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São 10 da manhã.
As notícias com Carla Jorge Carvalho. O socialista Pedro Costa defende que o tempo de Luís Neves no governo chegou ao fim. Diz que o Ministro da Administração Interna é apenas uma cortina de fumo para os problemas na educação.
É a leitura do socialista Pedro Costa, aqui no Explicador. Defende que o ministro até se poderia defender das acusações, se houvesse tempo e autoridade no governo. Não havendo, Pedro Costa antevê uma saída de Luís Neves do Executivo.
Na minha opinião, já não cumpriu mais nenhuma função política que não seja a de servir de cortina de fumo ao caos que o ministro Fernando Alexandre fez instalar nos exames nacionais, que se vai prolongar para o acesso à faculdade. E é isso que Luís Neves continua a fazer no governo.
Nessa lógica, na sua opinião, devia sair.
Eu acho que é inevitável que saia, mas vamos ver. A grande maioria que elegeu o Presidente da República deseja que esta legislatura dure até o seu final. Nada disto será possível se o governo continuar a acelerar esta degradação da sua autoridade política como um todo.
O socialista Pedro Costa no Explicador desta manhã, onde esteve também o social-democrata Duarte Pacheco, que não acredita na continuidade de Luís Neves no governo, mas aponta para uma decisão apenas em setembro.
Eu tenho muitas dúvidas que haja capacidade dele permanecer durante muito mais tempo. Eu percebo que os primeiros-ministros não gostam de fazer nenhuma remodelação sob pressão. Não gostam de fazer sequer por afirmações públicas do Presidente da República, relembremos o caso Galamba. Mas o primeiro-ministro também tem a percepção, porque é um político experiente, de qual é a sensação da sociedade portuguesa. E alguém com esta pasta tem que ter uma grande autoridade. Não é este o momento, muito bem, aguardemos pelo mês de setembro.
Duarte Pacheco, que deixou elogios ao comportamento do Presidente da República, na forma como tem utilizado a palavra em relação às polémicas que envolvem o governo.
O caso do ministro da Administração Interna, que continua a ter desenvolvimentos. A Procuradoria Europeia está a investigar contratos feitos pela Polícia Judiciária durante a liderança de Luís Neves na instituição.
A notícia foi avançada ontem pela CNN Portugal, refere que a Procuradoria Europeia iniciou um processo de verificação destes contratos, ou seja, uma espécie de averiguação preventiva. O procedimento não foi comunicado ao Procurador-Geral da República, mas já há uma reunião marcada com o atual director nacional da Judiciária, Carlos Cabreiro. Em causa estão os contratos para remodelações e empreitadas que a Polícia Judiciária estabeleceu com a Constro Barcelos, a mesma empresa responsável pelas obras na casa do antigo director nacional da PJ. Esta empresa faturou mais de € 2 milhões com obras na Judiciária no período entre 2019 e 2025. Luís Neves reagiu à CNN, saúda a investigação e diz também que está inteiramente disponível para colaborar com as autoridades.
Os professores não devem conseguir concluir a correção de todos os pedidos de recurso e dos exames da segunda fase até ao final do dia de hoje. É o que prevê, na antena da Rádio Observador, a Missão Escola Pública.
A porta-voz Cristina Mota diz mesmo que há escolas que já comunicaram aos professores o prolongamento do prazo de correção e de reapreciação dos exames até dia seis, a próxima quinta-feira. A porta-voz desta organização de professores diz que há ainda docentes a receberem itens para avaliação.
Temos confirmação que nem todos os relatores têm condições para terminar o seu trabalho no dia de hoje, portanto, as escolas já indicaram o prolongamento do prazo para o trabalho desses professores até dia seis. Temos informação, inclusive, que ontem chegaram convocatórias para mais professores conseguirem fazer a reapreciação de provas que estão em falta e também no que diz respeito aos classificadores que estão a classificar os exames da segunda fase, também ontem ainda tivemos indicação que alguns vão receber mais itens. Portanto, consideramos impossível o trabalho estar concluído no dia de hoje, aliás, à semelhança do que aconteceu na primeira fase.
A data limite prevista para a correção dos exames é o dia de hoje, mas Cristina Mota não acredita que as provas fiquem classificadas nas próximas horas. A Missão Escola Pública também considera que as pautas, se forem afixadas na sexta-feira, podem voltar a ter erros. Recorde-se que ontem no Parlamento, o ministro da Educação dava conta de que 97% dos exames da segunda fase já estavam corrigidos. Também cerca de metade das provas de reapreciação da primeira fase estavam classificadas. Ainda assim, e apesar das aparentes melhorias na segunda fase, Cristina Mota considera que o governo foi irresponsável e que isso vai afetar a entrada dos jovens no ensino superior.
