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As notícias com Carla Jorge de Carvalho. O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência alerta que há dezenas de obras em atraso face ao aproximar do prazo final do PRR. Pedro Dominguinhos avisa que para resolver esta situação, é preciso mobilizar recursos que podem vir do Orçamento do Estado. O jornal Público noticia esta manhã uma carta enviada pela Associação Nacional de Municípios ao governo a pedir ajuda urgente. Aqui na Rádio Observador, Pedro Dominguinhos confirma esse cenário e revela as áreas mais afetadas pelo incumprimento dos prazos das obras do PRR.

Eu estimo que entre escolas, centros de saúde e lojas de cidadão, possamos estar a falar de algumas dezenas de projetos que não vão ficar concluídos no dia 31/08. E eu confirmo também aquilo que o Público noticia, que várias autarquias têm recebido, eu diria, contactos e mesmo missivas oficiais para a rescisão dos contratos, porque as obras não ficarão concluídas.

E com o prazo para a conclusão do Plano de Recuperação e Resiliência a aproximar-se do fim, as câmaras municipais alertam que são precisos mais mecanismos para concluir as obras. Todo o dinheiro dos projetos que não ficarem concluídos até o final de agosto, vai ter que ser devolvido. As câmaras arriscam-se a ser penalizadas. O presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do PRR explica que não só as obras das autarquias estão atrasadas, como também as do setor social.

As obras de cuidados continuados, de ERPIs, de creches no âmbito das respostas sociais, têm exatamente o mesmo problema. E aqui a situação não é que seja mais grave, é igualmente relevante, porque no caso concreto, nós estamos a falar de entidades do setor social que têm uma estrutura financeira frágil, que se tiverem que devolver o dinheiro das obras que já concluíram, isso pode colocar em causa a sua sustentabilidade financeira.

Perante este cenário, Pedro Dominguinhos pede ação ao governo para encontrar uma solução.

Se quisermos resolver essa situação de uma forma harmoniosa, isso implicará necessariamente mobilizar outros recursos ou do BEI ou do PT2030, ou do Orçamento de Estado, ou também, em muitos casos, perdão-me a expressão, sacrificar muito daquilo que são as receitas próprias das próprias instituições, mas muitas delas não terão essa mesma capacidade. Portanto, este é um processo que é particularmente exigente, naturalmente, e que exige uma articulação muito forte entre o governo, entre as entidades, os iniciadores intermediários e os iniciadores finais, para se tentar encontrar uma solução.

Face à preocupação dos autarcas sobre o plano de execução das obras do PRR, o gabinete do primeiro-ministro remete para o ministro da Economia. Ao Público, o gabinete de Manuel Castro Almeida apela aos autarcas para que executem o máximo possível do PRR até o final de agosto. Falamos agora da onda de calor que está a afetar parte do continente europeu. Esta manhã, quase 70 mil casas ficaram sem eletricidade em Finistère, em França, devido ao calor. O ex-presidente do IPMA, Miguel Miranda, considera que Portugal está, apesar de tudo, melhor preparado do que estes países. A grande preocupação, diz Miguel Miranda, é a questão dos incêndios. De resto, sublinha que a situação é anormal, mas considera que o país está mais habituado a estes fenômenos do que França, por exemplo.

Eu diria que estes países são menos preparados que Portugal para estas situações de ondas de calor. Aliás, o que se passa, se ler a imprensa internacional, é que realmente os países do centro e norte da Europa têm muito poucos sistemas de arrefecimento instalados, mesmo em zonas importantes como hospitais ou escolas. E, portanto, a única medida que conseguem tomar é encerrar as escolas, por exemplo. Nós, apesar de tudo, como temos tido uma tradição de uma meteorologia mais quente, estamos mais, de certa forma, preparados para isso. Quando eu digo que o risco para nós teria sido muito grande, era o risco dos fogos florestais.

São os incêndios que mais devem preocupar os portugueses. Jorge Carvalho da Silva, vice-presidente da ASPROCIivil, diz que as autoridades estão em alerta, mas que é preciso agir.

Conseguimos prever que este ano há um grande problema e uma grande preocupação de incêndios florestais, tendo em conta a vegetação rasteira, que está muito elevada, em função do grande crescimento que houve este inverno, potenciado por mais água e mais humidade. Temos essa previsão. Não é só fazer o combate, não é só trabalhar o combate, aumentar o número de carros, aumentar o número de homens em combate. É também o limpar, é o prever que temos que retirar esta carga florestal para trabalhá-la.

Jorge Carvalho da Silva pede ações, até porque prevê um inverno com muita chuva. Diz que o país não pode ficar à espera das consequências deste tipo de eventos.

É o normal que nós temos que ultrapassar. Agora, temos que preparar o futuro de outra forma, temos que começar a ter uma resiliência diferente face a estas alterações climáticas. E isto acontece, seja na parte do calor, seja depois no inverno, que associado vai trazer demasiada chuva, porque se neste momento há demasiado calor, vai haver uma evaporação maior, vai haver uma condensação maior de água na atmosfera e ela quando descarregar, descarrega com efeitos como foi o que aconteceu em Valença há algum tempo.

A mesma ideia é defendida pelo ex-presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Miguel Miranda diz que Portugal não está a fazer o suficiente para mitigar os efeitos das alterações climáticas.

