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Jornal da Meia-Noite, edição da jornalista Laura Figueiredo e começamos com António José Seguro, que faz das eleições presidenciais uma batalha com André Ventura, o candidato presidencial. Quer vencer os extremismos e diz, pela primeira vez, que quer ser o mais votado na primeira volta das eleições presidenciais.

Uma ideia sublinhada no dia em que a sondagem da Católica para a RTP, para o jornal Público, coloca Seguro apenas um ponto percentual atrás de André Ventura. O candidato a Belém, apoiado pelo Partido Socialista, tem ensaiado vários apelos ao voto durante a campanha eleitoral, mas agora, pela primeira vez, diz que quer ultrapassar Ventura e ficar em primeiro lugar na primeira volta. Uma fasquia João Gama colocada ao som de uma canção.

Diz que os astros parecem que estão a alinhar. Vamos a isso. Corpos não são matéria. Desumentalizado.

Embalado pela música e pelo apoio de Agir, e também por sondagens favoráveis, António José Seguro lembra a herança do 25 de Abril e dá o tudo por tudo para ficar à frente de André Ventura.

Mas não chega passar à segunda volta. E aqui sou muito exigente. Nós temos que passar à segunda volta em primeiro lugar, porque não podemos permitir que passado 50 anos sobre o 25 de Abril, o candidato do extremismo e do radicalismo, que insiste em nos dividir e pôr português contra português, possa passar em primeiro lugar nesta eleição.

Um apelo que faz não só à esquerda, nem só à direita, mas em nome da democracia.

Este é um dever não apenas de um campo político, da esquerda ou do centro-esquerda. É um dever de todos os que querem continuar a viver em democracia, em liberdade, onde avançamos todos.

As sondagens animam, mas servem também de aviso. Seguro quer iluminar o caminho que aí vem.

É claro que as sondagens animam-nos, mas hoje saiu uma sondagem em que nos dá, embora pertinho, em segundo lugar.

E mesmo admite Seguro que a sua candidatura não seja a primeira escolha para muitos, é nesta altura a única. E lembra que está fora da influência do Partido Socialista.

Depois de Mário Soares, de Jorge Sampaio, de Manuel Alegre, e eu, num escalão obviamente diferente, não me ponho ao mesmo nível, mas foi muito bom receber esse apoio do Partido Socialista. Ele não contamina esta candidatura.

Ao décimo dia de campanha, Seguro sobe a fasquia. Quer ser o candidato mais votado e já na primeira volta.

Um trabalho do jornalista João Gama com a nova meta de Seguro. No Barreiro, o candidato a Belém admite que quer chegar à segunda volta, mas agora como o candidato mais votado.

E João Cotrim de Figueiredo considera que Marques Mendes já está fora da segunda volta e apela ao voto útil dos eleitores da AD para evitar que Seguro e Ventura fiquem nos dois primeiros lugares no dia 18 de janeiro.

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal fez esta noite um jantar-comício onde lançou farpas aos adversários, em destaque a Marques Mendes e utilizando um lema bem conhecido na direita portuguesa. Miguel Gato.

Galvanizado pelo resultado nas sondagens, João Cotrim de Figueiredo não tem dúvidas.

Marques Mendes já está fora da corrida. E com Marques Mendes sem qualquer hipótese, a nossa candidatura é a única alternativa para mudar Portugal.

Cotrim apela aos eleitores da AD para que capitalizem os votos na candidatura que lidera e explica o porquê.

Para quem não quer Ventura ou Seguro como presidente da República, só pode votar nesta candidatura. Um voto em Marques Mendes ou em José Manuel Melo já não conta, porque não tem a hipótese de chegar à segunda volta. Um voto a André Ventura garante que António José Seguro, do Partido Socialista, é eleito.

Com o embalo das críticas, o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal deixa ainda um conselho aos adversários.

Sabemos que há muita gente desesperada a tentar suster um voto que, na verdade, não lhe pertence, que já lhe escapou, mas não vale tudo. Se estão desesperados, trabalhem melhor.

