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10 horas. Está a começar o Jornal das 10, com a edição da Carla Jorge de Carvalho. Carla, foram retomados esta manhã os trabalhos de demolição de habitações ilegais no bairro do Talude, em Loures.

Os trabalhos começaram na última hora sob um forte contingente policial, isto depois de muitos moradores dizerem que passaram a noite na rua. As famílias queixam-se de falta de respostas e de soluções por parte da Câmara de Loures. O Guilherme Pires está desde cedo no bairro do Talude e, Guilherme, há pouco registaste alguns momentos de tensão.

Sim, Carla, a hostilidade cresceu a partir do momento em que entraram os aparelhos para começar as operações de demolição. Algumas moradoras mostraram-se evidentemente revoltadas com toda esta situação. Criticam principalmente a atuação da Câmara Municipal de Loures, queixam-se da falta de soluções apresentadas e até da forma como estão a ser tratadas por alguns membros da autarquia. Isto numa altura em que já começaram aqui as operações de demolição de algumas infraestruturas e também com a presença de várias dezenas de polícias de intervenção da PSP, como referiste, que estão aqui presentes, e também alguns elementos da Polícia Municipal de Loures. Mas isto numa altura em que acalmou um pouco o clima, depois desse impacto inicial da chegada dos aparelhos de demolição. Portanto, há que registar esse sentimento de revolta, com algumas famílias ainda num impasse, com crianças, por exemplo, que ainda têm as casas erguidas, mas dizem não saber o que pode acontecer nas próximas horas. Já esta noite, vários moradores tiveram mesmo de dormir na rua, outros arranjaram soluções como tendas ou até acabaram por dormir debaixo dos escombros aqui presentes, o que dificulta muito também a rotina de todos os moradores deste bairro do Talude. Dizem todos que trabalham e que está a ser complicado ir ao trabalho com toda esta situação. No entanto, também algumas pessoas foram acolhidas por outros moradores do bairro e outras ainda ficaram a pernoitar numa igreja autoconstruída aqui nas imediações desta zona demolida do bairro do Talude. No entanto, estas não foram as únicas soluções. Houve quem voluntariamente desmontasse a habitação no processo de demolição para preservar os materiais e com isso acabaram por erguer estruturas durante a noite para não dormirem ao relento. É o caso do habitante aqui do bairro do Talude, Manuel Eu Bengui, que relata essa falta de alternativas apresentadas pela Câmara Municipal de Loures.

Se isso aconteceu ontem, como hoje não vou ao trabalho, vou dar essa diligência toda com a explicação da Câmara, caso se se encontrar, ligar para eles. Se eu se não encontrar, também, que é para fazer eles saberem, para eles verem o que eles podem fazer. É a única forma que eles explicaram-me ontem. Então eu terei que dar essa diligência ainda hoje para ver o que eu vou conseguir.

Aqui o relato do morador do bairro do Talude, Manuel Eu Bengui, a dizer que a autarquia de Loures não consegue oferecer uma solução de habitação para estas pessoas. O que a autarquia propõe é que estes moradores consigam arranjar uma habitação e propõe-se a pagar a caução e também a primeira renda. E com este cenário, vários moradores, tal como Manuel Eu Bengui, garantem que vão voltar a construir uma habitação aqui no bairro do Talude. Explicam que têm várias coisas de valor aqui no bairro e que não podem simplesmente abandoná-las.

Eu falei para eles que está bem, a opção é boa, sim, mas neste momento, como não tenho onde pernoitar, terei que voltar outra vez para o Talude e fazer alguma coisa da forma que eu não posso ir preservar os meus, os que eu tenho aqui. Se eu abandonar, alguém, de qualquer jeito, vai levar. Vai levar mesmo. Como tem estado a acontecer, umas barracas que foram demolidas, volta de 15 dias a um mês atrás, muitas pessoas perderam muitas das suas pertences.