Nós estamos numa subida de temperatura média, claro, medida, sem dúvida, sem nenhum tipo de discussão, e que essa subida de temperatura média está a fazer com que o clima esteja mesmo a modificar. Agora, o clima não vai ficar como está, vai piorar. A temperatura vai aumentar mais e por isso, mesmo que agora se tomassem medidas radicais, a situação iria sempre agravar-se no futuro próximo.

Miguel Miranda, o ex-presidente do IPMA e também o vice-presidente da ASPRO-CIVIL, Jorge Carvalho da Silva, no Explicador desta manhã. Os dois olharam para esta vaga de calor que está a afetar parte da Europa. E num esforço de última hora, o PSD ainda tenta juntar o PS nas negociações para um acordo em torno da Prestação Social Única. Esta manhã vai realizar-se uma reunião entre lideranças das bancadas dos sociais-democratas e dos socialistas com Hugo Soares e Eurico Brilhante Dias. Uma informação que acaba de ser apurada pelo Observador, junto de fontes parlamentares. O PS admite viabilizar a proposta do governo, mas diz que é preciso que se torne mais humana. Já o Chega ameaça vetar se as linhas vermelhas do partido não forem atendidas. Assim, no dia em que o tema é votado na especialidade, o PSD vai tentar fazer um esforço de última hora que inclua também o Partido Socialista, além do esforço de convergência com o Chega. No Porto, é dia de São João e milhares de pessoas saíram à rua para festejar aquela que é conhecida como a noite mais longa do ano. Os tradicionais festejos contaram também com a presença do Presidente da República. Há algo que nunca muda: os martelos, as sardinhas assadas, o fogo de artifício. Ora, a vitória da Seleção Nacional também ajudou, como constatou o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia.

Vozes afinadas, martelo na mão e sardinhas na brasa. Está tudo a postos para a noite mais longa do ano na cidade do Porto. Se o São João é motivo suficiente para cantar, hoje houve motivos redobrados para esvaziar os pulmões. Também nas ruas, o metro quadrado passou a ser, mais do que caro, raro. Entre tripeiros e forasteiros, há sempre espaço e comida para todos.

Já tivemos a oportunidade, eu e o senhor presidente da Câmara, de comer uma bela sardinha, muito bem assada, e beber um vinho tinto verde. Prová-lo.

Se o Presidente da República, no papel de convidado, não se queixou, o anfitrião olhou com orgulho para a cidade vestida de gala.

Sinto um orgulho diferente, eu diria, para ser muito honesto e genuíno, porque poder sentir que estou a liderar uma cidade como esta é, de facto, um privilégio enorme.

A chuva não estragou os planos e a Seleção Nacional acrescentou o último ingrediente para a receita de sucesso dos festejos perfeitos.

É a mistura perfeita. Cheira a sardinha. Portugal ganhou cinco zero, o Cristiano marcou dois gols e está toda a gente a dançar na rua, está toda a gente bem disposta, tudo a martelar na cabeça uns dos outros. Está um espetáculo.

Mas o espetáculo só ficou completo nos céus. Primeiro, e para quem sabe, com os balões.

É preciso deixar bem aquecer, encher de ar quente e só depois soltar.

Depois, o fogo de artifício.

Foi curtinho. Eu acho que já houve anos melhores. Acho que é giro dispersarem o fogo pelo rio Douro até à Ponte Arrábida e dispersar um bocadinho mais o fogo.

O brilho do fogo deixou as ruas em êxtase, mas mesmo com o cansaço nas pernas, o São João não terminou. Entre bailaricos e concertos, a noite mais longa do ano tornou-se em manhã e agora, assim que as energias estiverem recuperadas, é tempo de começar a preparar a festa do próximo ano.

Até porque hoje é feriado no Porto, a reportagem do Miguel Pinheiro Correia. São 10:10. Já a seguir o Contracorrente. Primeiro, que outras notícias marcam a atualidade, Carla? França reportou o primeiro caso de Ebola no país. De acordo com o Ministério Francês da Saúde, trata-se de um médico que esteve em missão na República Democrática do Congo. A notícia acaba de ser conhecida. Vamos desenvolvê-la nos próximos jornais. Pedro Sánchez recusa demitir-se numa altura em que a governação do PSOE está a ser ensombrada por sucessivos escândalos judiciais que se estendem à família do presidente do governo espanhol. Na resposta às críticas da oposição, Sánchez diz que a questão não é se deve continuar, mas sim como vai continuar. Pedro Sánchez está a ser ouvido a esta hora pelos deputados no Parlamento em Madrid. A Agência Nuclear das Nações Unidas garante que haverá uma inspeção às instalações de enriquecimento nuclear iranianas. É um dos pontos-chave do acordo provisório entre Estados Unidos e Irão. A garantia foi deixada pelo líder da Agência Internacional de Energia Atômica e chega depois de declarações contraditórias de Washington e de Teerão. A Agência Nuclear da ONU tem sido impedida por Teerão de visitar as instalações de enriquecimento de urânio. Portugal vai ter de ganhar à Colômbia no jogo da madrugada de domingo, para terminar a fase de grupos em primeiro lugar no Campeonato Mundial de Futebol. Isto porque a Colômbia venceu o Congo esta madrugada, no outro jogo do grupo K. Venceu por um zero. Nas reações ainda à vitória de ontem frente ao Uzbequistão, Roberto Martinez afirma que a Seleção Nacional jogou com responsabilidade. Cristiano Ronaldo sublinha a união do grupo depois de uma semana de críticas e diz também que está feliz por ter marcado dois gols.