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Dez da manhã. As notícias das 10, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. PSD, PS e Chega remetem para amanhã a decisão sobre o adiamento do debate sobre o Estado da Nação. O pedido foi feito pela Iniciativa Liberal. Em resposta à Rádio Observador, os sociais-democratas não querem, para já, pronunciar-se sobre o tema. Os liberais querem que o ministro preste primeiro esclarecimentos sobre a correção dos exames, mas PS e Chega remetem o assunto para a conferência de líderes de amanhã. O deputado do Chega, Rui Cardoso, deixa críticas ao timing do pedido feito pela Iniciativa Liberal e lembra que o Chega quis ouvir o ministro da Educação antes dos liberais.
Todos os outros partidos, na altura, fizeram orelhas moucas, passe a expressão, e não mostraram viabilidade. Diziam que o calendário estava apertado, que já havia muitas coisas marcadas, em suma, queriam ir de férias e não queriam que o debate fosse agendado. E agora, à 25ª hora, dizem que querem adiar o debate do Estado da Nação. Da nossa parte, reservamos a nossa posição sobre essa matéria para a conferência de líderes, mas agora reiteramos a nossa disponibilidade para encontrar, dentro do calendário existente, uma data para ser agendado este debate, para que o ministro possa efetivamente prestar esclarecimentos.
O deputado do Chega, Rui Cardoso, que pede ao ministro Fernando Alexandre que venha prestar esclarecimentos e tranquilizar as famílias. Foi num debate no explicador da Rádio Observador, em que foi discutido ainda se Fernando Alexandre tem ou não condições para continuar no cargo de ministro. Pedro Alves, do PSD, elogia a coragem de Fernando Alexandre e diz que não.
O senhor ministro tem todas as condições para poder continuar. Não é uma situação de um constrangimento de natureza tecnológica que vai pôr em causa todo o processo de mudança e de transformação que estamos a operar em termos de políticas educativas. Independentemente de tudo o resto, se avaliarmos e se atendermos a tudo o que está a acontecer nestes últimos dois anos, o ponto de partida e todas as mudanças que foram introduzidas, seja na educação, na ciência e no ensino superior, percebemos que há efetivamente um rumo claro e houve coragem para fazer esta mudança.
Já do lado do PS, o deputado Porfírio Silva lamenta o descrédito provocado pela polêmica no sistema de exames em Portugal e diz que a continuidade ou não de Fernando Alexandre não é, neste momento, o mais importante.
Nós temos que separar o escrutínio político da necessidade absoluta de resolver os problemas. E o problema, neste caso, é que a integridade do sistema de exames foi posta em causa. Quando nós temos inúmeros testemunhos diretos de que os professores classificadores tiveram instruções para, chegado ao fim do período de classificação, se tivessem respostas que viam que eram incompletas, as classificassem como se elas estivessem completas, isto é o completo descrédito do processo.
Porfírio Silva, que no explicador remete também a decisão do Partido Socialista sobre o pedido da Iniciativa Liberal de adiar o debate do Estado da Nação, remete uma decisão do PS para amanhã. Ora, temos em direto neste jornal agora a líder parlamentar do LIVRE, Isabel Mendes Lopes. Bom dia, obrigada por estar conosco. Pergunto-lhe desde já se o LIVRE está disponível para adiar o debate do Estado da Nação, que está marcado para daqui a dois dias e que passa a ser para depois dos esclarecimentos do ministro da Educação.
Primeiro, muito bom dia. O LIVRE entende que o debate do Estado da Nação não deve ser adiado. Não é por o governo ser incompetente, precisar adiar prazos, que a Assembleia da República deva fazer o mesmo. A Assembleia da República não deve adiar as suas responsabilidades de escrutínio do governo. E eu quero lembrar que a previsão de calendário, a estabilidade de calendário, é também uma parte importante do regular funcionamento das instituições e a Assembleia da República deve cumprir essa previsibilidade e não deve adiar o debate do Estado da Nação. Até porque o problema que está a ser gerado por causa dos exames é exatamente um dos sintomas do Estado da Nação e isso não deve passar ao lado. E eu quero lembrar que o escrutínio da Assembleia da República não termina com este debate do Estado da Nação. Aliás, vai continuar. E por isso é que é importante termos um debate de urgência sobre o problema específico por causa dos exames com o senhor ministro da Educação na sexta-feira. Hoje vamos ouvir a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e da Escola Pública na Assembleia da República, por pedido do LIVRE. Na próxima semana ouviremos o senhor ministro e o Educa. Ou seja, o escrutínio da Assembleia da República não termina com o debate do Estado da Nação e nós vamos continuar, porque esta questão do caos dos exames é um problema grande. Agora, não devemos adiar o debate do Estado da Nação.
Portanto, a posição do LIVRE amanhã, na reunião de conferência de líderes, está clara. Não vão aceitar esse adiamento do debate?
