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É uma hora. As notícias com João Lourenço.

Muito boa noite. António José Seguro é o novo presidente da República. Venceu com 66,8% dos votos, contra 33% de André Ventura. Com um feito histórico, o candidato apoiado pelo PS tem a maior votação de sempre em eleições para o Palácio de Belém, 3.482.000 votos. Promete começar a trabalhar já esta segunda-feira, no discurso de vitória nas Caldas da Rainha, o novo chefe de Estado tentou criar pontes com o adversário vencido nas urnas, Vasco Maldonado Correia. Seguro quer usar um resultado histórico para garantir a estabilidade do país.

António José Seguro pediu legitimidade reforçada e recebeu uma vitória esmagadora, o maior número de votos na história da democracia portuguesa. Admite surpresa com a dimensão do resultado.

Pedi essa confiança reforçada. A certa altura, pensei que a poderia ter. Não desta grandeza.

Agora, eleito o novo presidente da República, traça o perfil que quer assumir em Belém.

Vivo sem amarras. A minha liberdade é a garantia da minha independência.

E já com uma diferença para Marcelo Rebelo de Sousa.

Não falarei por tudo e por nada, mas quando falar, será para defender o interesse público, garantir a independência nacional e assegurar as condições do exercício da nossa soberania.

Seguro não responde se vai entregar o cartão de militante do PS, mas promete distância de todos os partidos.

Reafirmo a natureza independente da minha ação, tratando por igual todos os partidos políticos e todos os parceiros sociais.

Inclusive, do Partido Socialista.

A vida do PS é com o líder do PS.

Derrotado nas urnas, André Ventura vai passar de adversário a interlocutor e o novo chefe de Estado já adotou o discurso para garantir uma boa relação com o líder da oposição.

Como futuro presidente da República, acrescento que a partir desta noite deixamos de ser adversários e temos agora o dever partilhado de trabalhar por um Portugal mais desenvolvido e mais justo.

Assume também o regresso da estabilidade como missão para o futuro imediato.

Abre-se um novo ciclo de três anos sem eleições nacionais. Não há desculpas. Portugal tem uma oportunidade única para que os partidos políticos, o Parlamento e o governo encontrem soluções duradouras para resolver os graves problemas que enfrentamos.

O novo presidente da República, que dedicou grande parte do discurso às vítimas do mau tempo, garantindo que vai exigir que sejam apuradas responsabilidades, conquistado o Palácio de Belém, garante que é hora de trabalhar.

Terminaram as perguntas todas? Muito bem. Hoje celebramos, amanhã trabalhamos.

Jornalista Vasco Maldonado Correia, que acompanhou o discurso de vitória de António José Seguro nas Caldas da Rainha, também esteve a acompanhar o candidato apoiado pelo PS nestas últimas duas semanas de campanha. O presidente eleito encontra-se já esta segunda-feira com Marcelo Rebelo de Sousa, às 16h, no Palácio de Belém. Toma posse no dia 9 de março, daqui a exatamente um mês. André Ventura puxa dos galões e usa a porcentagem que teve, 33%, para reclamar liderança à direita. Ficou atrás da Aliança Democrática de Luís Montenegro em número de votos, mas à frente em porcentagem. No discurso de derrota, Ventura preferiu olhar por outro prisma e reclamar a liderança do espaço político à direita, já apontar para o regresso ao combate com o primeiro-ministro, Miguel Vitor Bento.

Passavam seis minutos das primeiras projeções quando Pedro Pinto assumiu a derrota, mas horas depois André Ventura apresentou outra versão.

Superamos a porcentagem da Aliança Democrática nas últimas eleições legislativas. É justo dizer que não tendo vencido estas eleições presidenciais, é justo dizer que os portugueses nos colocaram no caminho para governar este país.

E por isso, a conclusão que procurou desde o início da campanha.

Lideramos a direita, vamos liderar a direita em Portugal.

Apesar de puxar dos galões, Ventura teve menos votos do que a AD de Luís Montenegro nas últimas legislativas, mas o candidato derrotado tinha já admitido, durante a campanha, que a vitória era estar na segunda volta.

Com uma vitória na primeira volta, todo o espaço não socialista em Portugal.

E numa campanha em que o fato de candidato presidencial se foi confundido com o de líder da oposição, André Ventura aproveita.

Os senhores é que disseram durante a campanha toda que eu era o líder da oposição. Portanto, se isso significa 33,2%, significa que eu sou o maior partido do país.

E com isso procura ganhar balanço para o regresso ao combate com Luís Montenegro.

