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Arranca o Jornal do Meio-Dia na Rádio Observador, edição do jornalista Miguel Videira. Miguel, já vamos ao rescaldo das eleições autárquicas, mas começamos este jornal com os momentos históricos que se vivem por esta altura no Médio Oriente. Donald Trump vai discursar daqui a instantes no Parlamento de Israel.
Onde chegou há cerca de uma hora e foi recebido assim. Para além dos aplausos, alguns deputados do Knesset usavam um chapéu vermelho com a inscrição: "Trump, o presidente da paz". Foram esta manhã libertados os 20 reféns vivos que estavam na posse do Hamas e há cerca de uma hora chegou a Ramallah, na Cisjordânia, o grupo de prisioneiros detidos por Israel. Aqui escutamos o som da multidão que aguardava pelos detidos e que engoliu literalmente os autocarros que transportavam os detidos pelas autoridades israelitas, libertados agora ao abrigo do acordo de cessar-fogo promovido pelo presidente dos Estados Unidos, que, como disse, está a esta hora no Knesset, o Parlamento de Israel, vai discursar daqui a pouco. Primeiro foi o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que disse que Israel fez o que tinha que fazer para responder aos ataques bárbaros perpetrados pelo Hamas. Quanto aos Estados Unidos, diz Benjamin Netanyahu: não podiam ter melhor presidente.
"Donald Trump é o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca. Pagámos um preço elevado por esta guerra, mas o inimigo percebe agora o poder e a determinação que Israel tem. Eles percebem que atacar Israel no 7 de outubro foi um erro catastrófico. Eles perceberam que somos fortes e que estamos aqui para ficar. E isto, senhor presidente, é a base indispensável da paz, a paz através da força."
Nestas declarações no Parlamento israelita, foi ainda reiterado o pedido para que Donald Trump vença o Prêmio Nobel da Paz no próximo ano.
Dois minutos depois do meio-dia. Continuamos a digerir os resultados das eleições autárquicas. O PSD, Miguel, foi o grande vencedor da noite.
Sim, mais câmaras, mais freguesias. Manteve Lisboa, conquistou Porto, Gaia e Sintra, os quatro municípios mais populosos do país. Em Vila Nova de Gaia, venceu Luís Filipe Menezes, um regresso à autarquia que deixou em 2013. A esta hora, na Afurada, vila piscatória do Conselho de Gaia, está a repórter do Observador, Laura Figueiredo. Laura, como está a ser recebida esta vitória do antigo presidente do PSD?
Está sendo muito bem recebida, Miguel. Os moradores com quem falei ao longo da última hora mostraram-se muito satisfeitos com este regresso de Luís Filipe Menezes. Estou aqui na Afurada, uma área piscatória na margem sul do Douro, mesmo em frente ao Porto. Luís Filipe Menezes, que já esteve 16 anos à frente desta autarquia, regressa agora e comigo tenho o João Correia, que vive aqui em Vila Nova de Gaia, que está também satisfeito, e pergunto-lhe se esperava já, de facto, que Luís Filipe Menezes voltasse a vencer as eleições.
Antes de mais, boa tarde. Com certeza que esperava uma vitória de Luís Filipe Menezes. O povo jamais deixará de ser grato por tudo o que ele fez e esperamos, todos nós, que daqui para frente faça ainda mais e melhor do que aquilo que já fez pelo Conselho de Vila Nova de Gaia.
Na sexta-feira, que foi o último dia de campanha eleitoral, Luís Montenegro esteve aqui na Afurada com Luís Filipe Menezes e disse que Menezes foi o melhor presidente de câmara que Vila Nova de Gaia já teve. Concorda?
Sem dúvida alguma. A obra está feita, infelizmente, o Conselho estagnou de alguma forma nos últimos 12 anos com o Partido Socialista. Agora, aquilo que esperamos e acreditamos é que com o doutor Luís Filipe Menezes, a cidade voltará a estar encaminhada para um futuro bem melhor.
E como é que vê o resultado aqui na Afurada? Sente que a maioria apoiou Menezes ou foi uma vitória mais dividida?
Dividida? Foi tudo menos dividida. A vitória mais estrondosa que aconteceu no Conselho de Vila Nova de Gaia foi precisamente em São Pedro da Afurada. A maior vitória do Conselho foi precisamente aqui, com 54% dos votos, é mais do que unânime. Foi uma vitória inteiramente justa, porque as pessoas acreditam e foi estrondosa a vitória.
Obrigada. Fica aqui, então, o testemunho de João Correia, morador aqui em Vila Nova de Gaia e na Afurada, aqui nesta freguesia de São Pedro da Afurada, a coligação do PSD, CDS, Iniciativa Liberal, encabeçada por Luís Filipe Menezes, venceu por cerca de 400 votos. Luís Filipe Menezes volta assim a liderar a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia. Ontem, no discurso da vitória, o social-democrata prometeu que vai liderar para todos. Enunciou também a intenção de fazer auditorias à governação socialista dos últimos 12 anos.
