Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
A Fórmula 1 está de regresso a Portugal. Já sabíamos que Portimão voltaria a receber o campeonato para o ano que vem, bem como em 2028, mas agora há uma data concreta para marcar no calendário: de 18 a 20 de junho de 2027. Seis anos separam esta data da última passagem da Fórmula 1 pelo Algarve. Os monolugares regressam ao Autódromo Internacional do Algarve, um circuito com várias particularidades, marcado, por exemplo, pelas mudanças de elevação e curvas de visibilidade reduzida. Há quem descreva como uma autêntica montanha-russa e para perceber o que podemos esperar deste regresso, vou falar nos próximos minutos com Pedro Matos Chaves, antigo piloto português que chegou à Fórmula 1 em 1991. Viva Pedro, obrigado por falar à Rádio Observador.
Muito boa tarde, obrigado.
Comecemos pelo anúncio. Seis anos depois, a Fórmula 1 regressa a Portimão. Que corrida é que podemos esperar deste circuito em 2027?
Vamos ver. Estamos no verão, junho, Algarve, com certeza o mau tempo não vai fazer parte do fim de semana. Será um fim de semana seco, pelo menos é isso que se ambiciona. E com certeza uma pista muito desafiante. Já veio cá a Fórmula 1 há seis anos, salvo erro.
Exatamente.
E os pilotos todos gostam da pista. A pista tem muitas variações de ritmo, é uma pista com algumas curvas cegas, algumas curvas bastante rápidas, uma entrada da reta já muito rápida também, e que com estes novos carros pode dar uma boa corrida animada. Aliás, como têm sido as épocas da Fórmula 1, têm estado bastante abertas, com os carros a estarem mais perto do que nunca em termos de tempos para a grelha de partida.
Sim, já vamos falar também, comparativamente a outros circuitos. Eu hoje falava aqui com alguns colegas na redação, muito aficionados dos desportos motorizados, que me explicavam precisamente isso, este autódromo português, o Autódromo Internacional do Algarve, é muito diferente de grande parte dos circuitos do calendário. Do ponto de vista de um piloto, o que é que torna particularmente exigente este circuito?
Fisicamente, é um autódromo bastante exigente, porque com a rapidez que há em algumas curvas, com as forças G que os carros geram, é bastante desgastante em termos físicos. Eu lembro que o Hamilton, o último grande prémio que houve em Portimão, ganhou e tinha uma cãibra numa perna nas últimas voltas e ele estava a ver que não ia conseguir fazer o grande prémio até ao fim, ia ter que parar, porque realmente, fisicamente, é bastante exigente. É um autódromo muito técnico.
Costuma-se chamar a montanha-russa. É uma descrição justa?
Sim, há uma parte da volta que tem umas elevações seguidas e pode fazer sentido esse nome da montanha-russa, mas de um modo geral é um bocadinho atípico. São curvas diferentes que não há em muito sítio do mundo. Uma das razões que a Fórmula 1, no princípio, não optou por este autódromo para fazer testes, como fazia dantes no Autódromo do Estoril, é que é um autódromo muito particular. São curvas que se vem cá afinar o carro para este tipo de curvas, depois não se encontram mais durante a época. Portanto, é uma coisa um bocadinho única e daí não ser da eleição das equipes vir cá afinar o carro ou desenvolver os carros aqui, porque de facto, depois durante o ano poucas curvas vão encontrar como estas.
Mas há alguns pilotos, inclusive, que fazem os testes aqui em Portimão. É o caso de Max Verstappen, que vem cá muitas vezes durante a off-season. O facto de alguns pilotos já conhecerem bem este traçado através destes testes pode fazer a diferença depois quando chegarem ao grande prémio?
Sim, claro, ajuda sempre. De qualquer modo, eu estava a falar em afinar automóveis. Agora, em termos de prazer de pilotagem, o autódromo é fantástico.
Muito divertido.
E todos os pilotos que vieram cá gostaram, já na altura do grande prémio, e mesmo antes de se ter feito cá o grande prémio, vieram cá guiar os carros. E de facto, há quem fique indiferente, porque a volta é bastante divertida, as curvas são desafiantes e é um prazer conduzir no Autódromo do Algarve. Quanto mais será um Fórmula 1, o carro mais rápido do mundo, feito para corridas, centro de gravidade muito baixo, são carros com motor muito forte, com pouco peso. É Fórmula 1.
De um modo geral, a Fórmula 1 tem apostado mais em grandes circuitos urbanos, chamemos-lhes assim. Portimão oferece praticamente o contrário. Talvez por isso tenhamos estado tanto tempo afastados destes grandes prêmios?
