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É uma hora. Está a começar o "Jornal da Uma", com a edição do Miguel Videira. Miguel, Tiago Oliveira vai deixar a presidência da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Isso mesmo é confirmado por Tiago Oliveira ao Observador. Invoca razões de natureza pessoal, sem detalhar. Acrescenta que o pedido ao primeiro-ministro para abandonar o cargo foi feito no passado mês de março e afasta qualquer relação entre esta decisão de deixar a AGIF e a investigação em curso à contratação de meios aéreos no âmbito do combate aos incêndios.
É uma investigação que hoje já motivou novas buscas, por exemplo, à casa do empresário Ricardo Leitão Machado, dono da empresa de meios aéreos Gesticopter.
Estão na mira dos investigadores eventuais crimes de corrupção, mas não só. A investigação começou o ano passado. Na altura, a Polícia Judiciária explicava que as empresas investigadas eram suspeitas de controlar e manipular os concursos abertos pelo Estado para a contratação de meios aéreos, por forma a que essa contratação pudesse ser feita por preços mais elevados, em benefício das empresas. Já foram constituídos 12 arguidos. Duas das empresas investigadas são a Gesticopter e a Gestifly, ligadas ao empresário Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro. O Observador apurou que estão a ser investigados, por exemplo, os contratos de disponibilização de meios aéreos firmados entre os anos de 2023 e 2025.
E arrancou hoje o julgamento da ação contra o Estado português interposta por José Sócrates.
Pela morosidade do processo da Operação Marquês e, muito em particular, o tempo que o Ministério Público levou para deduzir a acusação. À entrada para o tribunal, esta manhã, o antigo primeiro-ministro dedicou, no entanto, mais tempo, não tanto a esta ação, que hoje começou a ser julgada, mas acima de tudo, ao julgamento em curso da Operação Marquês e para criticar o bastonário da Ordem dos Advogados, que acusa de ser um ativista político. Em causa a tentativa da Ordem de anular o efeito suspensivo da providência cautelar, que permite suspender a nomeação do advogado oficioso Luís Carlos Esteves. O antigo chefe de governo, José Sócrates, faz uma leitura desta pretensão da Ordem dos Advogados.
Eu vejo por aí, da Ordem dos Advogados, uma atividade muito intensa para me arranjarem advogado, ou melhor, o advogado que convém ao tribunal. Eu queria, em primeiro lugar, agradecer a gentileza do senhor bastonário, mas eu não preciso da sua ajuda para arranjar advogado. E ele sabe bem disso. Portanto, tenhamos de lado a hipocrisia. O senhor bastonário não está preocupado com a minha defesa. O senhor bastonário está, isso sim, preocupado em satisfazer as orientações do Conselho Superior da Magistratura.
José Sócrates, esta manhã, à entrada para o Tribunal Administrativo de Lisboa, no dia em que arrancou o julgamento da ação interposta contra o Estado português há nove anos. O antigo primeiro-ministro exige cerca de €200 mil, queixa-se de que o Ministério Público violou os prazos máximos legais do inquérito.
E o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acredita que o governo pode deixar cair algumas medidas no projeto de lei da reforma laboral.
Foi essa a convicção manifestada por José Luís Carneiro esta manhã, no dia em que o governo, precisamente, em Conselho de Ministros, vai aprovar esse diploma a ser enviado depois para o Parlamento. Ontem, o primeiro-ministro Luís Montenegro esteve reunido com André Ventura. O secretário-geral do PS defende que o primeiro-ministro deve ter em consideração, nesta negociação que vai ser mantida no Parlamento, as constantes mudanças de posição de André Ventura ao longo do tempo sobre estas alterações ao pacote laboral.
As posições do André Ventura têm a consistência da gelatina, porque diz hoje uma coisa, amanhã diz outra. Por exemplo, no princípio deste processo, dizia que desde que caíssem duas matérias, nomeadamente o luto gestacional e também uma segunda questão, tinha a ver com a amamentação, que estaria em condições para viabilizar as propostas do governo. Depois mudou de posição. Portanto, o primeiro-ministro é que tem que saber o que quer fazer, não sou eu. O primeiro-ministro é que avançou com uma proposta de reforma das leis laborais. Não fomos nós que pedimos reforma das leis laborais.
A declaração de José Luís Carneiro esta manhã sobre a negociação que irá ter lugar no Parlamento depois de aprovada esta proposta de lei. Vai ser hoje, na reunião de Conselho de Ministros, há uma conferência de imprensa prevista para às 15h. Nessa altura ficaremos a conhecer as linhas gerais desta proposta do executivo.
É uma conferência de imprensa que vamos, de resto, acompanhar em direto aqui na Rádio Observador. E o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia não acredita que a concentração de esquadras em Lisboa e no Porto garanta uma maior segurança ou uma maior presença de agentes na rua.
É um caminho admitido pelo ministro da Administração Interna. Luís Neves quer libertar mais agentes para patrulhas. O presidente da ASP, Paulo Santos, manifesta reservas.