E Cotrim de Figueiredo está tão confiante numa passagem à segunda volta que até já faz apelos ao voto útil.

É útil porque é ambicioso. É útil porque traz mudança. É útil porque incomoda os interesses instalados. É útil porque coloca Portugal à frente.

Portugal à frente tem sido um dos lemas da campanha presidencial de Cotrim de Figueiredo, coincide com o nome da coligação liderada por Pedro Passos Coelho em 2015. Mas coincidência dizem que há poucas, e com a ajuda dos eleitores do PSD e do CDS, Cotrim já só pensa no cenário no próximo domingo.

Vamos fazer história juntos? Vemo-nos na segunda volta.

Jornalista Miguel Gato, a partir de Coimbra. Campanha de Cotrim de Figueiredo contou esta noite com o apoio de mais um nome do PSD, Nuno Freitas, antigo deputado social-democrata.

André Ventura avisa Cotrim de Figueiredo que o país não pode ser liderado por quem não está bem da cabeça.

O ataque depois de Cotrim ter dito que não sabe o que é que lhe passou pela cabeça para admitir apoiar Ventura na segunda volta. Em Guimarães, o candidato apoiado pelo Chega discursou para apontar problemas no país, pedir mobilização para dia 18 e fazer mira ao candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. Um discurso que foi acompanhado pelo repórter Miguel Cordeiro em frente ao castelo.

Nada melhor do que começar em Guimarães os últimos dias para a grande vitória eleitoral do próximo domingo. Vamos vencer a primeira volta.

Confiante na vitória, André Ventura diz que vai vencer, mas avisa que ainda não ganhou.

Tal como vos dizia no passado, não se deixem condicionar por más sondagens, agora não se deixem condicionar pelas boas. Nada está ganho até ganharmos.

Perante cerca de uma centena de apoiantes que agitaram bandeiras entre chuva miudinha, Ventura falou de vários problemas. O SNS à cabeça.

A saúde em Portugal está lamentável, está de cacos.

Os que saíram também estão na lista.

O meu mandato não vai estar completo

Enquanto eu não for buscar todos os que tiveram que sair deste país, porque este país lhes virou as costas.

E ainda há espaço para símbolos.

Ninguém manda abaixo estas muralhas, elas são a nossa nacionalidade, elas são a força de um país inteiro.

Perante os problemas, sem apresentar soluções concretas, Ventura pergunta:

Onde é que estamos a ser radicais? Não estamos. O país é que precisa que alguém com radicalismo de convicções venha a estar à frente dele.

O candidato apoiado pelo Chega, quer os problemas na campanha. E por isso repete que não quer atacar os adversários, mas ataca.

João, se não está bom da cabeça, este país não é para quem não está bom da cabeça.

Entre risos na plateia, também ataca os discursos da campanha de Seguro.

Não se trata de romper com a Constituição, embora em muita parte merecesse. Isto é romper com a corrupção, que é uma coisa diferente.

Ataque moderado de André Ventura, num discurso de 15 minutos, que culminou, mais uma vez, na vontade de abanar o país.

Porque este país precisa de uma mudança e de um abanão, o maior desde o 25 de abril de 74.

André Ventura, num comício em Guimarães, que foi acompanhado pelo jornalista Miguel Cordeiro.

Seguimos com as notícias, com a nova sondagem que o coloca fora da segunda volta, a candidatura de Marques Mendes insiste em Cotrim de Figueiredo e no apelo ao voto útil.

Ancião Marques Mendes continua a criticar o candidato liberal, avisa que se o querem ver em Belém, não podem desperdiçar o voto na primeira volta. Pouco antes de ser conhecida a sondagem, candidatura atirou aos estudos da opinião e pede concentração de votos. Miguel Vitor Dias.

O guião está definido e vai tendo apenas ligeiras alterações. O ataque é a Cotrim de Figueiredo e aos votos que podem voltar ao bolso de Marques Mendes.

