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De Observador. Jornal da meia-noite, edição do jornalista Martim Madeira. E Martim, vamos começar na atualidade internacional. Donald Trump acredita que vai chegar a um acordo com o Irão já na próxima semana.

Uma crença expressada em entrevista à ABC News. Na entrevista, Trump diz que está tudo a correr bem, às mil maravilhas, e menciona que houve um pequeno glitch no dia de hoje. É uma expressão utilizada por Donald Trump ao referir-se à suspensão das negociações por parte do Irão, por causa dos ataques israelitas no Líbano. O Irão ameaçou também durante o dia fechar o estreito de Ormuz devido a estes avanços de Israel no Líbano.

Avanços esses que, entretanto, foram parados com o anúncio de Donald Trump de que chegou a um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah.

Um anúncio feito pelo presidente norte-americano na rede social Truth Social. Na publicação, Trump escreve que teve uma chamada muito produtiva com Benjamin Netanyahu, garante que não vão ser enviadas tropas israelitas para Beirute e que todas as tropas que estavam a caminho da capital já estão a voltar para trás. Escreve também que teve uma conversa produtiva com os altos representantes do Hezbollah, a dizer que o grupo concordou em não atacar Israel. Já há reação dos dois lados. Uma conversa que foi confirmada pelo Hezbollah, de acordo com a Reuters, confirmam que não vão atacar Israel. Netanyahu diz que avisou Donald Trump de que caso o Hezbollah ataque Israel, então a capital libanesa, Beirute, vai ser fortemente bombardeada.

E foi sobre isso mesmo que também falaram no gabinete de guerra nesta noite com o major João Vieira Borges.

O general explica que o objetivo de Donald Trump com este novo cessar-fogo é trazer de novo o Irão para as negociações. Isto depois de o Irão anunciar que iria suspender por completo as negociações e ameaçar fechar por completo o estreito de Ormuz. Vamos ouvir as declarações neste gabinete de guerra. Diogo.

Há uma resposta imediata de Trump, no sentido de ir ao encontro daquilo que também foi dito pelo presidente, nesse caso, Pezeshkian, que também tinha a ver, e não só ele, mas que a questão do Líbano era fundamental para todo o processo de paz. E, portanto, lá esteve novamente Trump falar com Netanyahu, arranjou contatos também para falar com o Hezbollah, no sentido de travar mais uma vez a situação no Líbano, de maneira que a situação da guerra com o Irão continuasse as negociações.

As declarações do presidente da Comissão de História Militar no gabinete de guerra, o presidente norte-americano diz que as negociações com o Irão estão a fluir muito bem, ao contrário do que o Irão divulgou.

E passamos agora à política nacional. Depois da Operação Emergente, o PS mantém a regra de que ser arguido não é condição suficiente para afastar quem foi eleito.

A operação, que levou a buscas na sede do PS por causa do assessor de imprensa Duarte Morale e que fez vários arguidos entre os autarcas de Lisboa, abriu divergências entre quem suspendeu o mandato e quem ficou. Depois das declarações de Alexandra Leitão, cabeça de lista nas últimas autárquicas em Lisboa, que defendeu a suspensão do mandato por parte dos arguidos, o PS remete para o Código de Ética de 2024, que diz que só são obrigados a sair os eleitos acusados ou condenados em primeira instância por crime contra o Estado, com pena igual ou superior a três anos ou que foram presos. A questão surgiu porque Miguel Coelho, deputado municipal e antigo presidente da Junta de Santa Maria Maior, suspendeu imediatamente o mandato, mas os vereadores Sérgio Cintra e Carla Madeira, que também foram constituídos arguidos, ainda se mantêm em funções. De acordo com o que o Observador apurou, os dois vereadores não ponderam abandonar estes cargos.

E os sindicatos da PSP lamentam que o acordo feito com o governo esteja parado há dois anos.

Acordo esse que foi assinado em 2024 com o intuito de iniciar negociações sobre a tabela remuneratória, os suplementos e o estatuto profissional, que ainda está por concretizar. As negociações com os sindicatos para dar seguimento ao acordo foram retomadas hoje pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves. No final da reunião, o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Polícia não vê muitos avanços. Bruno Pereira diz que é apenas mais uma reunião que mais parece uma renovação de votos.

Bem, diria que é mais uma reunião, parece que andamos a fazer uma renovação de votos. É reunião após reunião, voltamos a dizer que queremos negociar um acordo que foi celebrado há dois anos, mas o que é certo é que do ponto de vista material, temos um acordo que está por ver a luz do dia do ponto de vista de consequência negocial, e o que vemos é: andamos aqui reunião após reunião a apresentar os problemas, a falar de uma programação quanto a essa mesma negociação, sem ver e sem tratar de forma, como digo, consequente, cada um dos assuntos.

Já o presidente do maior sindicato da PSP, a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, diz que o governo se deve centrar no mais importante. Paulo Santos confessa que a reunião foi estranha.

Bem, essa reunião pareceu-nos um pouco estranha, desde logo porque estávamos convencidos, dentro da FAPTAS, de que uma vez que já existe um acordo negocial assinado, um protocolo negocial, uma vez que existe um acordo que versa sobre as matérias que seriam discutíveis. Aquilo que o senhor ministro fez foi dizer que há vontade da parte dele, agendou mais três reuniões, mas eu acho que era importante da parte do governo centrar-se naquilo que é realmente importante, que são as tabelas remuneratórias, que são os suplementos.