Aqui o relato do morador do bairro do Talude, Manuel Eu Bengui. Aqui numa altura em que já estão a decorrer alguns trabalhos aqui no bairro, para desmantelar algumas das infraestruturas que estão ainda presentes e também com esse forte contingente policial. Mas, neste momento, regista-se mais calma depois de momentos iniciais de tensão aquando da chegada destes aparelhos de demolição

Milene Pires, em directo do bairro do Talude, em Loures, a registar o reinício dos trabalhos de demolição desta manhã, com a Câmara de Loures a explicar que está numa operação de combate à habitação ilegal e garante que foram dadas respostas e alternativas aos moradores. O Movimento Vida Justa tem alertado que estas demolições só vão contribuir para que haja mais pessoas em situação de sem-abrigo no concelho de Loures.

E deve começar nos próximos minutos a quinta sessão do julgamento da Operação Marquês.

Que será a última antes das férias judiciais. José Sócrates é hoje ouvido acerca do tema TGV. O antigo primeiro-ministro está fortemente indiciado pelo crime de corrupção. Terá ajustado o processo do concurso público na sequência da parceria público-privada para a ligação de alta velocidade entre Poceirão e Caia, na fronteira com Espanha. Sócrates é acusado pelo Ministério Público de beneficiar o consórcio Elos, do qual faz parte o grupo Lena. À chegada ao campus de Justiça esta manhã, Sócrates não falou com os jornalistas, ao contrário do que aconteceu nas outras sessões.

E sem mudanças estruturais, os profissionais de saúde temem que este verão seja ainda pior do que o do ano passado. Sindicatos e gestores hospitalares acusam o Ministério da Saúde de falta de ação e planeamento.

O governo admite problemas, mas ao mesmo tempo fala de uma melhoria do SNS no último ano. Este é um discurso, Miguel Gato, com o qual vários setores da saúde não concordam.

E começamos com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, que à Rádio Observador culpa o Ministério da Saúde por não ter resolvido os constrangimentos nas urgências. Xavier Barreto teme um agravar da situação nas próximas semanas.

É muito provável que a situação se mantenha ao longo do verão e que eventualmente até se agudize. Nós, infelizmente, não fizemos mudanças significativas na gestão dos recursos humanos, que é a questão determinante. Estas urgências encerram porque não temos médicos suficientes para garantir as escalas. E, de facto, não mudamos nada nem na forma como contratamos pessoas, não temos mais pessoas a trabalhar do que tínhamos há um ano, nem mudamos nada na organização.

Os gestores hospitalares temem o pior e a FNAM, a Federação Nacional dos Médicos, fala mesmo numa tragédia anunciada, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo. O Sindicato Independente dos Médicos prevê claras dificuldades no preenchimento de escalas e a Sociedade Portuguesa de Medicina de Urgência alerta para a excessiva dependência de médicos tarefeiros, medida já autorizada pelo governo este verão.

Os administradores hospitalares, Miguel, sugerem que se tomem medidas estruturais para resolver a questão das urgências fechadas.

Xavier Barreto quer ver implementado o modelo das urgências regionais em Lisboa e Vale do Tejo, hipótese posta em cima da mesa também pela própria ministra da Saúde, Ana Paula Martins, em entrevista à SIC na última semana. E esta medida a ser implementada, a começar pela margem sul, onde se têm registado maiores constrangimentos.

É muito provável que a situação se mantenha ao longo do verão e que eventualmente até se agudize. Nós, infelizmente, não fizemos mudanças significativas na gestão dos recursos humanos, que é a questão determinante. Estas urgências encerram porque não temos médicos suficientes para garantir as escalas. E, de facto, não mudamos nada nem na forma como contratamos pessoas, não temos mais pessoas a trabalhar do que tínhamos há um ano, nem mudamos nada na organização.

