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É meio-dia. Este é o Jornal do Meio-Dia com edição do Miguel Videra. Miguel, vamos começar pelos terremotos que atingiram a Venezuela. Há um novo balanço de vítimas: teriam morrido até agora 164 pessoas.
Balanço avançado há instantes pela presidente interina Delcy Rodríguez, em entrevista à televisão pública venezuelana.
Neste momento, os números já confirmados são de 164 mortos e 971 feridos. Houve também 30 réplicas desde os dois sismos principais, registados de forma consecutiva por volta das 18h.
Delcy Rodríguez adianta que a ajuda de emergência já é disponibilizada por outros países e organizações internacionais.
Quero informar que, perante esta necessidade que a Venezuela tem de equipes especializadas em operações de resgate, falei com vários chefes de Estado e também com o coordenador do sistema das Nações Unidas na Venezuela. Já estão a ser enviadas equipes especializadas em operações de resgate, certificadas pelo sistema da ONU, que já se encontram a caminho do nosso país.
Ajuda a caminho da Venezuela. A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou também nesta entrevista à televisão pública, que foi criado um fundo de US$ 200 milhões com recurso ao Fundo Monetário Internacional, dinheiro que vai ser aplicado na reconstrução das infraestruturas destruídas na sequência dos terremotos.
E, para já, Miguel, não há indicação de portugueses entre as vítimas.
Era pelo menos essa a informação avançada às 10h pelo secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, entrevistado aqui na antena do Observador.
Neste momento, não temos informação da existência de vítimas portuguesas. Não quer dizer que não possam vir a existir, mas de momento, em todos os contactos que temos feito, não temos nenhuma informação de vítimas portuguesas.
E em relação a turistas portugueses na Venezuela, existem dados em relação a esses números?
Nada. Não temos nada. Também neste momento a Venezuela não é um grande destino turístico, por razões de algumas dificuldades que existem, mas tínhamos lá duas tripulações da TAP no aeroporto que foram apanhadas no momento do sismo, mas que já estão realojadas num hotel e que tinham ferimentos muito ligeiros, mas que estão realojadas e estão todos bem.
Informações adiantadas ao Observador pelo secretário de Estado das Comunidades.
Emídio Sousa, que fazia aqui referência a duas tripulações da TAP em Caracas na altura dos terremotos. O presidente do Sindicato dos Tripulantes detalha o que aconteceu.
Ricardo Penarroias revela que o hotel ficou destruído e que os tripulantes saíram com o que tinham na altura.
A informação que nós temos é a roupa do corpo, porque depois que ocorreu o sismo, tivemos de evacuar rapidamente o hotel, que desabou, aquilo que nós fomos, ruiu, foi a expressão que eles usaram. Portanto, a situação foi dramática, foi difícil. Os relatos que nós temos são difíceis de ouvir, mas temos em contacto permanente com eles e esperamos dar o apoio total.
O presidente do Sindicato dos Tripulantes dá também conta que está em contacto com a TAP e com o governo para perceber de que forma vai ser garantida a saída dos 11 tripulantes do território venezuelano.
Ouvíamos há pouco, Miguel, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a dar conta da ajuda internacional disponibilizada nesta altura para ajudar nas operações de resgate. E o que sabemos, de outras experiências, é que a resposta nas primeiras horas é fundamental.
Sim, é, João. Juntas a este Jornal do Meio-Dia da Rádio Observador, Nelson Olim, é médico especialista em medicina de catástrofe. Bom dia, obrigado pela disponibilidade. Ao longo das últimas horas, temos ouvido com insistência o número 72. Setenta e duas horas, três dias, a janela temporal considerada decisiva para o resgate com vida de vítimas do terremoto. Qual é a relação deste horizonte temporal e a capacidade de sobrevivência do ser humano?
Olá, muito bom dia. Na verdade, esta é uma regra que nós usamos muito na área da medicina de catástrofe, que chamamos a regra dos três, que são três minutos sem oxigênio, três dias sem água e três semanas sem alimentos. Portanto, quando nós falamos nestas 72 horas, estamos a falar essencialmente do acesso à água. Há uma tendência, obviamente, de focar toda a atenção nestes processos de busca e salvamento imediato, porque há pessoas que de fato ainda estão retidas sob os escombros. E a probabilidade de sobrevivência dessas pessoas, que numa primeira hora, se calhar anda ali à volta dos 90%, mas depois a cada 24 horas que passa, cai para metade essa probabilidade de sobrevivência. Mas eu gostava de chamar a atenção que existem já bastantes feridos, e esses não só precisam de abrigo, precisam de água, precisam de alimentação, precisam de cuidados médicos. A estimativa inicial para este sismo, se nós tivermos em atenção a totalidade da população que foi afetada numa escala de Mercalli acima de oito, estamos a falar cerca de 2 milhões de pessoas. Ora, 2 milhões de pessoas, quando nós calculamos estes números, estamos a falar cerca de entre 8 mil a 10 mil mortos, mas estes 8 mil a 10 mil mortos implicam habitualmente cerca de 30 mil feridos. E destes 30 mil feridos, há uma percentagem que são feridos graves e que eventualmente morrem nas primeiras horas por falta de assistência médica. Portanto, estamos a falar de feridos Que só sobrevivem algumas horas com as lesões que têm. Mas depois temos uma porcentagem muito grande, que são cerca de 10 mil pessoas, que são feridos moderados, ou seja, são feridos com, por exemplo, fraturas de braços, fraturas de pernas, lesões que precisam ser tratadas do ponto de vista cirúrgico e para os quais também há uma janela temporal a contar para esses. Nós muitas vezes esquecemos, mas isso implica que os hospitais neste momento estão completamente assoberbados por feridos que precisam de tratamento cirúrgico, que já lá estão e que já existem. Estes feridos já existem, não são aqueles que nós estamos indo à procura. Eles, no fundo, foram feridos nos primeiros momentos do sismo.
