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É uma hora. As notícias com Ricardo Lopes.

Começamos a olhar para a situação em Ceuta. Marrocos diz ter alertado Espanha sobre a sentença do Supremo Tribunal Espanhol, que recentemente decidiu que, em Espanha, não se pode aplicar recusa na fronteira a migrantes interceptados no mar. O governo marroquino garantiu esta segunda-feira que avisou o Executivo espanhol dias antes desta crise migratória que levou mais de 60 mil pessoas a entrar a nado em Ceuta. O Ministério dos Negócios Estrangeiros marroquinos sublinha que esta recente decisão do Tribunal Supremo Espanhol enfraquece a cooperação bilateral na gestão migratória e garante que essa é uma responsabilidade partilhada dos dois países. Esta legislação é também apontada por Marrocos como uma possível explicação para o fluxo migratório da semana passada. Entretanto, quatro dias depois desta crise migratória, a cidade de Ceuta procura regressar à normalidade, numa altura em que o governo espanhol garante que praticamente todos os migrantes já foram repatriados para Marrocos. Os enviados especiais do "Observador", João Porfírio e Inês André Figueiredo, estão na cidade espanhola, admitem que o pior cenário aparenta já ter ficado para trás. Ainda assim, cerca de 3 a 5 mil migrantes estão ainda na cidade de Ceuta. As autoridades mantêm o esforço de encaminhar os migrantes para a fronteira de volta a Marrocos, como relata aqui a jornalista Inês André Figueiredo.

O cenário mais complicado já passou. Quase todos os migrantes que entraram em Ceuta já saíram pela fronteira terrestre de volta a Marrocos, mas os que sobram são os mais resistentes. Continua a haver tentativas das autoridades espanholas de encaminhar estas pessoas para a fronteira de Marrocos. Há uma presença muito forte, tanto do exército como da polícia na cidade e, no fundo, uma tentativa de não facilitar a vida a quem quer ficar.

Aumenta também, entretanto, a necessidade de apoio alimentar. Há dois pontos na cidade para distribuir refeições.

O jornal espanhol "El País" avançava hoje que vão ser preparadas duas instalações na cidade para começar a apoiar estas pessoas, que, como disse, em termos oficiais, ainda não foram ajudadas. Ninguém, o governo, a cidade, deu comida a estas pessoas. A única exceção foi a água dada pelo exército espanhol e é por isso que neste momento também estamos numa organização não governamental. E o que nos disseram foi que já têm conseguido distribuir entre 2500 a 3000 refeições por dia, todas a migrantes que chegaram já durante esta crise migratória que começou a semana passada.

O testemunho da jornalista Inês André Figueiredo, enviada especial em Ceuta, juntamente com o fotojornalista João Porfírio. Noutro tema, Donald Trump diz que não vai permitir que o Irão cobre taxas pela travessia do Estreito de Ormuz. Questionado sobre se o Irão estaria disposto a regressar à navegação totalmente livre, o presidente dos Estados Unidos insiste que a passagem de navios tem de ser feita sem qualquer tipo de pagamento ao Irão e que nenhum outro cenário está neste momento em cima da mesa. Em declarações citadas pela Al Jazeera, Trump deixa ainda a garantia de que se alguém vier a lucrar com a passagem, vão ser os Estados Unidos. Num dia em que Donald Trump voltou a fazer um ultimato ao Irão, o presidente dos Estados Unidos avisa que esta é a última oportunidade dos iranianos para assinarem um bom documento de acordo. Donald Trump voltou a afirmar que estão em curso negociações com o Irão, assegura que esses contactos decorrem a pedido de Teerão. Na análise, o especialista em política norte-americana, Nuno Gouveia, diz que Donald Trump está a perder credibilidade. Nuno Gouveia aponta as posições contraditórias do presidente norte-americano, fala numa posição mais frágil de Trump, que procura terminar o conflito sem saber como o fazer.

E Donald Trump tem a necessidade e tem tido a necessidade de terminar este conflito, no fundo, num formato positivo para os Estados Unidos, mas não tem encontrado meios. E é evidente que estas ameaças que ele profere e que depois recua, no fundo, se têm fragilizado o seu caso, mas também demonstram que Donald Trump e os Estados Unidos não têm, neste momento, uma saída fácil para este conflito. E mais do que isso, que no fundo, estamos num impasse.