Nós, ASP, não estamos contra a necessidade de reestruturar a polícia. Não estamos sequer contra a possibilidade de se encerrar algumas esquadras. Queremos polícias na rua, mas a verdade é que os polícias na rua não vêm por essa via. Os polícias na rua vêm se se aumentar os quadros da polícia, se se rejuvenescer, porque precisamos de polícias na rua que não tenham 60 anos. Estamos a falar de uma missão muito complexa e muito exigente e estamos a falar de um universo de polícias que, só para ter uma ideia, entre os 55 e os 60, já está na casa dos quatro mil.
Um quinto do total da força da PSP. Esta é a reação da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia à possibilidade admitida pelo ministro da Administração Interna de encerramento de algumas esquadras em Lisboa e no Porto
E Donald Trump convidou Xi Jinping para uma visita aos Estados Unidos no próximo mês de setembro.
Foi em declarações à imprensa antes de um banquete oferecido pelo presidente chinês. Os dois chefes de Estado já estiveram reunidos esta madrugada em Lisboa. No final, a Casa Branca divulgou um comunicado para revelar que foi acordado o acesso de mais empresas norte-americanas ao mercado chinês, o aumento do investimento de Pequim nos Estados Unidos e que os dois presidentes defendem a abertura do estreito de Ormuz pelo lado da China. Também foi divulgado um comunicado em que se reafirmam os entendimentos de natureza comercial e acrescenta-se que Taiwan é a questão mais importante na relação entre os dois países. Na conferência de imprensa conjunta com Donald Trump, Xi Jinping voltou há pouco a sublinhar a ideia de que deve ser privilegiada a cooperação entre Estados Unidos e China.
Hoje, o presidente Trump e eu tivemos conversas aprofundadas sobre as relações entre a China e os Estados Unidos e a dinâmica internacional. Ambos acreditamos que esta é a relação bilateral mais importante do mundo. Devemos fazê-la funcionar e jamais desperdiçá-la. Tanto a China como os Estados Unidos têm a ganhar com a cooperação e a perder com o confronto. Os nossos dois países devem ser parceiros e não rivais.
Cooperação e parceria foram também os princípios invocados por Donald Trump.
Juntos temos a oportunidade de mantermos os nossos valores para criarmos um futuro com maior prosperidade, cooperação e paz para as nossas crianças. Amamos as nossas crianças. Esta região e o mundo é especial se estivermos juntos. Obrigado mais uma vez, presidente Xi, pela bonita recepção. E hoje é com muita honra que vos convido a si e à madame Peng para nos visitarem na Casa Branca no dia 24 de setembro.
O convite anunciado publicamente por Donald Trump antes de o banquete oferecido pelo presidente chinês. Sobre Taiwan, pronunciou-se também nesta quinta-feira o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para dizer à entrevista à NBC News que o tema não foi abordado no encontro desta madrugada entre os presidentes de Estados Unidos e China. E sobre o aviso da China que uma má gestão na situação de Taiwan pode levar ao conflito entre os dois países, Marco Rubio diz que a posição dos Estados Unidos em relação ao território de Taiwan não vai mudar, pese embora este aviso de Xi Jinping.
Vamos ao Reino Unido. A imprensa britânica avançava ontem que o Ministro da Saúde ia renunciar ao cargo e apresentar a candidatura à liderança do Partido Trabalhista Britânico, mas, Miguel, até agora, nada.
Está aqui conosco em estúdio o Martin Madeira. Martin, era exatamente essa a notícia ontem avançada pelo jornal Times, o ministro da Saúde, Wes Streeting, ia avançar com uma candidatura à presidência do Partido Trabalhista. A verdade é que, até o momento, não há qualquer indicação de que tenha renunciado ao cargo de ministro no governo e avançado com essa candidatura.
Por agora, Miguel, não há informações sobre qualquer renúncia ao cargo do Ministro da Saúde por parte de Wes Streeting. O jornal britânico The Guardian avançava que vários aliados de Streeting, em declarações aos jornalistas, diziam que o ainda ministro da Saúde tem os números suficientes e apoio para formalizar uma candidatura à liderança do Partido Trabalhista. Avançavam ainda também que vários membros do Parlamento inglês, que outrora assinaram uma carta de lealdade ao primeiro-ministro, disseram ontem à noite a Keir Starmer para renunciar o cargo. Estes mesmos aliados de Streeting disseram também que vários ministros do governo britânico iam hoje à Downing Street para pedir a Starmer que deixasse o cargo de primeiro-ministro. Uma informação que entretanto foi desmentida ao The Guardian. Os ministros disseram que é totalmente falso que fossem pedir a Keir Starmer para deixar o cargo. Acusam os aliados do ministro da Saúde de tentarem fabricar demissões. Ainda, o porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, diz que tem total confiança em Wes Streeting e garante que Streeting ainda é o ministro da Saúde.
Martim Madeira, com as últimas informações sobre a crise política no Reino Unido, com o governo liderado por Keir Starmer a reafirmar a confiança do ministro da Saúde.
É o ponto final no Jornal da Uma.