Sim, em termos de segurança, o autódromo é excelente. O público irá com certeza assistir à corrida em grande número. Há muitos circuitos de cidade, desde que os americanos tomaram conta da Fórmula 1 e são eles que gerem o espetáculo. Acho que veio um bocadinho da América para a Fórmula 1 e já nos indicar há muitos circuitos em cidade, porque está muito próximo das pessoas, proporcionam corridas espetaculares e imagens espetaculares também. E os americanos sempre tiveram essa vontade de fazer circuitos citadinos. Ir aos autódromos é diferente, é afastar um bocadinho das pessoas o espetáculo, mas quando o espetáculo é bom, as pessoas vão aos autódromos e ao mesmo tempo é a procura também de uma segurança que não há, por exemplo, em Monte Carlo.
A minha pergunta seguinte ia precisamente nesse sentido do espetáculo. A Fórmula 1 já passou por este circuito em 2020 e 2021. Nós aprendemos alguma coisa nessas duas corridas sobre o tipo de espetáculo que Portimão pode proporcionar?
Sim, eu acho que há curvas que são mais atraentes para as ultrapassagens em Portimão e há zonas do circuito em que velocidade pura, por exemplo, ver uma qualificação é extraordinário, porque não só as ultrapassagens fazem parte do espetáculo. Ver um carro a fazer curvas à velocidade que eles fazem, algumas curvas que para nós diríamos que é preciso travar e fazer a curva e eles acabam por entrar completamente com o carro a fundo e fazem a toda a fundo, é um espetáculo. Como também é um espetáculo a nossa partida. Sim, e também é um espetáculo a nossa reta ser muito grande e lá embaixo a travagem para as duas primeiras curvas ser uma zona em que pode sempre proporcionar espetáculo, uma vez que é reta, depois da partida ainda temos muitos metros para chegar até lá embaixo. Acho que podemos esperar um bom espetáculo, tanto mais que as regras mudaram e os carros de hoje com toda aquela parte híbrida, faz com que possa haver espetáculos em zonas em que não houve em 2021.
Sim, eu tinha aqui também isso apontado no sentido de a Fórmula 1 em geral, bem como a tecnologia dos carros mudou muito nestes seis anos. Ou seja, o que o Pedro diz é que vamos ver uma corrida muito diferente daquelas que vimos em 2021.
Acho que sim. Acho que é isso para ver, mas podemos ter outros tipos de espetáculos, pilotos também que estão hoje a ganhar, já não será tanto os que estavam na altura. Na altura estávamos numa época em que estava a ser dominada pelo Hamilton e pelo Bottas. Hoje em dia está mais aberto. Este ano já ganharam vários pilotos, diferentes pilotos, e espera-se que para o ano essa competitividade se mantenha. E então, acho que é excelente para o nosso país vir cá a Fórmula 1, porque somos um país pequeno, tiramos certeza muitos dividendos de termos cá a Fórmula 1 em termos de visibilidade mundial e para os nossos adeptos das corridas do desporto automóvel, ter cá a Fórmula 1 é uma honra.
Sim. Para terminar, perguntava-lhe isso mesmo. Portugal tem uma história longa na Fórmula 1, no entanto, já passámos vários períodos fora do calendário da competição. O que é que representa, de um modo geral, para o automobilismo português e para os aficionados, voltar a ter um grande prémio durante pelo menos dois anos consecutivos?
Acho que é uma alegria, representa bastante. Nós sempre fomos uns apaixonados do desporto automóvel, fosse o Rally de Portugal, fosse o Grande Prémio Fórmula 1. Ter cá tanto uma competição como outra, sem ter pilotos envolvidos nestas categorias, já é um grande esforço e acho que é bastante bom para o público português. Agora, claro, a cereja no topo do bolo era termos um português na Fórmula 1, que já há algum entregue no Deus do Tiago Monteiro, que ainda ninguém chegou à Fórmula 1, mas esperemos que no futuro seria excelente ter cá um grande prémio e um português para puxarmos por ele.
Certamente, para lá caminhamos. Muito obrigado, Pedro Matos Chaves, um dos cinco pilotos portugueses que conseguiram atingir o patamar mais elevado, o patamar da Fórmula 1. Uma voz que vem de um lugar de conhecimento sobre esta matéria, aqui também a antecipar o regresso da competição a Portugal, seis anos depois. Muito obrigado, Pedro.
Adeus, boa tarde. Obrigado.