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São 10 horas, atualizamos as notícias na Rádio Observador com Miguel Cordeiro. O cabo do elevador da Glória não se partiu. O relatório preliminar do gabinete que investigou o acidente concluiu que a origem do problema está no ponto de fixação do veículo que descarrilou.

Ou seja, o que cedeu foi a peça do elevador por onde passava este cabo subterrâneo. Esta peça está na parte de baixo do elevador da Glória, dentro dos carris. O relatório que analisou as provas recolhidas na Calçada da Glória diz também que a fiscalização que foi feita no dia do acidente não tinha possibilidade de detectar esta possível anomalia que originou o descarrilamento. Mais, pode ler-se no relatório que os planos de manutenção foram cumpridos, que os travões de emergência foram devidamente acionados e que o guarda-freios fez tudo o que podia para impedir o acidente. Está também escrito que o sistema de redundância, o sistema de segurança que existia, nunca seria capaz de travar o elevador. Era fisicamente impossível. O gabinete de prevenção e investigação de acidentes com aeronaves e de acidentes ferroviários explica que, tendo existido um problema na instalação deste sistema, a Carris tinha o dever de o detectar. Por outro lado, se a origem do problema for o desgaste ou mau funcionamento das peças, nesse caso seria a MNTC, a empresa de manutenção, a responsável por corrigir o problema. Diz o relatório que tudo aconteceu em menos de um minuto e que o primeiro embate aconteceu a uma velocidade de 60 km/h. Este documento do gabinete de prevenção e investigação de acidentes com aeronaves e de acidentes ferroviários é uma primeira nota informativa. Foi divulgada ontem ao início da noite e é referido nesse texto que daqui não devem ser retiradas conclusões válidas quanto às causas do acidente e que vai ser divulgado um relatório final num prazo de 45 dias.

Miguel, além destes dados que ficamos a conhecer ontem ao início da noite, a empresa responsável pela manutenção do elevador da Glória garantiu que está a colaborar com as autoridades para o apuramento das causas do desastre.

É a primeira vez que fala esta empresa e recorda que o elevador foi alvo de uma inspeção na manhã do descarrilamento e que foi considerado que havia condições adequadas de funcionamento do elevador. Um comunicado citado pela Sic Notícias desta empresa, a MNTC Serviços Técnicos de Engenharia, diz que está a colaborar com as autoridades desde o primeiro momento e lamenta a dor e consternação das famílias das vítimas mortais. A empresa diz também que qualquer conclusão nesta fase é prematura. A empresa, recorde, foi contratada por ajuste direto dias antes do acidente, depois da Carris não ter aceito propostas no concurso feito em abril para os próximos três anos.

Perante todos estes dados, Miguel, seguimos com a análise às falhas apontadas no elevador da Glória.

Recebemos agora em direto o especialista em engenharia civil, Fernando Branco, é professor catedrático do Instituto Superior Técnico. Muito bom dia. Professor Fernando Branco, o relatório diz que a fiscalização que era feita não podia detectar o problema que originou este acidente. Podemos dizer, neste caso, que há um problema com essa fiscalização?

Vamos lá ver. Há um problema com o elevador. Agora, os planos de inspeção devem ser feitos de modo a detectar todas as eventuais anomalias. Eu não conheço o plano de inspeções periódicas que eles têm. Vamos lá ver. O que aconteceu, e isso ficou claro no relatório que foi cá para fora, é que o cabo principal soltou-se da sua fixação. Portanto, isso é evidente. Ora, os planos de inspeção têm que controlar essa anomalia. E aparentemente, isso não foi feito nos últimos tempos.

Serve a fiscalização para detectar todos os erros possíveis, todas as falhas possíveis. E nós tivemos uma falha que aconteceu e a fiscalização não conseguiu detectar isso. Ou seja, a fiscalização que era feita, e eram feitas várias fiscalizações, diárias, mensais, de vários tipos, umas mais prolongadas, outras menos prolongadas.

Exato.

Devia ter mais critérios, devia ser mais exigente, devia ser mais demorada.

Repare, há ali duas coisas que acho estranho. Por um lado, o sistema de fiscalização não detectar uma coisa destas, que é o cabo estar-se a soltar da fixação do elevador de cima. E depois, a outra coisa que eu acho mais estranho é que o elevador tinha, para estas situações de falha, sistemas de travagem redundantes. E os sistemas de travagem, pelos vistos, mostraram que não eram capazes de travar a carruagem. Portanto, aí é um defeito, para mim, de conceção de todo o sistema.

Sim, era precisamente onde queria chegar também. É dito que os sistemas de travagem, o sistema de redundância que existia, nunca seria capaz de travar o elevador, que era fisicamente impossível.

Isso significa que está tudo pendurado no cabo. Desde que o cabo falhe, cai tudo.

Exato.

Portanto, isto para mim é uma coisa que me choca com toda a frequência.

O que ficamos com esta informação é que o elevador da Glória não tinha, na verdade, um sistema de redundância, que se não é capaz de evitar um desastre destes, perante um problema com o cabo ou com o calo onde o cabo está agarrado, perante uma emergência, neste caso, o acidente era algo que podia acontecer a qualquer momento.

