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São 10h03. Notícias às 10, na Rádio Observador, com Carla Jorge Carvalho. O ex-vice-presidente do PSD, André Coelho Lima, critica a postura do governo perante o Partido Socialista no debate do Orçamento do Estado.

O próprio secretário-geral do PS denuncia que o partido foi destratado e alvo de ataques inexplicáveis no debate de ontem. O tema esteve em destaque no explicador desta manhã. André Coelho Lima considera que tem faltado elegância no debate político por parte do PSD e entende que o atual momento exige uma postura diferente por parte dos partidos que formam o governo.

O combate político pode e deve ser feito com elegância e com elevação. E com toda a franqueza, acho que não fora mais nenhum motivo. Ou seja, se não for os próprios protagonistas a serem capazes de o fazer, pelo menos o respeito pelo momento atual, o respeito por aquilo que os portugueses nos estão a dizer na rua, merecia, obrigava a uma postura dessa natureza. A postura do PSD, em termos parlamentares, não se tem caracterizado por esta elevação e por esta elegância, e acho que independentemente do mais, o momento atual justificava essa postura, esse sentido de responsabilidade da nossa parte.

A crítica de André Coelho Lima à postura do PSD perante o Partido Socialista. O ex-vice-presidente social-democrata deixa, no entanto, elogios às intervenções do ministro das Infraestruturas e Habitação e ao ministro da Presidência, Leitão Amaro. Neste explicador esteve também Francisco Assis, o eurodeputado socialista considera que o José Luís Carneiro tem sido alvo de ataques injustos, mas faz uma mea-culpa.

Eu acho que houve ontem um excesso, sobretudo de ataques ao secretário-geral do PS, ao doutor José Luís Carneiro. O PS tem hoje um líder bastante moderado e um homem muito preocupado em buscar consensos na sociedade portuguesa. E é um homem que desde há muito tempo que disse que ia viabilizar o Orçamento do Estado. Pareceu muito injusta a forma como ele foi ontem tratado na Assembleia da República. Fora isso, acho que evidentemente, há responsabilidades de parte a parte, não é só de um partido. No primeiro período da geringonça, o PS tratou, ou parte do PS, que estava então no governo, tratou o PSD de forma indecorosa, isso também não esqueço.

Francisco Assis, esta manhã na Rádio Observador. O socialista aponta ainda ao antigo secretário-geral do partido, Pedro Nuno Santos, e à antiga ministra da Habitação, Marina Gonçalves, por se terem juntado às manifestações pela habitação em frente à Assembleia da República.

O Presidente da República está a receber desde o início da manhã os partidos com assento parlamentar. O tema em cima da mesa é coesão social, apesar da atualidade ser dominada pelos protestos pela habitação.

As audiências começaram às 08h30 da manhã com o JPP, terminam à hora de almoço com o PSD a ser recebido pela 13h30. Vamos em direto até ao Palácio de Belém. Vasco Maldonado Correia, por esta altura está a ser recebida a delegação do CDS. Antes disso, JPP e PAN mostraram-se disponíveis para fazer parte daquele consenso a que o Presidente da República tem apelado.

Tanto Filipe Sousa como Inês de Sousa Real fazem eco dessas preocupações deixadas já ao longo desta última semana pelo Presidente da República, tal como António José Seguro, apelam ao fim do passa-culpas, a troca de galhardetes sobre quem governou pior, foi uma expressão usada há pouco por Inês de Sousa Real, e mostram-se, tanto o JPP como o PAN, disponíveis para fazer parte desses consensos partidários que têm sido pedidos pelo chefe de Estado, sendo que Inês de Sousa Real vai até mais longe, quer respostas para a habitação e esses entendimentos partidários já na discussão, na especialidade do Orçamento do Estado. Das declarações destes dois primeiros partidos, à saída do Palácio de Belém, sai também a informação de que ouviram um Presidente da República muito preocupado com as assimetrias sociais que existem em Portugal e que têm depois consequência no acesso à habitação. Por esta altura, já estará a terminar também essa audiência com o CDS. Fez-se representar pelo presidente do partido, também ministro da Defesa, Nuno Melo. Isto porque, por esta altura, a delegação do Bloco de Esquerda já está na sala de espera, à espera para ser também recebida pelo Presidente da República.

Muito rápidas estas audiências. A reportagem a partir do Palácio de Belém, do Vasco Maldonado Correia. Também sobre o tema da coesão social, António José Seguro convocou um Conselho de Estado para a próxima segunda-feira.

O presidente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia garante que os agentes da PSP estão solidários com os protestos pela habitação.

Isso para as intervenções da PSP, da causa pela qual os manifestantes estão a lutar. Paulo Santos lembra que a crise também afeta os agentes da Polícia de Segurança Pública.