Pode demorar mais mês ou pode demorar menos mês, mas sinto que este movimento é imparável e sinto que cedo ou tarde, Portugal vai mesmo mudar.

André Ventura a desfazer-se rapidamente da versão presidencial para voltar ao de líder da oposição.

Jornalista Miguel Vítor Dias, que esteve a acompanhar este último dia de noite eleitoral de André Ventura, e que também acompanhou o candidato apoiado pelo Chega nestas últimas duas semanas de campanha. O candidato apoiado pelo Chega ligou a António José Seguro dar os parabéns e a Marcelo Rebelo de Sousa para assinalar uma transição tranquila do poder. André Ventura, que conseguiu 1.700.000 votos, um recorde do próprio e também do partido Chega em número de votos. Mesmo assim, não ganhou em nenhum distrito e perdeu em conselhos onde conseguiu Câmaras nas últimas eleições autárquicas. E Marcelo Rebelo de Sousa felicitou António José Seguro, primeiro através de uma chamada telefónica e depois numa nota oficial no site da Presidência da República. O chefe de Estado, ainda em funções, vai receber António José Seguro, como já referi, esta segunda-feira, às 16h, no Palácio de Belém. Marcelo manifesta toda a disponibilidade para assegurar a transição institucional. O primeiro-ministro promete espírito de convergência com António José Seguro em prol dos portugueses. A cooperação vai ser nota dominante, promete assim o chefe de governo, que acredita que com o novo presidente vai ser fácil de cumprir

Estou certo, por aquilo que conheço do Dr. António José Seguro, que não será difícil estabelecermos uma relação de cooperação entre o Governo e a Presidência da República, obviamente, respeitando também as posições políticas que nós temos no Governo e que o Presidente da República eleito tem sobre as mais variadas matérias. Em muitas circunstâncias são coincidentes, são convergentes, noutras poderão não ser, pelo menos à partida, e caber-nos-á encontrar as plataformas de aproximar posições.

Luís Montenegro deixa ainda um recado a André Ventura, garante que nada mudou com esta eleição. A liderança governativa do país é da Aliança Democrática.

A liderança do governo do país é do atual primeiro-ministro e da força política, a Aliança Democrática, que concorreu às duas últimas eleições e que as venceu de forma inequívoca. Nada disso esteve em apreciação nestas eleições presidenciais. Aqueles que quiserem fazer leituras políticas disso, poderão fazê-lo. Não é o nosso caso. Aquilo que compete ao governo fazer é executar o seu programa.

O primeiro-ministro Luís Montenegro foi ainda questionado pela viabilidade do pacote laboral proposto pelo governo. António José Seguro mostrou reservas e o primeiro-ministro espera que as diferenças possam ser ultrapassadas. Também o secretário-geral do Partido Socialista reagiu a este resultado eleitoral. José Luís Carneiro diz que venceu a esperança, a liberdade e os direitos e garantias de todos os cidadãos. Antes de partir para as Caldas da Rainha, onde parabenizou António José Seguro, José Luís Carneiro lembrou que o resultado destas eleições representa a vitória dos valores da Constituição.

A vitória de António José Seguro é a vitória da esperança sobre o ressentimento, é a vitória das liberdades, a vitória dos direitos e das garantias de todas e de todos os cidadãos. É a vitória dos valores da nossa Constituição. A democracia, hoje e mais uma vez, venceu. É a vitória de um socialista de sempre, mas é, sobretudo, a vitória de um presidente de todos e para todos. Do presidente, que como Mário Soares, Jorge Sampaio, será o presidente de todos os portugueses.

José Luís Carneiro aproveitou esta declaração para deixar uma mensagem ao governo da Aliança Democrática. Espera que o executivo mude de atitude.

O governo tem sobre si uma grande responsabilidade. Só não responderá aos problemas dos portugueses, se continuar a insistir na insensibilidade, na arrogância e no distanciamento. O PS esteve ontem como hoje, sempre disponível para servir o país e construir os consensos políticos de que o novo eleito presidente da República tanto defendeu durante a sua campanha eleitoral.

Secretário-geral do PS, em declarações na sede do partido, no Largo do Rato, em Lisboa. Ainda vamos a outras reações pela Europa a este resultado eleitoral. António Costa felicita António José Seguro por este triunfo. Na rede social X, o presidente do Conselho Europeu afirma que o povo português demonstrou o compromisso com a democracia e com o humanismo. Já Ursula von der Leyen deixa um elogio em particular aos portugueses. A presidente da Comissão Europeia diz que, mesmo numa altura difícil para o país, mostraram uma notável resiliência democrática. Na mesma linha, aparece Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, a enaltecer a experiência e empenho no projeto comum de António José Seguro. Acrescenta ainda que Portugal pode continuar a contar com a Europa. A Proteção Civil alerta para o aumento dos caudais dos rios e deslizamentos de terras nas próximas horas. É que na próxima terça-feira espera-se chuva intensa, sobretudo no norte do país. Num briefing, no final desta tarde de domingo, o comandante Mário Silvestre alerta que o risco para as populações mantém-se.