As declarações dos sindicatos à luz às forças de segurança procuram melhores condições para criar maior atratividade para a profissão. O ministro da Administração Interna agendou mais três reuniões.

E o ministro das Infraestruturas pede que quem vier a seguir não reverta as medidas atuais na habitação por preconceito ideológico.

Ricardo Pinto Luz falava na apresentação pública da recém-criada Fundação da Construção, em que deixou o convite para que se faça mais sem reverter, só porque sim.

E o desafio é garantir que o próximo não faça política terra queimada, não desfaça tudo tal e qual como nós estamos a fazer. Porque há muito, e aqui desculpar-me-ão esta falsa ou pouca modéstia, dizer-vos istoPouca modéstia, aliás, dizer-vos isto: nós tivemos esta preocupação desde que chegamos. Não desfazer aquilo que vinha de trás. Corrigir, apontar, acelerar, fazer mais por cima, mas desfazer tudo o que vem por trás, estritamente por critérios ideológicos, banais, às vezes sem sentido, é que o país é um país aos solavancos permanentes.

O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, esta tarde na apresentação da fundação da construção na Gulbenkian. Ainda no tópico das infraestruturas, Paulo Carmona foi eleito presidente das Infraestruturas de Portugal, anúncio feito em comunicado pela empresa pública. Vai suceder assim a Miguel Cruz, que estava no cargo há mais de um ano. Paulo Carmona era até agora diretor-geral da Direção Geral de Energia e Geologia.

E no Dia da Criança, o PSD, o Chega e o PS estão preocupados com o número elevado de horas que as crianças passam na escola, embora haja divergências quanto às alternativas.

As crianças portuguesas passam em média 38 horas por semana nas escolas, o que equivale a um terço do dia. São dados divulgados pela Pordata. Estes dados colocam Portugal entre os países da União Europeia onde a escola ocupa mais tempo. Inês Barroso, deputada do PSD, diz que o governo está a criar medidas de forma a mitigar o problema, mas admite que possam não ser suficientes.

O governo português tem adotado algumas medidas que tentam contrariar esta tendência. Por exemplo, o aumento do apoio às famílias através do abono de família, das prestações sociais, os benefícios fiscais para famílias com filhos, incluindo deduções no IRS, apoios à habitação para jovens e famílias, incentivos à conciliação entre o trabalho e a vida familiar, como licenças parentais mais flexíveis. Mas apesar destas iniciativas, é óbvio que, e os especialistas também assim o dizem, persistem obstáculos importantes à natalidade.

Já Rita Matias diz que o partido Chega está disponível para chegar a um consenso com os restantes sobre o problema da natalidade e também o número de horas nas escolas. Mas a deputada acusa o Partido Socialista de não colocar a família como prioridade.

Ouvir aqui alguns intervenientes políticos, nomeadamente do Partido Socialista, dizer que tentaram ao longo das últimas legislaturas dar apoios ao nível de prestações para que as famílias tenham filhos, como se isso significasse apoiar verdadeiramente a família, é contraditório, porque ninguém decide ter um filho com base no subsídio que o Estado vai poder dar. Por outro lado, passam metade do ano a demonizar a família, a dizer que a família é o espaço primordial onde acontecem os abusos, a dizer que o Estado tem que substituir a família e, portanto, as crianças têm que estar na escola, porque a escola é que tem competências para educar, porque a família é um conjunto de incompetentes que não sabem educar crianças.

A deputada do Chega aqui a falar no Explicador com Aida Carvalho, do PS, a defender que o partido não mudou a ideia da infância.

O Partido Socialista reforçou as componentes de apoio à família, devido às exigências laborais, transformando a escola num espaço de acolhimento, mas que é um espaço de acolhimento saudável, ou seja, o Partido Socialista não mudou a infância de lugar, antes pelo contrário, deu-lhe dignidade e mais tempo na escola só faz sentido se for tempo de qualidade com aprendizagens significativas. Foi isso que o Partido Socialista tentou fazer.

O debate entre o PSD, o Chega e o PS por ocasião do Dia Mundial da Criança no Explicador da Rádio Observador.

E quase a fechar o jornal, houve um sismo, notícia de última hora, um sismo em Itália.

Um sismo de magnitude 6.1 que atingiu a costa sul de Itália, uma informação do Centro Alemão de Investigação de Geociências ao largo da costa de Calábria. Tem uma profundidade de 253 quilômetros. O abalo foi sentido em várias regiões do sul de Itália. Nas redes sociais, houve várias mensagens a dizer que o sismo era proveniente de Calábria, Apúlia e também de Sicília. O epicentro localizou-se a cerca de 41 quilômetros de Cosenza, 48 quilômetros de Lamezia Terme e 72 quilômetros de Catanzaro. Até o momento, não há registros de danos associados ao sismo. É uma notícia de última hora, portanto, vão haver mais atualizações em breve.

E assim fechamos o Jornal da Meia-Noite, edição do jornalista Martim Madeira, que está de saída. Eu, Rita Camarneiro, também. Regresso na quarta-feira. Ia dizer amanhã, mas não, amanhã estou de folga. Tu não, tu regressas amanhã.

Eu não, eu estou cá, sim.

Então até amanhã e desejo uma boa noite aos nossos ouvintes.