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Jornal do Meio-Dia, na Rádio Observador. A edição é do José Rafael Lopes. Começamos com a situação em Ceuta. Foi revisto em alta o número de mortos na sequência da crise migratória. São agora 72 as vítimas mortais.

Número revisto em alta pelas autoridades espanholas. O representante do governo espanhol em Ceuta diz que foram tomadas medidas excepcionais para fazer face à entrada de milhares de migrantes vindos de Marrocos. Em conferência de imprensa, Miguel Pérez Triano afirma que foi necessário aumentar o número de recursos para atender todas as pessoas que chegavam por mar e garantir a segurança da cidade de Ceuta. O representante espanhol enumera algumas das medidas que foram desenvolvidas e fala numa preparação para que seja criado um novo centro de acolhimento e triagem de migrantes.

Até àquele momento, estivemos a discutir as crises migratórias que enfrentamos e as medidas adotadas para lidar com elas. As medidas adotadas naquele período, que anunciamos justamente naquela quinta-feira, incluíram o aumento em nove pessoas do efetivo do serviço marítimo da Guarda Civil. Além disso, iniciaram-se os preparativos para um centro temporário de acolhimento e triagem. Trata-se de um novo tipo de instalação introduzido pelo Pacto Europeu sobre Migração e Asilo, que é concebido como local onde a Polícia Nacional pode manter migrantes para realizar a triagem antes que eles passem por trâmites posteriores ou sejam admitidos em um centro de estada temporária.

Miguel Pérez Triano diz ainda que o que aconteceu foi uma clara violação da integridade territorial de Ceuta e que está em permanente contacto com o governo de Espanha na resposta a esta crise súbita de migração.

A equipe de reportagem do Observador dá conta de um reforço policial em Ceuta.

Com carros de combate junto aos supermercados, mas estão espalhados também por toda a cidade. É o que nos conta a Inês André Figueiredo, enviada especial do Observador a Ceuta, diz que há menos imigrantes na rua, é certo, mas os que se mantêm pela cidade fazem-no com o objetivo de não regressar a Marrocos.

Neste momento, a realidade pressupõe tanques do exército espanhol nas ruas, polícia por todo lado. Estes tanques estão à porta dos supermercados e as pessoas de Ceuta com quem temos falado têm mostrado que só assim se conseguem sentir seguras. Esses tanques estão aqui para dar essa sensação de segurança, mas o trabalho do exército espanhol está longe de ter terminado. Agora que a situação na praia, na fronteira entre Espanha e Marrocos está muito mais calma, depois de ter sido colocada boia com cerca de 500 metros para complicar a chegada dos migrantes, por assim dizer, a verdade é que o exército está espalhado por toda a parte e o que se está a fazer é tentar encaminhar os migrantes que ainda estão na cidade para o passadiço que leva a essa fronteira para que regressem a Marrocos. O número de pessoas que passam nesse corredor tem vindo a diminuir significativamente, porque neste momento, quem está em Ceuta vai jurando que está para ficar e que fará tudo para conseguir uma passagem para o território europeu. Os centros de alojamento temporários estão completamente cheios e à porta destes centros há centenas de pessoas à espera de uma vaga.

A reportagem da Inês André Figueiredo, a partir de Ceuta, dá conta da situação na cidade. Na terça-feira vai decorrer um conselho da União Europeia sobre o tema. Vários estados membros têm tido reações divergentes entre pedidos para o maior controle de fronteiras e a suspensão dos acordos do espaço Schengen. O tenente general Marcos Serronha considera que alguns governos tiveram uma reação brusca, sobretudo tendo em conta que Ceuta não faz parte do espaço Schengen.

Há uma polarização de posições, neste caso da imigração. Os países que têm mais preocupações com a questão do tratamento político do fenômeno das migrações, tiveram uma reação relativamente um pouco mais brusca do que aquilo que era necessário. É preciso também pôr a questão em contexto. Ceuta não faz parte do espaço Schengen. O que alguns países disseram parece que tinha havido uma invasão do espaço Schengen, o que não é verdade. A questão mais sensível da segurança é uma questão mais dos países, embora há sítios onde tem que haver coordenação entre os países, que é o caso, por exemplo, de nós, Portugal e Espanha, naturalmente, temos uma fronteira contígua da União Europeia, que tem que ser tratada de forma articulada.

O tenente general Marcos Serronha na análise à crise migratória em Ceuta, no gabinete de guerra, aqui na Rádio Observador.

Entretanto, o Papa diz estar atento.

No Vaticano, Leão XIV pronunciou-se sobre esta situação migratória que está a acontecer em Ceuta. Leão XIV garante que está a acompanhar e que essa situação na região é alarmante. Diz ainda o líder da Igreja Católica que espera que sejam encontradas soluções para as milhares de pessoas que estão a chegar a Ceuta e de regresso a Marrocos. Pede o Papa Leão XIV, paz, estabilidade e justiça.

