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Ora. Este é o Jornal da Uma, com edição do Miguel Videira. Miguel, o Ministério Público abriu um inquérito aos cartazes do Chega sobre ciganos e o Bangladesh.
Isso mesmo, confirma a Agência Lusa, Procuradoria-Geral da República. O Ministério Público adianta que o inquérito foi aberto na sequência de várias denúncias recebidas a pretexto dos cartazes de André Ventura, cartazes das eleições presidenciais. Num dos cartazes surge a inscrição: "Isto não é o Bangladesh", no outro: "Os ciganos têm de cumprir a lei". As mensagens que estiveram na origem das várias denúncias e que motivaram agora a abertura de um inquérito por parte do Ministério Público.
E o julgamento da Operação Marquês foi suspenso até ao dia 4 de dezembro.
Por forma a que José Sócrates tenha tempo para designar um novo advogado. A decisão foi anunciada esta manhã pela juíza presidente Susana Seca, que acusa o antigo primeiro-ministro e também o ex-advogado Pedro Delilo, de manobras dilatórias. A magistrada explica assim que o defensor oficioso nomeado para representar o ex-primeiro-ministro cessa funções e que irá correr o prazo de 20 dias até que seja nomeado um novo advogado. À saída do Campus de Justiça, o advogado oficioso de José Sócrates, José Manuel Ramos, diz que cessa funções de consciência completamente tranquila.
Acho que o tribunal, vendo que o assunto era complexo e que suscitava algumas dúvidas, considerou inverter a situação, até porque o senhor engenheiro garantiu que iria apresentar um advogado dentro do prazo.
Fica mais confortável com esta decisão?
Eu cumpri o meu serviço, aquilo para que fui nomeado. Ainda por cima, hoje é um dia importante na minha carreira, porque completo 27 anos de advocacia, que foi no dia de São Martinho. Então sinto-me completamente tranquilo.
O advogado José Manuel Ramos acrescenta que não foi fácil estabelecer contacto com José Sócrates. De resto, não confirma se chegou ou não à fala com o antigo primeiro-ministro.
Permitir-me-á que eu vou contar primeiro à Ordem o que se passou e depois dar-lhe conhecimento.
Mas houve esse contacto?
Eu mandei-lhe uma carta.
E houve resposta?
Tem sido difícil o contacto.
Muito bem.
José Manuel Ramos, o advogado oficioso nomeado para defender José Sócrates, cessa hoje funções. O julgamento da Operação Marquês está suspenso até o próximo dia 4 de dezembro.
E seguimos com a reação de José Luís Carneiro à acusação de Luís Montenegro de que a greve geral, convocada pela CGTP e UGT, serve apenas os interesses de PCP e PS.
O secretário-geral do PS considera a afirmação um insulto e lembra que no caso da UGT há trabalhadores de várias famílias políticas, incluindo do PSD.
Aquilo que o Governo disse, e que disse o primeiro-ministro, foi uma atoarda contra valores consagrados há 50 anos. Todos sabem que esteve no Partido Socialista uma das principais iniciativas políticas para garantir a independência, a pluralidade e a diversidade da representação sindical. A UGT é uma instituição que merece o respeito de todas e de todos os portugueses. Recordo ao primeiro-ministro que a UGT e a sua composição têm trabalhadores sociais-democratas, que já se pronunciaram publicamente contra as intenções do Governo.
Declarações de José Luís Carneiro há pouco em Almada, primeira paragem de um roteiro dedicado ao distrito de Setúbal.
Eunice Baieta, candidata da Iniciativa Liberal à Câmara Municipal de Sintra, garante que só soube da recusa do partido em formar alianças com o Chega depois das eleições.
Eunice Baieta foi eleita pela Iniciativa Liberal, integrada na coligação PSD, IL e PAN, liderada por Marco Almeida. O novo presidente da Câmara de Sintra chegou a acordo com o Chega para a governação do município e Eunice Baieta aceitou fazer parte do Executivo, apesar da oposição da Iniciativa Liberal. Ora Eunice Baieta quebrou o silêncio esta manhã, foi aqui no Explicador da Rádio Observador, explica que não lhe foi comunicado que existiam linhas vermelhas em relação ao Chega.
Eu acho que estas linhas vermelhas deveriam ter sido colocadas antes de qualquer acordo de coligação, porque quando nós partimos para uma eleição, temos que desenhar uma estratégia e essa estratégia tem que ser desenhada antes de nos coligarmos com quem quer que seja.
E isso não aconteceu?
Isso não aconteceu. Além disso, eu sempre expliquei ou sempre transmiti, até mesmo dentro do partido, aos meus pares, como é óbvio, que as linhas vermelhas em nível autárquico fazem realmente muito pouco sentido.
Eunice Baieta entende a decisão da Iniciativa Liberal, mas diz também que há uma enorme diferença entre o Chega no Parlamento e o Chega no poder local.
A Iniciativa Liberal teve sempre, em todas as propostas que apresentou, o voto favorável do Chega e naquilo que foram políticas locais e propostas locais do Chega, não houve absolutamente nada que eu tivesse visto proposto que ferisse aquilo que são os princípios liberais que defendo.
Portanto, vê uma diferença entre, por exemplo, o comportamento do Chega ou de alguns deputados do Chega ou do Chega a nível nacional para aquilo que é a realidade municipal, no caso até em Sintra.
