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Jornal da meia-noite com a Laura Figueiredo e começamos com o incêndio em Ponte da Barca. O fogo está cada vez mais perto de várias aldeias. Cerca de 150 habitantes estão a ser retirados de casa.

De acordo com o autarca de Ponte da Barca, os habitantes de Igreja, Britelo, Sobredo, Germil e Lourido estão a ser concentrados nos pontos da Aldeia Segura, definidos para cada uma das localidades, para serem transferidos para o Centro de Escolas de Entre Ambos os Rios. O autarca Augusto Marinho explica que a frente de fogo é muito grande e está a encaminhar-se com muita violência para alguns pontos. À Rádio Observador, João Pereira, habitante de Germil, relata que não há bombeiros no local.

Neste momento o incêndio tem a frente de fogo a aproximar-se do aglomerado populacional. Bombeiros até ao momento não está cá ninguém e nós dentro do que podemos vamos tentar impedir que chegue mesmo às casas. Está a GNR aqui a tentar convencer as pessoas para saírem de casa. As pessoas estão revoltadas, não querem sair. Não sei o que vão fazer. Eu, pela minha parte, nem vou intervir, porque também não concordo muito que as pessoas deixem as suas casas sem um bombeiro aqui, sem coisa nenhuma e vão para a 10 km daqui. Eu vou ficar por aqui. Quem vai defender a nossa aldeia? Eu e mais pessoas.

O testemunho de João Pereira, habitante de Germil, uma das aldeias que está a ser evacuada em Ponte da Barca.

E Laura, o incêndio de Ponte da Barca já chegou também ao Conselho de Terras de Bouro.

Precisamente, e está já a cerca de 20 metros de habitações na freguesia de Bruvo, com os bombeiros a fazerem uma linha de água para tentarem proteger pessoas e bens. É o que adianta o presidente da Câmara. Em declarações à Lusa, Manuel Tivo estima que, ao todo, estejam em risco cerca de 70 habitações, contando com as de residentes, mas também com as de turismo rural e de imigrantes. O que espera agora o autarca é que os ventos ajudem esta noite ao trabalho dos 60 bombeiros que estão a combater as chamas. O autarca deixa também um apelo à Proteção Civil para que na próxima madrugada reforce os meios para o combate a este incêndio.

Já em Arouca, a autarquia diz que a situação está estabilizada e sem desenvolvimentos que suscitem maior preocupação.

A informação é divulgada pela Câmara Municipal do Conselho, que cita informações da Proteção Civil. A autarquia adianta que, embora se tenham verificado vários reacendimentos, estes têm sido prontamente combatidos. Ainda assim, a Câmara apela que as pessoas mantenham uma atitude vigilante e para que não adotem qualquer comportamento de risco. A esta hora, no local, estão cerca de 650 bombeiros a combater os vários pontos de fogo em Arouca.

E Laura, damos conta de mais dois incêndios que preocupam as autoridades.

O fogo em Capela, em Penafiel, continua com várias frentes ativas, uma delas que está a oferecer maior resistência aos esforços dos bombeiros. À Rádio Observador, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Melres, Joel Castro, explica que os difíceis acessos estão a dificultar o combate às chamas.

De momento, o incêndio tem três frentes ativas, duas delas a ceder aos meios e uma a arder com bastante intensidade. Temos 200 operacionais e 55 veículos.

Há alguma situação a dificultar o combate ao incêndio neste momento?

Não. Nós temos as duas frentes a ceder aos meios. A terceira frente está a arder com alguma intensidade, derivada à dificuldade dos acessos e à alta vegetação.

Declarações de Joel Castro, comandante dos Bombeiros Voluntários de Melres, em declarações à Rádio Observador. Quanto ao incêndio em Paredes, está a esta hora ainda a ser combatido por mais de 250 bombeiros.

E com mais de 50 fogos ativos em Portugal, a GNR atualizou há pouco as informações relativas a estradas cortadas.

De acordo com o comunicado da GNR, há quatro estradas interditas ao trânsito. Três ficam no distrito do Porto. A A41 está cortada nos dois sentidos na saída para Aguiar de Sousa. Já a Nacional 209 está cortada em ambos os sentidos entre São Pedro da Cova e Aguiar de Sousa. Também a Nacional 309.2, cortada nos dois sentidos entre Ricarão e Aguiar de Sousa. Mais a sul, no distrito de Portalegre, a Estrada Nacional 18 está cortada em ambos os sentidos entre Vila Velha de Ródão e Nisa.