Não. E não percebemos esta proposta por parte da Iniciativa Liberal, que nos parece, na verdade, uma tentativa de varrer a incompetência da direita para debaixo do tapete, porque não é adiando o debate que nós, de facto, fazemos o escrutínio. É confrontando o senhor primeiro-ministro, que o senhor primeiro-ministro não vai agora corrigir exames, os deputados não vão corrigir exames. Há uma obrigação da Assembleia da República de manter o seu calendário e não percebemos esta iniciativa da Iniciativa Liberal.
Isabel Mendes Lopes, muito obrigada por este esclarecimento. Isabel Mendes Lopes é líder parlamentar do LIVRE, aqui com a posição clara que amanhã vai ser colocada na reunião de conferência de líderes, depois da Iniciativa Liberal ter proposto adiar o debate sobre o Estado da Nação para a próxima semana, alegando que é importante ouvir primeiro o ministro da Educação no Parlamento. O ministro da Administração Interna terá construído uma piscina no monte que detém no Alentejo sem comunicar à Câmara Municipal de Odemira. De acordo com os especialistas ouvidos pelo Observador, Luís Neves deveria ter feito uma comunicação prévia por se tratar de uma obra urbanística. Mas não o fez e nas várias entrevistas que deu nos últimos dias, o ministro assegurou que apenas agora estava a tratar da licença para as obras neste monte no Alentejo. Frisou que não o fez anteriormente por achar que não era necessário. As imagens reveladas ontem pela TVI e CNN Portugal mostram que a propriedade não tem um tanque, como tinha dito o ministro, mas sim uma piscina. Na análise no "Luís Ançorena" desta manhã, o editor de política do Observador, Rui Pedro Antunes, considera que o ministro não tem sido suficientemente claro neste caso.
Isto é uma coisa que me faz muita confusão, porque Luís Neves até agora tinha sido ministro, até mesmo a comunicar, parecia bastante eficiente. Era uma grande vantagem para os seus antecessores. E a forma como ele, nas entrevistas todas que deu às televisões, parece ser alguém que não está a dizer tudo ou está a dizer apenas aquilo que naquele momento lhe parece que não lhe traz problemas legais, mostra também algum desleixo, que também não é bom.
Rui Pedro Antunes esta manhã na Rádio Observador. A polêmica com Luís Neves está a ter também impacto, com André Ventura a anunciar ontem que vai pedir diretamente ao primeiro-ministro a demissão de Luís Neves. Os ataques entre Estados Unidos e Irão desta madrugada fizeram subir os preços do petróleo em 3%. É o valor mais alto das últimas quatro semanas. Esta manhã, o Brent, que serve de referência para Portugal, já estava a negociar acima dos 85 euros barril, quando no início do mês estava a ser negociado perto dos 70 dólares. Ontem, ainda antes de Donald Trump ter anunciado um novo bloqueio naval no estreito de Ormuz, o preço do mesmo petróleo Brent tinha disparado quase 10%, atingindo o maior aumento diário desde maio de 2020. Este é um dos resultados da terceira noite consecutiva de ataques entre Estados Unidos e Irão. Os bombardeamentos norte-americanos atingiram vários pontos do país durante cinco horas, na resposta à guarda revolucionária iraniana, reivindicou também ataques contra bases norte-americanas no Golfo. São agora 10:08, Carla, antes do contracorrente, que outras notícias a destacar a esta hora? Voltamos à notícia de abertura deste jornal. O presidente da Assembleia da República deu sequência à queixa apresentada pela Iniciativa Liberal contra André Ventura. Isto depois de um vídeo publicado nas redes sociais em que se vê o presidente do CHEGA a entrar e a filmar, sem autorização, gabinetes das bancadas parlamentares de vários partidos, incluindo o dos liberais. É uma notícia avançada pela Agência Lusa. A Linha do Norte, que liga Lisboa a Porto, está interrompida na zona de Torres Novas. Em causa esteve o atropelamento de três cavalos na linha ferroviária por volta das nove da manhã, o que levou à suspensão dos serviços entre Riachos e Mato Miranda. O acidente aconteceu numa zona de campo, perto precisamente da estação ferroviária de Riachos. Em França, decorrem neste momento as celebrações do Dia da Bastilha, o feriado nacional francês, que arrancou com o habitual fogo de artifício sobre a Torre Eiffel. Espera-se ainda em Paris o habitual desfile militar nos Campos Elísios. Este vai ser o último desfile militar presidido por Emmanuel Macron. Conta com quase sete mil soldados, dos quais 500 de países que integram a coligação de apoio à Ucrânia. Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano, o presidente do governo espanhol Pedro Sánchez e o chanceler alemão Friedrich Merz são alguns dos nomes que também estão hoje em Paris para as celebrações do Dia da Bastilha.