Imagine-se uma crise política. Imagine-se um conflito do governo com o Parlamento por causa do orçamento. Imagine-se um veto político numa lei muito sensível e muito delicada. E agora imagine-se ter na Presidência da República, nesses momentos, alguém que não sabe onde é que tem a cabeça.

E por isso aproveita um dos poucos dados positivos das sondagens.

Não pode haver aqueles que dizem: "Não, eu quero o Marques Mendes na segunda volta, mas na primeira vou fazer aqui uma experiência". Não.

Marques Mendes a avisar os que o colocam como futuro presidente, que o voto útil tem que existir logo na primeira volta. E a poucas horas de ser conhecido um novo estudo de opinião em que Marques Mendes continua em quinto lugar, o dirigente do PSD, Luís Campos Ferreira, deixa um aviso.

Quem desceu duas décimas, quem subiu dois pontos, é a novela das sondagens. Mas é assim que nós queremos eleger um presidente da República?

E sugerindo que a divulgação de sondagens durante a campanha deve ser proibida, contra-ataca.

Não faz uma campanha a mostrar a sua destreza física, não faz uma campanha a mostrar os seus dotes de beleza, porque nós não estamos numa campanha para Mister Mundo, para os Jogos Olímpicos.

Num final de tarde em Ancião, em que também esteve o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, novo toque de rebate aos que deram vitórias recentes à AD.

Aquele eleitorado moderado, não socialista, aquele eleitorado que está no centro-direita, de alguns, perdoem-me a expressão, cantos de sereia. Mas isso tem um risco enorme.

Joaquim Miranda Sarmento, o sexto ministro a discursar em comícios de Luís Marques Mendes.

Miguel Vitor Dias com os destaques do comício em Ancião, no distrito de Leiria. Esta quarta-feira o dia começa em Arcos de Valdevez.

E pela primeira vez na campanha, Gouveia e Melo evoca Ramalho Eanes, aí aumenta a pressão no governo sobre o Ministério da Saúde.

Gouveia e Melo promete ser um presidente exigente e sugere que já deviam ter existido substituições na tutela da saúde. Almirante recusa desânimos nesta fase da campanha e Nadine Soares acusa António José Seguro de não estar preparado para os desafios do futuro.

Pela primeira vez na campanha, Gouveia e Melo evoca Ramalho Eanes num almoço com fuzileiros.

O general Ramalho Eanes é vivo. Nunca o quis trazer para esta discussão por respeito ao general Ramalho Eanes, mas deixo-lhe como português, um muito obrigado, senhor general, por tudo o que nos deu, pela liberdade, por ter sido um militar valoroso, exemplar e um português, um verdadeiro português. Muito obrigado.

Com postura militar, volta a criticar o governo em matéria de saúde. Já de visita aos bombeiros voluntários da Moita, lança o desafio ao primeiro-ministro.

O senhor primeiro-ministro tem que explicar aos portugueses porque é que acha que uma urgência que tem tempos de espera na ordem das 20 horas, é uma coisa correta.

Gouveia e Melo considera que a saúde está a falhar e defende substituições, ainda que sem referir diretamente o nome de Ana Paula Martins.

Referindo outra vez uma lógica partidária, que é uma das lógicas que eu combato aqui na presidência, é: quando as coisas falham, por que nós mantemos os responsáveis? Claro que há um tempo que tem que se deixar passar, mas dois anos depois e não se tiram conclusões.

Já sobre as recentes sondagens, volta a desvalorizar os resultados que o colocam num quarto lugar.

Não desanima nada. Eu tenho constatado, no meu contacto com a população, uma grande adesão à minha candidatura. Por outro lado, ainda tem uma grande dose de indecisos e se olharem pra ficha técnica da sondagem, mais de 50% das pessoas dizem que podem mudar de opinião. Portanto, há muita coisa que está em jogo neste momento.

