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São 10 horas. O Jornal das Dez, esta é a edição do Miguel Videra. Miguel, a Comissão Europeia disponibiliza 25 agentes e oito milhões de euros para ajudar Portugal no controle de fronteiras nos aeroportos.
Nos últimos meses, aqui e ali, tem sido palco de longas filas. O governo justifica com a entrada em vigor do novo sistema de controle, que inclui a recolha de dados biométricos dos passageiros. Há dias, a Comissão Europeia negou a relação. O governo insistiu no argumento, sublinhando o fato do problema das filas ser transversal a outros países europeus, sem se pronunciar sobre esta divergência. O Comissário dos Assuntos Internos anunciou esta manhã, à entrada para a reunião do Conselho de Justiça, que decorre no Luxemburgo, a ajuda a Portugal de 25 agentes e oito milhões de euros, entre elogios ao reforço de meios humanos e materiais já decidido pelo governo.
E o ministro da Administração Interna acredita que vai ser possível evitar os problemas ocorridos o ano passado durante o período do verão.
Como a situação de caos, em particular no aeroporto de Lisboa, com os passageiros a terem de aguardar várias horas na fila para serem sujeitos ao controle de fronteira. Ora, Luís Neves acredita que com a ajuda agora anunciada, a juntar aos investimentos entretanto já feitos, vai ser possível evitar problemas.
Espero que não haja caos. Pode haver. Ainda esta semana houve um pequeno caos no aeroporto, porque houve um engano não imputável aos serviços do Estado, em que largaram 300 e muitos passageiros onde não deviam ter largado. Portanto, isto é toda uma operação que tem que ser feita depois. E, portanto, há sempre uma outra questão que há de surgir, mas nós estamos muito mais confiantes e otimistas relativamente àquilo que era num passado recente.
É a convicção do ministro da Administração Interna, em declarações à Agência Lusa, à entrada para a reunião do Conselho de Justiça e Assuntos Internos da União Europeia, que decorre esta quinta-feira no Luxemburgo.
E os seis detidos na sequência dos desacatos frente à Assembleia da República ontem à tarde vão ser presentes amanhã a primeiro interrogatório judicial.
Disso mesmo dá conta ao Observador fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP explica que, por causa do feriado, só amanhã vai ser possível conduzir os detidos a um juiz de instrução criminal para aplicação das medidas de coação. Os seis estão indiciados, por exemplo, pelo crime de desobediência. Foram detidos no final da manifestação organizada pela CGTP em dia de greve geral. Houve confrontos com a polícia, arremesso de garrafas, por exemplo. O secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, em entrevista à RTP, demarca-se dos incidentes.
O que lhe posso dizer é que não tem manifestantes da CGTP naquela manifestação.
Deve ser o que se está a pensar.
Agora, há grupos que se integram nas manifestações da CGTP para depois levar por diante este tipo de situações e concretizar este tipo de momentos. Mas acho que o objetivo foi conseguido pela CGTP, que tivemos, de facto, de norte a sul do país, incluindo nas regiões autónomas, um conjunto muito largo de manifestações com a presença de milhares de trabalhadores.
Facto sublinhado por Tiago Oliveira, que afasta a CGTP do episódio de violência ocorrido ontem ao final da tarde junto à Assembleia da República.
E os impactos da greve geral, Miguel, ainda se fazem sentir esta manhã.
Pelo menos no que diz respeito à circulação de comboios, até às 08h, dos 133 serviços previstos, foram suprimidos 57, a maioria serviços urbanos da região de Lisboa. Também há supressão de comboios de longo curso, quatro de 10, informação disponibilizada ao Observador pela CP. Ontem, dia de greve geral, não se realizaram 74% das viagens que estavam programadas. Ora, como disse, a supressão de comboios esta manhã afetou sobretudo os comboios urbanos da região de Lisboa. A repórter do Observador, Marta Nobre, está a esta hora na estação de Entrecampos, que serve não só os comboios da CP, mas também o Metropolitano e a Fertagus. Marta, de facto, sente-se aí, tens registo de comboios suprimidos? É esse o relato feito pelos passageiros com quem tens estado a conversar ao longo da última hora?
Bom dia, Miguel. Olhando para os placares aqui na estação de Entrecampos, podemos dizer que a situação está normalizada. Nesta altura, não há nenhum comboio suprimido e há apenas um comboio a circular com algum atraso. Daquilo que eu consegui apurar junto de alguns trabalhadores da estação, a situação foi realmente mais complicada, mas sobretudo ao início da manhã, por volta das 08h, quando ainda se registavam vários comboios suprimidos. Mas a esta hora o cenário é já bastante diferente. Esta é uma das estações mais movimentadas de Lisboa e aquilo que se vê, a esta altura, é um movimento normal de passageiros e uma circulação que está praticamente sem perturbações. Vale a pena acrescentar, Miguel, e como disseste, esta estação de Entrecampos também tem acesso ao metro de Lisboa e pelo que foi possível também confirmar, o metro também já circula sem constrangimentos. Ou seja, podemos aqui afirmar que, pelo menos aqui na estação de Entrecampos, de modo geral, os transportes estão gradualmente a regressar ao ritmo habitual, normal, após a greve de ontem.