Nós percebemos bem o que é que se está a passar, mas distinguimos aquilo que é a PSP, Polícia de Segurança Pública, as suas intervenções, a sua missão e as suas operações, e o que é a ASP, Sindicato de Polícia, que representa profissionais que também estão com problemas socioprofissionais e muitos deles também com problemas de habitação. Por isso estamos solidários com esta luta e estamos atentos àquilo que é a nossa luta, ao nosso protesto, e estamos também compreensivos com aquilo que se está a passar no resto do país relativamente à questão da habitação.

Os agentes da PSP e os militares da GNR, que fazem hoje a última de uma série de manifestações em todo o país, vão marchar desde o Largo do Carmo até São Bento, a residência oficial do primeiro-ministro em Lisboa.

Em Israel, dois dias depois das eleições, aguarda-se ainda a contagem dos votos dos militares, que podem ter aqui um impacto decisivo.

Sim, os principais partidos continuam a dar sinais sobre o que pretendem fazer para tentar encontrar um acordo de governo. Agora as autoridades estão a investigar a interferência estrangeira, nomeadamente do Qatar, no crescimento do voto árabe. Em direto de Tel Aviv, está o enviado especial do Observador, Pedro Jorge Castro. Bom dia, Pedro. O que que está em causa?

Bom dia. Parece que há suspeitas desta interferência do Qatar e também da Turquia na entrega de fundos para conseguir trazer mais eleitores a votar nos partidos árabes, ajudando a justificar esse crescimento do voto dos partidos árabes. Isto vai dar mesmo origem a uma investigação, ou seja, a comissão eleitoral em Israel pediu ao chefe dos serviços secretos para usar todos os meios para tirar a limpo se houve, de facto, esta interferência e se ela teve uma influência decisiva nos resultados. Isto parte de uma alegação inicial do Likud, o partido de Benjamin Netanyahu. Yair Lapid, que é o líder do bloco da oposição, veio dizer que isto deve ser tudo investigado, mas que não deve servir para atrasar a tomada de posse do novo Knesset, do novo Parlamento israelita, e a formação de um novo governo. Continuam as manobras de bastidores e as declarações sobre aquilo que se deve seguir, continua tudo muito incerto. Aguarda-se, neste momento, a contagem de mais de 400 mil votos dos militares, a divulgação dos resultados desses votos que poderão ter ainda influência em 12 lugares, o que para chegar à maioria de 61, que permitirá a formação do governo, pode ser muito importante. Ainda sobre esta questão da investigação dos partidos árabes, o ministro da Segurança, Ben-Gvir, que é de extrema-direita e da coligação de Netanyahu, apelou à detenção dos líderes dos partidos árabes na sequência destas denúncias sobre a interferência de partidos estrangeiros, o que mostra uma radicalização da situação e uma enorme dificuldade em encontrar um caminho para sair de toda esta complicação e formar um governo. Do outro lado, um dos líderes dos partidos do bloco de Yair Lapid, que é Avigdor Lieberman, reafirmou que "nem Bibi, nem Tibi", ou seja, ele tinha dito antes das eleições que não aceitaria estar num governo nem com Netanyahu, nem com Ahmad Tibi, que é o líder de um dos partidos árabes. Neste momento, a única janela que abriria para a oposição liderada por Yair Lapid formar governo seria precisamente com esse apoio dos partidos árabes, mas se tiver o apoio dos partidos árabes e perder o apoio deste partido de Lieberman, também não lhe vai servir de muito. Ficou esta garantia dele de que continua a dizer exatamente o que dizia antes das eleições: "nem Bibi, nem Tibi". Está difícil encontrar um caminho para se formar um governo em Israel, mas vamos continuar a acompanhar esta situação na Rádio Observador.

Pois vamos. Com este momento de enorme impasse, o Pedro Jorge Castro está em Tel Aviv numa altura em que os votos continuam a ser contados. As eleições foram na terça-feira. São agora 10h12, já a seguir o Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias marcam esta manhã? Em Espanha subiu para 69 o número de mortos na sequência do acidente ferroviário de ontem. O número acaba de ser atualizado pelas autoridades. Foi depois de uma nova reunião do Centro de Coordenação Operacional Integrado, é o centro de comando nacional que está a gerir a resposta de emergência. O chefe de governo espanhol participou nesta reunião, falou aos jornalistas no final, há pouco. Pedro Sánchez garante o total empenho do Estado no esclarecimento das causas do acidente. Está marcada para sábado uma nova manifestação pelo direito à habitação em Lisboa. Os manifestantes vão voltar a descer a Avenida da Liberdade. A decisão foi tomada na manifestação de ontem, na Praça do Rossio, que terminou sem novo acampamento. No Porto, na Praça D. João I, a PSP autorizou a permanência dos manifestantes, desde que não montassem tendas e que ficassem em silêncio.