Questionado sobre um cenário de segunda volta entre André Ventura e António José Seguro, Gouveia e Melo aproveita para atirar aos adversários.

Essa segunda volta, se assim fosse, mostraria que o doutor António José Seguro Que praticamente não disse nada, sem posições redondas. É uma pessoa que não está preparada para os tempos que aí vêm. Tinha ganho a confiança dos portugueses, porque estou convencido que não seria o doutor André Ventura, que não parece credível, face à taxa de rejeição que tem, conseguisse ganhar as eleições.

O almirante que volta a defender que a única sondagem que interessa acontece nas urnas este domingo.

A jornalista Ana Dinis Soares, que está a acompanhar a caravana de Gouveia e Melo.

E vamos olhar com mais detalhe agora para a sondagem conhecida esta noite. Se as eleições fossem hoje, Ventura e Seguro ficavam na frente com o Cotrim em terceiro.

É o que indica a mais recente sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena Um e Público. De acordo com o instituto, André Ventura surge em primeiro lugar com 24% das intenções de voto, separado por apenas um ponto percentual de António José Seguro, que aparece com 23%. Cotrim de Figueiredo em terceiro lugar com 19% dos votos, pode ainda assim passar à segunda volta, tendo em conta a margem de erro da sondagem. De fora de uma segunda volta ficam Gouveia e Melo e Marques Mendes, ambos empatados com 14%. À esquerda, Catarina Martins e António Filipe registam 2%. Jorge Pinto fica com 1,5% das intenções de voto. A sondagem mostra ainda que há 15% de eleitores indecisos.

E António Filipe desvaloriza as sondagens e critica os adversários que estão a jogar o campeonato da moderação.

É a expressão utilizada pelo candidato presidencial, que esteve esta noite numa sessão pública na Amora, no Conselho do Seixal. O comunista lembra as declarações de Cotrim Figueiredo, que reconheceu moderação a André Ventura, para fazer um diagnóstico aos candidatos que seguem na frente das sondagens.

Nós temos visto agora que há uma espécie de campeonato da moderação. Vemos os candidatos, todos querem ser moderados. Hoje até já há uns candidatos a dizer que até os candidatos da extrema-direita parecem moderados. Mas eu quero dizer que isso da moderação é uma outra forma de dizer que querem deixar tudo na mesma ou para pior. Nós não precisamos disso. Nós precisamos é da resolução dos problemas.

Nas sondagens conhecidas hoje, António Filipe não passa dos 2% nas intenções de voto. Aos jornalistas, garante estar de consciência tranquila.

Quinze minutos para lá da meia-noite, que outras notícias estão a marcar a atualidade, Laura?

O governo quer criar um grupo de trabalho para analisar a expansão futura do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto. O anúncio foi feito hoje pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz. Este grupo de trabalho deve reunir para perceber como é que o alargamento do aeroporto pode influenciar de forma positiva a região. Pinto Luz usou o exemplo do aeroporto de Lisboa para sublinhar a importância do planeamento na infraestrutura da região Norte. Na atualidade internacional, Donald Trump esclarece que a ajuda que anunciou esta terça-feira para os prisioneiros iranianos tem várias formas e inclui ajuda económica. Em entrevista à CBS News, o presidente norte-americano diz que os líderes do Irão têm de mostrar humanidade e têm de se comportar. Sobre a possibilidade de uma resposta iraniana em caso de ataque, Trump diz que já da última vez o Irão fez a mesma ameaça, quando, nas palavras do presidente norte-americano, os Estados Unidos os rebentaram. Durante a tarde, Marco Rubio terá dito que Washington está focado em respostas não cinéticas contra o Irão, descartando assim uma resposta militar. De acordo com Trump, ainda durante o dia de hoje, vai decorrer uma reunião na Casa Branca sobre o Irão.

E é o ponto final no Jornal da Meia-Noite da Rádio Observador, edição da jornalista Laura Figueiredo, que está de saída. Até amanhã.

Até amanhã.