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Uma da tarde. Começa o jornal da uma da tarde, a edição é do jornalista Miguel Videira. E Miguel, começamos este jornal com o caso das gêmeas luso-brasileiras. Notícia de última hora: o PS acaba de chumbar a audição de Nuno Rebelo de Sousa.

O filho do presidente da República, que é suspeito de ter metido uma cunha para que as gêmeas luso-brasileiras que sofrem de atrofia muscular espinhal pudessem beneficiar de um tratamento caro em Portugal, no Hospital de Santa Maria, apesar de estarem a ser seguidas no Brasil. A audição acaba de ser chumbada pelos deputados do PS da Comissão de Saúde.

É naturalmente uma notícia que vamos continuar a acompanhar em observador.pt e nos próximos espaços informativos. Ainda neste jornal da uma, Manuel Pizarro continua sem comentar o inquérito que está a decorrer ao tratamento destas gêmeas brasileiras no Hospital Santa Maria. O ministro da Saúde diz que se o fizesse, iria condicionar a investigação.

Manuel Pizarro esteve esta manhã a responder às perguntas dos deputados e com esse argumento, o de não querer condicionar a investigação, não respondeu quaisquer perguntas dos deputados sobre este tema.

Há uma coisa que da minha parte não vai conseguir. Não vai conseguir que eu condicione, desrespeite ou prejudique a atividade da Inspeção Geral das Atividades em Saúde, que está a proceder a um inquérito sobre esta matéria. Se está a proceder a um inquérito sobre esta matéria, a minha obrigação é contribuir com toda a informação no contexto desse inquérito. Não tenha dúvida nenhuma que o inquérito será feito com rigor, de forma a esclarecer cabalmente o assunto e depois, naturalmente, as pessoas terão ocasião de fazer a sua avaliação a partir daí. E é mesmo assim que o membro de um governo, de um Estado de direito, onde há separação de funções e de poderes, deve proceder.

A propósito deste caso, Manuel Pizarro, ministro da Saúde, rejeitou também qualquer favorecimento e evitou responder a mais perguntas dos deputados com este argumento que acabamos de ouvir. Há um inquérito em curso da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e também do Ministério Público. Manuel Pizarro foi também confrontado com os sucessivos constrangimentos nas urgências dos hospitais do SNS desde o início da greve dos médicos e quis sublinhar uma ideia.

Eu reconheço a existência de problemas e constrangimentos nas urgências. Agora, não há nenhuma urgência encerrada, posso lhe afirmar isso. O fato de no hospital X, Y ou Z, um dos serviços estar em contingência na urgência, não significa que essa urgência está encerrada. Em alguns casos, estamos a falar de hospitais que fornecem no mesmo serviço de urgência, 10, 15, 20 especialidades. O fato de uma delas estar em contingência não significa que a urgência está encerrada. São assuntos bem diferentes e, aliás, convinha que todos ajudássemos a esclarecer a opinião pública sobre essa matéria, em vez de procurar espalhar a ideia de que está tudo em causa. É que não está.

Há constrangimentos, sim, mas não há urgências encerradas. A ideia sublinhada pelo ministro Manuel Pizarro esta manhã na Comissão de Saúde.

E o antigo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, considera que depois da referência do Ministério Público à investigação de que é alvo o primeiro-ministro, não restava outra alternativa a António Costa que não a demissão.

Eduardo Cabrita foi o convidado desta semana do programa "Sofá ou Rato" da Rádio Observador. Comentou também nesta entrevista a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de dissolver a Assembleia da República para dizer que foi uma decisão pouco maturada.

Não devemos ser definitivos sobre o futuro. Nesta situação, que é um momento particularmente complexo, em que o presidente da República fez uma opção muito apressada. O presidente da República, como sabemos, pensa rápido, mas por vezes não deveria decidir tão rápido. A maturidade e o amadurecer das decisões favorecem a sua solidez.

Não devia ter convocado eleições antecipadas, Marcelo?

O resultado até poderia ter sido esse no final, mas acho que deveria ter esgotado a análise do quadro político.

A opinião expressa por Eduardo Cabrita, entrevistado pelos jornalistas Miguel Viterbo Dias e Júlio Magalhães no programa desta semana, "Sofá ou Rato".

E nesta quarta-feira, António Costa deixa um aviso aos próximos governantes: vão ter de executar o PRR até o final de 2026.

"Quer gostem ou não gostem." A expressão usada pelo primeiro-ministro durante a assinatura de um protocolo relacionado com habitação em Algés, destacou a política de habitação, precisamente, levada a cabo pelo executivo e abordou o futuro. António Costa alerta para os perigos de não se cumprirem os prazos do plano de recuperação e resiliência. Entre vírgulas.