É necessária ajuda médica internacional? Partiu do pressuposto que o sistema de saúde venezuelano, não especificamente por ser venezuelano, mas dada a magnitude desta tragédia, não tenha capacidade para dar resposta. Essa ajuda médica imediata é fundamental?
A ajuda médica é fundamental. Como digo, nós habitualmente focamos muita atenção nesta questão da busca e salvamento, mas a busca e salvamento é, de facto, uma minoria do ponto de vista das necessidades. Ou seja, as pessoas que vão ser extraídas, principalmente ao fim do primeiro dia, em ações de busca e salvamento, são, de facto, uma minoria, comparando com aquelas que foram já feridas no momento do evento e essas, sim, precisam de cuidados médicos hospitalares diferenciados.
Há organizações especializadas neste tipo de apoio, médicos prontos para pegarem nas mochilas e arrancarem rumo à Venezuela para prestar essa necessária ajuda?
Sim, exatamente. Nós temos, a nível internacional, por exemplo, a Federação da Cruz Vermelha, que é a federação que une todas as sociedades nacionais das várias Cruz Vermelhas à nível internacional, que é habitualmente rapidamente mobilizada nestas situações. E depois temos mecanismos altamente estruturados, como por exemplo, o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, etc., que também têm essa capacidade de mobilização. E depois há uma série de organizações não governamentais a nível internacional, umas que já operam na Venezuela e outras que obviamente estão prontas para operar, apesar de neste momento não se encontrarem lá. Portanto, eu diria que a nível internacional, neste momento, está a ser feita uma análise inicial do que são as verdadeiras necessidades, uma vez que convém enviar aquilo que, na verdade, são as necessidades da Venezuela e não coisas que neste momento não fazem qualquer sentido. E, portanto, eu imagino que nas próximas horas vamos começar a ver e vamos começar a ter notícias da mobilização das primeiras organizações. Houve logo um pedido inicial feito pelo governo da Venezuela para ajuda internacional. Isso é importante, porque sem este pedido, as equipes não se podem deslocar para lá. Obviamente que há constrangimentos do ponto de vista logístico neste momento também na Venezuela, que tem a ver com o facto do próprio aeroporto neste momento não estar 100% funcional. Mas há aeroportos alternativos, há outras vias de entrada, e portanto, eu acho que nas próximas horas vamos começar então a ver a ajuda a chegar.
Nelson Olin, obrigado pela sua presença nesta edição do Meio-Dia. Nelson Olin, médico e especialista em medicina de catástrofe, convidado desta edição do Meio-Dia da Rádio Observador, a pretexto dos terremotos que atingiram o território da Venezuela.
E que provocaram, até o momento, 164 mortos. O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, já expressou solidariedade com o povo venezuelano e disponibilizou ajuda de emergência e também ajuda humanitária.
Disso dá conta na rede social X, escreve também Luís Montenegro, que nesta altura estão todos unidos em torno de um país a que muitos portugueses chamam casa. Há perto de 200 mil portugueses registados nos consulados na Venezuela, sendo que, a juntar os lusodescendentes, residem hoje na Venezuela números não oficiais, perto de 1 milhão de portugueses.
E o secretário-geral do PS também já expressou solidariedade com a Venezuela e sugere que a ajuda de Portugal deve ser coordenada com a União Europeia.
Através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, explica José Luís Carneiro.
Nós temos capacidades únicas para busca, resgate e salvamento em circunstâncias desta natureza. Já projetamos esses meios para outros teatros de operações internacionais e a minha sugestão é que o governo português se disponibilize às autoridades venezuelanas e junto do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, possam colocar os meios da Proteção Civil Europeia ao dispor da Venezuela.
A sugestão é feita por José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, sendo que o primeiro-ministro Luís Montenegro já deu conta que o governo português está preparado para disponibilizar ajuda de emergência e humanitária.
É o ponto final no jornal do Meio-Dia.