isto para estudar simultaneamente em dois lados. Quanto é que isto custa? Perguntam vocês.
Quanto é que isto custa, Paulo?
Quanto é que isto custa? Os preços variam aqui entre os 18.500 e os 22.500 € por ano, mas a faculdade diz que estão disponíveis ajudas financeiras.
De certeza que a tua família vai precisar.
E bolsas para quem precisa. Não será o caso, obviamente, da família real espanhola, mas pode haver. Há casos desses.
E tem cantina? O que é que se come?
Se tem cantina.
Entretanto, o Ricardo Conceição está aqui a dizer-nos que a Infanta vai estudar no edifício onde nasceu o Observador. Nós não somos dessa altura.
No Bairro Alto.
Estive lá. Tu estiveste lá?
Estive lá, passei por lá.
Passaste por lá.
Eu estive lá.
Onde foi a redação original do Observador antes de se mudar aqui para Alvalade.
Isso é ótimo, porque é em pleno Bairro Alto, portanto, ela sai e tem todo mundo ali à noite.
Vai se perder.
Vai se perder na noite lisboeta do Bairro Alto.
Vamos ter muitas histórias para contar da princesa.
Eu acho que os pais não sabiam quando tomaram essa decisão, que ia ser em pleno Bairro Alto. Mas basicamente é esta abordagem, este Forward College. Só uma ideia, a primeira turma, em setembro de 2021, era composta por 28 estudantes vindos de 12 países diferentes europeus e escolhidos entre 450 candidatos que a escola diz ter recebido. É um ensino diferente, um ensino provavelmente muito mais virado para o século XXI do que as clássicas universidades e faculdades que nós conhecemos. Exatamente. As soft skills são garantidas.