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Jornal da Uma com José Rafael Lopes e este jornal começa com as palavras de José Luís Carneiro, que acusa o primeiro-ministro de fazer anúncios sem consequências.
E lamenta a falta de medidas para áreas importantes do país. São críticas feitas depois do Congresso do PSD, que aconteceu este fim de semana. O líder socialista coloca em retrospectiva dois anos de governação da Aliança Democrática. Lembra que este Executivo já apresentou 25 pacotes de medidas e que não se conhecem, até agora, no entender de José Luís Carneiro, os resultados dessas mesmas medidas.
O governo tornou-se especialista no anúncio de pacotes. Já vai no 25º. Já anunciou, nestes últimos dois anos, 25 pacotes de medidas. Vocês conhecem os resultados dessas medidas que foram anunciadas? Agora apresentou mais oito. E mais dois, neste caso, um fundo soberano e depois mais um fundo para a recuperação das intempéries e das crises que se abatem sobre o país. Vamos lá ver uma coisa, se governar fosse fazer anúncios, nós tínhamos um dos melhores governos, certamente, do mundo.
As críticas de José Luís Carneiro em Matosinhos. O líder do Partido Socialista acusa também Luís Montenegro de, durante o Congresso dos Sociais Democratas, ter fugido aos temas que realmente importam ao país.
Lamento que no Congresso do PSD não tenhamos ouvido o primeiro-ministro do país a falar daquilo que diz respeito à vida das pessoas, da habitação, da saúde, dos salários, da economia. E dentro da economia, particularmente de áreas como esta tão importante, a economia do mar, onde estão empresas exemplares no mundo, como aquela que estamos hoje a visitar.
As palavras de José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido Socialista em Matosinhos.
Os juros do crédito à habitação caíram para 3,06% em maio.
Os dados são do Instituto Nacional de Estatística, dão conta de uma descida de 1,2 pontos percentuais face a abril. Destaque para o financiamento com vista à compra de casa, em que a taxa de juro implícita para o total dos contratos desceu para cerca de 3%, menos 1,3 pontos base em comparação com o mês anterior. Apesar desta descida dos juros, a prestação média mensal aumentou para os €405, mais €1 do que em abril, mas mais de €10 acima do valor registrado em maio do ano passado. Já nos contratos celebrados nos últimos três meses, a prestação média diminuiu €10, fixa-se nos €692.
Há muito calor previsto para os próximos dias, com os termômetros a poderem mesmo ultrapassar em algumas zonas os 40 graus.
A semana começa com essas previsões de calor extremo em algumas regiões do país. A Direção-Geral de Saúde ativou o nível um de contingência, o que corresponde ao nível amarelo ou vigilância reforçada. Os distritos de Bragança, Guarda e Vila Real estão hoje sob aviso laranja por causa do calor. Quase todos os outros distritos do continente estão sob aviso amarelo, sendo que desses, mais de 30 concelhos do interior Norte e Centro estão também a enfrentar perigo máximo de incêndio.
Ainda o rescaldo do chumbo ao Código do Trabalho, o antigo deputado do PSD, Fernando Negrão, aponta erros na forma como o governo gereu este dossiê e sugere negociações com o PS.
Fernando Negrão lamenta o voto contra do Chega, que acusa de ter tido uma conduta lamentável na votação de quinta-feira. Ainda assim, o antigo deputado social-democrata diz que faltou ao governo algum sentido democrático e espera, Fernando Negrão, que a equipe de Luís Montenegro possa aprender com os erros.
Eu aguardo que o governo tenha aprendido duas lições. A primeira é que negociar com o Chega não é fácil, e fica provado que não é fácil, porque de noite diz uma coisa, de manhã diz uma coisa completamente diferente, e isto aconteceu, e que alargue o leque de negociação a outras forças políticas, designadamente ao PS, que ninguém experimentou negociar com o PS.
Já o Chega, pela voz do vereador da Câmara do Porto, Miguel Corte-Real, desvaloriza as críticas do PSD sobre ser ou não um parceiro confiável. Para Miguel Corte-Real, o chumbo da proposta do governo é apenas a democracia a funcionar.
O governo não teve uma capacidade de, junto de nenhum parceiro, conseguir encontrar uma solução para aprovar a proposta. E por quê? Porque a proposta não era suficiente. E quando a proposta não é suficiente e um governo não tem maioria absoluta, a consequência é ser chumbado. É tão simples como isso. Claro que podemos fazer como o Fernando Negrão e dizer que não interessa dizer se a reforma era boa ou má, o que interessa aqui é discutir se o Chega é confiável ou não. Não, não é isso que interessa aos portugueses.
Proposta insuficiente também na ótica dos socialistas. O antigo ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, lamenta que o governo tenha atuado como se tivesse maioria absoluta e aponta o dedo a outra proposta do Executivo.
