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Olá, muito bom dia. Está com a Rádio Observador, 10 e um. As notícias com Carla Jorge Carvalho. O presidente da Juventude Social-Democrata vê com bons olhos a proposta do programa cívico-militar do PSD e CDS. João Pedro Louro destaca o apoio financeiro como um incentivo positivo. Em causa está o programa de voluntariado pago para atrair jovens nas Forças Armadas, uma proposta que o PSD e o CDS vão apresentar esta manhã. Entre as regalias, está o pagamento de mais de €430 e a carta de condução gratuita. Foi tema do Explicador. O presidente da JSD elogia a proposta, defende que pode contribuir para um setor da defesa mais atrativo. Além disso, João Pedro Louro destaca que os incentivos são positivos em comparação, por exemplo, com o Dia da Defesa Nacional.

Não podemos ignorar esse cenário de incerteza e de ter algum perigo às portas da Europa e nessa perspectiva, acaba por ser uma proposta pertinente, mas também relativamente à pouca atratividade que hoje as nossas Forças Armadas têm. É também uma proposta responsável. Procura trazer, através de um programa voluntário, dar benefícios concretos aos jovens que escolhem realizar este programa, desde a valorização ao currículo até ao apoio financeiro. O que é certo é que estes apoios são mais benéficos do que aqueles que existem atualmente para os jovens que escolhem realizar o Dia da Defesa Nacional ou até ingressar nas Forças Armadas.

João Pedro Louro, o convidado do Explicador desta manhã, o presidente da JSD acredita que esta proposta pode ajudar a incentivar o interesse pela carreira militar nos mais jovens. Acredita que, depois de discutido, é um programa que pode arrancar dentro de meses. Chega e PS também já apresentaram propostas no sentido de tentar atrair mais jovens para as Forças Armadas.

O deputado do PS, David Amado, elogia o ministro da Administração Interna pela resposta que deu ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa a propósito do tema da insegurança. Carlos Moedas pediu mais meios para combater a insegurança. Luís Neves alertou para os perigos deste tipo de discurso.

Este momento aconteceu ontem num colóquio em Lisboa, precisamente sobre polícia e segurança. O ministro da Administração Interna afirmou mesmo que Lisboa não tem mais crimes do que no passado. Ouvido pela Rádio Observador, David Amado volta a criticar Carlos Moedas pela forma como tem lidado com a questão da segurança na capital.

Esta questão de criar o mantra da perceção da insegurança e de dizer que a única solução para isto é que a Polícia Municipal tenha mais competências, quando já toda a gente percebeu, inclusive o antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, que essa não é a solução, não faz muito sentido. E acho que o que ontem o senhor ministro da Administração Interna fez foi muito claro. O senhor presidente da Câmara de Lisboa tentou nos últimos anos surfar esta onda da perceção da insegurança e ontem o senhor ministro da Administração Interna, de forma muito séria e muito serenamente, como juiz dessa prova de surf que o presidente da Câmara tentou fazer, deu-lhe uma pontuação muito fraca.

David Amado, deputado do PS, ex-presidente da Junta de Freguesia de Alcântara, a falar da divergência entre Carlos Moedas e Luís Neves, o presidente da Câmara de Lisboa há muito que pede um reforço de efetivos e também mais autonomia para a Polícia Municipal. No entanto, fonte oficial do gabinete do ministro da Administração Interna confirma ao Observador que não existe qualquer intenção de alterar a lei nesse sentido.

Paulo Portas considera que as Nações Unidas têm sido irrelevantes perante o atual contexto geopolítico. O ex-vice-primeiro-ministro diz que a ONU está desatualizada e afirma que António Guterres, que está a terminar o mandato, podia ter feito mais.

Termina o mandato no final do ano. Há quatro candidatos para a sucessão, mas pouco se tem falado sobre esta eleição e Paulo Portas considera que é um reflexo do estado atual das Nações Unidas. A entrevista à Rádio Observador fala numa organização essencial, mas com pouca expressão por culpa própria.

Nós estamos a viver uma fase de raiva contra o multilateralismo e estamos numa fase ascendente, ainda, de uma certa forma, do que começou por ser isolacionismo, no caso dos Estados Unidos, e passou rapidamente a expansionismo ou mesmo imperialismo. Os princípios gerais da Carta das Nações Unidas, estejam certos ou estejam enganados, acho que nem sequer se dão ao trabalho de os ir ler. São derrogados todos os dias. E, portanto, a ONU não está a viver os seus melhores tempos. Foi irrelevante na Ucrânia, quase, e tem sido irrelevante na questão do Golfo.