Vila Nova de Gaia, é onde está a Laura Figueiredo, a repórter do Observador neste município conquistado pelo PSD ao Partido Socialista.
PS que perdeu as autárquicas face às eleições de há quatro anos, 21 no total, mas tem alguns ganhos. Miguel, conquistou, por exemplo, alguns conselhos que são capitais de distrito.
Sim, alguns com surpresa. O caso de Viseu, até aqui liderado pelo histórico autarca do PSD, Fernando Ruas. O Partido Socialista ganhou também em Bragança, autarquia que era do Partido Social-Democrata desde 1997. Isabel Ferreira é a nova presidente de Câmara e está conosco nesta edição do Meio Dia. Bem-vinda, Isabel. Obrigado pela sua disponibilidade. Este era um resultado que cabia nas suas expectativas ou foi apanhada de surpresa?
Muito bom dia. Cabia completamente nas minhas expectativas. Trabalhámos para isso. Partimos de um cenário de enorme desvantagem, muito difícil, mas foi um trabalho de terreno muito intenso durante os últimos meses e, portanto, também fomos sentindo a vontade de mudança das pessoas. Era isso que eu sentia no terreno
Nas freguesias mais urbanas, quer nas mais rurais.
Desculpe interromper. Nas legislativas, o PS ficou em segundo lugar, a perto de 3000 votos da AD. O que contribuiu para esta inversão de posições tão poucos meses depois?
Certamente as equipas que se apresentaram e também as propostas, a proximidade com que fomos fazendo esta pré-campanha e a campanha. Ouvimos muita gente, falámos com muitas pessoas, o que era importante para conquistar a confiança de todos. Mas eu penso que as pessoas apostaram essencialmente nos rostos das equipas que escolhemos e apostaram na mudança, porque era muito desejada e portanto, acho que também é a recompensa da meritocracia e da capacidade de trabalho. Acho que é isso que aconteceu acima de qualquer questão partidária.
E que contribuiu para esta mudança. O PSD, como dizia, estava na autarquia desde 1997. Já sabe qual vai ser a sua primeira decisão?
Para já vou ter que me inteirar de tudo na Câmara Municipal e conversar com todos, conhecer a todos e fazer depois as alterações com calma.
Para fecharmos, que avaliação faz dos resultados do PS nestas eleições? Sai beliscado o secretário-geral José Luís Carneiro?
Não, acho que houve conquistas importantes, nomeadamente em algumas capitais de distrito. E queria sublinhar aqui também a importância no caso de Bragança, porque estamos a falar de uma governação autárquica do PSD que tinha 28 anos. É muito tempo. Portanto, foi uma vitória histórica para o Partido Socialista também aqui.
Agradeço-lhe, Isabel Ferreira, é a nova presidente da Câmara Municipal de Bragança. Destronou o PSD, que estava no poder desde 1997.
De Bragança seguimos a Setúbal. Maria das Dores Meira venceu as eleições depois de uma contagem de votos muito renhida com o PS. A candidata, que já foi da CDU, conquistou a Câmara com o apoio do PSD e também do CDS.
Maria das Dores Meira regressa ao município que liderou entre 2006 e 2021 pela CDU, conquistou o mesmo número de vereadores que o PS. O Chega tem sete mandatos, a CDU tomba para quatro vereadores. A Iniciativa Liberal e o Livre conquistaram um mandato cada. A nova presidente da Câmara de Setúbal sabe que vai ter de negociar com outros partidos face a esta configuração. Nada que assuste Maria das Dores Meira.
Por Setúbal, tudo. Vamos com calma, com responsabilidade, com idoneidade e vamos trabalhar todos juntos. Eu já estou habituada a estas coisas, a estas pressões, a estas vicissitudes e portanto, é muito trabalho e o PSD e o CDS é um partido com importância em Setúbal, muita gente boa também e portanto foi também um prestígio, foi uma honra o apoio expresso destes dois partidos.
Maria das Dores Meira, a nova presidente da Câmara Municipal de Setúbal. O regresso à autarquia que conhece bem, liderou na altura como candidata da CDU. A terceira força política em Portugal continua a ser precisamente a CDU, apesar de ter perdido algumas autarquias. O caso de Setúbal, como aqui falávamos. A coligação liderada pelo PCP ganha 12 municípios contra 19 nas autárquicas de 2021. O CDS mantém seis câmaras municipais. O Chega consegue as primeiras autarquias nas segundas eleições a que concorre, autárquicas, entenda-se. Ganha em São Vicente da Madeira, no Entroncamento e também em Albufeira, pela mão de Rui Cristina.
E é com este detalhe dos resultados obtidos pelos partidos nas eleições autárquicas que fechamos o Jornal da Meia Dia, edição do Miguel Videra.