André Ventura acusa o governo de manter um desinvestimento gritante na prevenção dos incêndios.

À margem da apresentação dos candidatos autárquicos do partido em Santarém, o presidente do Chega defendeu a aprovação urgente de uma legislação que exija a prisão preventiva aos alegados incendiários. Ventura aponta para um desinvestimento de mais de 60 milhões de euros em matéria de prevenção dos incêndios e diz que é uma tendência que vem já do governo de António Costa e que se mantém no Executivo de Luís Montenegro.

Eu não estou a gostar, francamente, de ver a ação do governo nesta matéria. Isso não tem que ver diretamente com o primeiro-ministro, mas tem que ver com o senhor ministro da Administração Interna, por quem até tenho algum apreço, pela forma como o governo está a lidar com a questão dos incêndios. Não só com uma falta de meios gritante que continuamos a ter, mas com a necessidade que eu vejo, que é urgente, de aprovarmos legislação que garanta que os incendiários ficam presos e que não estão em liberdade nestes dias em que está muito calor e em que o território está absolutamente vulnerável a incêndios.

O líder do Chega apela ainda à consciência dos tribunais para que os suspeitos de fogo posto não fiquem em liberdade.

E Laura, o secretário-geral socialista deixa um recado ao governo. Se quer diálogo com o PS, é com o PS que deve falar.

José Luís Carneiro e Luís Montenegro estiveram hoje reunidos em São Bento a pedido do líder socialista. Em declarações no final do encontro, o líder do PS considerou ter tido uma conversa construtiva com o primeiro-ministro e promete também mais reuniões em setembro.

O Partido Socialista Porque pela minha voz, de secretário-geral, está a transmitir-vos o que eu transmiti ao senhor primeiro-ministro. Se quer dialogar com o PS, o diálogo tem de ser feito com o PS. Em segundo lugar, o PS não é um qualquer partido, é o partido que, de clandestinidade, conquistou as liberdades, os direitos e as garantias fundamentais. Sobre aquilo que o senhor primeiro-ministro me transmitiu, deve ser ele a dizê-lo, porque não devo ser eu a substituir-me às palavras do senhor primeiro-ministro.

O secretário-geral socialista revela ainda que o PS entregou uma proposta detalhada ao governo para resolver os problemas no setor da habitação.

Apresentámos uma proposta e dissemos ao primeiro-ministro como é que entendíamos que era importante resolver e como pode ser resolvida a emergência a partir da Bolsa de Emergência Habitacional do país. Já há legislação própria, é preciso financiar para responder a situações de emergência, como aquelas que podemos verificar na área metropolitana de Lisboa. Há soluções que permitem colocar habitações modulares para responder, até mais estruturalmente, a alguns dos problemas de habitação. E depois, a importância de lançar um programa de habitação a custos controlados.

Quanto à Lei da Nacionalidade, José Luís Carneiro diz que há condições para diálogo com o Executivo. Resta apenas saber em que termos.

E a fechar este jornal, Laura, que outros temas marcam a atualidade?

O atirador que matou quatro pessoas num ataque num arranha-céus em Nova Iorque, na passada segunda-feira, comprou a arma ao patrão num casino em Las Vegas por mais de mil dólares. A informação é avançada pela polícia de Nova Iorque, numa conferência de imprensa esta tarde. As autoridades adiantam também que encontraram medicação antipsicótica no apartamento do atirador. E o Canadá pretende reconhecer o Estado da Palestina na Assembleia Geral da ONU em setembro. Uma informação avançada pela Reuters, que cita o primeiro-ministro canadiano. A intenção do Canadá está baseada no comprometimento da autoridade palestiniana em promover reformas, incluindo no governo, e também na promessa de ir a eleições no próximo ano, eleições nas quais o Hamas não poderá participar. O primeiro-ministro canadiano diz ainda que o país condena o facto de o governo israelita ter permitido uma catástrofe em Gaza. Donald Trump decidiu impor uma penalização às tarifas de 25% aplicadas à Índia por o país comprar armas e receber fornecimento energético da Rússia. Numa publicação na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos escreve que a Índia vai, portanto, pagar uma tarifa de 25%, mais uma multa pelo acima referido, a partir já de dia 1 de agosto.

Laura Figueiredo, com o Jornal da Meia-Noite.