Gostem ou não gostem, vão ter mesmo que executar até 31 de dezembro 2026 os 32 mil fogos que estão contratualizados com a União Europeia, porque se não os construírem, perdemos o dinheiro. E há um conselho que eu dou, à cautela de meu otimismo não se confirmar, é que o último governo que chegou e quis renegociar o respectivo PRR, aquilo que conseguiu foi estar um ano parado e agora andar a suplicar para que lhe estendam o prazo de execução, porque perdeu um ano na execução.

É este PRR, o Plano de Recuperação e Resiliência, definido pelo atual executivo, que terá de ser executado. O aviso é feito por António Costa durante a assinatura do protocolo de cooperação para a conversão da estação radionaval de Algés em habitação.

Seguimos em frente neste jornal da 13h com o eurodeputado do PS, Pedro Marques, que diz que a União Europeia deu um passo muito importante depois de ter chegado a um acordo para uma reforma das políticas de acolhimento de migrantes.

Um consenso que pretende responder a situações de crise, fomentar a solidariedade entre os países e garantir a segurança dos imigrantes e do território europeu. O Parlamento em Estrasburgo aprovou o rastreio de migrantes através da recolha de dados biométricos, assim como regras para determinar qual o estado-membro responsável pelo tratamento dos pedidos de asilo. Pedro Marques, eurodeputado socialista, saúda o acordo e explica como funciona o mecanismo de solidariedade entre países.

Esta reforma significa solidariedade entre os estados-membros e portanto, quando alguém chegar por barco numa situação de perigo às nossas fronteiras europeias pelo Mediterrâneo, todos os estados-membros terão que ser solidários com estes países que estão na fronteira e solidários com as pessoas que procuram asilo, naturalmente.

Em que é que se traduz essa solidariedade entre estados-membros? Traduz-se em apoio financeiro, em acolhimento?

As duas coisas. Podem ser apoios financeiros para os procedimentos de asilo desenvolvidos nas zonas de fronteira para as operações de salvamento, etc. Ou pode ser, deve ser esse o objetivo e o esforço, deve ser mesmo uma solidariedade em termos de acolher parte das pessoas que procuram refúgio, para que elas não fiquem todas nos países de entrada na União Europeia.

Pedro Marques, entrevistado pela jornalista Diana Rosa, que falou também com o líder do CDS, eurodeputado. Nuno Melo concorda com o acordo alcançado pela União Europeia quanto às políticas de migração. Diz Nuno Melo que é urgente garantir condições dignas de integração dos imigrantes. Para o líder centrista, o sistema de acolhimento devia mesmo funcionar por quotas para que quem chegue tenha trabalho garantido.

Um sistema de quotas em que um país determina, através do relacionamento com várias entidades, aquilo que são as necessidades de trabalho, que em muitos casos são necessidades de trabalho indiferenciado, que podem ir da agricultura à restauração, ao turismo. A grande vantagem de um sistema destes está na capacidade de um país definir as necessidades de trabalho que tem e, a partir daí, receber imigrantes de acordo com essas necessidades, ficando assegurado à partida, também de forma aproximada, que essas pessoas são integradas no mercado de trabalho, contribuem pelo seu esforço e pelo seu trabalho e têm uma vida e são tratadas como qualquer português, que é isso que é suposto. O que não podemos ter é um sistema em que entra quem quer e depois as pessoas acabam na rua.

Nuno Melo e Pedro Marques, entrevistados pela jornalista Diana Rosa, numa análise ao acordo alcançado hoje pelo Parlamento Europeu de reforma das políticas de imigração dos 27 estados-membros.

01:08, vamos agora dar atenção à atualidade internacional. Em França, foi ontem aprovada a nova Lei de Imigração, com votos a favor da extrema-direita para o vereador da Câmara Municipal de Paris, Hermano Sánchez Ruivo. A nova lei é uma derrota para Emmanuel Macron.

Depois de meses de debate, o Senado e a Assembleia Nacional deram luz verde a uma lei que está a gerar polêmica. A extrema-direita francesa acabou a votar ao lado dos partidos que sustentam o governo de Emmanuel Macron. No final da votação, Marine Le Pen reclamou uma vitória ideológica. Esta manhã, ouvido aqui na Rádio Observador, Hermano Sánchez Ruivo acusa Le Pen de aproveitamento político e diz que é o futuro da atual primeira-ministra, Elisabeth Borne, que está em risco.