Aqui o som de Xavier Barreto também a dizer que as urgências regionais já funcionam no Grande Porto há vários anos, mas os sindicatos reprovam a aplicação desta medida em Lisboa, ainda que encontrem níveis diferentes de resistência. Já a Federação Nacional dos Médicos, FNAM, rejeita totalmente esta medida, indica que se trata de um remendo e não de uma solução. Já o Sindicato Independente dos Médicos defende que a concentração de urgências a ser implementada tem de ser acompanhada de incentivos para os médicos que aceitem deslocar-se e que essa deslocação tem de ser voluntária.

Miguel Gato, olhar para os constrangimentos nas urgências do SNS neste período de verão. Os hospitais públicos de Lisboa e Vale do Tejo, da zona Oeste e de Leiria estão a articular-se para tentar impedir o fecho de serviços de urgência. A garantia é dada ao Observador pelas unidades locais de saúde destas zonas, onde nas próximas semanas se preveem mais constrangimentos.

Investimentos na defesa. O major-general João Vieira Borges considera que este reforço ou o reforço das verbas no setor limita a liberdade de ação política do governo.

O governo, que quer gastar mais de mil milhões de euros em defesa este ano. Luís Montenegro disse ontem numa conferência organizada pela SIC que quer acertar com a oposição uma estratégia consensualizada para a defesa. Na última cimeira da Aliança Atlântica, os estados-membros comprometeram-se a investir 5% do PIB até 2035. Portugal está a dar passos nesse sentido, mas primeiro com o objetivo de atingir os 2% este ano. Apesar de limitar a ação política, o major-general João Vieira e Borges considera também que este pode ser um gasto com retorno.

O acréscimo é significativo. Daí a discussão a nível político, a nível interno, porque obviamente um país com as condicionantes financeiras e económicas que Portugal tem, é um investimento considerável. Nós quando discutíamos na Assembleia da República as leis do orçamento, as folgas de cada um dos governos que apresentava a lei do orçamento era 2 mil milhões. Agora vamos ter um aumento muito mais significativo e, portanto, a liberdade da ação política é muito menor, mas, por outro lado, encarando a defesa como investimento, há de haver certamente retorno.

O major-general João Vieira Borges esteve no Explicador desta manhã e ele que é também presidente da Comissão Portuguesa de História Militar e coordenador da área da defesa da SEDES. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, já veio também desafiar o governo para o desenvolvimento de um acordo estratégico para a defesa com um prazo definido de três meses.

Já a seguir temos contra corrente sobre a guerra na Ucrânia, mas primeiro, Carla, que outras notícias vão marcando a atualidade esta manhã.

A Polícia Judiciária está a fazer buscas nas instalações do Boavista. Em causa estão suspeitas de crimes económicos. A informação é avançada pelo Correio da Manhã. Além de buscas no Estádio do Bessa, estão também a decorrer buscas domiciliares. É uma notícia com poucos minutos, vamos desenvolvê-la nos próximos jornais. A União Europeia afirma que está muito perto de aprovar o 18º pacote de sanções contra a Rússia. A garantia foi deixada esta manhã pela chefe da diplomacia europeia em declarações aos jornalistas. Kaja Kallas espera um acordo político sobre estas sanções nas próximas horas, uma ameaça que surge depois de ontem também Donald Trump ter ameaçado a Rússia com tarifas de 100%. E agora aqueles momentos em que há muitos problemas de estacionamento e apetecia enfiar o carro em casa.

Pois.

É difícil, não é?

Não se arranja lugar na rua, não é?

É, e até se meter no bolso, assim. Um engenheiro italiano está perto, perto de arranjar a solução perfeita.

Para o carro, para arranjar garagem.

Podia ser, mas não. Criou uma versão modificada do Fiat Panda, um carro já particularmente pequeno, mas com 50 centímetros de largura.

Isso são para aí seis palmos, não é?

Nem sequer pode ser assim mais cheinho. Nem se pode ter muitas carnes. Será provavelmente o carro mais estreito do mundo.

E o mais difícil de conduzir nas curvas, não é?

Se calhar é uma mota coberta, não é?

Um carro estreitinho a fechar o jornal das 10h.