A situação continua bastante crítica, com todas as albufeiras nos seus níveis máximos de armazenamento e, portanto, estas condições meteorológicas para o final do dia de hoje, madrugada de segunda-feira e para dia 10, terça-feira, onde está previsto mais um episódio meteorológico que poderá ter alguma severidade, continuam a ser críticas e a manter-nos todos em profunda situação de alerta.

Aqui o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, mais um briefing na sede nacional da Autoridade Nacional e Proteção Civil, em Carnaxide. Ainda uma derrocada junto ao Tribunal de Torres Novas obrigou, esta noite, à evacuação do edifício e de três habitações próximas. De acordo com a autarquia, não houve vítimas nem danos em casas. Santarém reabre já esta segunda-feira todas as escolas do Conselho e, em sentido contrário, as escolas de Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço têm já esta segunda-feira as portas fechadas, ainda por falta d'água. Ainda dar conta que este domingo houve a queda de uma ponte na Chamusca, devido ao mau tempo. Segundo os bombeiros sapadores da Chamusca, não houve nenhuma vítima. Ainda vamos ao desporto. O Benfica venceu esta noite o Alverca por 2 x 1, no Estádio da Luz, uma partida a contar para a jornada número 21 deste campeonato. Anísio Cabral, o jovem avançado de 17 anos, foi o herói da partida. Marcou o gol que deu a vitória encarnada ao minuto 86, num jogo em que esteve empatado a um bola desde o minuto 30. O Benfica marcou primeiro por Scheldrup. O Alverca ainda igualou o resultado por o gol de Figueiredo. Depois, Anísio Cabral fez esse gol da vitória. Na reação ao resultado, José Mourinho diz que até ao último minuto é sempre possível vencer.

Acho que é a junção da cultura Benfica com a minha própria cultura. Até ao fim vamos, até ser matematicamente possível, vamos. Até haver algum segundo de jogo, vamos. E obviamente mérito para os jogadores. O Alverca perdeu, mas eu não consigo não deixar de lhes dar os parabéns. Não fizeram antijogo.

Já o técnico do Alverca, Custódio Castro, diz que foi um bom jogo, principalmente no primeiro tempo.

Com o clássico, nós sabíamos que o Benfica não poderia perder pontos com isso e nós queríamos muito jogar com essa parte mental, emocional do jogo também. Agora, acho que acaba por ser uma primeira parte dividida, em que conseguimos ter bons momentos com a bola, a nossa saída, bem organizados, pareceu-me quase todo o jogo defensivamente. Naturalmente, na segunda parte, um ascendente do Benfica. Penso que aquilo que era a imagem de sermos competitivos, tentar lutar pelos pontos aqui, acho que poderíamos ter saído com o empate. É um facto.

Aqui as declarações de Custódio Castro. O Benfica não perde pontos nesta jornada, mantém a terceira posição com 49 pontos e vai ficar a olhar para essa partida, que pode dissipar muitas dúvidas nesta continuidade do campeonato, esse clássico no Estádio do Dragão, entre o Futebol Clube do Porto e o Sporting, 20h45, amanhã, com relato e comentário aqui na Rádio Observador. E não terminamos este noticiário sem olhar para o estado da Califórnia. Decorre esta noite, no Levi's Stadium, em Santa Clara, esse Super Bowl entre os Seattle Seahawks e os New England Patriots. Neste momento, a equipa de Seattle vence por 9x0. No entanto, deve estar por momentos essa atuação do vencedor de seis Grammys, Bad Bunny, um espetáculo de intervalo já característico desta final da NFL. No entanto, vamos ouvir um pouco daquilo que foi o início desta festa de um dos jogos mais televisionados do planeta. O início do jogo com a atuação dos Green Day. Foi com os Green Day que este espetáculo de Super Bowl começou e neste momento está em tempo de intervalo. Aguarda-se a qualquer momento a chegada de Bad Bunny para esse espetáculo de intervalo. O jogo que, mais uma vez, está em meio tempo com a vantagem para os Seahawks por 9x0. Da minha parte é tudo. Regresso dentro de 15 minutos para a síntese informativa. Até lá, continue com a Rádio Observador.