Paulo Portas, o antigo vice-primeiro-ministro e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, considera também que António Guterres podia ter feito mais na liderança da ONU e aponta até dois problemas ao líder das Nações Unidas.

A primeira é o uso do poder da palavra. Eu lembro-me quando António Guterres se candidatou. Para tentar obviar a rigidez estatutária das Nações Unidas e a dificuldade das reformas, foi tentar colocar a opinião pública a favor dessas reformas e ele usava muito o poder da palavra e isso talvez acabasse por não ter sido demasiado usado. O segundo ponto é que eu acho que o mundo focou-se muito nas questões climáticas, que eu acho sérias, não sou negacionista, mas o mundo, para além do clima, tem muitos outros problemas e talvez ele tenha colocado as fichas todas num lado, ou quase todas.

O mandato de António Guterres termina no final deste ano. Para já, há quatro candidatos para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

Este é o tema da História do Dia, um programa que já está disponível em podcast.São 10h07, já a seguir o Contracorrente. Primeiro, Carla, quais são as outras notícias que estão em destaque?

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças considera muito baixo o risco para a população europeia em relação ao surto de hantavírus a bordo de um navio ao largo de Cabo Verde. Três pessoas morreram, uma está gravemente doente e outras duas pessoas, membros da tripulação, apresentam sintomas respiratórios e febre. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças lembra que estão a ser tomadas medidas de prevenção e de controle de infecções a bordo e que a maioria dos hantavírus não se transmitem facilmente entre humanos. Ainda não se sabe como ocorreu a transmissão do surto atual, nem qual a origem da infecção. O hantavírus em causa também ainda não foi identificado. No cruzeiro está um cidadão português que, de acordo com o governo, não pediu até o momento qualquer ajuda diplomática. Os Estados Unidos e o Irão voltaram a trocar ataques nas últimas horas no Golfo, numa altura em que está a subir, por isso, a tensão no Estreito de Ormuz. O Irão acusa os Estados Unidos de terem atacado seis embarcações civis que se dirigiam para a costa iraniana. Diz que morreram cinco pessoas. Perante este escalar de tensão, Donald Trump recusa dizer se o cessar-fogo ainda está ou não em vigor. Ontem, o presidente dos Estados Unidos anunciou uma missão para ajudar navios retidos a passar pelo Estreito de Ormuz. A polícia britânica quer julgar o alemão Christian Brückner no Reino Unido pela suspeita do sequestro e homicídio de Madeleine McCann. As autoridades britânicas consideram que têm provas suficientes para que a Justiça autorize a acusação. É o que está a avançar o jornal The Telegraph. A polícia britânica pede também à Alemanha a extradição de Christian Brückner, um homem de 48 anos que foi libertado no ano passado depois de ter cumprido pena de prisão na Alemanha por violação. No Dia Mundial da Língua Portuguesa, o presidente da República chama a atenção para a importância do idioma comum. No mesmo sentido, o primeiro-ministro destaca que a língua portuguesa permite construir pontes entre a CPLP e todos os cantos do planeta. Este dia foi declarado pela UNESCO em 2019. São novas revelações sobre um dos crimes mais debatidos nos últimos anos. O podcast do Observador, Os Ficheiros do Caso Carlos Castro, veio trazer um novo olhar à investigação sobre a forma como o cronista social foi assassinado por Renato Seabra, em Nova York, em janeiro de 2011.

O penúltimo episódio está agora disponível e permite reconstruir ao pormenor todo o dia do crime.

10 minutos depois, a camareira dá o trabalho por terminado. O quarto não estava propriamente desarrumado, por isso limitou-se a fazer a cama e a limpar a casa de banho. Despede-se antes de sair. Pergunta ao homem se está tudo bem e ele, sempre com o olhar fixo pra lá da janela, volta a dizer-lhe que sim. É 12h50. É a última vez que Carlos Castro vai ser visto com vida por alguém que não Renato Seabra. As câmaras de vigilância do hotel mostram que, neste momento, ele já está dentro do elevador, a subir rumo ao 34º piso. Um minuto depois de a camareira sair, o jovem aspirante a modelo de Cantanhede vai voltar a entrar no quarto.

Assim é um excerto do quinto e penúltimo episódio do mais recente podcast plus do Observador.

Os Ficheiros do Caso Carlos Castro é uma série em podcast narrada pela atriz Joana Santos, que conta com música original do pianista Júlio Resende. A investigação e os guiões são da jornalista Tânia Pereirinha.