Sigo com preocupação a alarmante situação em Ceuta. Peço a Deus, por intercessão do nosso Senhor de África, que se possam encontrar soluções de paz, estabilidade e justiça. Continuemos a pregar pela paz, porque no mundo existe uma guerra. Temos de encontrar soluções diplomáticas para os conflitos. Recordemos todas as vítimas das hostilidades, sobretudo as mais fracas e indefesas, crianças, idosos e doentes.

A reação do Papa Leão XIV no Vaticano, a garantir que são precisas soluções para a crise migratória em Ceuta e que está a acompanhar a situação.

No Meio Oriente, Donald Trump cancelou o ataque previsto contra o Irão. O presidente dos Estados Unidos anuncia que há a perspectiva de um novo acordo e decidiu suspender a ofensiva.

O presidente norte-americano diz que estava pronto para atacar o Irão com uma força renovada, mas diz que aceitou travar a ofensiva devido a um pedido do Irão, mas também de outros países do Médio Oriente, e que há bases para um novo acordo. É o que escreve o presidente dos Estados Unidos numa publicação na rede social Truth Social. Na análise, o tenente-general Marcos Serronha diz que o cancelamento do ataque pode ser um sinal positivo para futuras negociações, apesar das posições ainda não se terem alterado do ponto de vista da retórica.

Vamos ver. Pode ser que haja expectativas positivas relativamente a haver um acordo, embora nós sabemos à partida que as posições, tanto dos Estados Unidos como do Irão, não se alteraram significativamente, pelo menos do ponto de vista retórico. O Irão não abdica do Estreito de Ormuz, não quer a questão nuclear posta nesta fase. Os Estados Unidos insistem na questão de Ormuz aberto e livre e do Irão não ter armas nucleares. O que resulta daqui é que quem lidera a questão das negociações e da narrativa comunicacional à volta de tudo isto é o Irão, e essa preocupação que o Irão tem tido sempre, de algum modo, tem tido sucesso.

O tenente-general Marcos Serronha, na análise ao conflito entre os Estados Unidos e o Irão no gabinete de guerra. Donald Trump em destaque. O presidente norte-americano diz também que o entendimento com o Irão prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim da ameaça nuclear em Teerão.

Os incêndios em curso no distrito de Vila Real entraram agora, Zé, em fase de resolução.

Sendo que aquele que continua a concentrar mais operacionais é o incêndio de Vale de Passos. O segundo comandante regional de Emergência e Proteção Civil do Norte diz à Agência Lusa que o incêndio teve reacendimentos fortes durante a noite, mas que esses reacendimentos foram combatidos e o incêndio está controlado. O comandante garante ainda que os operacionais e os meios se vão manter no terreno para assegurar que as chamas não voltam a sair do controle dos bombeiros. O incêndio em Vale de Passos tem neste momento mais de 700 operacionais no terreno, apoiados por 240 viaturas, e o número de meios aéreos ao serviço reduziu para três. A Proteção Civil explica que o incêndio está controlado, mas não extinto. Já o fogo que deflagrou ontem em Mesão Frio, também no distrito de Vila Real, foi dado como dominado por volta das 22h. Mais de 150 operacionais estiveram no terreno, apoiados por 11 meios aéreos. Não houve qualquer tipo de povoação em risco devido às chamas.

Agora 12h08, já seguirá em 40 minutos, mas para já outras notícias em destaque a esta hora.

A Força Aérea da Ucrânia diz ter neutralizado 109 dos 133 drones russos lançados nos ataques desta noite contra territórios ucranianos. No entanto, 24 drones de ataque conseguiram atingir 19 locais diferentes, enquanto fragmentos dos aparelhos abatidos caíram noutros três locais que não foram especificados. No relatório semanal sobre este tema, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que ao longo dos últimos sete dias a ofensiva russa disparou mais de 140 mísseis contra a Ucrânia e foram também lançados 2 mil drones. O primeiro-ministro grego alerta para a situação extremamente complicada que o país enfrenta devido às condições meteorológicas extremas. O apelo chega numa altura em que, na Grécia, centenas de bombeiros combatem um fogo no Golfo do Corinto. O país encontra-se agora no nível máximo de incêndios, com operações de combate às chamas em grande escala e evacuações de emergência planeadas. E a Hungria anunciou uma paragem inédita de uma central nuclear devido à seca e ao calor. Anúncio feito pelo primeiro-ministro húngaro, que explica que os níveis de água do rio Danúbio estão demasiado baixos para permitir o uso da central de Paks, situada a mais de 100 km a sul de Budapeste. Esta central nuclear fornece cerca de 40% da produção anual de energia da Hungria. A situação corre o risco de agravar-se devido às temperaturas entre os 40 e os 42 °C, que estão previstas para os próximos dias no país da Europa Central.