Não digo que seja a qualquer momento, mas falhando Falhando algo no cabo, que foi o que aconteceu, não foi o cabo que se partiu, mas foi a ancoragem do cabo que soltou. Numa situação dessas, nada trava o elevador. E isto, para mim, é inadmissível. Tem que haver sistemas redundantes. Ou seja, havendo um sistema, os sistemas de travagem do elevador tinham a obrigação de o poder segurar. E isso, pelos vistos, é que não aconteceu, apesar de terem sido acionados, porque o relatório diz que os sistemas de travagem foram todos acionados. Havia pelo menos dois sistemas base, um que atuava sobre as rodas e outro que atuava na calha onde corre o cabo de ligação. Aparentemente, ambos os sistemas foram atuados, mas o elevador não parou, até acelerou. Portanto, significa que há ali, para mim, um defeito de conceção no sistema de travagem. Mas repare, estou a falar muito com base num texto de duas páginas.

Já referimos aqui também e é referido que estas são conclusões iniciais, não se podem tirar conclusões válidas quanto às causas do acidente. Isto diz o relatório. Mas também está lá escrito que se foi um problema na instalação, então há uma responsabilidade da Carris. Se foi um problema de desgaste ou mau funcionamento das peças, neste caso, é um problema da empresa de manutenção. O meu ponto é: se houver um problema na instalação desse sistema, sendo responsabilidade da Carris de instalar mal esse sistema, a verdade é que a fiscalização deveria detetar muito rapidamente que há peças mal instaladas.

Vamos lá ver. Aqui há outro problema. O problema de fundo que ocorreu aqui foi o cabo soltar-se do sistema de fixação do elevador. Aí o relatório que vocês mandaram, que eu li, é muito lacónico. Não se percebe bem como é que esse cabo estava ligado ao elevador propriamente dito. Só se percebe que o cabo soltou-se do sistema de fixação. Agora, acho que é feito eles substituem os cabos, salvo erro, de dois em dois anos.

600 em 600 dias.

E, portanto, isso significa que da última vez que essa montagem foi feita, deve ter ficado com algum problema. É essa a sensação que eu tenho.

Com os dados que já conhecemos, só para terminar a nossa conversa, que aprendizagem já podemos retirar deste acidente? O que tem que mudar para garantir que não volta a acontecer um acidente destes? Um elevador que tenha sistemas de redundância que funcionem realmente, peças mais fiscalizadas, o que é que podemos retirar já?

Repare, neste tipo de problemas, que é aquilo que habitualmente nós designamos os rutores por fadiga, portanto, ciclos sucessivos que levam à degradação dos materiais, os procedimentos corretos é baixar as tensões, ou seja, ter sistemas redundantes para evitar, se falhar um, haver outro que possa compensar. Isto é a base da conceção destes sistemas. Repare, pense nos aviões, que é algo semelhante. Para cada medição que eles fazem, tipicamente têm três ou quatro aparelhos. Quer dizer, se falhar um, há outro que se permite assegurar. E aqui, o que nós estamos a ver é que estava tudo dependente do cabo. Falhando o cabo, falha tudo. Portanto, haver redundância é o principal aspeto a considerar nestes sistemas.

Muito bem. Professor Fernando Branco, muito obrigado por ter estado conosco, ajudar-nos a explicar estes dados que saem do relatório preliminar. Escutámos o professor catedrático do Instituto Superior Técnico.

E ainda sobre este acidente do elevador da Glória, o candidato presidencial Henrique Covê Mello defende que deve haver a responsabilização pelo acidente, mas não defende demissões.

Posição deixada em Peniche antes de uma intervenção no Campos da Liberdade 2025. O candidato à Belém reforça que Portugal falha várias vezes por falta de planeamento.

Nós somos um país de improviso. Isto vem mais uma vez mostrar que falhamos muitas vezes por falta de planeamento, por falta de cuidado e de alguma forma de irresponsabilidade. Portanto, precisamos ter um sistema que se responsabilize mais e o sistema começa pelo sistema político. Agora, fazer uma ligação direta de um acidente à demissão de um ator político é uma coisa que não faço e não quero ir por esse caminho. No entanto, deve haver uma responsabilização dos atores.

As declarações de Henrique Covê Mello ontem em Peniche. O candidato à Belém pede uma investigação a fundo a este acidente que, diz, não deve ser esquecido.

Foi dado como dominado, Miguel, o incêndio em Seia, no Distrito da Guarda.

Os bombeiros conseguiram controlar esta madrugada as chamas deste incêndio, que começou ontem de manhã em Santo Domil. A fonte do Comando Subregional de Emergência e Proteção Civil das Beiras e da Serra da Estrela confirma que o fogo foi dado como dominado por volta das 5:00. Já esta noite, a mesma fonte tinha avançado que o combate à chama estava a decorrer favoravelmente e que se as condições meteorológicas permanecessem estáveis, o incêndio poderia ser dominado.

Passam 11 minutos das 10:00. Já a seguir há Encontros com a Beleza, com o maestro Martim Sousa Tavares, mas antes, Miguel, há outras notícias em destaque.

Portugal é campeão da Europa de hóquei em patins. Ontem bateu a França por 4 x 1. O jogo aconteceu em Paredes, no Distrito do Porto. Portugal conquista o Europeu de hóquei em patins pela 22ª vez. Para fechar, a Rússia atingiu Kiev na última noite com um grande ataque, o maior ataque com drones desde o início da guerra na Ucrânia. É assim que está a ser considerado. Pela primeira vez no conflito, foi atingido um edifício do governo. De acordo com as autoridades ucranianas, foram lançados mais de 800 drones e mísseis. A Ucrânia conseguiu abater e neutralizar a maioria, mas não evitou que 40 localidades em todo o país fossem atingidas. O porta-voz da Força Aérea da Ucrânia, em declarações à agência de notícias Associated Press, explica que duas pessoas morreram, um bebé de três meses e a mãe. Há também registro de pelo menos 15 feridos.