É claramente uma derrota, entre aspas, do presidente Macron, mas é sobretudo uma vitória da direita francesa, ainda mais do que a extrema-direita francesa, porque de facto foram os votos da direita francesa que foram suficientes com os da maioria para poder votar essa lei. Portanto, veremos qual é o futuro dessa lei e veremos qual será o futuro deste governo, porque não penso que as demissões sejam para agora. O que está sempre pendente é simplesmente mudar de primeiro-ministro. Nós todos sabemos que o governo da primeira-ministro Elisabeth Borne está sempre por um fio. Portanto, a questão é saber quando é que esse fio estará ou cortado ou rompido.

Análise do vereador português da Câmara Municipal de Paris. Esta manhã, a primeira-ministra em funções rejeitou que a aprovação da lei fosse uma vitória da extrema-direita e admite que é preciso ainda estudar medida a medida para ver se todas respeitam a Constituição. O ministro da Saúde anunciou, entretanto, ontem à noite, o pedido de demissão, mas para Hermano Sánchez Ruivo, é Elisabeth Borne quem joga aqui o seu futuro político.

A quatro dias da consoada, neste jornal da uma da Rádio Observador, Miguel Videira, mergulhamos agora nos preparativos para o Natal e com este dado: a venda de bacalhau está em queda.

É isso que revela a Associação dos Industriais do Bacalhau, uma queda a rondar os 20%, pelo menos no setor da grande distribuição. E no pequeno comércio, como estão a correr as vendas do fiel amigo, dos portugueses, grandes consumidores de bacalhau? Ora, a repórter Marta Amaral está a esta hora na Rua do Arsenal, em Lisboa. É ali que se concentram várias lojas especializadas na venda de bacalhau. Marta, tens ouvido lamentos dos comerciantes?

Miguel, um dia come-se melhor, outro pior. Vai-se ouvindo aqui no Rei do Bacalhau, em Lisboa, mas quem vem aqui há muitos anos não abdica da tradição. É mais caro, mas é bacalhau. É uma garantia que deixa quem aqui passa na Rua do Arsenal. Já estamos em contagem decrescente. O carro fica em quatro piscas. Faltam quatro dias para o Natal. Segundo os comerciantes, hoje já é o dia limite, o dia dos esquecidos. Por isso, já dá para fazer balanços e para isso tenho aqui comigo Fernando Dias, o dono da loja do Rei do Bacalhau. Por aqui já ouvi que foi um ano estranho. A tradição mantém-se ou houve menos pessoas a comprar bacalhau?

A tradição ainda se mantém, as pessoas levam é menos quantidade.

Escolhem levar menos quantidade. Também ouvi aqui um senhor que entrou que procurava línguas do bacalhau, que disse que este ano não há. Já se nota a escassez que está prevista também para o próximo ano?

Já. Acho que começa a notar, principalmente das línguas e de caras boas.

A afluência continua a manter-se fiel ao que tem sido ao longo dos anos?

Sim, a afluência continua. Há dias que se trabalha muito bem, há outros dias menos, mas nós, em bom rigor, não perdemos clientes. Só que penso que as pessoas têm menos poder de compra.

Isso nota-se nas quantidades. Pergunto, já agora, para quem nos ouve, a quanto está o quilo de bacalhau este ano?

Há vários preços. Há desde 10,90 € até 25 €. Depois tem lombos a 30 €. O bacalhau, em relação ao ano passado, pouco aumentou ou nada. Aumentou significativamente, mas como não paga o imposto, não paga o IVA, o bacalhau mantém-se praticamente no mesmo preço.

Fernando Dias, muito obrigada pelas declarações. É o dono do Rei do Bacalhau, clássica loja na Rua do Arsenal. Ainda de destacar que no fim da compra os clientes levam também uma pequena garrafa de azeite, de oferta, e vão-se ouvindo os comentários. Cuidado que isso hoje também vale ouro. É ouro que os portugueses não abdicam, assim como o bacalhau, mas Miguel vai continuar a ser uma opção em cima da mesa de Natal dos portugueses.

O fiel amigo bacalhau, a repórter rainha do Observador, Marta Amaral, no Rei do Bacalhau, neste dia em que ficámos a saber que pelo menos no setor da grande distribuição, há uma queda da venda de bacalhau a rondar os 20%.

Miguel Videra, ainda a pretexto das compras de Natal, não te vou perguntar se ainda te faltam algumas.

Faltam, sim, senhor.

A mim também. Estivemos também hoje no mercado de Alvalade.

