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André Maia. Vamos às notícias com o André Maia. André, estão a decorrer a esta hora as operações de remoção do helicóptero que caiu ontem no rio Douro.

As autoridades explicam que o militar da GNR desaparecido pode estar preso no interior e, por isso, definiram como prioridade remover o helicóptero do fundo do rio Douro esta manhã. Vamos já em direto até ao local do acidente. O Ricardo Loureiro está a acompanhar estas operações. Ricardo Loureiro, bem-vindo mais uma vez. Vemos nas imagens o helicóptero que acaba de ser retirado agora mesmo da água, neste preciso momento.

É isso mesmo, é a primeira hora da operação de remoção do helicóptero. São cerca de quatro embarcações que trabalham em conjunto nesta operação. Há uma embarcação maior que está equipada com uma grua e é precisamente essa grua que retirou, há instantes, uma parte do helicóptero. Não a totalidade, é uma parte do helicóptero. A esta distância onde estamos colocados, fica a ideia que é a parte frontal do aparelho. E é aqui também que reside uma boa parte das expectativas por parte de todos aqueles que coordenam esta operação, que é de tentar encontrar o sexto ocupante deste helicóptero debaixo da água, ou no interior da embarcação, ou até mesmo preso na embarcação, para que possa depois ser retirado das águas. Nesta última hora, as atenções voltadas para esta operação, que havia sido projetada para as 10h, e pouco passava das 10h quando cerca de quatro embarcações se colocaram no rio Douro, entre duas unidades hoteleiras. Para quem conhece esta região, entre o Six Senses e a Quinta do Mourão. É aqui que estará o helicóptero e uma parte do helicóptero já foi retirada das águas. Resta agora perceber se é lá que está este sexto ocupante. Dizer ainda que, da última hora e depois de ter recolhido algumas declarações, até de quem esteve de perto a retirar o piloto com vida das águas, dizer que é uma embarcação turística que transportava um grupo de médicos que prestaram, desde logo, auxílio ao piloto, ao único sobrevivente nesta queda do helicóptero, e que essa remoção da água demorou cerca de 40 minutos. Teve também que ver com o estado de saúde do piloto, ele que saiu da água com múltiplas fraturas, também alguns traumatismos, ele que foi encaminhado para o hospital de Vila Real, onde permanece. E também conseguimos apurar que o piloto perguntava pela tripulação, disse várias vezes que não estava sozinho no helicóptero e que várias vezes foi questionando sobre os restantes ocupantes deste helicóptero. Ele foi depois, mais tarde, levado para o hospital. De ontem, a presença dessas já quatro confirmadas vítimas mortais, reside agora a expectativa em tentar perceber se estará ou não junto ao aparelho esta sexta vítima, este sexto ocupante, para que possa ser finalizada esta primeira parte ou esta operação da parte da manhã. Caso contrário, naturalmente, também já fomos aqui dizendo que o perímetro das buscas poderá ser alargado e naturalmente irá ser prolongado, não só para este sábado, como também para os próximos dias, até que seja encontrado o corpo ou este sexto ocupante do helicóptero. Para já, as atenções centram-se na remoção do aparelho e, da última hora, uma parte do aparelho já foi retirada das águas do rio Douro.

A reportagem do Ricardo Loureiro. Ricardo, obrigado. Volaremos a ti sempre que se justificar. O Ricardo Loureiro que está junto ao rio Douro, em Cambres, em Lamego, na zona onde o helicóptero caiu ontem por volta do meio-dia. O comandante da Polícia Marítima, Rui da Silva Lampreia, explica ainda que o perímetro das buscas pode ser alargado.

Vamos ter uma visibilidade na ordem dos cinco metros, o que nos vai facilitar bastante, mas todavia vamos ter que ter muito cuidado para não tocar no fundo, para não levantar partículas em suspensão que irão dificultar as buscas.

Neste momento as buscas estão a decorrer de forma aquática, também aérea, como é que estão a decorrer as buscas?

Em termos de buscas, temos buscas subaquáticas com oito equipes de mergulhadores de várias organizações, entidades. Temos também equipes terrestres nas margens a fazer patrulhas terrestres, a pé, e temos também três drones no ar a fazer buscas no meio aéreo. Estamos assim, desta forma, a cobrir as três dimensões: aérea, terrestre e subaquática.

O piloto é, até agora, o único sobrevivente. Quatro militares da GNR morreram, um continua desaparecido. As operações de busca foram retomadas ao início da manhã. Hoje, relembro, é dia de luto nacional decretado em homenagem às vítimas.

Falamos agora de saúde. Está a ser mais um fim de semana com muitos constrangimentos nas urgências e a situação ainda vai piorar.

Ao todo, hoje, há 12 urgências fechadas, sobretudo a de ginecologia, obstetrícia e pediatria. A região de Lisboa e Vale do Tejo volta a ser a mais afetada e, como dizias, Nelson, a situação agrava-se. Amanhã vão ser 16 as urgências fechadas de norte a sul do país. É o que dão conta os dados disponíveis no portal do SNS. A repórter Maria João Brás está na Maternidade Alfredo da Costa, é uma das poucas abertas na Grande Lisboa. E Maria João, bem-vinda mais uma vez. Na última hora, davas-nos conta de um ambiente com alguma pressão. Relatavas também o caso de pessoas que estão aí praticamente desde a madrugada e que ainda não tinham sido assistidas. Pergunto se a situação se mantém neste momento.