É isso que tu, Mário de Nobre, na estação de Entrecampo, testemunhaste. Já está a regressar à normalidade a circulação de comboios, pese embora as primeiras horas do dia ainda tenham sido suprimidas algumas viagens, disse mesmo por tua conta ao Observador, fonte da CP.
O setor dos transportes foi um dos setores em que mais se fez sentir o impacto da greve geral de ontem. Globalmente, a ministra do Trabalho desvaloriza a participação.
Durante a conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros, voltou a sublinhar, a ministra, a ideia de que no setor privado a participação na greve foi residual. No setor público, a adesão foi de cerca de 23%, embora Maria do Rosário Palma Ramalho sublinhe que o teletrabalho dificulta esta contabilização.
Alguns setores comunicaram que também tinham recorrido largamente ao teletrabalho, pelo que muitas ausências não podem ser identificadas como adesão à greve, mas sim como trabalho à distância, que é hoje, como sabem, uma realidade dos nossos dias. No setor privado, confirma-se que a adesão à greve foi absolutamente residual.
Um balanço feito pelo governo que contrasta com a avaliação feita pela CGTP, a confederação sindical, que convocou a segunda greve geral em seis meses, contesta a proposta de alteração ao Código do Trabalho. O debate do diploma do governo está agendado para daqui a duas semanas, 18 de junho, na Assembleia da República.
E a presidente do Tribunal de Contas nega que tenha sido informada, de forma prévia, sobre o plano do governo para reformar a instituição.
Nem quando Filipa Urbano Calvão foi convidada para presidir ao Tribunal de Contas, nem mais tarde, quando no início do ano, a conversou com o ministro da Reforma do Estado. Filipa Calvão contesta a decisão do governo de dispensar a obrigatoriedade de visto prévio para contratos até € 10 milhões. Até aqui, este limite era de €750 mil. A presidente do Tribunal de Contas diz ao Observador que nunca foi informada desta intenção do governo de avançar com uma mudança dos valores sujeitos a visto prévio.
Lá por fora, o ministro israelita com a pasta da Segurança Interna, Ben-Gvir, considera um erro grave o acordo de cessar-fogo alcançado por Israel e pelo Líbano, sob mediação dos Estados Unidos.
Foi anunciado num comunicado divulgado esta madrugada pelo Departamento de Estado norte-americano. A entrada em vigor do cessar-fogo está dependente do fim dos ataques do Hezbollah e a retirada do movimento paramilitar do sul do Líbano. Ficou assente que vão ser criadas zonas-piloto, não foram especificadas quais, que devem ser controladas de forma exclusiva pelas Forças Armadas Libanesas. Os Estados Unidos comprometem-se a apoiar o exército do Líbano a garantir a soberania do território. O ministro israelita Ben-Gvir considera que o entendimento é um erro grave e uma ilusão de assessores que estão a arrastar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para decisões incorretas. É isso que se escreve na rede social X. "Há momentos em que é preciso saber dizer não", escreve Ben-Gvir, "mesmo ao presidente dos Estados Unidos. E se não o fizermos, encontraríamos um Hezbollah mais forte e perigoso da próxima vez", sentencia Ben-Gvir.
E de Gaza chega esta manhã a notícia da morte de nove pessoas.
Segundo a Al Jazeera, resultado de um ataque israelita a um edifício residencial, balanço provisório. O ataque aéreo provocou um incêndio. Entretanto, o ministro das Finanças de Israel anunciou a expansão de colonatos na Cisjordânia com o objetivo de impedir a criação de um Estado palestiniano. Foi anunciada a construção de mais de duas mil casas para colonos israelitas, metade nas cidades palestinianas de Hebron e Nabluz, as restantes nos arredores de Jerusalém.
E à espera do desfecho das eleições de domingo, se Florentino Pérez for reeleito presidente do Real Madrid, José Mourinho vai mesmo rumar à capital espanhola.
É isso que revela o candidato e atual presidente dos madridistas num vídeo publicado nas redes sociais. O que mostra esse vídeo? José Mourinho, vestido com a camisola do clube, sorridente e a dizer isto:
Sim.
Sim, José Mourinho está disponível para treinar o Real Madrid, caso Florentino Pérez vença as eleições que estão agendadas para este domingo.
É o ponto final do Jornal das 10, que teve edição do Miguel Videira.