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São 10 da manhã. As notícias das 10 com Carla Jorge Carvalho. Mais de metade dos alunos universitários apresentam sintomas de burnout. As federações acadêmicas pedem uma redução da carga horária.
Em causa está o estudo do Observatório dos Ambientes de Aprendizagem Saudáveis e Participação Juvenil, revelado hoje, mostra que 40% dos estudantes tomam medicamentos psicotrópicos. A Federação Académica do Porto pede que sejam tomadas medidas. O presidente Francisco Porto Fernandes fala numa pandemia silenciosa e diz que um dos fatores que contribui para isso é a sobrecarga horária e de exames.
Temos casos de ansiedade, de estudantes que necessitam de apoio psicológico, por vezes psiquiátrico, e isto vem de dois fatores. Vem, por um lado, de uma pressão exacerbada, com três, quatro exames na mesma semana, uma carga horária muito acima da média da União Europeia. A FAP, desde 2023, capela uma semana de quatro dias de aulas no ensino superior, com uma redução considerável da carga horária, convergindo para a média europeia. E depois também tem um fator que é muito importante nós falarmos, que é o fator socioeconômico. Estudantes mais carenciados tendem a ter mais problemas de ansiedade, a ter mais problemas do foro da saúde mental, pois têm um estresse acrescido.
O presidente da Federação Académica do Porto a pedir uma maior atenção para os alunos com mais dificuldades econômicas. Francisco Porto Fernandes sugere também mais psicólogos para prestar apoio aos universitários.
E a investigadora responsável pelo estudo em causa diz que os dados mostram uma falha na resposta do Serviço Nacional de Saúde.
Tânia Gaspar estranha a percentagem de alunos que estão a ser medicados e aponta responsabilidades às autoridades de saúde.
E este número está muito alinhado também com os dados europeus da questão de nós tomarmos muitos psicotrópicos. E isto é uma falha do Serviço Nacional de Saúde. Esta questão de haver um trabalho psicoterapêutico, a par da medicação, é algo que temos que parar, ou seja, os profissionais de saúde mental têm que parar. Os médicos de família e os médicos não especialistas passam psicotrópicos quando a pessoa chega lá e diz: "Estou um bocadinho ansiosa com os exames ou então não consigo dormir". Toma lá ansiolíticos e toma lá antidepressivos. E depois mais nada. E a pessoa vai pra casa tomar aquilo. E o que aconteceu? Não aprendeu a lidar e ainda ficou pior, porque acaba por ficar dependente, mais inseguro.
Tânia Gaspar, a investigadora responsável pelo estudo do Observatório dos Ambientes de Aprendizagem Saudáveis e Participação Juvenil. Os estudantes universitários pedem horários mais flexíveis e ajustados, consideram que há uma sobrecarga de avaliações e, nesse sentido, pedem critérios mais uniformes.
Os diretores escolares acreditam que as escolas estão preparadas para os exames em formato digital. Já começou o primeiro exame final de matemática.
Começou às 9h30, o segundo é ao meio-dia. No ano passado, o Ministério da Educação do governo da AD decidiu manter o formato dos exames em papel. Considerou que não estavam ainda garantidas as condições necessárias para o sucesso da prova. Desta vez, o governo assume o modelo digital e os diretores escolares estão confiantes no sucesso do processo. Filinto Lima, o presidente da Associação de Diretores Escolares, diz que as escolas estão preparadas e espera até que no próximo ano letivo o formato seja alargado ao secundário.
Eu acredito que o modelo é para continuar e acredito que no próximo ano até possa ser alargado ao nível dos exames do ensino secundário, 11º e 12º anos de escolaridade. Ao nível das provas de aferição, antigas provas de aferição, atuais testes de moda, o digital já é utilizado há algum tempo. E eu só lamento é que, ao nível do segundo ano ou do quarto ano, quando nós aplicamos as provas de aferição e os testes de moda, os nossos alunos recorram a este formato, porque, na verdade, alguns deles estão a aprender as primeiras letras, estão a aperfeiçoar a sua caligrafia e era o momento em que eles poderiam, de fato, continuar neste ritmo e não, desde logo, de uma forma precoce, usar o digital. Do quinto ano em diante, eu penso que o futuro passa mesmo por aí.
Filinto Lima, o presidente da Associação de Diretores Escolares, no dia em que os alunos do nono ano estão a fazer pela primeira vez o exame final de matemática em formato digital.
O presidente do Observatório de Segurança Interna garante que a situação dos grupos de extrema-direita em Portugal está controlada. Luís Fernandes fala numa ameaça que não é nova.