Sim, Mantais. Cá fora a calma é só aparente, como eu dizia há pouco. Lá dentro há relatos de tempos de espera que rondam as três, quatro horas. Eu falava com um senhor há pouco que estava à espera da mulher grávida de 26 semanas. Eles ligaram na madrugada para a Saúde 24, deveriam ter sido encaminhados para o Garcia de Horta, porque é o hospital mais próximo da residência, mas porque este é um dos casos em que as urgências de ginecologia e obstetrícia estão encerradas, foram encaminhados para a Maternidade Alfredo da Costa. Chegaram, dizia-me ele, às 5h e só foram atendidos há coisa de meia hora. Ficaram à espera largas horas, mais do que este tempo médio que eu dei há pouco, as tais quatro horas. Disseram-nos ainda que lá dentro os profissionais de saúde justificaram a demora com o facto do médico estar a fazer um parto e aquilo que se percebe é que há poucos recursos humanos para darem conta, neste momento, a todas as solicitações nesta maternidade, que é das poucas abertas aqui na zona de Lisboa. Falámos também há pouco com uma grávida, mesmo na reta final da gravidez. A Catarina Cardoso está grávida de 35 semanas. Está neste momento na Maternidade Alfredo da Costa, porque está a fazer um curso de preparação para o parto. É aqui que está a médica que a acompanha. Era aqui que gostaria de ter o bebê, mas a situação do SNS, admite, pode deitar por terra estes planos.

Eu já sou ansiosa por natureza, na gravidez ainda um bocadinho mais. E com esta situação das maternidades, é sempre aquela incerteza de onde é que vou parar, para onde é que vou. Andei a gravidez toda a achar que ia ter num sítio e se calhar não vou ter. São sempre dúvidas que aparecem. Claro que no dia terei o bebê em algum sítio. Mas se fosse no sítio que eu quero e que me preparei para, e por isso mesmo também estamos a fazer o curso aqui, seria muito melhor.

Catarina Cardoso, grávida de 35 semanas, mais um caso de uma grávida numa situação de preocupação por causa dos constrangimentos no SNS, em especial nas urgências de obstetrícia e ginecologia. Relembro que hoje estão encerradas 12 urgências, tanto de ginecologia e obstetrícia, como também há casos de urgências pediátricas. Há ainda três urgências que estão com constrangimentos, é o caso do Beatriz Ângelo e o Amadora-Sintra. Amanhã, a previsão é de que a situação piore. O portal do SNS dá conta de 16 urgências encerradas.

A jornalista Maria João Braz. Obrigado, Maria João. Volaremos a ti daqui a pouco. Aqui, neste caso, na Maternidade Alfredo da Costa, com a situação ainda complicada, a direção executiva do SNS divulgou um comunicado na quinta-feira a alertar para constrangimentos nos hospitais este fim de semana, a pedir aos utentes para que liguem para a linha SNS 24 antes de se deslocarem às urgências.

Rui Nogueira, médico e ex-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, considera que este problema é consequência da falta de organização do governo.

O especialista foi ouvido esta manhã na Rádio Observador, acusa o governo de não ter prevenido a situação, apesar de conhecer os riscos.

Eu acho que é tudo mais evidente que o governo já deveria ter resolvido ou minimizado, ou tendencialmente estar a resolver este problema. Nada disso está a acontecer. Ou seja, o problema existe, é conhecido, há anos que conhecemos. Até saberíamos antes de acontecer que ia acontecer este problema, isto é, nós prevíamos que os anos 2020, 22 seriam de grande carência de médicos se nada fosse feito, e já sabíamos isso há muitos anos. E com a organização que temos, ou melhor dizendo, com a desorganização que temos no Serviço Nacional de Saúde, este problema tem vindo a agravar-se.

Declarações de Rui Nogueira, médico e ex-presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar. Lembra que este é um problema antigo e por isso acusa o governo de falta de planeamento. A região de Lisboa e Vale do Tejo volta a ser a mais afetada com o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia.

Já a seguir, na Rádio Observador, temos um gabinete de guerra. Antes disso, outras notícias em destaque a esta hora, André.

A líder parlamentar do PS avisa que os socialistas não vão aprovar um orçamento de direito. Alexandra Leitão acusa o governo de querer forçar a aprovação, sem diálogo nem negociações. Em declarações na Academia Socialista, Alexandra Leitão avisa que o PS não se vai deixar humilhar. Hoje, António Costa vai participar neste evento dedicado aos jovens. A PSP sinalizou no último mês mais de 500 idosos a viverem em situações de risco social. Quase 300 foram identificados. Em comunicado, a PSP explica que em causa estão situações como falta de autonomia ou a suspeita de serem vítimas de crimes. O Benfica voltou a perder pontos no campeonato, empatou ontem à noite a uma bola no terreno do Moreirense. Esteve a perder, mas aos 97, praticamente no último momento do jogo, fez o gol do empate através de pênalti, que deixou muitas críticas. Continua uma forte contestação a Rui Costa e também a Roger Schmidt. Hoje é dia de clássico, o primeiro do campeonato. Sporting e Futebol Clube do Porto defrontam-se a Alvaláde às 20h30. Um jogo que pode e deve ouvir aqui com relato em direto na Rádio Observador.