Enorme. Devo dizer que nesse aspeto é uma diferença realmente muito grande.
Eunice Baieta no Explicador desta manhã, a primeira entrevista desde que a Iniciativa Liberal decidiu retirar a confiança política à vereadora eleita numa coligação liderada pelo PSD à Câmara Municipal de Sintra.
E a nova presidente da Câmara de Setúbal, eleita com o apoio do PSD, considera que o plano do Governo para criar uma urgência regional no Conselho Não vai resultar
Não sem mais diálogo com os profissionais de saúde e muito em particular com os médicos.
Não estou lá muito de acordo. Acho que não vai resultar. Precisa de uma grande revisão relativamente ao funcionamento das urgências. Não podemos continuar com essa situação. A dúvida está na forma como as pessoas podem ser convocadas para trabalhar nas urgências. Acho que depois não resulta, porque depois são baixas, porque depois são fugas para os privados, etc. E não funciona. Tem que se fazer um grande diálogo com os médicos. Como é que se vai resolver? Elas têm, com certeza, ideias para se resolver. É preciso ouvi-las mais, é preciso dialogar mais, até à exaustão.
Maria das Dores Meira foi eleita presidente da Câmara Municipal de Setúbal como independente, ainda que com o apoio do PSD e CDS, depois de vários anos ligada à CDU. De resto, liderou a autarquia precisamente encabeçando uma lista da Coligação Democrática Unitária. Considera Maria das Dores Meira que a narrativa comunista está gasta.
Muito cansada. E sempre com a oportunidade de ir dizendo lá dentro, porque eu acho que é dentro das instituições, partidos, o que quer que seja, que se devem colocar as questões e não se devem vir colocar pra rua. E portanto, eu coloquei muitas vezes as questões com as quais eu não estava de acordo, não vi alterações, e, portanto-
Mas politicamente, o que a desiludiu mais no partido? O que a fez afastar-se mais do partido?
A estagnação, a paragem, a forma de verem o mundo, a forma como as questões internacionais são tratadas e a estagnação em relação à política nacional.
Maria das Dores Meira, nova presidente da Câmara Municipal de Setúbal, foi a convidada da comissão de inquérito da Rádio Observador.
Falta de conhecimento é a razão encontrada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar para o governo ter decidido adquirir quatro helicópteros que só podem aterrar em um heliporto hospitalar em todo o país.
Só o hospital de Braga tem condições para aterragem destes aparelhos destinados a missões de emergência médica. É isso que avança a Autoridade Nacional de Aviação Civil ao jornal Público. A Rádio Observador falou com Rui Lázaro, é o presidente do sindicato que representa os trabalhadores do INEM e que volta a insistir na ideia, à luz destes novos factos, que o Ministério da Defesa escolheu o modelo de helicóptero errado.
O modelo que o governo assassinou, o Black Hawk, é demasiado grande, pesado, efetivamente não consegue aterrar em locais de acesso restrito, sobretudo na maior parte dos heliportos do país. Ainda ontem, no Algarve, um dos helicópteros que serve agora o INEM aterrou numa rotunda. Era impossível isso acontecer com o Black Hawk. Esperemos que o governo reverta a sua decisão, ou então ou é falta de conhecimento, ou terá previsto outras missões que não emergência médica. Uma coisa é certa, não é um modelo adequado pra emergência médica, disso não temos dúvidas, mas imaginamos que seria, sobretudo, falta de conhecimento.
De resto, uma afirmação feita, uma sentença proferida à semelhança do que já havia feito na semana passada Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. O ministro da Defesa, Nuno Melo, respondeu na altura, disse que os aparelhos foram adquiridos depois do aval da direção do INEM.
Vamos ao desporto neste jornal da uma, vai ser o último. Cristiano Ronaldo revela que o Campeonato do Mundo do próximo ano vai ser o último da carreira.
Vai mesmo. CR7 participou numa conferência hoje, turismo, uma cimeira em Riad dedicada ao turismo mundial, e foi questionado sobre se o próximo Campeonato do Mundo, Ronaldo confirma que vai competir pela última vez nesta prova. O jogador, de 40 anos, diz que sim, refere que os objetivos desportivos e pessoais são os mesmos, fazer as pessoas felizes, mas também o mundo. Garante, no entanto, que vai mesmo cessar a sua participação em campeonatos do mundo no próximo ano. Portugal que vai jogar com a Irlanda, precisamente jogo de apuramento para esse Campeonato do Mundo. Jogo com relato e comentário aqui na Rádio Observador.
Uma hora e 10 minutos, Miguel, que outras notícias vão marcando a atualidade?
Começamos com o relatório da IGAS, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, às cirurgias feitas fora do horário normal de trabalho. Está concluído esse inquérito da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, a reboque do caso do dermatologista, que recebeu mais de €50 mil por um dia trabalho. A IGAS conclui que houve, de fato, uma violação das regras de funcionamento do sistema, que permite cirurgias fora do horário de trabalho para responder às listas de espera no SNS. De acordo com a CNN Portugal, o relatório revela que terão sido feitas uma série de pequenas cirurgias como se fossem de ambulatório e que foi feita também uma codificação indevida destas intervenções. Destaca-se ainda a falta de mecanismos de controle do sistema.