Nuno Gouveia defende que neste momento os Estados Unidos não têm forma de colocar um ponto final nesta guerra. Já sobre o Irão, diz que o regime de Teerão aparenta estar confortável, apesar das dificuldades, e tem um objetivo bem definido.

Neste momento, sente-se relativamente confortável porque percebe que Donald Trump não tem uma solução fácil para o conflito e, portanto, tenta estender ao máximo esta situação de impasse para, no fundo, no final deste conflito, ganhar algo. E o que me parece claramente que é o objetivo do Irão, é o controle do estreito de Ormuz e é esse o principal motivo deste impasse que estamos a assistir.

As explicações de Nuno Gouveia no gabinete de guerra desta noite. Na atualidade nacional, a Procuradoria Europeia está a averiguar os contratos celebrados pela Polícia Judiciária para remodelações e empreitadas durante a liderança de Luís Neves. Em causa estão os contratos que a Polícia Judiciária estabeleceu com a Constrobarcelos, a mesma empresa responsável pelas obras na casa do antigo diretor nacional da PJ, atual ministro da Administração Interna. A notícia foi avançada esta noite pela CNN Portugal, que refere que a Procuradoria Europeia iniciou um processo de verificação. Esta ação judicial surge após a abertura de um inquérito pelo Ministério Público Português ao caso do aterrado de droga apreendido, que foi encontrado nas instalações da empresa Constrobarcelos. Tanto o atual diretor da Judiciária, Carlos Cabreiro, como a Procuradoria Europeia recusaram comentar esta investigação. Já o ministro da Administração Interna reagiu a estes desenvolvimentos. Luís Neves saúda a investigação e garante que está inteiramente disponível para colaborar com as autoridades e prestar todos os esclarecimentos solicitados. O Presidente da República promulgou a criação da carreira de médico dentista no Serviço Nacional de Saúde. Acontece 40 anos depois da primeira proposta apresentada na Assembleia da República para juntar a saúde oral aos serviços do SNS. É o que dá conta o presidente da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão. O diploma prevê agora que os dentistas passem a estar integrados nos serviços de saúde oral das Unidades Locais de Saúde já dentro de três meses. E apesar da espera de 40 anos, Miguel Pavão, em conversa com a Rádio Observador, diz estar confiante que o governo cumpra o prazo de forma célere, até porque esta medida foi aprovada no Parlamento com unanimidade.

Esta é uma luta muito antiga. Só para termos uma noção, a primeira proposta da carreira do médico dentista no Serviço Nacional de Saúde data exatamente de julho de 1986, há 40 anos. Não é por este atraso de muitos anos para vigorar agora num decreto-lei, que significa que não venha a ser implementado no mais breve curto prazo possível, porque o próprio diploma estipula que o governo terá 90 dias para operacionalizar aquilo que foi aprovado de forma unânime pela Assembleia da República.

O presidente da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, que deixa um aviso para que o governo tenha em conta o preço político a pagar se não cumprir este prazo de três meses.

Estamos com uma expectativa muito elevada, que realmente um governo, que é um governo que executa, execute desta vez também esta criação da carreira do ponto de vista da sua operação, que a implemente. Por isso, caso não venha a ser feito, eu julgo que deve ser feito um apuro político e também de chamar à responsabilidade. Obviamente, não há sanções sobre não ser cumprido este prazo, mas há, sob o meu ponto de vista, sempre um preço político a pagar.

É o aviso deixado ao governo do presidente da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão. No futebol, Maxi Araújo renovou contrato com o Sporting até 2030. O anúncio foi feito ao início desta noite pelo clube de Alvalade. No novo contrato, Maxi Araújo assegura um aumento salarial, sendo que a cláusula de rescisão se mantém nos 80 milhões de euros. Maxi Araújo esteve em destaque na última época com sete gols e cinco assistências pelo conjunto de Rui Borges e recentemente também no Campeonato do Mundo ao serviço da seleção do Uruguai. Terminamos assim este jornal da 1:00 da manhã. A informação regressa à antena da Rádio Observador em formato de síntese à 1:30. Até lá.