Tendo em conta inclusive o investimento que foi apontado, 2,5 milhões de euros para se corrigir os problemas da primeira fase, entendemos que nesta fase não deveria de existir qualquer problema e entendemos que foi, de alguma forma, irresponsável o avançar para esta fase nos mesmos moldes da primeira, que já tinha dado problemas, ficando impossível concretizar a principal frase dita por Fernando Alexandre, que é: nenhum aluno será prejudicado, e entendemos que neste momento já é impossível tal acontecer.
A porta-voz da Missão Escola Pública, que esteve esta manhã aqui na Rádio Observador, Cristina Mota.
E vamos ainda à crise em Ceuta. Os ministros da Administração Interna da União Europeia estão a esta hora reunidos por videoconferência para debater a crise migratória no enclave espanhol.
Esta reunião tinha início marcado para as 9h, hora de Lisboa. A crise migratória em Ceuta gerou divisões, gerou troca de acusações entre Estados-membros. Ontem o governo italiano voltou a sugerir a suspensão de Espanha do espaço Schengen. Portugal está representado nesta reunião pelo ministro da Administração Interna. Além dos ministros dos 27, participam também governantes dos países que não pertencem ao bloco europeu, mas que integram o espaço Schengen, Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, também representantes da Europol, da Frontex e da Agência da União Europeia para o Asilo. Esta reunião foi marcada de urgência no último sábado, dois dias depois de ter registado a entrada em massa de migrantes procedentes de Marrocos. Entretanto, também em Espanha, 17 pessoas morreram nas últimas horas a tentar chegar às Ilhas Baleares. O barco onde seguiam estava há 15 dias à deriva. Duas pessoas foram levadas para o hospital. Um total de 88 foram salvas pelas autoridades espanholas.
São agora 10h06, antes do Contracorrente, Carla, que outras notícias a destacar a esta hora?
O presidente do Irão garante que o país não tem a intenção de expandir a guerra com os Estados Unidos. Em declarações à imprensa iraniana, Pezeshkian diz que o regime não quer uma expansão do conflito, mas assegura que Irão vai defender integralmente as fronteiras. As declarações surgem depois de Teerão ter negado que negociações estarem previstas, marcadas reuniões com os Estados Unidos, contrariando as afirmações de Donald Trump sobre conversações em curso entre os dois países. Israel e Líbano iniciam hoje uma nova ronda de conversações liderada pelos Estados Unidos em Roma. O objetivo é aperfeiçoar o modelo das chamadas zonas-piloto, que prevê a retirada das tropas de Israel, prevê também o posicionamento de forças regulares de Beirute e a consolidação da segurança na fronteira entre os dois países. Esta ronda de conversações em Roma deve decorrer até quinta-feira. Foi uma noite de troca de ataques entre a Ucrânia e a Rússia. A Ucrânia atacou um armazém perto de Moscovo. Cinco pessoas morreram e nove ficaram feridas. Kiev atacou ainda um outro armazém em São Petersburgo, que pertencia à principal retalhista online da Rússia. Há registo de mais uma vítima mortal no ataque com um drone em Belgorod. Do outro lado, as forças russas lançaram ataques numa zona perto da fronteira com a Ucrânia. As autoridades locais adiantam que morreram três pessoas em casa, duas crianças, uma mulher, outras quatro pessoas ficaram feridas. Os serviços secretos americanos quiseram lançar uma armadilha a um espião português suspeito de vender segredos à Rússia. Aqui estamos a falar da história, que é contada no novo podcast Plus do Observador.
Chama-se "A Vida Dupla do Espião Traidor" e o segundo episódio está agora disponível.
Entre outras revelações, explica como a CIA propôs apanhar em flagrante um português que estava a passar informações classificadas da NATO aos russos.
O plano dos americanos é finalmente revelado. A CIA quer avançar com uma ação encoberta. Quer criar um perfil falso de um suposto cidadão russo, abordar Carvalhão Gil online, fazer uma aproximação calculada ao espião português e ver se cai na armadilha. Quer usar aquilo que na linguagem jurídica se chama um agente provocador. Só que há um problema: a legislação portuguesa proíbe que isso seja feito. Ninguém pode ser levado pelas autoridades a cometer um crime. A resposta é taxativa. A proposta das secretas norte-americanas está fora de questão e os portugueses insistem. Carvalhão Gil vai voltar a encontrar-se com o controlador russo. E nesse momento, a PJ vai estar lá para o apanhar.
É um excerto do segundo episódio do novo podcast Plus do Observador.
"A Vida Dupla do Espião Traidor" é uma série em podcast narrada por Lório Canelas, com música original de Bruno Pernadas. À terça surge um novo episódio. Se for assinante Standard ou Premium do Observador, tem acesso antecipado à série completa.