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É hora de mais um Não Se Fala de Outra Coisa. E quem é que faz anos hoje? Quem é? Quem é? Paulo, quem é?

Quem é que faz anos hoje?

Sim. Sir. O Paulo a olhar para nós a pensar: "É uma delas."

Não, vocês não sabem.

Não, mas vão assim de sempre toda a gente.

Sim, evidente.

Sir. Sir. David Attenborough. 100 anos. 100 anos! Faz 100 anos. Aquela ideia de que ele sempre esteve na nossa vida, faz todo sentido.

É verdade. Uma geração, pelo menos. Ou duas.

Ou 100 anos.

Não sei se a geração aqui do Carlos, que já aqui está ao lado pronto para bater estoque.

Tu não te lembras? Sabes quem é o David Attenborough. Não. Ai, que medo! Sabes. Se o ouvisses, sabes.

Sim, vendo depois. Mas estão a ver, não é uma presença... Isto é do tempo da televisão linear, em que o malta ao fim de semana se sentava em frente ao televisor a ver tudo aquilo que os programadores nos davam.

Pois, mas é uma instituição.

É uma instituição, claro.

Do mundo.

Sim, absolutamente. Um dos grandes divulgadores.

Imagine-se, nasceu em 8 de maio, 1926. Pensem na história do mundo. O que era o mundo naquela altura. O que era o mundo que aconteceu.

Entre guerras.

Entre guerras. Nós estamos muito diferentes do que se vive hoje. Entre guerras. Sim.

E agora são permanentes.

Mas o resto mudou muito. Não vou aqui resumir 100 anos de vida de David Attenborough, mas ele tem pormenores deliciosos e que mostram muitas coisas.

Já agora, um parêntesis, é o grande divulgador britânico, grande divulgador da vida selvagem.

Se calhar é melhor contextualizar.

Apresentador da BBC.

O Carlos Pedro agora que dizia: "Ah, já estou a ver."

BBC, vida selvagem.

Aquele velhinho. Aquela voz. Ele, que sempre teve o interesse por fósseis, estudou geologia e zoologia. Em 1952, entra como estagiário para a BBC, sendo que tinha sido rejeitado numa primeira candidatura a uma vaga na rádio pública, como produtor. Não tinha passado. Mas depois, estagiário em 1952, dois anos depois estava a apresentar um programa, "Zoo Quest", que fez uma coisa inédita. Imagine-se que era misturar, combinar cenas de estúdio com imagens reais da vida selvagem. Era inédito na altura. A linguagem da televisão estava a nascer nessa altura e ele apresentou o programa, apesar de considerarem que tinha os dentes demasiado grandes, mas mesmo assim lá escapou. E o sucesso foi tão grande que os administradores da BBC perceberam que os programas da natureza tinham um potencial enorme, atraía audiências à escala global. O sucesso foi tal que pouco tempo depois, na década seguinte, em 65, assumiu o cargo de diretor da BBC Dois, um canal que foi criado exatamente para criar conteúdos mais culturais, educativos. Corre tão bem, quatro anos depois, passa a diretor de programação dos dois canais da BBC e é a ele que podemos agradecer também o nascimento dos Monty Python e do Flying Circus, o programa, o tiro de partida para fenômenos de comédia que inspiraram gerações. Em 69, portanto, será pouco depois, princípios de anos 70.

Corajoso.

Corajoso.

O tipo de humor nessa altura, arriscado. Ainda hoje.

Se calhar hoje ainda mais. Marcou, de facto, a capacidade de tornar ciência em histórias acessíveis, muito próximas. Temos uma personagem do Hermano José, uma caricatura de como funcionava, em que ele mergulhava na paisagem, não só como um observador da natureza, mas também com uma interação com animais. E há muitas imagens, e agora é muito fácil recuperar nas redes sociais muitas imagens em que ele interage com os gorilas do Ruanda.

Que vão ter com ele.