Diz apenas que há uma nova contextualização dessa ameaça. O presidente do Observatório de Segurança Interna recusa que a situação seja dramática, diz que as autoridades estão a trabalhar na monitorização e acompanhamento destes grupos e faz uma comparação dos dados dos crimes de ódio conhecidos em Portugal com o resto da Europa.
Do ponto de vista estatístico, nós não estamos melhor nem pior que o resto da Europa. Não nos podemos esquecer que, olhando aos últimos quatro, cinco anos, temos valores minimamente idênticos em termos de crimes de ódio, comparativamente com o número de população, temos que ter sempre essa questão, a países como Alemanha, a países como o Reino Unido, sendo que depois existem, de fato, tipos de crime, nos crimes de ódio, que se diferenciam. Por exemplo, no caso da Alemanha, tem se verificado um aumento da atividade antiislâmica e antissemita. No caso, por exemplo, de Portugal, houve aqui uma discriminação do grupo LGBTQI+.
Já questionado sobre o infiltramento de grupos de extrema-direita nas forças de segurança, Luís Fernandes diz que existem bons e maus profissionais em todas as áreas. O presidente do Observatório de Segurança Interna foi o convidado do Explicador desta manhã.
E falamos agora da corrida a Belém. A mais recente sondagem mostra uma forte queda de Henrique Gouveia e Melo na intenção de voto dos portugueses. Quem mais sobe é Luís Marques Mendes.
Resultados do estudo da Intercampus para o Correio da Manhã e para o Jornal de Negócios. Se as eleições fossem hoje, Henrique Gouveia e Melo continuava a ser o candidato preferido dos portugueses, com 27,3% das intenções de voto, mas tem uma queda de mais de oito pontos percentuais em comparação com a última sondagem. Quem aproveita esta queda é Luís Marques Mendes, que sobe, tem agora 18,5% das intenções de voto. Já quanto a André Ventura, cuja candidatura ainda não é certa, foi ultrapassado pelo socialista António José Seguro. Quanto a uma eventual segunda volta, Gouveia e Melo é vencedor. Bate tanto Luís Marques Mendes como António José Seguro, mas a corrida é mais renhida com o candidato social-democrata.
No dia em que está marcada uma reunião entre os ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países europeus e o Irão, o líder da diplomacia de Teerão rejeita quaisquer negociações mediadas pelos Estados Unidos.
A posição é transmitida pelo ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros numa entrevista à televisão estatal do país. O governante diz que o Irão não está pronto para negociações com nenhuma parte, incluindo os Estados Unidos, e isto enquanto continuar a agressão israelita. São declarações no dia em que está marcado um encontro com os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus em Genebra, na Suíça. Um encontro que tem como objetivo discutir os recentes desenvolvimentos do conflito e apelar também ao Irão para regressar à mesa das negociações.
E sobe para sete o número de feridos no ataque desta noite do Irão no sul de Israel.
São as informações que chegam desta noite. Falamos de feridos ligeiros. Um míssil iraniano atingiu esta madrugada uma zona residencial no sul do território israelita. Já Tel Aviv diz que impediu um ataque maior contra a região. Tel Aviv voltou também esta noite a realizar uma nova ronda de ataques em Teerão, que terão atingido dezenas de instalações militares e ainda um local de pesquisa nuclear. Já esta manhã, a Agência Internacional de Energia Atómica veio confirmar um bombardeamento de Israel contra o complexo nuclear em Arak, e avisa que embora não tenha ocorrido um grande incidente radiológico, o risco é cada vez mais elevado.
São agora 10h09, Carla. Que outras notícias marcam esta manhã?
Espanha rejeita o plano da NATO para gastos com defesa de 5% do PIB. Esta intenção consta já de uma carta enviada ao secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte. Pedro Sánchez escreve que o objetivo de 5% do PIB não só não seria razoável, como também contraproducente. O presidente do governo espanhol está preocupado com o aumento do gasto em defesa, que poderia comprometer o estado social do país. As Nações Unidas alertam para lacunas críticas em vários setores humanitários em Moçambique e apontam para a urgência de recursos adicionais que asseguram uma resposta mais eficaz no país. Segundo adianta um relatório das Nações Unidas, quase cinco milhões de moçambicanos enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar provocados por secas. Moçambique é dos países africanos que mais sofre com as alterações climáticas. Os trabalhadores da Trust News começam hoje uma greve por tempo indeterminado por terem salários e subsídios em atraso. No plenário deste mês, os funcionários da dona da revista Visão aprovaram a greve por ampla maioria. Exigem o pagamento de 20% do salário de abril, o salário de maio e também o subsídio de refeição.