E à semelhança do que acabámos de ouvir também aqui Mário Silva da Costa, vão-se ouvindo algumas queixas dos comerciantes. Neste caso, faltam clientes.

Tenho que fazer propaganda à minha broa, porque a minha broa é a melhor de Lisboa. É vendida aqui no mercado de Alvalade. Aqui para uma velhota que já tem 70 anos, faz os 70 anos.

Para Maria, padeira no mercado há 50 anos, hoje é um dia especial, mas o negócio não se pode dizer que esteja a correr às mil maravilhas.

Há 50 anos era um mercado supermercado. O mercado de Alvalade foi sempre um mercado muito bom. Só que a partir de agora, o mercado está muito mau.

No entanto, ainda há quem encontre no mercado a melhor opção para as compras. Paula Rosa é um exemplo disso mesmo e explica porquê.

Procuro naturalmente a carne tradicional que se come no Natal, o cabrito, o bacalhau, naturalmente, frutas e legumes.

Nesta altura festiva, o bacalhau costuma ser um protagonista, mas para quem tem no peixe uma especialidade, encontra diferenças nos consumos de Natal.

Normalmente é os polvos que, em contrapartida, há pouco, até derivado ao tempo, aumenta muito e isto é uma realidade. Aqui em Lisboa está muita gente de outros lados, em que o bacalhau era secundário. O que é que contava mais? Era a raia, o polvo, de outras zonas, o cação.

As queixas são transversais a todos os vendedores. Sadique está também há quase 50 anos no mercado de Alvalade, mas não está especialmente animado com as vendas da época festiva.

Este ano, em relação a outros anos, estão inferiores. Não é como outros anos, está mesmo inferior. Um dos motivos é o horário do mercado, que as pessoas, 99% de casais trabalham, não têm possibilidade de virem ao mercado, saem do emprego, vão ao supermercado.

Perante um cenário pouco animador para quem vende, resta aos comerciantes fazerem alguma publicidade para chamar os fregueses.

A minha broa já correu os quatro cantos do mundo. França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, tudo quanto é país a minha broa já correu.

Não há broa como esta. Reportagem do jornalista do Observador, Mário Silva da Costa, no mercado de Alvalade e com algumas queixas dos comerciantes. Faltam clientes.

Grande broa. 13h15, Miguel Videra. Tempo agora para olharmos para outras notícias que também estão em destaque a esta hora.

Um tribunal em Londres determinou o congelamento dos bens de Isabel dos Santos. Uma decisão no âmbito de uma ação interposta pela operadora angolana Unitel, que pedia o arresto de um total de ativos avaliados em perto de 600 milhões de euros. Isabel dos Santos argumentava que o congelamento era desnecessário porque o arresto já tinha sido decretado em Portugal e em Angola, mas o tribunal decidiu em sentido contrário. A Assembleia da República vai ouvir a administração do Grupo Global Media e também o ex-presidente do grupo, Marco Galinha. As audições foram aprovadas por unanimidade na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto. Também o antigo diretor da TSF e administrador do grupo, Domingues Andrade, vai ser ouvido em causa a reestruturação do grupo, que prevê o despedimento de 200 trabalhadores. Termina, entretanto, hoje o prazo dado pela administração para os trabalhadores que queiram rescindir de forma amigável o contrato. Os Ornatos Violeta são a mais recente confirmação para o cartaz do MEO Marés Vivas 2024, que se realiza em Vila Nova de Gaia. A atuação está agendada para 21 de julho.

E esta é uma atuação que acontece no ano em que o segundo álbum da banda faz 25 anos.

O álbum "O Monstro Precisa de Amigos" junta temas como "Chaga", "Capitão Romanço", "Ouvi Dizer". "Ouvi Dizer" tornou-se no maior êxito da banda.

Ouvi dizer que o nosso amor acabou, pois eu não tive a noção do seu fim.

"Ouvi Dizer" é uma música que faz parte desse segundo álbum da banda, "O Monstro Precisa de Amigos".

O álbum mais referenciado da banda, Os Ornatos Violeta, são um grupo fortemente enraizado na área metropolitana do Porto. A celebração do icónico disco da banda da Cidade Invicta vai acontecer em Vila Nova de Gaia e tornar a celebração dos 25 anos do álbum, com certeza, mais especial.

Da canção que só eu ouvi. Eu fiquei com tanto para dar e agora não vais achar nada bem que eu pague o dano.

E é com os Ornatos Violeta que terminamos este jornal da Uma da Rádio Observador. A edição foi do Miguel Videra.

E pudesse eu pagar de outra forma. E pudesse eu pagar de outra forma.

É 13h18