Que vão ter com ele, que mexem nele e que o tocam. Há milhares de interações nos animais. Hoje em dia, assume que acordou tarde para as alterações climáticas. Disse que era muito cético quando as primeiras pessoas começaram a falar sobre isso, mas agora sim, percebe que há uma emergência climática e, de resto, os últimos documentários dele passaram muito mais a refletir esse tipo de preocupação. Hoje em dia, já com 100 anos, diz que já reduziu o ritmo das viagens. Um dado muito curioso: ele fez milhares, milhões de quilómetros, viajou pelo menos por 94 países e não tem carta de condução. Hoje em dia continua a trabalhar no estúdio e tem uma frase lapidar, diz: "No dia em que eu deixar de conseguir subir e descer as escadas, é o dia em que paro." Ainda bem que ainda não parou e é muito bom para nós. Está a ser muito celebrado. Não pare. E o Carlos Pedro sabe quem é o David Attenborough. Sim, só pelo nome como sabes.

Agora já sei.

Tem uma voz inesquecível.

Sim, marcou de facto.

É uma marca. Uma referência.

Sem dúvida. E das pessoas mais simpáticas. Aquela ideia de simpatia.

Muito simpático. Agora, o avôzinho de todos nós.

O bisavôzinho.

O bisavôzinho.

Muito bem. Olhem, e dessa nota cheia de vida, vamos para uma nota cheia de morte. É que foi divulgada a suposta nota de suicídio de Jeffrey Epstein, em Nova Iorque, um juízo federal divulgou nesta semana, na quarta-feira, isto depois do New York Times ter noticiado que existia, de facto, aparentemente, uma notaDe despedida, a última nota de Jeffrey Epstein. Esse objeto permaneceu selado no tribunal de Nova York durante quase sete anos, desde a altura em que Epstein se terá suicidado, e estava arquivado no âmbito do processo criminal do antigo colega de cela do magnata e predador sexual que morreu em 2019. A notícia é de fato avançada pelo New York Times, que divulgou um bilhete escrito num pedaço de papel pautado, onde se lê: "Investigaram-me durante meses, não encontraram nada. É um privilégio poder escolher o momento certo para dizer adeus. O que queres que eu faça? Estou a chorar, a soluçar. Não tem graça, não vale a pena". Enfim, quem olhar para o documento percebe que é escrito à mão, naturalmente, desordenado.

Uma escrita até irregular, não é?

Uma escrita desordenada, irregular. Entre, depois, maiúsculas e minúsculas, também alguma confusão e com esta mensagem. E o companheiro de cela de Epstein, na altura disto, tinha descoberto, de fato, este bilhete em julho de 2019, depois de Epstein ter sido encontrado inconsciente, com uma tira de tecido enrolada à volta do pescoço. Neste caso concreto, o empresário magnata tinha sobrevivido a este incidente, mas depois foi encontrado morto semanas mais tarde, já a 10 de agosto. A morte foi classificada como suicídio. O bilhete terá sido encontrado dentro de um livro de banda desenhada. E o juiz agiu depois na última semana, o New York Times ter noticiado a existência desta alegada nota de suicídio, notando que ela permanecia escondida há quase sete anos. Foi só depois, de fato, dessa notícia, que o tribunal decidiu divulgar o documento, publicado agora no próprio New York Times. O jornal não confirma a autenticidade do bilhete. Isto é, neste momento, ninguém consegue confirmar isso, mas na nota há uma expressão que se repete no texto, que é "burst on crying", desatar a chorar, que Epstein utilizava também em e-mails vários previamente divulgados. E há outra expressão, que é o "no fun", não tem graça, que também era usada por Epstein em vários e-mails, bem como noutra nota separada que foi encontrada na sua cela na altura da sua morte. Portanto, há aqui indícios da utilização de expressões que eram comuns ao magnata e que podem indicar, de fato, que a nota será original. É mais uma peça no puzzle da morte de Epstein e no processo que continua a dar muito que falar.

E muito dado a teorias da conspiração.

Sim.