A chamada PSU é mais um exemplo, talvez ainda mais grave, da iniciativa laboral. Por quê? Porque o governo pretende que o Parlamento vote uma proposta de uma nova prestação sem definir qual é o valor dessa prestação. Algo absolutamente inédito na democracia portuguesa. Não diz ao que vem, quer que o Parlamento passe um cheque em branco ao governo para, através de portarias-- para quem não sabe, portaria é um instrumento que o governo usa, que não pode ser, a lei não permite que seja fiscalizado pelo Parlamento, através de portarias fixar qual é o valor da prestação. Isto é absurdo.
José Vieira da Silva, Miguel Corte Real e Fernando Negrão, convidados desta manhã no Explicador das Manhãs 360 da Rádio Observador, ainda no rescaldo do chumbo do Código do Trabalho.
Vamos à atualidade internacional. Keir Starmer vai deixar o cargo de primeiro-ministro britânico, anúncio feito esta manhã.
Depois de um fim de semana a refletir, Keir Starmer tomou a decisão anunciada em Downing Street, vai demitir-se do cargo de líder do Partido Trabalhista.
Todas as decisões que tomei tiveram como objetivo colocar em primeiro lugar o país que amo. É por isso que vou demitir-me do cargo de líder do Partido Trabalhista. Falei com Sua Majestade o Rei esta manhã para o informar da minha decisão. Vou pedir ao Comitê Executivo Nacional do partido para definir o calendário com nomeações a abrir dia 9 de julho e acabar até o fim das férias parlamentares.
Mais de uma centena de deputados do Partido Trabalhista já tinha pedido que se demitisse Keir Starmer por considerarem que perdeu a autoridade. Starmer confirmou que não vai haver um vazio de poder, fica no cargo de primeiro-ministro até que um sucessor assuma funções. Segundo Starmer, este calendário garante que o Partido Trabalhista terá uma nova liderança definida e pronta quando o Parlamento britânico retomar os trabalhos em setembro. Entretanto, António Costa agradeceu a liderança de Keir Starmer. O presidente do Conselho Europeu diz que se virou uma nova página nas relações entre a União Europeia e o Reino Unido, devido ao trabalho de Keir Starmer. Nas redes sociais, António Costa, o presidente do Conselho Europeu, sublinha ainda que teve um gosto enorme em trabalhar com Keir Starmer.
Na análise, a especialista em relações internacionais Liliana Reis considera que o grande vencedor da saída de Keir Starmer é Nigel Farage.
O líder do partido de extrema-direita, o Reform UK, aliado de Donald Trump. Liliana Reis diz que Farage está a conseguir capitalizar o descontentamento com o Partido Trabalhista.
Quem ganha com a demissão hoje de Starmer é Nigel Farage, porque o Reform UK está a consolidar-se nas sondagens. Neste momento é a primeira força política, pelo menos apontada pelas sondagens, e o discurso que tem sido utilizado pelo Reform UK, nomeadamente sobre a imigração, sobre o custo de vida e sobre a segurança, consegue capturar para si muitos eleitores britânicos profundamente descontentes com os trabalhistas.
A especialista em relações internacionais fala ainda do início de algo maior e acredita que a instabilidade política no Reino Unido é apenas o início do fim do bipartidarismo na Europa.
O que está a acontecer no Reino Unido, está a acontecer um pouco por toda a Europa. O que nós começamos a sentir é que há efetivamente uma incapacidade das lideranças, sobretudo dos partidos tradicionais, eu tenho vindo a chamar a atenção para isso, de conseguirem efetivamente compreender aquilo que são os ressentimentos e as frustrações da maior parte do eleitorado. E naturalmente, que partidos mais populistas tendem a capturar também para si esse tipo de ressentimentos e essas frustrações.
A análise de Liliana Reis, especialista em relações internacionais, a dar conta dessa vitória de Nigel Farage, líder do partido de extrema-direita no Reino Unido.
José, vamos a outras notícias também em destaque a esta hora.
O Instituto Nacional de Estatística diz que vivem em Portugal mais de 11.400.000 pessoas. Os dados foram atualizados hoje. O INE diz também que há quase 1.600.000 imigrantes a viver em Portugal. São dados revistos em alta, com números referentes ao período entre 2021 e 2004 até 31 de dezembro de 2025. O presidente ucraniano acusa a Rússia de assassinatos injustificados durante os mais recentes ataques na noite e na madrugada. Uma ofensiva russa que matou pelo menos cinco pessoas e deixou vários feridos. Volodymyr Zelensky diz que os ataques russos aconteceram no mesmo dia em que a Rússia assinala o aniversário da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazi. E entrar no Japão vai ficar cinco vezes mais caro. O visto para entrar no país nipónico vai aumentar já no dia 1 de julho, passa de € 16 para € 80. O governo japonês explica que quer alinhar os custos com os dos restantes países do G7 e garante que não vai haver impacto imediato no turismo. Este é o primeiro aumento destas taxas em quase 50 anos.